OS PERSONAGENS DESTA FANFIC PERTENCEM A SEUS CRIADORES E NÃO HÁ QUALQUER INTENÇÃO EM OBTER LUCRO COM ESTA HISTÓRIA QUE DESTINA-SE SOMENTE À DIVERSÃO DOS FÃS. CATEGORIA : SHIPPER AUTORA: SILVIA HELENA PENHALBEL E-MAIL: silviapenhalbel@uol.com.br FEEDBACK : CRÍTICAS, SUGESTÕES E ELOGIOS SÃO BEM VINDOS. TRAIÇÃO SEDE DO FBI – WASHINGTON - DC GABINETE DO DIRETOR ASSITENTE SKINNER 6:50 PM Scully sentiu que sufocava. A dor em seu peito era tão grande que ela não conseguia respirar. Skinner, sentado à sua frente, levantou- se preocupado com a expressão na face de sua agente. Mas Scully conseguiu recuperar o sangue frio à tempo de evitar uma cena constrangedora. Com um gesto, impediu que o Diretor Assistente se aproximasse e se levantou trêmula: _ Se não precisa mais de mim, senhor, pretendo iniciar as investigações imediatamente. _ Agente Scully, ele começou,_ Se acha que este caso pode levá-la a... _ Está tudo bem, senhor ela o interrompeu, a voz mais áspera do que pretendia _ Está bem claro para mim que, se me designou para esta investigação, é porque necessita de discrição e não pretendo deixar que minhas opiniões pessoais a respeito do agente Mulder atrapalhem o bom andamento de meu trabalho. Ela manteve a cabeça erguida enquanto falava e agradeceu a Deus por sua voz não ter falhado. Skinner olhou admirado para sua agente e ficou secretamente orgulhoso de sua coragem. Ao mesmo tempo tinha ganas de matar Fox Mulder pela encrenca em que tinha se metido envolvendo ele e Scully no caso. Não queria estar fazendo aquilo com Scully mas não tinha escolha. O poder de decisão não estava nas mãos dele. Ele a viu respirar fundo e deixar a sala em passos firmes e decididos. Muito bem Scully, tenho certeza de que não vai falhar ele pensou enquanto observava o esforço da agente em manter a dignidade. Skinner manteve a expressão impassível e continuou ali parado no meio da sala, olhando para o nada, muito tempo depois de Dana Scully ter deixado o aposento. Ela não se conformava com o que havia recebido das mãos de Skinner. Mulder não poderia estar fazendo aquilo. Ela não acreditava que ele pudesse estar traindo seu país daquela maneira. Chegando à sala no porão, ela fechou a porta e sentando-se, abriu a pasta que Skinner dissera ter sido entregue após um telefonema anônimo. As fotos que continha mostravam Fox Mulder em companhia de uma mulher que foi identificada pelo informante anônimo como uma das cinco terroristas que estavam sendo procuradas pelo FBI em conjunto com a CIA e mais algumas agências de governos europeus. As mulheres eram procuradas por terrorismo, seqüestros, atentados a bomba e torturas. Haviam escapado da Europa e há dias foi descoberto que estavam em Washington o que levou o governo a montar uma operação gigantesca de captura. Nesta ocasião, Mulder havia pedido afastamento alegando problemas pessoais e não aparecia no Bureau há uma semana. Apesar da insistência de Scully, ele não havia revelado à parceira a natureza de seus problemas e agora ela percebia porque. Skinner havia solicitado uma investigação sigilosa antes de tomar qualquer atitude a respeito de seu agente e por isso, Scully estava sozinha. Teria que confrontar seu parceiro. Isso lhe doía muito pois há muito tempo que seu respeito e carinho pelo homem que trabalhava a seu lado há sete anos, haviam se transformado em admiração e amor. Ela sempre confiara nele, entregaria sua vida nas mãos dele. E de repente, descobria que ele mentira para ela, a enganara, a decepcionara. E o pior é que esta decepção vinha acompanhada de uma horrível sensação de traição. Mulder não havia confiado nela. Mesmo quando ele tomava atitudes que iam contra as normas do Bureau, ainda sim ele confiava nela. Apenas nela. E agora, ele tomava uma atitude completamente irracional e ela só havia ficado sabendo porque fora designada para investigá-lo. A sensação era horrível e Scully sentia-se perdida. Mulder sempre insistira que ela era seu norte mas ela precisava dele também para manter- se direcionada, racional e coerente. Se o perdesse ela não saberia o que fazer de sua vida. Meu Deus! O que vou fazer? Seu medo era constatar que a informação estava certa e Mulder teria sua vida arruinada e pior, arruinada por ela, Dana Scully, a única pessoa em quem ele confiava. Ela quase riu. Confiava era bem o tempo exato do verbo, uma vez que Mulder não havia confiado nela desta vez, nesta situação tão grave. Scully respirou fundo e decidiu confrontar seu parceiro de uma vez por todas. Precisava saber o que realmente estava acontecendo antes de decidir o caminho a tomar. Ela levantou-se e segurando firmemente a pasta com as fotos, abandonou a sala, batendo a porta com mais força do que seria necessário. APARTAMENTO DE FOX MULDER ALEXANDRIA 8:30 PM Ela já havia batido três vezes. Sabia que poderia usar sua chave e entrar mas Mulder poderia interpretar mal seu gesto, dadas as circunstâncias. Quando estendia o braço para bater novamente a porta foi aberta e os olhos verdes de Mulder a encararam com evidente desagrado. _ Scully, o que está fazendo aqui? Ele mantinha a porta meio fechada impedindo que ela visse o interior do apartamento. _ Eu preciso falar com você. A expressão dele pareceu suavizar-se um pouco. _ Agora não Scully, depois conversamos. Ele fez menção de fechar a porta mas ela deu um passo à frente impedindo. _ Mulder, por favor, é importante. Ela implorou com os olhos para que ele a ouvisse mas Mulder ignorou os sinais e soltando a porta, segurou Scully pelos ombros indo para o hall do apartamento com ela. Ele a fitou longamente e sussurrou _ Scully precisa sair daqui, agora mesmo. Preciso de você lá fora. Por favor confie em mim... A raiva subiu à sua cabeça e ela soltou-se de suas mãos irritada. Se estivesse mais calma perceberia a angústia estampada nos olhos verdes. _ Confiar, Mulder? Quem é que não está confiando em quem por aqui? Você tem idéia do que vim fazer aqui? Tem idéia do que pode acontecer com você? Ela elevou a voz _ Skinner me mandou atrás de você. O que devo dizer a ele Mulder? O rosto do parceiro tornou-se uma máscara de indiferença._ Diga o que quiser Scully, apenas me deixe em paz. Scully ficou sem fala diante da aspereza do parceiro. As lágrimas subiram a seus olhos antes que pudesse evitar. _ Mulder, o que está acontecendo com você? A voz dela soou embargada e ela odiou-se por isso. O homem à sua frente estava frio e rude e ela não sabia o que a magoava mais, se a falta de confiança ou a falta de carinho que adivinhava no tom de voz. Ele olhou para ela e respondeu ferino _ Nada Scully, só estou tentando conduzir minha vida sem minha parceira pronta a fazer relatórios sobre mim a qualquer instante. Somos parceiros Scully, apenas isso e não devo satisfações a você sobre minha vida particular. Ela sentiu a raiva se intensificar _ Quando sua vida particular atinge os interesses de seu país, você me deve satisfações sim, Agente Mulder. Scully fervia de raiva e mágoa _ Não me interessa em absoluto como cuida da sua vida Mulder mas está se envolvendo em um jogo perigoso e isso pode acabar mal para você. Sem esperar resposta, ela se virou e caminhou decidida para o elevador. Mulder não tentou impedi-la mas se Scully houvesse voltado a cabeça para olhar seu parceiro teria visto seus olhos marejados de lágrimas. Mulder entrou novamente no apartamento e fechou a porta com força. Caminhou até o sofá e sentou-se com os braços apoiados nos joelhos e cobriu o rosto num gesto de desespero. Ele sentiu uma mão delicada acariciando seus cabelos e desejou que fosse Scully. Mas ele sabia que não era. Sabia também que não podia trair a mulher que estava a seu lado. Mesmo que isto significasse magoar e trair a mulher que amava. Ele levantou a cabeça o fitou os olhos escuros que o olhavam com ternura e um pedido mudo de desculpas. Mulder sorriu entre as lágrimas e abraçou carinhosamente a mulher de cabelos negros. _ Desculpe escoteiro, ela sussurrou, _ Não queria que isso trouxesse problemas para você. _ Shh, está tudo bem querida. Vocês vão sair daqui em segurança. Eu não vou deixar você sozinha de novo. Eu prometo. A voz dele também era um sussurro e eles ficaram abraçados e em silêncio até que outras quatro mulheres entraram na sala observando o casal sentado no sofá Mulder quase riu da situação. O agente não costumava trazer mulheres à sua casa e era estranho para ele olhar para todas elas espalhadas pela sala. Aquelas cinco mulheres, procuradas por metade das agências governamentais do mundo, estavam desamparadas e assustadas. Nenhuma delas se encaixava na descrição de uma terrorista assassina. Apenas Cláudia, a líder e a mais perigosa do grupo, mantinha o sangue frio e a objetividade independente da situação. As outras quatro demonstravam os sinais de cansaço e nervosismo que a perseguição implacável dos federais vinham causando. A jovem mulher soltou-se dos braços de Mulder e olhou para as outras com uma expressão cansada e preocupada. Cláudia estava claramente contrariada e manifestou sua preocupação para a amiga considerada a segunda em comando e que sempre a ajudava nas decisões mais difíceis. _ Sil, não podemos deixar aquela mulher livre. Ela vai nos entregar. Ela olhou Mulder, os olhos claros fuzilando o homem à sua frente. _ E vai acabar com sua carreira no FBI escoteiro. Como pode confiar nela? _ Eu garanto minha parceira Cláudia. Confio nela assim como você confia em suas amigas. _ Minhas amigas jamais me virariam as costas escoteiro. Você é um tolo e vai se ferrar por confiar nessa mulher. Mulder levantou-se exasperado. Ele não confiava era na mulher que falava com ele. Ela era baixa, de cabelos pretos e olhos claros. Usava óculos e parecia tão inofensiva quanto uma criança. No entanto, os piores atentados cometidos pelo grupo, haviam sido planejados por ela. Sil também se levantou _ Cláudia, se Mulder diz que podemos confiar na parceira dele então é isso que faremos. Além do mais, se tudo correr como planejamos, amanhã estaremos longe deste país maldito e de toda esta confusão. Ela voltou-se para as companheiras _ Ale, Clá, Kes, vocês podem terminar os preparativos, precisamos de tudo pronto ainda esta noite. _ E quanto à parceira de Mulder? Ela está lá fora de tocaia comentou Kes, a mais jovem e mais alta do grupo que estava apoiada no batente da janela, olhando para fora. Cláudia irritou-se e foi até a janela._ Mulherzinha enxerida, deixa que eu dou um jeito nisso. Enquanto falava, ela tirou a arma da cintura e apontou para o carro onde Scully se encontrava. _ Cláudia não!! Ela não moveu um milímetro com o grito angustiado de Mulder mas com um passo ele alcançou a janela e segurou os braços dela, puxando-a para junto de si. Seus olhos se encontraram, ambos soltando faíscas de ódio. _ Se a machucar, eu não vou precisar de armas para acabar com você sua maluca. Embora pequena, ela era forte mas Mulder a segurava com muita força. Quando a voz de Sil foi ouvida baixa e decidida falando em italiano com a amiga, ela parou de lutar contra o homem que a segurava. Mulder a soltou e os dois se afastaram da janela. As outras duas, Clá e Ale se aproximaram de Cláudia que guardava a arma relutante. _ Sil, acho melhor a Cláudia vir com a gente. Sil suspirou cansada e concordou._ Melhor mesmo Ale. Meninas, estamos todas nervosas com o que está acontecendo. Mas, se mantivermos a calma, amanhã a esta hora estaremos livres deste pesadelo. _ Livres ou mortas completou Clá que possuía um humor negro quase tão ácido quanto o de Mulder. Nada conseguia deixá-la nervosa ou irritada. Seu sangue frio na frente de combate era incomparável e sua habilidade com bombas e armamentos, indiscutível. As três mulheres saíram sem uma palavra pela escada de incêndio que ficava fora do alcance de visão da agente federal que permanecia sentada em seu carro. _ Kes, você fica lá embaixo. Se a agente Scully resolver subir, ela sorriu sugestivamente _ Ofereça ajuda. Ao ver a expressão preocupada de Mulder, Sil sorriu tranquilizadora, _ Calma escoteiro, ninguém vai matar sua parceira. Nós dois temos um acordo mas se ela insistir em encontrá-lo teremos que ficar com ela aqui até resolvermos esta maldita encrenca. Kes saiu e a sala mergulhou em um silêncio constrangedor. Mulder passou as mãos nos cabelos, nervoso e sentou-se no sofá, evitando o olhar da mulher parada à sua frente. Há uma semana, quando ela o procurara pedindo ajuda, ele não pensou em mais nada a não ser ajudá-la e às amigas. Eles se encontraram em um bar escuro e ela havia contado tudo a ele. Nem uma vírgula fora omitida. Ela não se defendera dos atentados e roubos que ela e seu grupo haviam cometido. E ele, mesmo assustado com a mulher que ela havia se tornado, decidira ajudar. Arriscava sua vida, sua carreira e sua liberdade mas sabia que devia isso a ela. Ele nunca se perdoara pelo que ela havia passado por sua causa e agora podia se redimir de tudo e se livrar da culpa que ninguém, nem mesmo Scully, sabia que carregava. O plano que haviam traçado era arriscado e perigoso mas tanto Mulder quanto as cinco amigas sabiam que não tinham escolha. Sil, por fim decidiu se sentar ao lado dele. Nenhum dos dois resolvia começar a falar e quando decidiram falaram ao mesmo tempo. _ Desculpe! _ Desculpe! Ambos riram e a tensão se dissipou. Mulder abraçou-a e a trouxe para junto de si. Ela fechou os olhos satisfeita com o raro momento de paz que estava tendo depois de tanto tempo em fuga. _ Sil, eu nunca vou me perdoar pelo que fiz a você, nunca. Ela sorriu triste _ É por isso que está arriscando perder a mulher que ama escoteiro? Mulder sobressaltou-se e afastou-a de si. _ O que está dizendo Sil? Ela virou-se de frente para ele no sofá e encarou os olhos verdes, prendendo- os nos seus. _ Estou dizendo que você ama aquela ruivinha brava que esteve aqui. Mulder desviou os olhos mas ela continuou _ Por que esconde isso dela? Tem medo de que Sr. Agente-Especial-Que-Persegue-Homenzinhos- Verdes? Você é um homem tão corajoso! Onde está sua coragem na hora de olhar nos olhos da mulher que ama e confessar seus sentimentos? Mulder olhou-a sarcástico. _ Não sou impulsivo como você Mocinha-Que-Invade- Quartos-Alheios-Durante-A-Noite. Ela corou ante a menção de sua travessura adolescente que resultara num romance alucinado entre os dois durante um verão em que Mulder viera da Inglaterra para ver a mãe que havia adoecido. Ele sabia que estava errado mas ela era vibrante, impulsiva, cheia de vida e isso o fascinava. Enquanto estava com ela, ele se sentia vivo, feliz, amado. Até que caíra em si e percebera que não poderia ficar ali para sempre. E também não poderia levá-la consigo. A vida dela era muito diferente. Seus objetivos eram diferentes. Hoje a diferença de sete anos entre suas idades não fazia tanta diferença mas há quinze anos atrás causava um grande choque um homem de 23 anos com uma garota de 16. Ele não estava preparado para enfrentar este tipo de situação. Na verdade, ele não queria enfrentar. Tinha outros planos, outras prioridades. E apenas seu amor não era o suficiente para ele. Ela havia escutado seus argumentos em silêncio e quando ele terminara de falar, ela havia se levantado sem dizer uma palavra e ido embora. No dia seguinte, ele soube por sua mãe que ela havia desaparecido de casa. Os pais desesperados não sabiam o que poderia ter acontecido. Eles, nunca mais souberam dela mas Mulder havia recebido uma visita inesperada da impetuosa ex- namorada dez anos depois, quando já vivia em Washington. Ela havia contado a um horrorizado Mulder, sem omitir nenhum detalhe tudo o que havia passado desde aquela noite em que saiu de casa para nunca mais voltar. Ele ficara sabendo que ela agora trabalhava como mercenária para diversos governos europeus. Então Mulder travou contato com outras duas jovens que agiam com Sil: a perigosa Cláudia e a tranqüila Ale. As duas mais jovens, Clá e Kes, ele havia conhecido há cinco anos quando Sil precisou de algumas informações do FBI sobre um desertor. Informações que Mulder forneceu de bom grado. Sabia que era traição revelar aquelas informações às terroristas mas ele sabia da verdade sobre todas elas e além disso, sempre se sentiu devedor com relação a Sil. Sempre acreditou que a vida dela teria sido melhor se ele tivesse tido coragem de enfrentar os preconceitos, os pais dela e quem quer que fosse para ficarem juntos. E apesar de Sil afirmar que não o culpava de nada, ele não conseguia se livrar do remorso. Agora tinha a chance de se redimir, ajudando–as a fugir. E ele talvez tivesse enfim paz em sua consciência com relação à Sil. Ela ainda tentou convencê-lo sobre falar com Scully, _ Mulder, mulheres não mordem, a menos que você peça isso para elas. Se revelar à sua parceira o que sente por ela, o máximo que pode acontecer é você receber um "sinto muito por não partilhar seus sentimentos". Mulder levantou-se do sofá e começou a andar pela sala _ Mas é exatamente disto que eu tenho medo. Ouvi-la dizer que não sente amor por mim. Ela arregalou os olhos incrédula. _ Mulder, como pode ser tão cego? Nós os vimos juntos várias vezes antes de optarmos por procurá-lo. Ela ama você, acredite em mim. Sei como é estar apaixonada por você. Ele a olhou e ela completou sorrindo _ Já senti isso antes. As lágrimas vieram a seus olhos sem que notasse e ele se sentiu o pior dos homens ao perceber que destruíra a vida da mulher à sua frente apenas por ter sido covarde. Ele não quis abandonar tudo o que já tinha planejado para sua vida para se envolver com uma adolescente problema e optara pela solução mais fácil. Ela percebeu que ele não se perdoaria nunca enquanto não se redimisse diante dela. Ela aproximou-se dele, abraçou-o e sussurrou em seu ouvido _ Ei, escoteiro, você não me deve nada. Minha vida foi um inferno isto é certo mas a sua não ficou atrás. Tenho certeza de que teríamos sido infelizes juntos. Ela se afastou _Além disso, nunca tive o hábito de remoer problemas antigos. Eles já ficaram para trás. Minha preocupação agora é conseguir escapar desta armadilha que nos prepararam e começar vida nova bem longe daqui. Só me preocupo com as meninas. Precisamos tirá-las em segurança. As "meninas" eram Clá e Kes que haviam se juntado ao grupo aos quinze anos e eram tratadas como filhas pelas outras três. Apesar de tudo ele conseguiu sorrir. _ Sil, você nunca fica triste? Nunca chora? A expressão dela endureceu um pouco._ Já chorei tudo que tinha que chorar há muito tempo escoteiro. Quando não tinha mais lágrimas para derramar, decidi viver cada minuto da minha vida como se fosse o último. Por isso, nunca deixo de falar aquilo que tem que ser dito. Nunca deixo de fazer o que precisa ser feito. E descobri que consigo até ser feliz assim. Você deveria experimentar. Ao menos deveria tentar falar o que precisa ser dito, por que se você morrer amanhã, ela nunca saberá o que perdeu de verdade. Mulder recebeu as palavras dela como um tapa no rosto. Doía muito pensar em nunca mais estar ao lado de Scully. Nunca mais ouvir sua voz, olhar dentro de seus olhos, sentir sua pele macia. E ele sabia que se algo desse errado no plano delas, sua vida como cidadão livre estaria terminada. E Scully não poderia ajudá-lo. Ela se afastaria dele, para sempre. E nunca saberia. Nunca. Mulder só percebeu que as amigas de Sil estavam de volta quando as viu entrando na sala. Ele se impressionava com a facilidade delas em se mover em silêncio e rapidamente. Entravam e saíam por janelas, escadas de incêndio, dutos de elevadores como se fossem fantasmas. Chegava a ser assustador que tivessem tanta capacidade e inteligência e a usassem para matar e destruir. Desde que este pesadelo começara. Mulder entrara em conflito com sua consciência. O que elas faziam era errado. Sil não omitira nenhum fato dele. Apesar disso tudo ele adivinhava naquelas mulheres o desejo de que tudo fosse diferente. Elas queriam que fosse diferente. Algum peixe grande de algum governo para o qual haviam trabalhado devia ter decidido que elas não eram mais úteis ou que estavam chamando muito a atenção e as entregara aos tubarões. Todas as agências secretas de todos os países da Europa receberam dossiês das cinco. Os dossiês continham um lista dos crimes supostamente cometidos por elas mas Mulder sabia que as acusações não eram verdadeiras. Várias vítimas relacionadas no dossiê eram conhecidos agentes desertores, traidores e até mesmo terroristas. Mas elas não podiam provar isso. Não tinham como provar que os roubos e atentados foram realizados sob ordens dos governos tidos pelo resto do mundo como irrepreensíveis. Não tinham como provar que não haviam cometido nem um terço daquela extensa e assustadora lista. Para sorte das cinco jovens, as descrições físicas nos dossiês não correspondiam às suas fisionomias o que dificultou a caçada. Quando decidiram vir para os Estados Unidos, o FBI foi colocado de prontidão pela Interpol. E agora, alguém as havia denunciado ao FBI. Felizmente para todos, alguém no Bureau decidira investigar informalmente enviando sua parceira para sondá-lo. Ele tinha quase certeza ter sido Skinner. Deu graças a Deus que tinha sido ele a receber a informação. Senão à esta altura estariam no meio de uma guerra, com certeza. Estava tudo pronto. O dia seguinte seria decisivo para todos. Bastava apenas que os federais caíssem no ardil que estavam armando fazia uma semana. Enquanto Mulder olhava pela janela e observava Scully sentada dentro do carro, Sil e Cláudia conversavam. Na verdade discutiam mas como falavam em italiano, Mulder não entendia uma só palavra. Pareceram por fim entrar em um acordo e Cláudia deu ordens rápidas às outras duas em outra língua. Parecia espanhol mas não era. Elas falavam tantas línguas que depois de dois dias ele desistira de perguntar qual delas estavam falando. Ale e Clá concordaram com a cabeça mas não se mexeram e Mulder intrigado observou Sil caminhar para a porta. _ Sil, aonde vai? Ela sorriu docemente para ele _ Vou cuidar para que sua parceira faça exatamente o que queremos que faça. Ele não estava entendendo nada. E o plano que tinham traçado? De repente ele percebeu que a discussão em italiano tinha a ver com alguma mudança de planos nos quais ele não iria participar. _ Sil, espere! O que vai fazer? E nosso plano? Mulder havia dado um passo em direção à porta mas uma arma apontada para sua cabeça o impediu. _ Mudança de planos escoteiro. Você senta e fica bem quietinho e deixa as especialistas cuidarem de tudo. Mulder olhava para Sil estupefato. Não esperava que ela o traísse daquela maneira. Mulder ainda esboçou um movimento de protesto e então ele assistiu espantado as armas surgirem nas mãos delicadas das outras moças. Ale se aproximou e o puxou suavemente para o sofá sem deixar de apontar sua arma para a cabeça do agente. Ele sentou-se com um suspiro resignado e deitando a cabeça no encosto do sofá fechou os olhos. E rezou. Scully já estava cansada mas algo dentro dela não a deixava ir embora. Ela havia chorado bastante depois de deixar Mulder e não sabia o que fazer. Tinha que haver alguma coisa errada. Mulder nunca a trataria daquele jeito. Ele não era esse tipo de homem. Ela o conhecia bem. Mas um medo irracional a invadia quando pensava que Mulder poderia estar apaixonado por uma daquelas mulheres. Isso explicaria o porquê de seu parceiro estar agindo de maneira suspeita. Alguém entregara as mulheres ao FBI. O apartamento de Mulder só não estava cercado ainda porque Skinner preferira esperar pelas investigações de Scully. E o que ela faria? Iria entregar seu parceiro? Mas ela não havia visto nada. Não sabia se seu parceiro escondia uma das terrorista em seu apartamento. O comportamento estranho dele não justificava uma denúncia. Ela precisava de mais dados. Precisava ter certeza de que Mulder estava ajudando o grupo terrorista de livre e espontânea vontade. Decidida a resolver de uma vez por todas, ela começou a sair do carro quando algo a atingiu no rosto. Atordoada ela foi jogada novamente no assento do carro e empurrada para o lado enquanto uma mulher mais ou menos de seu tamanho sentava-se a seu lado. Antes que Scully pudesse esboçar qualquer movimento, a mulher apontou a arma para seu rosto e pediu sua arma. De posse da arma da agente, Sil avisou que se tentasse fugir, seu parceiro seria morto lá em cima. Scully não reagiu e saiu do carro como a mulher ordenou caminhando para o prédio. Na entrada uma jovem alta as esperava e Scully sentiu um arrepio subir por sua coluna ao constatar que as terroristas realmente estavam no apartamento de Mulder. Subiram até o apartamento e quando a porta foi aberta os olhos azuis de Scully se arregalaram ao ver seu parceiro sentado no sofá com três pistolas apontadas para sua cabeça. Quando a viu, Mulder levantou-se e foi em sua direção mas Sil adiantou-se e empurrou Scully com força que teria caído se os braços de Mulder não a amparassem. Ele a abraçou carinhosamente, sentindo-se estranhamente mais tranqüilo agora que ela estava ali com ele. Ao mesmo tempo sentiu um calafrio de medo. Medo pelo que poderia acontecer com Scully. Ele nunca se perdoaria se ela se ferisse por culpa de suas decisões. E pior, nunca se perdoaria se ela morresse sem saber o quanto ele a amava. A parceira levantou o rosto para ele e Mulder assustou-se com o hematoma que começava a arroxear em seu rosto. Olhou com raiva para Sil que sorriu maliciosamente de volta. Ignorando as mulheres às sua volta, tomou o rosto de Scully entre as mãos e olhou-a nos olhos. _ Você está bem? Ela assentiu sem emitir nenhum som. _ Scully, me perdoa. Você não deveria estar envolvida nisso. Scully finalmente encontrou a voz _ Mulder o que está acontecendo? O que você fez? Foi a voz suave e calma de Sil quem respondeu a pergunta _Seu parceiro está conosco contra sua vontade. Ameaçamos matar você e ele cedeu para protegê-la. Sua presença não estava nos nosso planos mas já que está aqui, relaxe e aproveite. Terão uma longa noite pela frente. Mulder arregalou os olhos incrédulo. Ela mentia para protegê- lo mas ele precisava contar tudo à Scully. Ele abriu a boca para protestar mas subitamente foi agarrado por trás e preso em uma chave de braço que o sufocou. Kes segurava o agente pelo pescoço enquanto mantinha a arma apontada para ele com a mão livre. _Seu tempo acabou escoteiro. Diga boa noite para sua parceira. Imobilizado, Mulder viu Cláudia e Sil arrastarem bruscamente Scully para o quarto. Kes o puxou com força fazendo com que perdesse o equilíbrio e caísse no chão. Antes que conseguisse se recuperar do tombo, foi virado de bruços e algemado. Clá sentou-se em suas costas a aproximou a boca de deu ouvido. _ Sabe escoteiro, você fica muito sexy de algemas. Mulder fechou os olhos e escutou as risadas das outras duas. Por fim, Clá se levantou e deixou o apartamento junto com Ale e Cláudia, que veio do quarto com a expressão de desagrado no rosto. Era evidente que ela não estava satisfeita com o rumo tomado pela situação. Kes o ajudou a se levantar e sentou-o no sofá. _ Kes, me solta daqui. Você sabe que não precisa fazer isso. Ela o olhou tranqüila _ Precisamos sim escoteiro. Não queremos que enfrente um processo no Bureau ou seja preso por cumplicidade. Sua parceira testemunhará que você era nosso refém. _ Ela não fará isso Kes, eu vou contar a ela que as ajudei porque quis. Mulder tinha uma expressão desamparada. _Ela nunca via me perdoar por esta traição. Kes sorriu enigmática para ele. _Não se preocupe escoteiro. Sua parceira vai defender você, eu garanto. Mulder estranhou a expressão e as palavras da jovem mulher. Ele tentou sentar- se direito mas as algemas machucavam. Subitamente ele percebeu o que elas estavam fazendo. Sil havia batido em Scully. O ferimento estaria bem feio no dia seguinte. E seus pulsos estariam cortados pelas algemas. Elas queriam que pensassem que eles haviam sido torturados por elas. _ Kes, vocês não podem fazer isso. Scully vai falar. Eu sei. Eu tenho minhas razões para não denunciar vocês. Sei que armaram para vocês. Sei também que não são inteiramente inocentes mas eu devo isso à Sil. Quero que ela tenha a chance de recomeçar sua vida do zero. Quero que ela seja feliz. Mas não posso pedir à minha parceira que minta por mim dessa maneira. Ela não me perdoaria. Ele baixou a cabeça _ Ela não vai me perdoar ele repetiu desalentado. Kes saiu de perto da janela e sentou-se no sofá ao lado dele. _Até parece que você não conhece nossa baixinha, ela sorriu, _Ela vai convencer sua parceira, confie nela. Mulder suspirou e fechou os olhos. Estava cansado. Os últimos dias tinham sido terríveis e ele não queria nem pensar no que aquelas malucas fariam de manhã. Os planos traçados tinham sido mudados e ele não tinha idéia se algum deles sobreviveria ao dia que estava para chegar. Sem perceber ele começou a cochilar. Kes ainda o observava sentada a seu lado. Um sorriso iluminava seu rosto delicado. Ela não tinha medo da morte. Nunca teve. Quando se juntara às amigas há cinco anos, era uma criminosa experiente. Convivia com a sombra da morte todos os dias. Aprendera a não ter expectativas no futuro. Cada dia era vivido como se fosse o último. Clá também era assim. Mas as três mulheres mais velhas não. Elas haviam sido obrigadas a se tornarem o que eram. Kes nunca soube que tipo de chantagem foi feita contra elas para que concordassem em infringir a lei daquela maneira mas a verdade é que elas não gostavam do que faziam. E não queriam que ela e Clá permanecessem naquele tipo de vida. As três sonhavam pelas mais jovens. Queriam que elas tivessem uma vida diferente da que elas tinham. E por elas, ela e Clá estavam dispostas a abandonar a vida que levavam e recomeçar de maneira diferente. Agora observando aquele homem lindo e tão indefeso ao seu lado, ela concluía que talvez fosse bom mudar de vida. Arranjar alguém para amar. Ela seria feliz se um homem como Fox Mulder a amasse. Sentia um pouco de inveja de Sil que o tivera nos braços mesmo que há muitos anos. E sentia muita inveja daquela agente idiota que era dona do coração dele e não percebia isso. Mas Sil dissera que resolveria isso. Seria seu presente de despedida para o homem que ela havia amado tanto. Kes conhecia sua amiga. E sabia que ela sempre conseguia o que queria. A mulher de óculos, empurrava Scully segurando-a pelos braços e chegando ao quarto jogou-a na cama com violência. Ela caiu com o rosto de encontro ao colchão e sentiu seus pulsos serem algemados. As mãos que a algemaram a viraram de frente e Scully se viu frente à frente com um par de olhos claros que a fitavam com evidente hostilidade. A mulher parecia que pretendia falar alguma coisa mas Scully viu a outra morena colocar a mão no ombro da companheira. _ Cláudia, deixe que eu faço isso. Você precisar ir com as garotas. A mulher que se chamava Cláudia não parecia disposta a deixar Scully com alguém mais delicada mas levantou-se e saiu sem uma palavra. Scully permaneceu meio deitada com as mão presas nas costas. A posição era desconfortável mas ela não pretendia despertar a ira daquela mulher. Sabia o quanto ela era forte. Seu rosto machucado não a deixava esquecer. Decidiu esperar para ouvir o que ela tinha para dizer. _ Agente Scully, embora não pareça, não pretendemos fazer mal a nenhum de vocês. Scully não pôde evitar sua expressão de descrença nas palavras dela. Sil apenas sorriu suavemente e continuou observando a mulher à sua frente. Ela estendeu a mão e tocou delicadamente o machucado que ela lhe fizera. _ Desculpe por isso Srtª Scully mas amanhã vai precisar deste ferimento. E ante o olhar interrogativo da agente ela explicou. _Quando os libertarmos amanhã não queremos que duvidem de que eram nosso reféns. Scully tinha medo de perguntar o que estava na ponta de sua língua. Ela tinha medo de ouvir o que não queria mas mesmo assim foi em frente _ Mulder não foi forçado a ajudá-las foi? Ele está fazendo isso por que quer. Era mais uma afirmação mas Scully desejava ardentemente que ela negasse. A jovem mulher sorriu com tristeza _ Não agente Scully, ele não foi forçado. Se estiver disposta a ouvir o que tenho a lhe dizer, devo avisá-la que pode sair magoada desta conversa mas se minha intuição estiver certa, o que eu vou lhe contar agora ajudará você a decidir-se sobre algo que pode mudar sua vida para melhor. Scully a encarava com os olhos azuis muito arregalados. A curiosidade superou a cautela _ Estou ouvindo. Pode falar. E ela falou. Começou contando a Scully sobre seu relacionamento com Mulder e descobriu satisfeita que isso a magoava. Deixou no ar que talvez ainda fossem amantes e viu os olhos da agente encherem-se de lágrimas. Ponto para mim escoteiro. Sua ruivinha te ama! Ela continuou falando e Scully não mais segurava as lágrimas ouvindo sobre os horrores que uma jovem passara em treinamento com a polícia secreta russa. Entendeu a amizade que a unia às outras mulheres, companheiras de treinamento, batalhas e sofrimentos. Scully ouvia e chorava. Chorava pela vida que aquelas mulheres nunca tiveram. Chorava por tudo que perderam, Chorava por si mesma, que via sua vida passar tão vazia sem mover um dedo para mudar alguma coisa. E Sil continuou a falar. A armadilha na qual foram envolvidas, a fuga desesperada, o contato com o único homem em cinco bilhões em que ela poderia confiar, o risco, as decisões, o peso que tudo isso trazia para seus ombros. Então, em algum momento, Sil já não falava sobre a Europa ou sobre ela mesma ou mesmo sobre sua vida e seus problemas. Falava sobre Mulder. Sobre os sentimentos dele e sobre seus próprios sentimentos em relação a este homem que a abandonara. Então as lágrimas secaram e Scully ficou ouvindo fascinada aquela mulher que amava o mesmo homem que ela, Dana Scully, amava. E ela conheceu um Mulder diferente, visto sob o olhar de uma adolescente apaixonada. E se apaixonou novamente por ele. Scully descobriu que o amor tudo faz e tudo perdoa. Não havia mágoa naquela voz que parecia ainda pertencer a uma adolescente. Scully sentiu vergonha de si mesma por não ter confiado em seu parceiro. Por haver duvidado de sua fidelidade a ela e a seu país. E quando Scully pensou que havia terminado, Sil suspirou alto e contou a ela algo que Mulder nunca ficara sabendo e nunca, jamais poderia saber. Os olhos azuis se encheram novamente de lágrimas enquanto ela escutava um último desabafo, desta vez muito doloroso. E ao final das palavras sussurradas, Scully já havia tomado sua decisão. Mulder não conseguia dormir. Cochilava mas logo acordava sobressaltado com algum ruído que ele não identificava. Sil veio do quarto com Scully também algemada e jogou-a no sofá ao lado do parceiro. Nenhum dos dois conseguia encarar o outro mas Mulder não sabia que os motivos de Scully eram bem diferentes do que ele imaginava. Ele tentou se explicar mas ela não permitiu. Disse a ele que Sil havia explicado a situação a ela. Apesar de não concordar, ela não atrapalharia o plano delas. Estava disposta a colaborar mas não se envolver e Mulder deveria aproveitar a chance e seguir seu exemplo. Mulder recebeu as palavras ásperas em silêncio e não falou mais nada. Os agentes foram retirados do apartamento e levados para um prédio abandonado não muito longe dali. Mulder ainda não compreendia o plano delas e tentava falar com Sil que o ignorava. Por fim, Cláudia ficou irritada e prometeu atirar em Scully se Mulder não calasse a boca fazendo com que o agente ficasse mudo imediatamente. As mulheres estavam posicionadas nas janelas do andar. Apenas Sil permanecia ao lado das cadeiras onde os agentes foram algemados. A arma em punho, pronta a atirar. Quando Mulder escutou uma voz vinda de fora, falando através de um potente megafone, seu coração parou por um segundo. Eles haviam sido descobertos. Olhou assustado para Scully mas ela parecia indiferente. Na verdade, todas pareciam indiferentes ao problema ele constatou preocupado._ Parece que eu sou o único aqui que não pretende morrer hoje não é mesmo? Todas ignoraram suas palavras. Ele tentou de novo _ Meninas, sei que estou em minoria aqui mas não acham que deveriam ao menos tentar negociar seus reféns com eles? Seis cabeças voltaram-se para ele e disseram ao mesmo tempo um sonoro "Cala a boca Mulder". Ele arregalou os olhos para sua parceira que inconscientemente se juntara ao coro. Ela estava do lado delas e Mulder tinha a nítida sensação de que havia perdido alguma coisa por alí. _ Você podem me dizer exatamente quando foi que me colocaram no banco de reserva e minha parceira entrou no jogo? Os seis pares de olhos se voltaram para ele espantados. Scully acabou sorrindo e ele percebeu que a parceira estava novamente do seu lado. Uma imensa felicidade o invadiu e ele sorriu agradecido para a parceira. Ela percebeu seu próprio deslize e corou mas não resistiu ao sorriso que lhe era endereçado e inclinando-se sussurrou para ele _ Quando sairmos dessa Mulder, você vai ter muito o que explicar. O sorriso dele desapareceu e foi substituído por um semblante preocupado quando as mulheres abandonaram a janela e foram em sua direção. _ Muito bem meninas, hora do show. Cláudia passou por todos e foi para a porta de saída. _ Vocês dois vão descer as escadas até o térreo e sair agora. Sil falava rápido enquanto os soltava. Mulder não estava gostando do que estava acontecendo. _ Sil, o que vocês pretendem fazer? Ele estava realmente preocupado. _ Vamos acabar com isso de uma vez por todas escoteiro. Ele seguiu seu olhar que pousou em Clá mexendo em alguns fios e botões do outro lado da sala e compreendeu tudo. _Vocês vão explodir este prédio! Era mais uma afirmação do que uma pergunta. Foi a voz de Clá que respondeu do outro lado da sala. _ Explodir não escoteiro, vamos implodir. Assim nenhum dos seus amiguinhos do FBI vai se machucar a menos que sejam tolos o bastante para tentar entrar. _ Não se preocupe escoteiro, vocês dois terão tempo para descerem até o térreo em segurança. Ele começou a se assustar._ Espere um pouco, Cláudia, como assim nós dois? E vocês? Como vão sair daqui? _ Sairemos em lindos e confortáveis saquinhos pretos. Isso se sobrar alguém inteiro. São dez andares acima e mais três para baixo. Duvido que encontrem pedaços suficientes das cinco para formarem uma inteira. O humor negro de Clá deixou Mulder ainda mais desesperado. Ele aproximou-se de Sil e a segurou pelos braços. _ Vocês não podem fazer isso! É loucura! Depois de tudo que passaram, não podem se suicidar desta forma. Ele a olhou nos olhos por um segundo e a puxou para si abraçando-a com força. _ Por favor Sil, eu imploro. Não faça isso. Ela correspondeu ao abraço e depois se soltou. Fitou os olhos verdes brilhantes de lágrimas e sorriu. _ Escoteiro, você já fez tudo o que podia por mim, por nós todas. Seremos eternamente gratas mas nossas vidas não valem mais nada. Não adianta mais fugir. Queremos paz e só conseguiremos paz se estivermos mortas. Caso encerrado entende? Vamos colocar um ponto final na nossa história. Mulder não conseguia se conformar. Ele olhou para Scully que fitava Sil interrogativamente como que dizendo "Não foi isso que combinamos!" Sil sorriu para ela e moveu os lábios formando a frase "Cuide dele". Os olhos de Scully se encheram de lágrimas e ela virou de costas não podendo mais fitar as mulheres reunidas alí. Clá já havia terminado de armar as bombas e se aproximava. _ Muito bem se vocês não se decidem podemos ficar aqui discutindo e vocês dois morrem conosco. O relógio está correndo e não é a nosso favor. Mulder estava decidido a não sair dali sem elas. Scully não se movia de seu lado. Então Cláudia se aproximou por trás de Scully e antes que Mulder pudesse impedir, deu uma coronhada em sua cabeça fazendo-a perder os sentidos. Mulder levantou a parceira nos braços e ainda tentou argumentar com mas percebeu que ele e Scully também morreriam se ficassem mais tempo lá dentro. Correu em direção às escadas mas antes de descer os degraus estreitos, voltou-se e olhou na direção delas. Elas haviam se juntado em círculo, abraçando-se umas às outras. As cabeças baixas em silêncio. Ele virou-se e desceu com dificuldades os degraus estreitos até o térreo. Quando alcançava o último degrau um tremor sacudiu o prédio todo e um estrondo ensurdecedor foi ouvido. Mulder tropeçou e caiu no chão levando Scully com ele. Fechou os olhos esperando o desmoronamento. Apesar do barulho, o lugar em que estava com a parceira não caiu. Ele levantou-se com dificuldade e a levou para fora. Quando os agentes que cercavam o prédio o avistaram, correram em sua direção e os afastaram do prédio que havia desabado parcialmente. Chegando até a proteção formada pelos carros dos agentes, ele se virou e viu que um dos lados do prédio havia caído mas o outro estava intacto. _ Quatro fundações, alguém comentou ao lado dele. _ Existem poucos prédios assim. Um lado pode ser implodido que o outro fica inteiro. Mulder começou a correr em direção ao prédio ignorando os chamados dos agentes federais. Talvez ainda conseguisse tirá-las de lá. Mas ele mal tinha dado dez passadas quando a parte do prédio que estava intacta implodiu também. O tremor o atirou no chão novamente. Em poucos segundos o prédio estava completamente destruído. Quando a poeira baixou, os agentes começaram a se aproximar. Alguém tocou o ombro de Mulder que continuava deitado no chão, o rosto virado para baixo e o corpo sacudido por soluços incontroláveis. QUARTEL GENERAL DO FBI 15 DIAS DEPOIS Os passos firmes caminhavam pelo corredor, os saltos altos fazendo barulho no piso. Ela chegou ao escritório no porão e abriu a porta. Fox Mulder estava debruçado em sua mesa terminando de ler um relatório da perícia. Ele levantou os olhos para ela a expressão frustrada transparecendo no rosto bonito. _ Nada ainda Scully. Os destroços são muitos e os corpos se despedaçaram como a Clá disse que aconteceria. Nenhuma mão ou arcada dentária foi achada para tentarmos uma identificação. Ele recostou-se na cadeira com um suspiro frustrado. _ Eles vão parar de mexer nos destroços. Aquele prédio era propriedade do governo e estava abandonado há anos. O governo não tem interesse em gastar dinheiro removendo entulho. Não por enquanto. Ela sentou-se à sua frente e respondeu clama _ Mulder, é o que elas queriam. E mesmo que achássemos algo, não existem arquivos policiais sobre elas. Nós dois somos os únicos que sabemos exatamente como elas eram e não vamos dizer a eles vamos? Mulder virou o rosto contrariado. O FBI não tomara conhecimento da denúncia anônima sobre Mulder. Skinner havia convenientemente esquecido o incidente e Scully havia queimado a foto que poderia envolvê-lo. Ficou subentendido para todos no Bureau que Mulder e Scully eram reféns das terroristas. Quando Mulder perguntou aos agentes que estavam cercando o prédio como haviam descoberto onde eles estavam, alguém mencionou terem recebido um telefonema anônimo de uma mulher. Ele desconfiava que o plano delas era exatamente este o tempo todo. Mas algo em seu íntimo lhe dizia que Sil não estava morta. Ele não sabia porque mas não a sentia morta. Era como se ela estivesse pensando nele naquele momento. Enquanto ele se perdia em suas reflexões, Scully o observava. Ela se recordava das palavras de Sil, dizendo a ela que deveria abrir seu coração. Parecera tão simples fazer isso quando estava sentada na cama dele conversando com a outra mulher da vida dele. Era estranho, Scully havia gostado dela. Ela sentira da parte de Sil uma cumplicidade e um carinho que a desconcertaram . Não havia em Sil a arrogância de Phoebe Green nem o desdém e superioridade de Diana Fowley. Scully sentira que Sil torcia por ela. Mulder virou o rosto e seus olhos se encontraram. Ambos souberam imediatamente que estavam pensando na mesma pessoa. Uma pessoa especial que havia compreendido seus corações muito mais claramente que eles próprios. Mulder sorriu e ela retribuiu. Ela se levantou e foi em sua direção. Ele estendeu os braços e a prendeu neles, fazendo-a sentar-se em seu colo. Ficaram abraçados por muito tempo, sem se falarem, apenas sentindo a presença um do outro. O calor de seus corpos os aquecendo. Então Scully afastou-se um pouco para poder olhá-lo nos olhos. _ Mulder, eu preciso pedir desculpas a você. Eu não confiei em você. Achei que tinha me traído. Você me escondeu seu envolvimento com aquelas mulheres e fiquei magoada. Ele tentou falar mas ela colocou os dedos em seus lábios calando-o _ Me escuta primeiro depois você fala ele assentiu e ela continuou _ Tentei me convencer de que estava magoada por meu parceiro ter traído minha confiança mas na verdade eu estava magoada porque o homem que eu amava estava me traindo com outra mulher. Mulder arregalou os olhos surpreso e deliciado com as palavras delas _ Eu queria que o Bureau fosse para o inferno Mulder, eu queria mesmo era acertar contas com essa outra fosse quem fosse. Mas quando conversei com a Sil lá no seu quarto eu percebi que estava enganada. Você fez o que fez para se redimir consigo mesmo, com sua consciência. Descobri também que o amor não poder ser condicional Mulder, e eu digo que o amor tem que ser uma entrega total, sem condições. Então eu decidi que não colocaria mais nenhum obstáculo para meus sentimentos. Ela respirou fundo e prendeu os olhos verdes nos seus _Eu amo você Mulder, e se você me quiser, não tenho condições a impor. Aceito seu amor como irmão se quiser, como parceiro se for sua vontade ou como homem se achar que posso ser sua mulher. E será assim enquanto você me quiser, enquanto durar esse amor. Ele não desviava os olhos dela e não acreditava no que estava escutando. _ Scully, eu não mereço você, não mereço mulher nenhuma, muito menos alguém tão especial como você. Ele desviou o rosto mas ela o segurou pelo queixo e o obrigou a fitá-la de novo. E lá nos olhos dela ele leu, naquela comunicação muda que existia entre os dois a verdade de seu amor. E sentiu em seu coração que o amor de uma mulher como Dana Scully poderia fazer dele, um homem melhor. Os argumentos acabaram. Só restava o amor que podia ser respirado e sentido em volta dos dois. Ela segurou a cabeça dele entra as mãos pequenas e passou os polegares pelos seus lábios. Ele fechou os olhos deliciando- se com o contato. E quando sentiu os lábios dela tocando os seus, ele teve certeza de que aquele amor seria para sempre. O sol brilhava no céu banhando a península com seu calor. O vento varria as ruínas da cidade de Tulum no México. Os olhos castanhos escuros fitavam o oceano límpido que se estendia até o horizonte. Os cabelos negros brilhavam ao sol e balançavam ao vento. Ela sorriu para o infinito e com os olhos molhados de lágrimas sussurrou _ Seja feliz escoteiro. Eu amarei você para sempre. Virando-se ela olhou à volta admirando as impressionantes ruínas que despontavam na colina verde e então caminhou em direção às quatro figuras que a aguardavam sorridentes...felizes...livres. FIM AGRADECIMENTOS: *Às minhas amigas que emprestaram seus nomes para as terroristas. Meninas, não pude matar vocês, não seria justo. Obrigada por serem como são. *Ao meu marido engenheiro que me provou que eu poderia derrubar um lado de um prédio deixando o outro intacto. Amor, obrigada pela paciência. *A todos aqueles que me incentivam de uma maneira ou de outra a continuar a escrever. Muito obrigada mesmo!