Título: Um Ano Sem Você II Autora: Mônica Almeida e-mail: kikaalmeida@hotmail.com Disclaimer: Fox Mulder e Dana Scully não pertecem a mim (quem dera...). Pertencem a Chris Carter, 1013 Productions e Fox Network. Categoria: Shipper Sumário: Mulder e Scully passam um ano separados. Ponto de vista de Mulder. Um ano se passou. Um ano sem ouvir sua voz, ver seu sorriso lindo, ou olhar nos seus olhos azuis. Um ano sem ouvir você contestar cada teoria minha, para, quase sempre, no fim admitir que eu estava certo. Um ano sem falar piadinhas bobas só pra poder ver você sorrir. Um ano sem lhe tocar deliberadamente só pra lhe dar passagem, e sem poder lhe dar força nos momentos difíceis. Um ano sem você. Há exatamente um ano eu entrei no nosso escritório arrasado. Haviam fechado os Arquivos X e, por mais que tivéssemos lutado e tentado evitar, nada mais pudemos fazer. Foi horrível para mim e sei que para você também. Eu entrei no escritório sem conseguir lhe encarar. Não queria que você visse minha tristeza. Peguei uma caixa vazia e comecei a arrumar minhas coisa dentro. "Mulder, o que está fazendo?", você me perguntou. Sua voz soou um pouco tremida. Eu olhei você nos olhos por alguns momentos. Pude ver medo e ansiedade dentro deles. Não consegui mais olhar pra você e voltei a empacotar minhas coisas. "Estou indo embora, Scully." "Do F.B.I?" "De tudo. Estou indo embora do F.B.I, do meu apartamento, de Washington, talvez até do país." "Mulder, você não pode fazer isso!" Sua voz saiu engasgada, assustada, como se não acreditasse no que estava ouvindo. Eu me aproximei de você e segurei nos seus ombros. Eu olhei nos seus lindos olhos e sei que minha voz estava triste quando falei. "Scully, me escute com atenção. Eu estou indo embora. Eu preciso ir embora. Você pode achar que eu estou fugindo, mas não é verdade. Eu passei a minha vida toda em busca da verdade e agora tudo acabou. Eu preciso de um tempo. Um tempo de tudo. Um tempo só pra mim. Você me ensinou muita coisa. Eu já lhe disse uma vez e vou repetir. Você me ajudou a ser o que sou, você me manteve honesto esse tempo todo, eu devo tudo a você...Eu preciso lhe pedir uma coisa." Nesse momento eu parei. Estava com vontade de chorar. Seus olhos também se encheram d'água. Você continuou olhando pra mim. "Scully...Scully, eu quero lhe pedir uma coisa. Você é a pessoa mais importante do mundo pra mim, mas por favor, não me procure. Eu preciso desse tempo pra mim. Eu não sei quando, mas eu vou voltar. Eu quero que você me prometa isso. Me prometa que não irá me procurar." Você estava chorando. "Mulder, eu não posso prometer isso..." Eu coloquei um dedo em seus lábios. Eu continuei a falar com você, embora com dificuldade. "Scully, por favor, não me procure, me prometa isso. Eu prec...Eu...Por favor, se você me...Se você sente por mim mais do que...respeito e amizade...um pouco mais que isso, me prometa que não vai me procurar, por favor..." Nós dois estávamos chorando. "Promete?" Foi com dificuldade que você respondeu. "Está bem, Mulder, eu prometo." Eu olhei pra você longamente. Queria me afogar nos seus olhos, lhe abraçar forte. Ao invés disso, lhe dei um rápido beijo nos lábios, peguei minhas coisas e saí. Ao fechar a porta, eu me recostei nela. E falei baixinho, sabendo que você já não estava mais me ouvindo. "Eu amo você, Scully." E fui embora. Não dei mais notícias. Eu precisava pensar em minha vida, em tudo que me aconteceu. Eu me sentia culpado por tudo que aconteceu a você. Sua abdução, a morte da sua irmã, seu câncer, Emily. Eu não queria que nada de mal lhe acontecesse mais. Passei uns tempos na minha casa de infância, em Vinhedo da Martha. Depois viajei pelo país, procurando respostas dentro de mim de tudo que aconteceu. Em nenhum momento deixei de pensar em você. E quanto mais tempo eu ficava longe de você, mais angustiado ficava. É como se eu tivesse que me punir pra redimir toda culpa que estava sentindo. Até que cheguei a Malibu. Aluguei uma casa na beira da praia, um pouco afastada do barulho e do burburinho central. Aos poucos, fui conseguindo encontrar a paz. Algumas garotas, bonitas e bronzeadas, se aproximaram de mim. Mas em todas elas eu lhe via, ao mesmo tempo que as descartava justamente por não serem você. Então, um dia, eu finalmente consegui respirar aliviado. O peso da culpa já não me atormentava mais. Eu senti que tinha o direito de ser feliz e, esperançoso, lhe mandei um e-mail bem simples que dizia: "me encontre na praia de Malibu, em frente ao posto salva vidas nº 9, no dia 20 de julho, às 6:00 p.m." E, finalmente, chegou o dia. O dia que vou lhe ver depois de tanto tempo. Eu saio de casa uns quinze minutos antes do horário marcado. Nunca me senti tão ansioso na vida. Apesar de saber que você vai estar me esperando, no fundo, bem no fundo do meu coração, pequenas dúvidas me perturbam. Será que você vai estar mesmo no lugar marcado? Será que pensou em mim esse tempo todo, como eu pensei em você? Será que não me esqueceu? Então eu vejo você e minhas dúvidas todas se desfazem. Como eu senti sua falta. E como você está linda. É a primeira vez que lhe vejo assim, num vestindo florido, de alcinhas, as sandálias brancas e, incrível, sem saltos, nas suas mãos. Minhas mãos tremem tanto que as coloco nos bolsos da minha bermuda. Eu me aproximo de você sorrindo. "Está linda assim, Scully." Você me olha sorrindo e eu penso como é que eu pude ficar longe desse sorriso por tanto tempo. E me responde. "Você também, Mulder." Ficamos nos olhando por um bom tempo até que você quebra o silêncio. "Então, você veio conferir se as garotas aqui são tão lindas como em Baywatch?" Eu rio da sua brincadeira. "Elas são lindas, sim, porem todas têm um grande defeito." "Qual?" Você me pergunta quase sem voz. "Nenhuma delas é você." Nós sorrimos um para o outro. Seu sorriso é pura felicidade, seus olhos brilham e isso me faz mais feliz ainda. Eu seguro suas mãos. "Foi bom ficar longe de tudo esse tempo todo, Scully, embora eu quase tenha morrido de saudades de você. Porem, sua ausência me fez perceber duas coisas: que eu tenho direito a ser feliz e que não posso ser feliz sem você." "Bom, Mulder, não serei eu a lhe tirar esse direito." Nós nos abraçamos. Eu lhe aperto docemente em meus braços. Meu Deus, como eu esperei por isso. Depois nos olhamos de novo e nos beijamos. E esse beijo traduz tudo que sentimos um pelo outro. Carinho, ternura, amizade, respeito, tesão e sobretudo, amor. Nós não precisamos mais de palavras para sabermos o que sentimos. Nós nos amamos e iremos fica juntos e ser felizes. Para sempre. Nós nos afastamos e sorrimos um para o outro mais uma vez. Eu tomo sua mão e saímos andando pela praia, enquanto o sol se põe no mar, atrás de nós. FIM Críticas, elogios, sugestões, serão todos bem vindos. Beijos.