AUTORAS: Camilla Ares & D@n@Scully E-MAILS: camilla_scully@zipmail.com.br; cris_scully@hotmail.com NOTA: esta fanfiction é seqüência de Túnel de Luz SÍNTESE: Os agentes Mulder e Scully investigam uma misteriosa substância química, responsável pelo providencial sumiço de um renomado cientista. Durante a investigação Mulder é gravemente ferido, e na ânsia por salvar a vida de seu parceiro, Scully faz uma descoberta inusitada que irá afetar a vidas dos dois. CLASSIFICAÇÃO: drama /romance Descobertas Georgetown 8:00 a.m. O despertador tocava insistentemente. Scully abriu um dos olhos, não podendo acreditar que já estava na hora de levantar-se. Ela bateu com raiva no relógio, que parou de soar aquele ruído insuportável. Ficou mais alguns segundos na cama, olhando para o teto de seu quarto pensando se deveria ou não sair daquele leito tão confortável. Resolveu deixar a preguiça de lado e levantar-se de uma vez. Pegou o hobby que estava na cadeira ao lado da cama, vestiu-o e dirigiu-se ao banheiro a fim de realizar seus hábitos de higiene pessoal. Após ter completado a tarefa voltou ao quarto, vestiu-se com seu habitual terninho preto, com uma camisa de algodão por baixo, sapatos pretos de salto, para compensar-lhe a baixa estatura, e um sobretudo de lã. Este porém ficou no sofá da sala, enquanto ela preparava o café da manhã. Scully checou as horas: 8:45. Andou apressada para seu quarto e parou na porta: —Mulder! Hora de acordar! – ela chamou relativamente alto —Hã? – ele levantou a cabeça, ainda sonolento —Já está na hora, Mulder! Não se faça de desentendido! —Já vou, já vou! – ele reclamou, levantando. —O café está quase pronto. Vá tomar um banho enquanto eu termino, certo? —Certo..."mamãe"! – ele sorriu coçando a cabeça e bocejando Scully terminou de arrumar a mesa: leite, café descafeinado, queijo light, manteiga light, suco de laranja, pão integral , geléia de framboesa e o cereal preferido de Mulder: HooneyNuts. Ela sentou-se e ficou esperando o namorado. De repente um perfume masculino invadiu a casa. Mulder estava pronto. Ele foi até ela, deu-lhe um beijinho e saborearam o café da manhã, enquanto liam o jornal. Assim que terminaram, arrumaram suas coisas e partiram para o Bureau. Há dois meses essa era a rotina a qual seguiam religiosamente. SEDE DO F.B.I. 9:30 a.m. Mulder e Scully chegaram à sala no porão e começaram de onde haviam parado no dia anterior. Estavam investigando o desaparecimento de Derek Campbell, um cientista químico que havia descoberto uma substância que alterava o metabolismo das vacas leiteiras fazendo com que elas produzissem o dobro da quantidade de leite que uma vaca normal produziria. Ele trabalhava para a DayTech, uma conceituada companhia química responsável pela patente de diversos remédios e outros produtos do ramo. O conselho federal de patentes estava testando esta nova substância que o Dr. Campbell havia descoberto e antes que o resultado fosse divulgado o cientista tinha pedido uma reunião com os organizadores do conselho para alertá-los sobre algo. Mas um evento muito suspeito ocorrera antes do homem falar com o conselho: na noite anterior à viagem, a rua onde o cientista residia ficou sem força elétrica. Os vizinhos relataram que trinta minutos depois da falta de energia, eles puderam ver uma luz muito forte pairando sobre a casa do Dr. Campbell e logo após essa luz desaparecer a energia voltou. Eles chamaram a polícia, que ao invadir a casa do cientista constatou que este havia desaparecido misteriosamente. Foram realizadas várias buscas, mas ao perceberem que se tratava de algo desconhecido resolveram contatar o F.B.I., que encaminhou o caso para os agentes especiais Fox Mulder e Dana Scully. Mulder resolveu que seria melhor eles irem até a DayTech para especular. —Eles não vão nos contar nada, Mulder! – disse Scully —Eu sei, Scully, mas temos que fazer pressão, algo me diz que o pessoal da empresa está envolvido! —Por que diz isso, Mulder? —Porque eles tinham interesse que o produto fosse aprovado. Imagine de quanto seria o lucro da DayTech se eles vendessem para as produtoras de leite. Isso tudo é uma máfia, Scully, e o governo pode estar seriamente envolvido. —O governo? – ela se surpreendeu —Lógico! Olha aqui estes nomes: três senadores têm ações da DayTech, isso é ilegal - ele apontou para o papel —Mulder, isso é gravíssimo! O que nós temos em mãos pode gerar muito barulho no senado. Eles não vão deixar que continuemos a investigação. —Eu sei, por isso temos que agir rápido. —E a história da luz que "levou" o Dr. Campbell? – perguntou Scully —Coisa do governo. "Eles" estão por trás disso tudo, eu tenho certeza! DAYTECH CO. Virgínia 1:00 p. m. Os agentes foram visitar a empresa. Ao chegarem no local, identificaram-se e foram encaminhados até a sala do presidente, o senhor Richard Wolmes. —Boa tarde, agentes, em que posso ajudá-los? —Nós viemos saber do desaparecimento do Dr. Derek Campbell.- respondeu Mulder —Bom, nós já dissemos o que sabíamos para a polícia. Ele era um excelente funcionário. Um verdadeiro gênio. Sua última descoberta pode revolucionar o mundo da indústria de laticínios. Ele estava para reunir-se com o conselho de patentes quando... bom, quando alguém ou alguma coisa o levou. – respondeu o homem, que parecia estar confiante em suas palavras. —O senhor sabe o que ele queria com o conselho? – perguntou Scully —Não... – respondeu baixando os olhos —Muito Obrigado! – disse Mulder levantando-se da cadeira. – Será que podemos dar uma olhada por sua empresa? —Claro! Eu vou pedir à minha secretária que chame alguém para acompanhá-los. Saíram e logo um rapaz apresentou-se como guia. Enquanto isso, na sala do presidente, uma porta se abriu e o Canceroso saiu, tragando um cigarro. —Muito bem, Richard. Você foi convincente! – disse o Fumacinha —Eles estão fuçando pela companhia a uma hora dessas. E se eles descobrirem? —Impossível! Mulder nunca vai imaginar que a substância que o Dr. Campbell descobriu é, na verdade, a vacina que ele teve nas mãos um dia. – soltou sua costumeira baforada Mulder e Scully visitaram toda a empresa e nada de anormal surgiu. Partiram para o Motel mais próximo e resolveram descansar para no dia seguinte voltarem a Washington. Motel Cruiser 7:00 p. m. Scully saía do banheiro, enquanto Mulder terminava de checar os papéis das possíveis evidencias encontradas na casa do cientista. Ele estava intrigado demais com toda aquela história. Sabia que a substância que o doutor havia descoberto devia ter mais importância do que a meramente comercial. Ele pegou uma pasta que estava no meio de alguns papéis e uma foto caiu. Mulder abaixou-se para ver a tal foto. Seus olhos brilharam. —Scully, veja isso! – ele entregou a foto para ela. —O que tem? São amigos de trabalho, Mulder! – disse ela —Olha este sujeito aqui. – ele apontou para um dos homens na figura —Eu não o reconheço, Mulder! —O nome dele é Bronschweig. Eu sem querer topei com este nome quando investigava o vírus alienígena. Ele está no projeto, mas desapareceu misteriosamente. Seus dados foram apagados dos registros do Bureau e sua esposa foi internada em uma clínica para inválidos, logo depois de sofrer um derrame. Você não está vendo, Scully, eles estão por trás disso tudo! —Meu Deus, Mulder! Então o Dr. Campbell era um joguete nas mãos dos poderosos. E essa substância que ele descobriu, pode ser na verdade... —A vacina! – ele completou, estalando os dedos Resolveram que convocariam uma reunião com o Diretor Assistente Skinner assim que chegassem a Washington e contariam tudo. Sabiam que estavam mexendo em um vespeiro, mas queriam acabar com toda aquela sujeira. Antes, porém, aproveitaram a noite para resolverem alguns "assuntos pessoais". —Scullyyy! – Mulder chamou, feliz da vida por ter descoberto toda a tramóia —Sim, Mulder?- ela respondeu sem olhá-lo —Eu estou tendo umas idéias... —Que idéias? —Sabe aquele livro que você me deu quando completamos um mês juntos, como namorados? —Sim, aquele sobre como aumentar a duração do prazer numa relação íntima através da prática tântrica? —Esse mesmo! —O que tem? —Eu já acabei de ler! - ele fez cara de safado —Hummm.... isso é interessante! – ela sorriu —Quer uma lição grátis? —Deixe-me pensar... ... ... é, vou querer, sim! Ele puxou-a para si e cobriu-a de beijos apaixonados. E praticaram um pouco desta arte milenar por um bom tempo, até que resolveram guardar energias para o dia seguinte. QUARTEL-GENERAL DO FBI EDIFÍCIO J. EDGAR HOOVER WASHINGTON, D.C. Mulder e Scully estavam prontos para reunir-se com uma junta que avaliaria as evidências que seriam apresentadas. Mulder estava impaciente, comia suas preciosas sementes de girassol quase compulsivamente. Scully mexia as pernas nervosamente, e checava a cada minuto se sua roupa estava adequada e se a gravata que Mulder usava não estava desalinhada. —Podem entrar! – disse Skinner Entraram e sentaram-se frente a quatro senhores de semblante nada hospitaleiro. Um deles checava os papéis com os relatórios e as possíveis denúncias feitas pelo casal de agentes. —Boa tarde! – começou aquele parecia ser o presidente da reunião.- Vocês convocaram esta reunião de emergência pois segundo seus relatórios vão fazer graves acusações contra membros do governo, certo? —Certo! – Mulder respondeu —Aqui consta que o Dr. Derek Campbell estava envolvido em uma operação secreta para o desenvolvimento de uma vacina que está sendo encomendada por membros do governo para que a colonização que um grupo de procedência extraterrestre não venha a afetar parte da população. Meu Deus, agente Mulder, você acha que isto aqui é brincadeira? —Não, senhor. Isto é muito sério, inclusive eu tenho alguns nomes que podem estar envolvidos. Nomes de representantes do poder público. —Por favor, agente Mulder, sejamos coerentes. —É só isso que eu venho buscando, coerência. A companhia química DayTech está envolvida na fabricação de uma substância para fins escusos. Na verdade esta substância que o Dr. Campbell, descobriu é muito mais do que um simples hormônio para vacas, esta substância é a prova de tudo o que eu venho buscando em todos estes anos de trabalho. —E onde está a suposta vacina? – perguntou um dos senhores —É por isso que eu solicitei esta reunião. Só os senhores poderão me dar permissão para que eu venha a ter acesso a esta formula. —Agente Scully, você concorda com tudo isso? —Como os senhores puderam ler no meu relatório, eu concordo piamente em todas as alegações que o agente Mulder fez. Eu fui curada por esta vacina há um ano e tenho certeza que se alguém pode nos ajudar a obter esta fórmula, este alguém são os senhores. – Scully estava séria —Bom... nós teremos um recesso, e voltaremos daqui a duas horas para resolvermos de vez esta questão. Os dois deixaram a sala desanimados. Sabiam que seria muito difícil, mas continuariam tentando. Eles foram ao restaurante mais próximo do prédio para comerem alguma coisa. Eles sentaram-se em uma mesa e pediram o prato principal —O que você está achando disso tudo, Scully? —Eu acho muito difícil eles aceitarem nosso pedido, Mulder. —Mas nós precisamos continuar tentando. Nós estamos perto, Scully, eu sinto isso. —Eu sei, Mulder. Eu sei. . Os dois ainda estavam muito nervosos com toda aquela situação, tanto que Scully nem tocou na comida. —Não está com fome, Scully?- perguntou Mulder de olho no bife do prato dela —Pode pegar, Mulder. Eu não estou me sentindo bem. Vou até o banheiro lavar o rosto. – ela levantou-se depressa e de repente tudo escureceu e ela desmaiou. —Scully! – Mulder gritou Ela logo voltou a si. Um médico que estava no mesmo restaurante sugeriu que ela descansasse um pouco, pois parecia muito abatida. Mulder pagou a conta e foram rumo ao prédio do FBI. Scully ficou do lado de fora da reunião se recompondo enquanto Mulder era interrogado sobre os nomes dos funcionários do governo ligados a conspiração. Ele se recusou e foi suspenso por tempo indeterminado. Scully já estava melhor e eles saíram do prédio em direção ao carro. Mulder estava muito abatido, mas resolveu que continuaria investigando mesmo assim. Quando estavam prestes a entrar no carro, um tiro foi disparado de algum lugar e atingiu Mulder, que caiu no chão sangrando muito. —Mulder! Por favor fale comigo! – pedia Scully desesperadamente. Ela pediu que alguém chamasse uma ambulância enquanto tentava prestar os primeiros socorros. A ambulância chegou rápido e levou Mulder para o pronto socorro, onde o encaminharam para a sala de cirurgia imediatamente. Por razões pessoais impediram Scully de operá-lo, ela então ficou na sala de espera muito aflita. O médico depois de uma hora saiu da sala e a chamou num canto. Ele disse que Mulder precisaria de uma transfusão de sangue rapidamente e que eles tinham uma boa quantidade do tipo sangüíneo dele, mas que não seria suficiente. Scully se prontificou a doar sangue para ele já que era doadora universal. Para isso teve de fazer os exames obrigatórios, que sairiam em vinte minutos, para ver se estaria apta. Enquanto isso eles fariam uma parte da transfusão. 20 minutos depois... —Não pode ser! – exclamou Scully arregalando os olhos —Sinto muito, mas você não poderá doar, teremos que achar outra pessoa – disse o médico —Isso é impossível, esse exame está errado, ou foi trocado... quero fazer outro exame! —A Srta. que sabe, mas precisaremos de sangue rápido, será arriscado esperarmos os resultados de outros exames... —Eu posso doar – ofereceu-se Skinner, que estava chegando naquele momento e ouviu o fim da conversa —Ótimo! – disse o médico - Vamos fazer os exames e assim que for possível faremos a transfusão.- disse o médico indicando a sala onde o Diretor Assistente deveria de encaminhar —Não pode ser!!! – dizia Scully para si mesma Depois de algum tempo o sangue de Skinner foi retirado e ele pôde salvar a vida de Mulder, que agora estava na UTI , mas fora de perigo. E os exames em Scully foram refeitos, porém os resultados foram os mesmos. Ela estava na sala de exames, com um papel na mão. —Isso é impossível, não posso estar grávida! – ela falou para a responsável pelos exames —Sinto muito, mas esse exame tem acerto de 100% e você estava presente na realização dele... —Eu sei, mas não entendo como pôde acontecer! Eu não posso ter filhos, já fiz vários exames que comprovaram isso! —Estranho... mas seja o que for que você tinha, não tem mais, pois você está grávida... —Assim sem mais nem menos? Muito esquisito... —Vai ver alguma coisa alterou seu corpo e você nem sabe... – a moça respondeu com certa irritação – bom, vou marcar uma ultra- sonografia pra você amanhã de manhã pra sabermos ao certo de quanto tempo você está, ok? —Ok... – Scully respondeu com um suspiro. As duas deixaram a sala e foram marcar o exame. Depois Scully foi até o quarto de Mulder, sentou-se ao lado dele em uma cadeira e segurou sua mão. Como era triste vê-lo naquele estado, sem poder fazer nada para ajudá- lo. Queria poder contar a ele a novidade, comemorar junto. Ela se sentia tão sozinha, frágil. —O que exatamente aconteceu com o agente Mulder, agente Scully? – perguntou Skinner, entrando no quarto —Nós estávamos saindo do prédio, e de repente ele estava no chão se esvaindo em sangue. – ela contou tentando controlar o choro —Você está bem de saúde? – ele perguntou —Sim, estou. Por quê? – ela olhava para Mulder no leito, com aparelhos ligados a seu corpo. —Você não pôde doar sangue para ele, não é? —Sim. – ela não o encarava —Algum problema? – diante do silêncio de Scully, ele repetiu – Algum problema, Scully? —É que... eu... eu estou grávida, senhor – ela baixou a cabeça e cobriu o rosto com as mãos. —Grávida!? De quem? – Skinner ficou surpreso —Do agente Mulder – ela olhou para ele com os olhos cheios de lágrimas. —Essa não! – ele levantou-se e saiu andando pelos corredores do hospital Scully ficou naquele quarto frio de hospital com a cabeça confusa. Não sabia se ficava feliz ou triste, a única certeza era de que , no momento, seu maior desejo era que Mulder acordasse para que juntos pudessem continuar suas vidas, agora mais repleta de esperanças do que nunca. GEORGETOWN 11:49 p. m. Scully foi para casa mas custou a dormir. Tentava achar uma explicação. Como poderia estar grávida se tinham tirado todos seus óvulos? Era cientificamente impossível! A não ser que... veio à mente as palavras da médica dizendo que "talvez algo tenha alterado seu corpo e você nem saiba". Como num estalo, fez uma ligação com o caso que ela e Mulder investigavam. Se Mulder estava certo e o que era injetado nas vacas era a mesma vacina que ele injetara nela, então era isso que a tornara fértil outra vez! A vacina de alguma forma alterara seu metabolismo fazendo-a voltar a produzir óvulos. Na manhã seguinte Scully estava de volta ao hospital. Foi ver Mulder e depois foi fazer o ultra-sonografia. Enquanto o médico fazia o exame, Scully olhava para a tela. Na faculdade aprendera superficialmente como "ler" a tela, mas o suficiente para ver o pequenino ser que se formava dentro dela, fruto de momentos maravilhosos passados com o grande amor de sua vida. Ela precisava dele ao seu lado, queria compartilhar desse momento sublime de suas vidas. Lembrar que ele ainda se encontrava inconsciente fez com que uma lágrima rolasse em seu rosto. —É seu primeiro filho? – perguntou o médico ao notar que Scully estava muito emocionada Scully respondeu que sim, balançando levemente a cabeça. —E seu marido, não pôde vir ? —Eu não sou casada... – ela respondeu com o constrangimento que uma boa garota católica deveria demonstrar O médico resolveu não fazer mais perguntas pessoais, percebendo o clima ruim que se instaurou no local. Ele continuou o exame e após constatar que estava tudo bem com a mãe e o bebê, pediu que ela colocasse suas roupas novamente, retirando o jaleco esverdeado que é usado em ocasiões como esta. Eles conversaram um pouco sobre os próximos exames que deveriam ser feitos e despediram-se formalmente. Terminado o exame, Scully decidiu ir visitar sua mãe. Precisava falar com alguém. Residência de Margaret Scully Baltimore, MA 11:21 a. m. —Oi, Dana! – Margaret deu um logo abraço na filha —Oi, mãe! Elas entraram e foram para a sala conversar. Scully então contou para a mãe que estava grávida. Margaret ficou radiante de felicidade ao saber da novidade, embora um tanto intrigada. —Mas Dana, você tinha me dito uma vez que não podia, você fez algum tratamento? —Não... Ela explicou por cima o caso que investigavam e o que provavelmente tinha sido o responsável por alterar seu corpo e tornar possível que ela pudesse ser mãe. —Mãe, estou tão feliz! —O Fox já sabe, Dana? Scully suspirou e abaixou o olhar, meneando a cabeça negativamente. Contou o que havia acontecido e que ele estava na UTI. Conversaram por cerca de uma hora, quando Scully resolveu ir embora. —Vou indo agora, mãe... depois eu te ligo! —Vai com Deus, Dana! Eu vou rezar para que o Fox se recupere logo! —Obrigada, mãe! Despediram-se e Scully dirigiu-se direto para o hospital. Lá chegando, recebeu uma ótima notícia: Mulder havia acordado e estava fora da UTI. Scully apressou-se em ir até ele. —Oi, Scully! – Mulder sorriu ao vê-la —Oi, Mulder! Que bom que acordou! – Scully foi até ele e beijou-lhe suavemente os lábios – Como se sente? – ela sentou-se na cama e acariciou- lhe os cabelos —Estou bem...Onde você estava? Senti sua falta! —Fui visitar minha mãe... —Ah... tá tudo bem por lá? —Tá tudo bem... – ela fez uma breve pausa, depois continuou - Mulder, tem uma coisa que eu preciso te contar... —O que foi, Scully? – pelo semblante dela, ele percebeu que era algo muito sério —É... – ela não sabia direito como dizer-lhe que ele iria ser pai, resolveu partir do começo – a vacina que você aplicou em mim lá na calota polar... ela de alguma forma mudou meu metabolismo, e... bom, não sei exatamente como, mas eu posso ser mãe agora... Mulder prestou toda atenção no que ela dizia, e ao ouvir suas últimas palavras, abriu um sorriso de lado a lado e a abraçou. —Isso é maravilhoso, Scully! – ele estava muito feliz Scully sorriu, mas seu rosto ainda mantinha uma expressão de preocupação. —Algum problema, Scully? Você não parece feliz... —Eu estou extremamente feliz, Mulder, você nem imagina o quanto! Só estou um pouco... assustada... —Assustada? Por quê? —É que... bom, já faz um tempo que a gente tá junto e... você sabe, não usamos nenhum contraceptivo e... —Espera um pouco, Scully – ele interrompeu – você tá querendo me dizer que... – ele olhou para ela e sorriu —É, estou esperando um filho seu... Eles novamente se abraçaram, e Mulder afagava os cabelos dela. —Essa é a melhor notícia que eu poderia ter! Por que você está assustada? – ele perguntou acariciando o rosto dela —Ah, Mulder, é que foi tudo tão de repente! Eu gosto de tudo planejado, certinho... e de uma hora para outra fico sabendo que estou grávida, uma coisa que eu nem sequer sonhava! E agora fico pensando como será minha vida daqui para frente, será que vou conseguir conciliar o trabalho? Será que vou ser uma boa mãe? —Claro que vai, Scully! – ele pegou carinhosamente na mão dela – e além do mais sempre estarei do seu lado para te ajudar! Afinal de contas eu também sou responsável por essa criança que você carrega dentro de você... —Eu te amo, Mulder! —Eu também te amo, Scully! Trocaram um beijo apaixonado, e então Mulder perguntou: —De quanto tempo você tá? —Três semanas... Ele olhou para a barriga da amada e acariciou- a. Seus olhos encheram-se de lágrimas e ele tratou de conter a emoção que estava sentindo. Não queria chorar na frente de Scully, pelo menos não neste momento. 1 semana depois 7:24 p. m. Nos dias que se seguiram Mulder havia se recuperado muito bem, o médico já iria lhe dar alta. Ele e Scully aguardavam no quarto, enquanto arrumavam os seus pertences. —Mulder, deixa que eu arrumo isso, sim? – disse ela vendo que ele estava abaixando-se sem cuidado algum com o ferimento para pegar o sapato que caíra de suas mãos. —Scully, eu não estou inválido! Você é que deve tomar cuidado carregando peso, afinal já se esqueceu que nosso filho está se desenvolvendo aí dentro ? – ele apontou para a barriga de Scully —Eu não estou carregando peso nenhum... e como posso esquecer que estou grávida? Eu enjôo a cada quinze minutos! E se alguém me descreve alguma coisa comestível eu fico pensando em como seria bom devorá-la. - ela disse arregalando os olhos. —Scully, aproveitando que estamos falando sobre impossibilidades físicas geradas pela gravidez, eu queria saber como vai ser quando voltarmos para o FBI. —Eu andei pensando muito sobre isso e acho melhor eu pedir uma licença... afinal, o Skinner sabe de tudo e não vai se impor . —Eu não gostaria que você se afastasse dos Arquivos - X , Scully, eu não sei trabalhar sem você! – ele disse meio cabisbaixo —Mas não vai ter jeito, eu não posso me arriscar e principalmente não posso arriscar a vida do nosso filho! O que eu posso fazer é te auxiliar pelo celular, ou pelo computador quando você for pra campo investigar... fora isso, eu acho arriscado demais, Mulder. —Você está certa, eu não posso ser egoísta.- ele abraçou-a e beijou- lhe a testa. —Além disso – ela continuou – você sabe que o Bureau tem aquela norma que não permite que dois agentes do mesmo setor se envolvam, isso é motivo para exoneração... —É, eu sei... é a norma mais idiota que eu já vi! Tenho certeza que o imbecil que inventou isso nunca trabalhou com uma parceira tão atraente e charmosa como você, Scully! – ele beijou docemente os lábios dela, que sorriu De repente a porta do quarto abriu e eles afastaram-se rapidamente. Uma mulher alta, morena, aparentando uma idade avançada, mesmo que disfarçada pela plástica mal feita, entrou com um sorriso sinistro no rosto. Scully, ao reconhecê-la, sentiu náuseas e teve que correr para o banheiro. Mulder ficou olhando para aquela senhora com desprezo. —O que faz aqui, Diana? – ele perguntou —Oras! Que recepção, Fox! Eu vim aqui te visitar... – ela sorriu e se aproximou dele que deu um passo para trás. —Eu não preciso que você me visite. Já viu que eu estou bem? Então, se manda! – ele disse secamente e olhou para Scully que saía do banheiro. —Fox, se eu fosse você não falaria assim comigo! – ela ameaçou Mulder —Fowley, vá embora antes que as coisas fiquem ainda piores pra você! – disse Scully nervosa —Como tem passado, agente Scully? Eu ouvi que você anda tendo muitos enjôos, e que engordou um pouco – ela olhou Scully de cima a baixo —Isso não é de sua conta, agora nos faça um favor e vá embora! – Scully gritou com a megera —Se eu fosse você abaixava o tom de voz – falou calmamente, com total cinismo - caso contrário eu corro para a sala dos chefões do FBI e entrego este exame de gravidez e uma fita com alguns diálogos interessantes entre você e o Fox! – ela sorriu ao ver a cara dos dois. —Sua vagabunda!!! – gritou Mulder —Calma, Mulder! – Scully segurou na mão do parceiro —O que você está querendo, Diana? – perguntou Scully —Fácil! Que você desista da carreira no FBI e eu entre no seu lugar, afinal, eu e o Fox é que abrimos os Arquivos - X , e nada mais justo que eu volte ao lugar de onde jamais deveria ter saído. Mulder e Scully se entreolharam assustados. Eles sabiam que Diana era capaz de fazer o que falava, o que poderia custar-lhes o emprego. Embora já houvessem optado por Scully sair temporariamente do FBI, em nenhum momento cogitaram Mulder ter uma outra parceira, muito menos que esta fosse Diana Fowley. Foi então que Scully, em uma atitude totalmente racional disse: —Muito bem! Você conseguiu o que queria, eu vou deixar o FBI e solicitarei que você seja minha substituta... mas que fique bem claro: se você se insinuar para o Mulder eu acabo com sua vida, entendeu? – disse Scully apontando o dedo na cara da ordinária. Diana saiu contente da vida e deixou os agentes apreensivos com o que o destino lhes reservava. Apesar de toda a preocupação por estarem nas mãos de Diana Fowley, deixaram o hospital alguns minutos depois, juntos, e assim pretendiam continuar, para sempre. Continua...