FAN FICTION AUTORA : Sky E-MAIL : pisosul@uol.com.br DISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o divertimento e entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há interesse lucrativo. CLASSIFICAÇÃO : Shipper SINOPSE : Scully seria capaz de fazer um acordo com o diabo ? Ou ela sempre esteve ao lado deles ? OBSERVAÇÕES : Por favor me digam o que acharam, escrevi correndo, mas tinha a idéia na cabeça E quis passar para o papel, críticas e sugestões são bem-vindas. TRAIÇÃO E SAUDADE ESCRITÓRIO DO FBI Washington DC Mulder estava sentado em sua sala, os pés sobre a mesa, beliscando sementes de girassol, aguardando a chegada de Scully para terminarem um relatório sobre o último caso que investigavam. Ele estava eufórico, parecia que, finalmente conseguiria denunciar e punir alguns membros do governo , pessoas estavam desaparecendo sem nenhum motivo aparente e eles já haviam juntado provas suficientes para ligar o caso ao Sindicato, ainda assim, eles precisavam interrogar uma testemunha que poderia esclarecer muitas coisas. O telefone tocou insistente. __ Mulder ! __ atendeu distraído Uma voz metálica, artificial, como produzida por computador, perguntou do outro lado. __ Agente Mulder ? Confia em sua parceira ? __ Quem está falando ? __ Confia ? __ Escute aqui, imbecil, se não me disser quem é vou desligar, entendeu ? Quem está falando ? __ Só um amigo, Agente Mulder, que não quer que sua causa se perca, ela não é sua amiga, lembre-se , não confie em ninguém, isto inclui principalmente ela. Te darei provas. O telefone ficou mudo, Mulder tentou mas só conseguiu saber que a ligação tinha sido feita de algum lugar dentro do FBI. Scully entrou na sala e encontrou Mulder esbravejando. __ Nossa !! A fita de ontem não era boa, Mulder ? __ela perguntou irônica. __ Alguém me ligou, aqui de dentro, não se identificou. __ O que ele disse ? __ perguntou ela colocando o casaco sobre a mesa e apoiando-se nela em frente a ele. __ Não disse que era "ele " __ cortou ele ríspido . Ela limitou-se a fitá-lo __ Disse para não confiar em você __ falou buscando os olhos dela. Ela ficou séria, franziu a testa, depois, dando de ombros, ergueu as sobrancelhas e esboçou um sorriso triste. __ Você não confia em mim, Mulder, qual é o problema de outra pessoa constatar isto ? __ Você é a única pessoa em quem confio, sabe disto. __ Não é verdade, se confiasse não estaria aí esmurrando a mesa, esbravejando, isto não teria te afetado assim. Ele não teve resposta, ela fitou-o por um instante e deixou a sala dizendo : __ Hoje não estaremos juntos, Mulder, Skinner me quer para uma reunião no escritório central, parece que eles querem explicações sobre o caso do desaparecimento que nós estamos investigando, pediu que eu o representasse, queria alguém de confiança, irônico, não ? Saiu deixando-o só, caminhou até a sala de Skinner e inteirou-se da missão que a aguardava, estava quieta, com expressão abatida . Seguiu sem despedir-se, precisava pensar, tomar uma decisão. Mulder voltou a sentar-se, desalentado, porque não dissera a ela que não acreditava naquilo ? Porque ainda tinha tanto medo ? Porque não conseguia se entregar às pessoas e, sobretudo, à ela, sem reservas ? Cobriu o rosto com as mãos, de repente levantou-se , pegou a pasta do arquivo que investigava e saiu. Encontrou-se com a Agente Susan Smith na escada. Ela havia sido designada para trabalhar com eles neste caso e, tanto Mulder quanto Scully não haviam gostado da interferência em sua tão completa e fechada parceria. Faziam o possível para mantê-la afastada do caso, designando-a para fazer pesquisas e visitas sem importância. __ Estava indo procurá-lo, Agente Mulder, o Diretor Assistente Skinner pediu que te ajudasse enquanto a Agente Scully estiver fora, ela já me passou alguns detalhes do caso. __ Não preciso de ajuda, não da sua, posso resolver sozinho. __ Acredite, Agente Mulder, isto me desagrada tanto quanto a você, mas recebo ordens e sei cumprí-las. Ele respirou fundo, estava paranóico. __ Desculpe, estava indo à sala do legista, parece que encontraram um corpo. __ Vamos ver__ ela respondeu indiferente. Scully e Mulder não se viram mais durante o dia, ambos mergulhados em seus próprios afazeres e pensamentos. Susan estava cansada, não estava acostumada com a energia que Mulder tinha, dirigir de um lado para o outro, questionar um sem número de pessoas, queria ir para casa descansar, ainda teria um encontro que , previa, não seria dos mais agradáveis. Ao chegar em casa, Mulder viu um envelope embaixo da porta, dentro havia uma foto de Scully, junto ao Canceroso, examinando uma pasta, parecia que ela entregava informações. O telefone tocou. __ Agente Mulder, recebeu meu presente ? __ Quem é você, desgraçado, o que quer ? Não acredito em suas mentiras. __ Acredita que a Agente Scully foi realmente à uma reunião ? Talvez agora ela esteja no FBI, confundindo as provas de sua investigação, anotando informações, apagando arquivos, porque não vai até lá confirmar ? Novamente a linha ficou muda, ele pegou as chaves sobre a mesa e saiu. Encontrou Scully no escritório, revirando as gavetas, o computador ligado. __ Mulder ? __ ela o fitou intrigada __ O que faz aqui ? Pensei que estivesse em casa. __ O que VOCÊ faz aqui, Scully, o que está procurando ? __ a voz dele saiu mais alta e rude do que ele esperava. __ Deixei minhas anotações sobre os desaparecimentos aqui na gaveta, mas não estou encontrando, isso é uma bagunça, gostaria de rever alguns pontos __ ela pareceu não notar a atitude dele, estava serena. __ Nós já temos um suspeito, Scully, está preso, mas algumas provas sumiram dos meus arquivos, provavelmente irão soltá-lo e encerrar o caso, como sempre. __ Nós ?__ perguntou ela, como se tivesse ouvido apenas isto. __ Eu e a Susan, prendemos o suspeito esta tarde ,mas sem as provas... alguém, DELIBERADAMENTE, sumiu com as fotos e o disquete que encontramos. __ A Agente Smith ? Não sabia que trabalhavam juntos __ ela parecia dispersa. __ Sim, e ela me disse que você passou as informações para ela quando o Skinner a chamou, o que procura, então ? Ela esboçou um sorriso, fitou-o nos olhos por um momento. __ Entendo, e você acredita que eu tenha lhe entregado as provas que sumiram, o que eu estaria fazendo aqui, então ? Remexendo seus arquivos, procurando evidências, talvez para levar ao Canceroso ? É o que pensa ? __ Me explique esta foto ? Vocês dois juntos, não parece que ele te force a nada, Scully __ ele buscava desesperadamente os olhos dela, falava pausadamente, medindo as palavras, talvez esperando que ela o interrompesse indignada. Scully sentou-se, fechou lentamente os olhos segurando o papel. __ Estou cansada, Mulder, cansada de tentar provar-lhe que pode confiar em min, você pediu para que eu não confiasse em ninguém, no entanto, você parece não confiar apenas em mim. Não quero mais isto, não quero. __ Scully, só quero que você me diga se esta foto é verdadeira e o que ela significa__ ele apenas sussurrava. __ Não , Mulder, não vou dizer o que para mim é óbvio, se eu visse você aqui__ apontou a foto __ saberia exatamente o que é, não preciso desconfiar de você, não preciso que me prove a todo momento que posso confiar em você, esta cruzada sempre foi sua, nunca me permitiu fazer parte dela. Ela se levantou e saiu apressadamente. Ele ficou na sala, de repente grande demais para ele, sentiu que o ar lhe faltava. Porque ela não quisera responder ? Não era possível que o edifício que construíra estivesse abalado em suas bases, sem a confiança dela não poderia seguir, não sem ela. Ao sair do escritório, muito tempo depois, ele estava arrasado, tropeçou num outro envelope, dentro havia uma fita cassete. Ele pegou- a, rolou-a entre os dedos pensativo, fez menção de voltar para escutá- la, mas decidindo-se, pegou o blazer e saiu quase correndo. APARTAMENTO DE SCULLY Scully estava abatida, sentia-se aflita e cansada, muito cansada, como se estivesse no fim de uma jornada sem encontrar nada ao chegar além de tristeza e solidão. Após um longo banho, deitou-se no sofá abraçada a uma almofada, ligou a televisão sem, no entanto, escutá-la, seu pensamento estava longe, estava junto à silhueta de um homem alto, de sorriso maroto, humor instável, irônico, às vezes gentil e carinhoso, outras indiferente e rude, mas não com ela, sempre fora diferente, haviam estabelecido uma comunicação muda, entendiam-se perfeitamente, bastava olhar em seus olhos para identificar, através de seu brilho, tristeza, alegria, ironia. Ah !! Mulder, pensava ela, por que isto agora ? Tanto tempo para que você se abrisse, que aprendesse a acreditar mim, tudo perdido, perdido pela prova que eu tanto buscava, pela lembrança que você mais queria, pela pessoa que você mais ama. Ouviu batidas na porta mas não quis se levantar, fechou os olhos e ficou quieta esperando que fossem embora, mas não foram, alguém colocou a chave na porta e abriu lentamente. Ela já sabia quem era mas não se mexeu, continuou de olhos fechados. Ele aproximou-se e encarou-a durante um longo, longo momento, depois afastou uma mecha de cabelo que caia sobre o rosto dela e Scully abriu os olhos. __ Porque está aqui, Mulder ? __ ela sussurrou. __ Me perdoe, Scully __ Mulder, não... __ Me escuta __ ele ajoelhou-se em frente a ela, segurando- lhe as mãos __ eu estava errado, tente me entender, há alguns anos eu vivia completamente só, buscando respostas para perguntas que nem sei se podem ou devem ser formuladas, todas as pessoas que eu amei foram tiradas de mim. Então você apareceu, entrou na minha sala e na minha vida como uma luz, iluminando minhas idéias, me deu coragem para continuar uma busca em que só eu acreditava, eu esqueci minha vida, minha carreira, meus sentimentos, tudo para encontrar uma verdade e esta verdade quase me enlouqueceu. Ele respirou fundo, procurando os olhos dela, agora rasos de lágrimas. __ Você não imagina o que é não ter ninguém e de repente ver sua vida sendo invadida por uma pessoa que é tudo o que você sempre quis, que não me vê como um louco, estranho, que me dá tudo e não pede nada e ainda é a mulher de olhos mais lindos que eu já vi. Ela sorriu __ Entenda, era difícil de acreditar, bom demais para ser verdade. Ah !! Scully, você é tudo para mim, meu porto seguro onde eu venho buscar alimento para meu espírito, energia para o meu corpo, eles me deram você e agora querem tirar, abalar minha confiança, mas agora não importa, eu não acredito neles... __ Mulder eu....__ ela parecia constrangida com aquela situação. __ Deixa eu continuar__ ele colocou os dedos sobre os lábios dela __ quero que saiba tudo o que eu penso e sinto, Acredito que, embora sem prever, ao te colocarem ao meu lado eles me fortaleceram mas também me tornaram vulnerável, neste sentido, eles venceram, Scully, antes eu só tinha a mim, agora você é tudo o que eu preciso... __ PARE MULDER !! __ ela o afastou, gritando com voz tão fria e indiferente que ele se assustou __ Não quero mais falar sobre isto, não continue, eu não quero saber__ respirou fundo e continuou ___ Pedi transferência, não quero mais trabalhar nos Arquivo X, não quero mais trabalhar com você, quero minha vida de volta, vou voltar à medicina. Ele a fitava com os olhos muito abertos, sempre teve medo de dizer o que sentia para ela mas nunca esperara uma reação desta, sentiu- se magoado. __ Você se magoou mesmo, não é Scully ? __ a voz dele era apenas um fio. __ Ouça a fita que recebeu, Mulder, eu NUNCA estive com você, agora eu já fiz meu trabalho, tenho direito a continuar minha vida. Mulder levantou-se trôpego e inseguro, as lágrimas corriam pelo seu rosto e ele não se importava em secá-las, se tivessem atirado nele, a dor teria sido menor, ironicamente, todas as suas perdas haviam sido suportáveis porque aquela mulher tão adorada, que agora estava em sua frente parecendo enorme e desconhecida, estivera com ele. Esta mesma mulher desferia-lhe o golpe mais doloroso de sua vida. Deixou o apartamento dela e seguiu como um autômato até sua casa e assim Frohike o encontrou na tarde seguinte, após inúmeras tentativas de lhe falar ao telefone. APARTAMENTO DE MULDER Mulder não dizia nada, seus olhos estavam vidrados, secos, seus pensamentos vagavam e ele tentava entender o que estava acontecendo, ligando fatos, situações. Frohike não conseguiu tirá-lo da prostação, ele ainda segurava a fita entre os dedos e ele achou que ali poderia estar a resposta para o estado do amigo. Procurou um gravador e colocou a fita. Nela ouvia-se a voz de Scully e vozes abafadas ao fundo, parecendo ser o Canceroso e outra mulher. Scully dizia : __ Farei minha parte, ele está completamente atordoado, façam a de vocês, acabem logo com isso. Mulder ergueu-se num pulo, sem olhos brilhavam e ele destruiu tudo o que via pela frente, sua mente torturada parecia que iria explodir, apenas muito depois, Frohike conseguiu controlá-lo. __ Desista, Mulder, ela não merece seu sofrimento, você precisa continuar, agora mais do que antes. __ Ela merece cada minuto de minha vida, Frohike, ela me salvou tantas vezes que não consigo de lembrar, não é possível, eu via nos olhos dela, era sincera, ela se importava__ sua voz era toda agonia. __ Eu vou analisar a fita. Talvez seja uma montagem, quem sabe ? Nós vamos descobrir __ falou em tom de consolo. __ É, pode ser, ela pode estar sendo pressionada, me ajude Frohike, preciso reencontrar minha fé, a minha vida está aí. Os pistoleiros dissecaram cada pedaço da fita e da foto, não havia enganos, elas eram autênticas, tentaram persuadí-la a falar, entraram nos arquivos do computador dela, mas não havia nada, entraram em seu apartamento, ela parecia ter viajado, pedira dispensa no FBI, alegando motivos de saúde, encontraram algumas das fotos que haviam sumido, parcialmente queimadas dentro do lixo. Seis meses se passaram. Scully voltou ao trabalho e os pistoleiros a procuraram novamente, mas ela se recusou a responder-lhes, Mulder tentou e ela sequer o atendeu, ordenando que não mais a procurassem. Susan foi enviada para trabalhar com Mulder ele a repeliu violentamente, pediu licença e Skinner concedeu de bom grado, pesava-lhe vê- lo daquele jeito. Ao retornar, não havia quase nada do Mulder que conheciam, voltou ao FBI, encerrou os Arquivo X , transferindo-se para a setor de crimes violentos, resolvia os casos com indiferença embora de modo inteligente, mas estava frio, distante, não se ouviam mais suas piadas, vivia calado e só, mais só do que já havia estado. De Scully soube , pelos pistoleiros, que voltara a exercer a medicina, levando vida simples e reservada, viram-na algumas vezes em companhia do Canceroso , como se não se importasse de ser vista com ele. Aquela mágoa calara fundo no coração de Mulder, abrindo uma chaga difícil de ser curada, a única que poderia fazê-lo era a mesma responsável por abrí-la . Sua médica e seu único remédio não estavam mais com ele. Uma noite bateram em sua porta e ele mal humorado, levantou- se para atender. APARTAMENTO DE MULDER Custou a acreditar no que via, não queria mais acreditar. __ Fox ? Lembra de mim ? Sou eu, Samantha. Você é Fox Mulder, não é ? Ela entrou passando por ele insegura. __ Eu..eu.. me deixaram aqui _- ela tinha o rosto e os braços marcados por cicatrizes, parecia extremamente cansada _- Há quanto tempo, Fox ? Não acreditei que te veria de novo. Ele estava perplexo, seus pensamentos se confundiam pregando- lhe peças. __ Quem é você ? não tenho irmã, ela está morta, entendeu ? Que brincadeira é esta, um outro clone ? SAIA DAQUI ! Ela começou a chorar convulsivamente __ Eu só tenho você, Fox, não me abandone, acredite em mim. Ele a empurrou até a porta e ela esbarrou no espelho, despedaçando-o e cortando o braço. O sangue quente e vermelho brotou, não era um clone, Mulder ficou estático, não queria acreditar, não achava que suportaria sem enlouquecer. Ficou olhando-a por um tempo depois não aguentou, embora não admitisse, precisava desesperadamente de alguém ou alguma coisa em que acreditar , chorou abraçado a ela como há muito não fazia. Após serenarem-se ela contou sua estória. Estivera presa em vários hospitais, desde os catorze anos, não se lembrava de muita coisa anterior à este período, fizeram testes horríveis, dos quais ela guardava marcas que mostrou a ele. Vivera num abrigo, onde tivera uma paz relativa, por algum tempo, então as lembranças começaram a voltar e ela passou a escrever num diário para que não lhe roubassem mais as lembranças. Neste momento, Mulder recordou-se de um restaurante onde ele e Scully leram as palavras que acreditavam ser de Samantha. Ela continuou. _ Mas eles descobriram e me tiraram o diário, internaram-me como louca por alguns anos, depois me levaram a um abrigo aonde estive até há pouco . Ah! Fox, você não imagina o que é aquilo__ ela parou, buscando forças, ele segurou-lhe as mãos __ Um dia, há alguns meses, apareceram novamente, disseram-me que me ajudariam a sair dali, levaram-me para um hospital e cuidaram de mim. Ela fez uma pausa, afastou os cabelos dos olhos, respirando profundamente. _ Apareceu, ali, um dia, uma mulher, parecia médica, não sei porque, Fox, mas acreditei nela quando disse que cuidaria de mim e me devolveria uma parte importante da minha vida, um ponto de partida para recomeçar. E, então, ela me amparou, tratou minhas feridas, foi minha amiga, nunca havia recebido tanta atenção e carinho, cuidou de mim como uma criança e, no entanto, parecia ser quase da minha idade, me fitava tão ternamente que eu pensei ter encontrado uma nova irmã. Não sei se ela fazia parte do esquema deles, eu a ouvi discutindo várias vezes, por minha causa. Samantha parecia mais calma ao lembrar-se da amiga. _ Ela me deu forças, Fox, há um mês, quando eu já estava praticamente restabelecida, ela me levou para uma ala diferente do hospital, e começou a contar minha vida, fiz hipnose, tratamentos e, com a ajuda dela, que parecia conhecer a fundo meu passado, recordei-me de nossa infância, do terrível dia em que me afastaram de você, ela me disse que nossos pais faleceram, mas que ia encontrar em você a apoio seguro que eu precisava para organizar minha vida. __ Ela nunca te disse quem era ? __ ele perguntou, intrigado, uma louca esperança renascendo em seu coração. __ Não, pedia que a chamasse de Diana, era tudo que eu precisava saber dela, há dois dias, ela voltou, me abraçou, seus olhos estavam rasos de lágrimas, disse que precisava ir, eu me desesperei, mas ela novamente me acalmou, disse que me deixariam ir, deu-me documentos, dinheiro, choramos juntas e ela se foi, Fox, não a vi mais. Hoje pela manhã, me deixaram aqui e sumiram, é tudo o que eu sei. Mulder ainda não conseguia acreditar, sabia que era sua irmã, sabia de detalhes que só ele e Scully conheciam. Scully!! pensou ele, Quanto tempo ? Pensou ser ela a socorrer sua irmã, mas não poderia ser, não agora. Ele ajudou a irmã a se instalar, tomar um banho e se acomodar em sua cama para dormir. Quando a viu adormecida, sorriu. Ouviu batidas em sua porta. Skinner entrou com uma pasta na mão. _ Precisamos conversar, agente Mulder. _ Não trabalho mais no seu setor, senhor _ ele estava sendo deliberadamente rude. _Esta manhã, recebi esta pasta em minha casa _ entregou a pasta a Mulder _ aí estão provas suficientes, com nomes, datas, exames, tudo o que você possa imaginar, para desmantelar o que eles chamam aí de Sindicato. Mulder folheou algumas páginas, com olhos incrédulos, ali estavam as provas científicas e irrefutáveis de que alguns membros do governo conspiravam contra o povo, fazendo experiências, testes genéticos, não havia provas envolvendo tecnologia ou interferência de alienígenas, mas era o bastante para levá-los à justiça, ainda mais se pudesse usar o testemunho de Samantha. __Senhor, isto deve ser alguma fraude, devem estar montando algum esquema, venha, olhe por você mesmo_ Mulder o conduziu até seu quarto para que ele visse Samantha __Ela chegou esta manhã, me contou coisas. Há algo errado. Porque, após tanto tempo, tudo o que eu buscava veio parar em minhas mãos ? Não entendo ? __Tem certeza que é sua irmã ? __Ela concordou em fazer testes de DNA, mas eu não tenho dúvidas. Mulder, sentou-se, a cabeça entre as mãos, não sabia o que fazer, queria pensar, montar alguma teoria, sentia-se perdido. Ah! Scully, pensou ele, precisava de você aqui para me guiar. Estranho pensar assim, a feridaainda estava aberta, doía pensar em como haviam se separado, mas não conseguia odiá-la, sentia imensamente sua falta e se repreendia por isso. __Mulder, acho que devemos montar uma ação para prender estes homens, antes que eles descubram que já sabemos, outra coisa....Skinner parou relutante...você viu que o nome da Agente Scully está aí, não consigo acreditar, mas parece que ela faz realmente parte do esquema. __Aqui diz que haverá uma reunião do Sindicato amanhã, aqui em Washington, talvez possamos pegar todos eles de uma vez, tem idéia de quem lhe mandou isto, senhor ? __Não, mas acho que vale a pena investigar. Eles elaboraram um plano de ação, envolvendo um grande esquema para prender e punir aqueles que já haviam causado tanto sofrimento e continuavam causando pois Mulder não entendia porque Scully estava com eles. Pensou em procurar o Canceroso, mas não sabia onde. Sua cabeça doía, não conseguia dormir, seus pensamentos estavam confusos, tumultuados pela possibilidade de voltar a vê-la. Pensava se a reencontraria, se ela estaria entre os conspiradores e se isto ocorresse qual seria a sua reação ? Estavam em caminhos opostos agora. No dia seguinte, todos estavam a postos, esperando a hora de invadir o prédio, com dolorosa certeza, Mulder viu Scully, dirigindo-se ao local, não mudara muito, um pouco pálida, os cabelos mais curtos, mas era ela , os mesmos olhos intensamente azuis,. Porque, Scully ? pensava. Porque não consigo acreditar no que eu estou vendo, porque meus olhos sofrem tanto com isto, porque minha mente te condena mas meu coração parece explodir de tristeza ao te ver assim, de outro lado, longe dos meus braços e sobretudo, tão distante de tudo o que eu sempre vi em você , longe da minha confiança ? Invadiram o prédio, os componentes do Sindicato estavam ali, prenderam alguns, outros saíram apressados, o Canceroso, sumiu por uma porta, não conseguiram localizá-lo. Entre os presos estava Scully, ela não reagira, não parecia surpresa, estava apática e quieta, nem sequer olhou para Mulder quando se encontraram no corredor. Ele não teve forças para interrogá-la naquele momento, parecia que ela nem havia notado a presença dele ali. O FBI não permitiu uma investigação pública, havia muitos membros importantes entre os conspiradores, eles seriam deportados, presos por crime de falsidade ideológica, assassinatos, conspirações contra o governo, mas não queriam o envolvimento da imprensa, o governo precisava de credibilidade e aquilo arruinaria tudo. QUARTEL GENERAL DO FBI Manhã seguinte. Mulder levou Samantha para ver se ela reconhecia aquelas pessoas, numa sala fechada e isolada, estavam alguns membros americanos do Sindicato, Scully, Suzan, alguns agentes conhecidos por Mulder. Antes que pudesse conduzir Samantha até a sala, Mulder foi interceptado por Margareth e Bill Scully que procuravam por Dana. Eles haviam sido informados por um agente do FBI de que ela estaria ali. __Fox, você viu a Dana ? Me informaram que ela está presa aqui, Fox, detida, mas ninguém me dá informações, eu preciso saber dela, o que está acontecendo ?__Margareth estava desesperada. __Não sei de nada ainda, Sra. Scully __ ele não conseguia ser rude o bastante com ela __ não tenho poderes para interferir, vou ver se consigo algo para a senhora. __Agente Mulder __falou Bill __ sei que não trabalham mais juntos, mas agradeceríamos se pudesse nos ajudar, Dana não merece estar aqui, como uma criminosa. Mulder pensou em responder a ele, que ela era uma traidora, que conspirara para prejudicar pessoas, que não merecia confiança nem compaixão, e que , principalmente, era responsável pela íntima agonia que eles estavam vivendo, mas não teve coragem de magoá-los, não como ele já estava. Entrou com Samantha numa sala, onde, podiam ver, pelo vídeo de segurança, a sala onde estavam os presos, algumas pessoas haviam sido retiradas, Mulder indicou a sala e Samantha identificou alguns médicos, pessoas que a levavam para os testes, algumas enfermeiras, um diretor. __ Você viu a mulher que te socorreu ? __Mulder perguntou, indicando as agentes no local __ Não foi aquela quem te ajudou? __ perguntou apontando uma delas __Tem certeza ? __ Não, Fox, não é ela, eu nunca vi esta mulher, a pessoa ... A porta da sala que eles olhavam foi aberta e algumas pessoas entraram ,enquanto um agente chamava outras para interrogatório. __É ela, Fox__ Samantha gritou aflita e contente __ é a minha amiga, foi ela que me ajudou, tire-a de lá , Fox, ela não merece estar aí, precisa ajudá-la. Ela não pode estar ligada a estes bandidos. Mulder fitou a irmã com os olhos marejados, as lágrimas desciam sem que ele notasse, ali estava a razão de sua vida, os cabelos ruivos em desalinho, a mesma atitude tranquila mas agora marcada pela quietude e tristeza, sim, ali estava ela e ele se viu sorrindo com a irmã. Sentia-se com voltando à superfície após um longo e profundo mergulho, num mar de incertezas, traições e sofrimento. __ O que houve, Fox, você a conhece ? __ Minha constante __ ele limitou-se a dizer Mas não pode continuar, a sala foi invadida e alguns homens entraram atirando nas pessoas presas na sala. Mulder se desesperou, correu pelo corredor e tentou arrombar a porta, os homens fugiram apressados, esbarrando nas pessoas que ali estavam, sendo perseguidos pelos guardas e agentes, era, com certeza, uma missão suicida, com o propósito de calar aqueles que poderiam entregar membros do alto escalão do governo. Mulder, porém, não via nada, sua atenção estava voltada para uma mulher caída no chão, o rosto coberto pelos cabelos, o sangue escorrendo do ferimento próximo ao peito. Não esperou por socorro, ergueu-a nos braços e saiu em disparada, deixando Samantha, aturdida, para trás. HOSPITAL GERAL DE WASHINGTON Scully lentamente recobrou a consciência, estava num quarto branco , não conseguia mover-se direito, seu corpo doía, Bill e sua mãe estavam ao lado dela. __ O que aconteceu ? sussurrou __ Você foi baleada__ explicou Bill __ tivemos medo de te perder, Dana, mas agora descanse, não diga nada. __ Eu estava presa, não é ? Todos já sabem o que eu fiz __ ela perguntou, as lágrimas descendo pelas faces __ me perdoa mãe, eu sei que você não pode me compreender agora, eu não posso explicar, traí as pessoas que eu mais amei, traí você, o papai, minha família, Mulder __ ela parou desalentada __ ele já sabe o que aconteceu , não é? Eu o vi quando invadiram o prédio mas não tive coragem de olhar para ele. Deve me odiar realmente. __ Consegue se virar um pouco ? __ perguntou Margareth, um sorriso sereno nos lábios ___ Olhe para o lado, Dana. Ela olhou na direção que sua mãe apontava, com dificuldade. Deitado no sofá, adormecido, a figura mais querida que ela conhecia, estava ali, os cabelos desalinhados, a barba por fazer, parecia exausto. __ Há trinta e seis horas que ele está aqui, trouxe-a para cá nos braços, há algumas horas tive que arrastá-lo para fora para que comesse alguma coisa e tomasse um banho. Você arrumou a companhia certa, Dana, ele é tão teimoso quanto você _ Bill sorriu suavemente __ se não fosse por ele, você não estaria aqui. Scully sorriu, há muito tempo não se sentia bem como naquele instante, vê- lo ali, saber que não a odiava, que, ao contrário, mais uma vez a salvara, deixava-a quase feliz. Apesar de não conseguir encará-lo como antes, não depois de tudo o que havia se passado, ela estava contente em saber que ele ainda se preocupava com ela e sentia-se mais culpada. Seu corpo pareceu se aquecer ante à visão daquele que era toda a sua esperança, sua devoção, seu motivo para continuar. Ela fechou os olhos, estava cansada, sua mente fervilhava, queria tanto abraçá-lo, dizer-lhe tudo o que tinha feito e porque mas precisava de forças, seu corpo doía mas a presença dele ali acalmou seu peito e ela pode, após tanto tempo, dormir com serenidade . Quando voltou a acordar, havia uma mulher ao seu lado, um olhar terno e carinhoso, acariciando-lhe os cabelos. __Sammy ? Que bom te ver, senti sua falta. Como está ? __ Porque não me contou, Dana ? É este o seu nome, não é ? Ela assentiu . Poderíamos ter nos ajudado, você me devolveu uma vida que eu já acreditava perdida, porque não confiou em mim ? __Confiança tem sido meu castigo, ultimamente __ela sorriu com amargura __ não sei se posso te explicar, será que pode confiar em mim novamente, não podia te falar nada, não sem colocá-la em risco e ao seu irmão. __ Há muito tempo que vocês se conhecem, não é ? Ele estava desesperado por você. Mas, descanse, teremos muito tempo para conversar quando sair daqui. Neste instante, Mulder entrou no quarto, batendo de leve na porta. Não disse nada, apenas a fitou, Samantha saiu sem ser notada, ele se aproximou da cama, sentou-se ao lado dela, tomou-lhe as mãos entre as suas e beijou- as ternamente. Scully fitou-o emocionada, tentando conter as lágrimas. Ele se aproximou-se mais e a estreitou em seus braços. Choraram sentidamente, abraçados um ao outro, não disseram nada, apenas deixaram seus sentimentos fluírem, sua mágoas, incertezas e tristezas serem levadas naquele abraço de reencontro, naquele choro ardente e ao mesmo tempo tranquilo, tinham se novamente. __ Quando sair daí, vou apertá-la tanto nos braços, Scully, que vou ter que trazê-la de volta. Nào imagina como senti sua falta, parceira __ ele sorria, seus belos olhos verdes brilhavam de alegria, naquele momento especial, quando finalmente, após uma longa ausência, reencontramos o lar. __ Mulder, eu... __ Shhiii! __ Ele calou-a __ Não quero que fale agora, ainda está debilitada, imagino o que você fez, Scully e mesmo não concordando, agradeço por me dar Samantha de volta. Ela acariciou-lhe os cabelos __ Tenho tanta coisa para te contar, Mulder, mas não acho que seja possível, vai haver um processo e... __ Não há nada contra você, pelo menos alguma vantagem existe em se meter com essa gente, Scully, eles não podem ser pegos. __ Então você e Samantha estão em perigo, Mulder, eles já devem saber das provas que eu ... bom, eles devem saber. Ele sorriu ,beijando-lhe o rosto. Ela surpreendeu-se. __ Sentia que havia sido você, Scully e não, nós não estamos em perigo, as provas estão em lugar seguro e eu me encontrei com o Canceroso, se apenas uma unha sua se quebrar, se ele tentar se aproximar de Samantha , eu entrego à imprensa e faço o maior escândalo que você já viu, estamos seguros, Scully, __ Então use as provas para denunciá-los, está tudo lá, leve à imprensa, Mulder, termine com isso. __ Não, Scully, não, esse é o nosso único trunfo, se eu entregá-los agora, você correrá perigo, prefiro que eles apenas saibam o que eu posso fazer. __ Mas está é a sua cruzada, não pode parar, ainda mais agora. Ela a fitou ternamente, sua expressão denunciando o que sentia, tocou-lhe o rosto, acariciando-o com os dedos de leve. __ Não imagina como é bom encontrá-la novamente, Scully, minha Scully, aquela em quem aprendi a confiar. Não vou denunciá-los neste momento, esta cruzada perdeu o sentido depois do que senti quando te afastaram de mim, eu já tenho Samantha, não quero colocá-las em risco novamente. Ela recostou-se nos travesseiros, fechando os olhos. __ Você sabe o que eu fiz, não sei se adiantaria te explicar, mas... __ Scully, teremos tempo para isso, procure descansar, terei tempo para te torturar quando sair daqui. Um lágrima se formou nos olhos dela e desceu até sua boca, sentia-se tão infeliz com o que havia causado, tão culpada que não queria encará-lo. Ele levantou-lhe o rosto e secou a lágrima com os lábios, beijando-lhe próximo à boca. __ Não chore, nunca te culpei por nada, apenas fique boa logo. Quando ele saiu, Scully chorou sentidamente. APARTAMENTO DE SCULLY __ Eu posso caminhar sozinha, estou bem ! Passara-se duas semanas, Scully já se restabelecera, voltava para casa. __ Se soubesse que me trataria como criança, Mulder, teria deixado Bill me trazer. Onde está Samantha ? __ Está em casa, parece que Skinner gostou muito de protegê- la. __ Skinner ? __ É , sempre me procura para saber dela, está fazendo-lhe companhia agora. Queria ficar a sós com você, por isto quis trazê-la. __Ah ! Entendi, Quer me matar sem testemunhas, não é ? Eu ainda posso gritar, Mulder, não pense que será fácil. __ Quieta, Scully, alguém pode te ouvir e meus planos irão por água abaixo, há um livro interessante que eu comprei, sobre a inquisição, torturas, sabe ? Tem uns trechos bem legais para pesquisa mas eu precisava de uma, você sabe, voluntária para os testes práticos. Sorriram, como era bom estar em casa, pensou ela, sentí-lo ao seu lado como antigamente, sem reservas, embora ela ainda se sentisse incomodada por não lhe explicar porque agira daquela forma. Não queria que houvessem mais fantasmas entre eles. Entraram no apartamento, ele queria colocá-la na cama mas ela não permitiu. __Fiquei muito tempo deitada, deixe-me sentar um pouco, estou bem, verdade. Sentaram-se e permaneceram em silêncio, pela cabeça dele passavam milhões de pensamentos que ele não queria transformar em palavras, quase adivinhava o que e porque ela tinha feito aquilo, mas, no momento, bastava que ela estivesse ali, tinha medo de saber, todas as suas convicções lhe diziam para não confiar mais nela, mas só de olhá-la seu coração batia descompassado. Como sentira falta daquela mulher, ela representava mais do que o seu passado, ela era real, presente, simbolizava seu futuro. Ela começou a falar. __ Preciso te contar, Mulder, foram tantas coisas e... __ Scully, não precisa me dizer nada agora eu... __Eu quero. Fiquei emocionada ao te ver no hospital, ao saber que me socorreu, imaginar que me perdoou mesmo sem saber o que eu fiz, não pensei que fosse me tratar com tanto __ ela parou procurando a palavra para o que queria dizer __ carinho e consideração. __ Não consegui odiá-la, eu tentei, cheguei ao fundo do poço, me escondi, fugi das pessoas, de mim, queria voltar para o meu mundo seguro quando não te conhecia e não precisava de ninguém, quase enlouqueci tentando entender, encontrar uma justificativa, uma desculpa, mas... __ Mulder, o Canceroso me procurou após encerrarmos o caso de sua irmã, ele disse para não acreditar em tudo que havíamos descoberto, disse que tinha algo que nos ajudaria, me entregou uma pasta sobre Samantha, eu sei que não devia mas quis acreditar naquele momento, não sei se por achar que havia algo errado ou por um louco desejo de que Samantha ainda estivesse viva, a foto que te entregaram foi deste momento, Queria tanto te ajudar, Mulder, doía-me ver você desanimado, perdendo o interesse, embora você me dissesse que estava bem, eu via que aquela estória estava te matando. Não quis te contar, não queria que tivesse falsas esperanças. Então a Agente Smith me procurou, disse que gostava de você, que sabia coisas que podiam te ajudar. Levou-me a um hospital e, para minha surpresa o Canceroso estava lá, parece que se conheciam bem. __ Eles me levaram a um quarto, vi sua irmã, Mulder, ela estava em frangalhos, disseram-me que se eu cooperasse eles a devolveriam para você , que podiam curá-la. Tudo o que eu tinha que fazer ela me afastar, não queriam mais que estivéssemos juntos, sabiam que a única forma de me afastar de você era através de uma troca. Não aceitei na hora, fui egoísta, não queria te deixar, mentir para você quando havia finalmente conquistado sua confiança, mas quando cheguei ao escritório e te vi, com aquela foto, entendi o que tinham feito, não queriam só nos separar, queriam que você me odiasse, sabia que tudo estava perdido, sei que devia ter te contado, não confiei em você Mulder, Achei que não acreditaria em mim, ainda mais após ver o estado que ficou ao receber a ligação. Às vezes me sentia insegura com relação à confiança que você depositava em mim. Respirou fundo e continuou __Minha única alternativa era aceitar o que me propunham, falei com eles e vi que gravavam a conversa, foi tudo planejado, tudo que podia fazer era ajudar Samantha, devolvê-la a você. Não sei se você poderá me perdoar, desculpe. Você não imagina o que foi aguentar isto, te ver saindo daqui daquele jeito, quase pus tudo a perder, queria tanto abraçá- lo, dizer que não era verdade. Ah !! Mulder, estava sendo tão difícil, parecia que todos me acusavam, aqueles três patetas , seus amigos, me torturaram de todas as formas, tive que sumir, não estava suportando, mas, o mais desesperador , era não poder partilhar isso com você, não tinha ninguém. A voz dela estava tremula queria tanto que ele sentisse que ela estava sendo sincera, precisava que ele voltasse a confiar. __ Implorei que me deixassem cuidar de Sammy, ela merecia sua busca, estava tão perdida, só, e era uma forma de eu estar com você, falar de você, queria que ela te conhecesse e admirasse como eu , pensei em fazer mais, embora não estivéssemos mais juntos, queria lhe dar tudo o que nós buscamos por tanto tempo. Quando percebia que não me vigiavam, comecei a reunir provas, colher amostras, enfim, a pasta que enviei ao Skinner. Ela o fitou longamente antes de continuar, tocou seus cabelos com carinho. __Queria que ficasse bem, queria devolver a você o que eles haviam roubado, uma vida normal, queria que pudesse seguir sua vida, mesmo que a minha estivesse completamente perdida. Você merecia isto, Mulder__ Ela chorava. __ Porque faz isto, Scully, porque me protege, me defende desta forma, todos me consideram estranho, eu sou estranho, porque se arrisca tanto ? Ela sorriu __ Bill diria que é porque sou tão teimosa quanto você. Há algo tocante num homem que luta sozinho contra o mundo, algo que faz com que queiramos ajudá-lo. Ela o abraçou. Precisava de forças para continuar, precisava sentí-lo. Ele a apertou com carinho, fechando os olhos ao contato do corpo dela, sentia lágrimas em seus olhos. __ Mas agora, Mulder__ disse ela em seu ouvido, sussurrando as palavras como uma prece __ Acredito que seja por causa de um sentimento que cresceu dentro de mim, tomou meus dias, minhas noites, me fez forte, me acalentou quando estive sozinha, foi tudo o que me restou e ainda assim foi o bastante para me manter em pé. Ela afastou-se segurando-lhe o rosto com as mãos, seus olhos brilhavam emotivos, ele sorria adivinhando o que ela iria dizer. __ Amo você, Mulder, mais do que me achava capaz, tanto que não importa se você está ou não comigo, que todos me odeiem, basta que você esteja aqui, dentro do meu peito, que esteja bem, queria apenas vê-lo feliz. __ Você quase me matou, Scully, não por me trair, nunca acreditei nisto, mas por se afastar de mim. Minha felicidade tem o seu nome, nada mais importa. Seus lábios se aproximaram trêmulos, emocionados, estavam salgados pelas lágrimas que ali se misturavam. Foi um beijo terno, cuidadoso, naquele momento eles depositavam um sobre o outro um mundo de sentimentos nascidos da cumplicidade, fidelidade e respeito , uma conquista, um amor cultivado em campos sedentos e frios, algo nascido de uma busca apaixonada pela verdade. Ficaram ali, trocando carícias confidências, entregando um ao outro de peito aberto, sem medos ou constrangimentos. Mulder sentia seu coração aos pulos, queria tocá-la, retê-la ali para que nunca mais saísse, que importavam todas as conspirações do mundo se a vida havia conspirado para colocá-la ali, contrariando toda a lógica e o bom senso, em seus braços, que houvessem lhe dado um amor tão grande que o mantinha honesto, forte, integro. Ela enlaçou-o com força, estava em seu colo. Que o mundo acabe agora, pensava, não importa. Ele mal conseguia conter o desejo de aprofundar aquele sentimento, de sentir o corpo dela completamente sobre o seu, de dizer-lhe tudo o que sua alma guardava há tanto tempo. __ Se você não estivesse convalescente, Dana, isto poderia ficar muito sério. Ela o fitou demoradamente, os dedos desenhando os contornos de seu rosto, sentindo a pele dele arrepiar-se ao seu toque, acariciou-lhe os cabelos, a nuca, os ombros tão vagarosamente, que ele suspirou fechando os olhos quando as mão dela pararam sobre seu peito. __ Quero senti-lo completamente, Mulder. __ disse séria __ entre os seus braços, eu passei os melhores momentos de minha vida, você sempre deixou este lugar para mim, principalmente quando eu achava que não suportaria a dor que estavam me causando, somente aqui , neste espaço, eu me senti totalmente segura. Minha vida mudou por e com você, nada mais faz sentido sem isso. Não sei se devíamos estar assim__ ela esboçou um sorriso meigo __ Minha visão racional diz que estou louca mas, talvez, após tantos anos, eu tenha realmente virado a Sra. Spooky, não ? É o que eu mais desejo agora. Sorriram e abraçados seguiram para o quarto. FIM 16 1