OS PERSONAGENS DESTA FANFIC PERTENCEM A SEUS CRIADORES E NÃO HÁ QUALQUER INTENÇÃO EM OBTER LUCRO COM ESTA HISTÓRIA QUE DESTINA-SE SOMENTE À DIVERSÃO DOS FÃS. CATEGORIA : DRAMA, COM LEVE INCLINAÇÃO SHIPPER(CLARO!) AUTORA: SILVIA HELENA PENHALBEL E-MAIL: silviapenhalbel@uol.com.br FEEDBACK : CRÍTICAS, SUGESTÕES E ELOGIOS SÃO BEM VINDOS. MULDER E SCULLY SÃO PEGOS EM UMA ARMADILHA QUE PODE SER A MAIS PERIGOSA QUE JÁ ENFRENTARAM ATÉ HOJE POIS VAI COLOCAR EM XEQUE A AMIZADE E CONFIANÇA QUE EXISTE ENTRE ELES. A BATALHA DOS DEUSES QUARTEL GENERAL DO FBI SALA DOS ARQUIVOS X O calor no apertado porão era insuportável naquela época do ano. Scully entrou na sala correndo, já sem fôlego, procurando por seu parceiro. Mas Mulder não estava lá e Scully temia que ele já estivesse no aeroporto pronto para embarcar para a Grécia. Scully pegou o telefone e fez mais uma tentativa de contato com seu parceiro mas o celular estava desligado. Maldição Mulder, porque você tem que ser sempre tão impulsivo? pensou furiosa enquanto verificava seus documentos apressadamente e saía correndo em direção à saída do prédio do Bureau. Infelizmente os temores de Scully se concretizaram e uma rápida verificação no balcão da companhia aérea mostrou que sim, o Sr. Fox W. Mulder estava no vôo que partira há dez minutos para a Europa. Em sua pressa, Mulder sequer se preocupara em usar um nome falso como costumava fazer. Scully conseguiu reservar um lugar no próximo vôo que sairia em algumas horas. A companhia tinha um nome extremamente suspeito mas a agente não podia se dar ao luxo de aguardar dois dias para alcançar seu parceiro que ultimamente mantinha sua impulsividade a níveis críticos. Com um suspiro pesado, ela sentou-se no saguão principal do aeroporto, pronta para mais uma espera cansativa, pronta para se meter em mais uma encrenca por causa de seu parceiro maluco. Há alguns dias, ele recebera um telefonema anônimo. Scully investigara e descobrira que o telefone usado era na esquina do prédio do Bureau. O informante lhe dissera que estava para acontecer uma operação de limpeza de provas na Europa com o consentimento e auxílio do governo americano. Mulder a princípio não tinha levado o telefonema a sério mas então, dois dias depois um envelope chegara misteriosamente até a mesa no porão. Sem digitais ou marcas, o envelope continha fotos de um galpão de pequeno porte que continha artefatos estranhos, pedaços de metais retorcidos e chamuscados, homens vestidos com roupas anti-contaminação e muitos soldados armados. Mulder havia ficado excitado como uma criança que ganha um brinquedo novo e apesar dos esforços de Scully em manter o parceiro raciocinando claramente, ele havia mergulhado de cabeça na investigação da localização do galpão. Dois novos envelopes haviam chegado com intervalos de dois dias entre eles e mais dois telefonemas de outros telefones públicos haviam sido feitos. Mulder começava a juntar as peças de um quebra-cabeças intrigante e de nada adiantara Scully argumentar que era uma armadilha e que ele estava caindo como um pato. Mulder já estava contaminado pela euforia de desvendar mais uma sujeira do governo e não ouvia ninguém a não ser o homem que entrava em contato com informações. Até que na madrugada anterior, Mulder ligara para a parceira avisando que viajaria para Atenas imediatamente. Scully entrara em pânico e tentara convencer o parceiro a esperá-la mas Mulder parecia não ouvir. Ele falava muito depressa e ela entendeu no meio de tantas palavras desconexas um nome: Krycek. Se Krycek estava envolvido, ela agora tinha certeza de que era uma armadilha. Só mesmo Mulder em sua ingenuidade poderia acreditar em um informante anônimo daquela maneira. Mas ele já havia feito isso antes. Vezes sem conta. Scully nem mesmo se ofendia mais com as atitudes defensivas que ele tomava quando ela tentava mostrar-lhe a verdade. Ele preferia acreditar na mentira. E estava tão claro que este caso era uma mentira que Scully sentia vontade de gritar de raiva. Ela havia ajudado o parceiro no início das investigações na tentativa de localizar o galpão. As pesquisas haviam se mostrado infrutíferas e Mulder parara de pedir a colaboração dela apenas passando as informações recebidas do informante mais por hábito do que por precisar ou querer a ajuda dela. Felizmente ele havia telefonado antes de desaparecer. Não era comum ele fazer isso e ela ficou menos preocupada. Insistiu em viajar com ele e como ele continuasse negando, ela desligou e se vestiu apressada tentando chegar a tempo de impedir seu parceiro de fazer mais uma bobagem. Ela conseguiu encontrá-lo ainda no apartamento, arrumando as coisas e ele, diante da insistência obstinada da parceira, concordou em se sentar e contar o que havia descoberto. Scully arregalava os olhos à medida que história maluca lhe era revelada pelo parceiro que sequer se dava conta da revolta em que se encontrava a mulher à sua frente. _ Mulder, ela conseguiu articular quando ele terminou a história, os olhos verdes brilhando como os de uma criança, _ Como pode acreditar que Krycek seria tão burro a ponto de deixar vazar as pistas de um plano tão elaborado como este que acaba de me contar? Ele se levantou da mesinha exasperado _ Scully, o seu problema é que você não acredita. Não aceita as coisas que seus olhos viram, que seu corpo sofreu. Você não acredita Scully, não vai acreditar nunca não é? Ela suspirou cansada _ Mulder, eu acredito sim mas mantenho minha mente a salvo das armadilhas que colocam em nosso caminho. Está claro que você está sendo manipulado neste caso. Ela viu o parceiro erguer as mãos e passá-las pelos cabelos. Estava aflito. _ Scully, não estou pedindo que acredite em mim. Não preciso mais disso. Quero apenas que saiba onde estarei para o caso de Skinner perguntar. _ Mulder, você não pode ir para Atenas desse jeito. Não temos um caso. Apenas um amontoado de fotos e informações que não foram confirmadas por nossas investigações. Skinner não vai aceitar... Ele já havia se virado e com a mochila nas mãos se dirigira para a porta sem olhar para trás deixando uma furiosa Scully parada no meio de sua sala de estar. E agora ela estava lá, sentada naquele saguão de aeroporto. Furiosa e preocupada. Dividida entre a vontade de ajudar Mulder e de esmurrá-lo. Mas ela sabia que tinha que ir. Não podia deixá-lo sozinho. Jamais faria isso de novo com ele. ATENAS - GRÉCIA DOIS DIAS DEPOIS Scully caminhava desanimada na rua apinhada de gente. A cidade era enorme, e estava cheia de turistas e Scully estava encontrando uma enorme dificuldade em localizar o parceiro. Ela resolveu parar em uma espécie de padaria para tomar algo gelado e já antecipava a dificuldade em se comunicar com os locais. No hotel e em restaurantes turísticos, não havia problemas em se fazer compreender mas em um comércio local, era difícil até mesmo pedir um café. Ela aguardou na fila e quando chegou a sua vez percebeu que não conseguiria nada com a mulher mal humorada que sequer olhava para ela. Ela tentou mais duas vezes se fazer entender e já estava se virando para sair quando ouviu uma voz zangada ao seu lado. Virou-se assustada com o tom de voz da jovem que falava energicamente com a atendente. A mulher pareceu se assustar com as palavras a apressou-se a servir Scully colocando à sua frente um copo com um líquido que ela desconhecia. _ Pode tomar, vai refrescar o calor, garanto. A jovem falava suavemente agora e ninguém diria que poderia levantar a voz para alguém. Ela sorriu e estendeu a mão. _ você é americana não é mesmo? Desculpe Cassandra, ela pertence a uma classe mais ignorante que não aceita e nem entende como as pessoas não conseguem falar uma língua tão simples quanto o grego. Scully não pôde deixar de sorrir para a linda jovem de cabelos e olhos negros que a fitava com curiosidade. _ Você se perdeu de seu guia? _ Não estou aqui a turismo. Estou procurando um amigo. A jovem balançou a cabeça interessada. _ Já procurou no hotel em que ele se hospedou? _ Não sei aonde ele se hospedou. Não consigo entender os nomes destas ruas menores e acho que não conseguirei voltar para meu hotel. _ Não se preocupe com isso. Eu acompanho você até lá. Realmente é uma falha da administração desta cidade que tantas ruas estejam grafadas apenas em alfabeto grego. A propósito, meu nome é Atena. _ Dana Scully a agente respondeu sorrindo. As duas mulheres se levantaram e saíram para a rua apinhada de gente. Os sons dos carros e buzinas se misturavam à cacofonia das vozes. O ouvido de Scully captava palavras em alemão e inglês além de uma dezena de outras línguas incompreensíveis para ela. Perdida em seus pensamentos, ela não notou que haviam entrado em uma pequena loja de sapatos. Uma senhora gorda levantou-se e entrou para os fundos da loja assim que as viu entrar. Scully olhou interrogativamente para a jovem que a levara até lá e tarde demais compreendeu que caíra em uma armadilha. O último pensamento que lhe veio à mente antes de perder a consciência com um golpe de algo duro em sua cabeça foi de que merecia ser pega por ter sido tão estúpida. A jovem mulher ficou parada olhando a agente federal ruiva caída a seus pés inconsciente enquanto um brilho de crueldade nascia nos olhos negros. Mulder sentou-se pesadamente em uma cadeira e massageou a nuca com uma das mãos enquanto segurava o refrigerante gelado na outra. Estava completamente no escuro e nestes dois dias seguira tantas pistas falsas que já começava a se perguntar se não teria sido idiota em acreditar nas informações recebidas em Washington. Ele tomou um gole do refrigerante sentindo o líquido gelado descer pela garganta aliviando um pouco o calor sufocante daquela cidade. Mesmo com o dia terminando, o calor não dava trégua e ele começava a questionar a sanidade das pessoas que decidem se mudar para lugares quentes como a Flórida. Quando baixou a cabeça e colocou a garrafa de volta na mesa ele quase caiu da cadeira com o susto. Havia um homem sentado à sua frente olhando-o fixamente. _ Nossa! A quem devo a honra da visita? _ Agente Mulder tenho um recado para o senhor. O homem falava com um pesado sotaque e passou um pequeno papel amarelo para as mãos do agente que o pegou e abriu a boca para falar mas o homem levantou-se rapidamente e desapareceu na multidão. Mulder tentou seguí-lo mas o grande número de pessoas caminhando apressadamente nas ruas não permitiu que ele encontrasse o homem misterioso. Sentindo-se frustrado ele voltou a se sentar e leu as palavras em inglês no papel. Sua boca esboçou um sorriso mas estava preocupado demais para achar algo divertido. Levantando-se apressado ele iniciou a complicada tarefa de encontrar um motorista de taxi que decidisse levá-lo de volta a seu hotel. Scully voltou lenta e dolorosamente à consciência. Estava deitada em um catre estreito e duro e o local estava na penumbra. Ao menos estava mais fresco. A cabeça doía muito e ela abriu os olhos devagar tentando reconhecer aonde estava. Tarefa inútil ela sabia. Mal conseguia caminhar pelas ruas de Atenas. Não saberia reconhecer nem mesmo o local que entrara quando consciente quanto mais o lugar onde estava agora. Olhando ao redor notou que era uma pequena cela. Havia grades na pequena janela muito alta. A luz quase não entrava no apertado ambiente. Uma porta de aço de aparência bem sólida estava a três passos do catre e naquele exato momento estava sendo destrancada. Algo dentro dela se recusou a receber seu captor deitada indefesa por isso ignorando a dor em sua cabeça e não sem esforço, ela sentou- se e aguardou a entrada do homem alto e bonito de intensos olhos verdes que a fitavam com sarcasmo. _ Que bom que acordou minha cara agente Scully. Devo confessar que sua ousadia me surpreendeu. Eu sempre soube que Mulder era importante para você mas lançar-se dessa maneira à sua procura...sinceramente Scully, eu esperava mais lucidez em suas atitudes. _ Krycek, a sua presença aqui justifica qualquer ato de loucura que eu tenha praticado. Arrastar Mulder para uma armadilha é bem do seu feitio. Ele riu e encostou-se ao batente da porta cruzando os braços sobre o peito. Não escapou a Scully a mão mecânica coberta por uma luva que se movia com agilidade. Alguém que não o conhecesse dificilmente notaria a prótese. Exceto é claro se ele decidisse caminhar sob o sol escaldante de Atenas de jaqueta e luvas de couro preto. _ Na verdade agente Scully eu pretendia fazer seu crédulo amiguinho me auxiliar sem que ele percebesse isso mas a sua vinda precipitada me ajudou mais do que imagina. Posso parar com os joguinhos infantis com ele e ir direto ao assunto. Pela sua vida, ele faria qualquer coisa. Assim vai ficar tudo mais fácil. Scully tentou ser sarcástica e indiferente , _ Não seja tolo Krycek, Mulder não sabe que estou aqui e mesmo que soubesse não cederia a nenhuma ameaça sua. Krycek aproximou-se do catre obrigando Scully a se afastar até sentir a parede fria contra suas costas. Ele parou com o rosto a milímetros do dela, _ Quer apostar agente Scully? Mulder vai comer na minha mão para ter você de volta sã e salva. Scully fechou os olhos e prendeu a respiração não ousando fazer nenhum movimento. Sentiu a mão direita dele tocando de leve sua face e estremeceu ao contato mas não abriu os olhos. Percebeu que ele se afastava rindo e permaneceu de olhos fechados e imóvel até escutar o barulho da pesada porta sendo fechada. Ela então abraçou os joelhos desconsolada e começou a rezar para que Mulder estivesse em segurança. Mulder andava de um lado para o outro no espaçoso quarto do Atenas Hilton. Um pouco demais para um agente do FBI mas seu primeiro contato no aeroporto de Atenas um jovem grego que falava um inglês quase perfeito, lhe indicara que Krycek estava hospedado lá. Apesar da gentileza e solicitude dos funcionários nenhum deles conseguiu encontrar um hóspede que correspondesse à descrição de Krycek. Ele recebia mensagens deixadas na recepção e seguia pistas que não levavam a lugar algum desde que pusera os pés no país. Agora ele novamente se sentia manipulado sendo obrigado a esperar em seu quarto como uma criança de castigo. Olhou impaciente mais uma vez para o relógio e decidiu sentar-se na varanda. Por um segundo ele esqueceu-se o que estava fazendo lá e todas as suas preocupações ficaram em segundo plano enquanto ele observava fascinado as ruínas da Acrópole que se erguiam ao longe e dominavam a cidade de Atenas. À noite luzes coloridas eram acesas e o espetáculo se tornava ainda mais estupendo. Perdeu-se por instantes em devaneios e não percebeu a porta do quarto sendo aberta devagar. Quando pressentiu o perigo, a arma já estava encostada em sua cabeça e uma voz feminina sussurrava em seu ouvido. _ Sem movimentos bruscos agente Mulder. Ele permaneceu imóvel e sentiu que ela se afastava para dentro do quarto. _ Pode se virar agora. Ele voltou-se devagar e seus olhos se arregalaram diante da mulher à sua frente. Ela mantinha a arma apontada para ele e era a mulher mais bonita que ele já vira. A pele era muito branca diferente dos gregos que ele vira em Atenas, todos queimados de sol. Os cabelos eram negros e caiam lisos até abaixo da cintura. Os olhos também negros o avaliavam sem constrangimento. Ela balançava a cabeça, aprovando o que via e Mulder sentiu-se desconfortável com isso mesmo sabendo que ele fizera o mesmo com ela. Ela sorriu e ordenou-lhe em um inglês perfeito que entrasse no quarto e se sentasse na cama depois de colocar sua arma sobre a cômoda. Ele obedeceu cauteloso e respirou aliviado quando ela também guardou sua arma e aproximou-se dele. _ Agente Mulder, tenho uma proposta e lhe fazer. Temo que não será muito de seu agrado mas depois de ouvir o que tenho para lhe contar talvez decida se aliar a mim. Mulder estava intrigado com as palavras dela e começou a assustar-se quando ela lhe mostrou uma foto de Scully. Ela estava estirada em um catre estreito. A foto não estava muito boa mas ela parecia não estar ferida. Quando os olhos verdes se ergueram da fotografia estavam perigosamente escuros. _ Onde ela está? Ela não pareceu intimidada. _ Em lugar seguro, nas mãos de Alex Krycek. Mulder rangeu os dentes de raiva e ela riu divertida. _ Parece que tem contas antigas a acertar com Alex não é mesmo agente Mulder? Pois entre na fila. E fique sabendo que sua presença aqui é uma armadilha para ele. _ Armada por quem? _Um mercenário chamado Duran. Ele e Alex trabalharam juntos para os Russos e quando foram pegos em uma missão de sabotagem na Turquia, Alex fugiu e Duran passou maus bocados nas mãos dos turcos. Mulder sorriu sarcástico, _ Os ratos sempre abandonam o navio primeiro. _ Exato agente Mulder e os idiotas que ficam ajudando as vítimas, morrem afogados. Eu acho que Alex está corretíssimo agindo assim e pretendo tirá-lo dessa armadilha que Duran armou para ele com a sua ajuda. Mulder se levantou irritado _ Ajudar Krycek? Você está maluca! Não ajudaria aquele rato nem que minha vida dependesse disso. Ela aproximou-se dele e sussurrou tão baixo que ele mal ouviu. _ A sua vida não agente Mulder, a vida de sua parceira. Ele fechou os olhos angustiado e sentou-se na cama, passando nervosamente as mãos pelos cabelos. _ Como ele a pegou? _ Uma infeliz ou feliz coincidência, dependendo do ponto de vista. Ela decidiu que não poderia abandonar o parceiro e o seguiu até aqui. Nós demos um jeito para que ela se perdesse de você. Para Alex foi fortuito capturar a agente Scully. Pretendíamos levá-lo até Duran através de pistas falsas mas estávamos nos arriscando muito pois o homens dele já o estão vigiando uma vez que Duran pretendia encontrar Alex através de você. Mulder levantou-se novamente irritado, _ Quer dizer que sou apenas um brinquedo nas mãos de um bando de ladrõezinhos nojentos? _ Não seja grosseiro agente Mulder. Você é um brinquedo nas nossas mãos sim mas não somos ladrõezinhos. Poderíamos colocar este lindo e bem protegido hotel abaixo em questão de minutos. _ Terroristas e mercenários não são melhores do que ladrões. _ Agente Mulder, podemos passar este lindo final de tarde nos insultando ou conversando sobre coisas mais sérias como por exemplo o que fará para pegar Duran. _ Eu não disse que os ajudaria. _ Mas vai. A vida da sua parceira não significa nada para mim. Ela só está viva porque Alex me convenceu a trocar a vida dela por sua colaboração. Depois disso, vocês americanos não existirão mais para mim. _ Está mesmo fazendo isso por Krycek? Ele merece essa dedicação toda? Ela riu enquanto caminhava até a cômoda e pegava a arma dele nas mãos delicadas. _ Não estou apaixonada por Alex se é isso que está pensando senhor FBI. Eu apenas tenho uma dívida antiga com ele e agora tenho a chance de pagar. _ É difícil acreditar que Krycek tenha feito algo de bom para você ou para qualquer outra pessoa que não seja ele mesmo. _ Concordo. Ele nunca havia feito antes e duvido que tenha feito depois. Mas Alex salvou a vida de meus pais quando poderia tê-los deixado morrer junto com outros cem civis inocentes em um atentado que planejamos e executamos juntos. Eu não sabia que meus pais estariam na reunião do sindicato dos portuários da cidade e Alex não sabia que eles eram meus pais. Apenas os viu entrando e por algum motivo que nem mesmo ele compreende, os mandou embora. Chame do que quiser, até de milagre mas ele fez isso e eu jurei que nunca falharia com ele quando precisasse de ajuda. _ Você arrisca sua vida para proteger um cara que por pura coincidência impediu que seus pais morressem? Se for por isso mesmo, você é muito tola. _ E por que você arrisca sua vida por uma mulher colocada a seu lado para vigiá-lo? Não é tolice de sua parte também? _ Scully não faz isso. Somos amigos, confiamos um no outro, sempre. Pode dizer isso de seu amigo Krycek? Ela riu e o sorriso a tornava mais bonita. Mulder repreendeu- se por pensar tais coisas em um momento tão crítico. _ Alex não é meu amigo. Já fomos amantes, parceiros e até inimigos mas nunca fomos amigos. Eu não confio nele mas, diferente dele, tenho palavra e não vou permitir que Duran o pegue bem debaixo do meu nariz. Este é meu território e Duran cometeu um grande erro ao decidir eliminar Alex aqui. _ Por que então você não envia sua gente para eliminar esse cara. _ Simplesmente pelo fato de que "esse cara" agente Mulder tem proteção do governo americano. E ante a expressão incrédula dele ela completou. _ Seu precioso governo deu imunidade a ele quando o miserável se tornou informante da sua gente. Muitos dos nossos foram capturados através das informações dele. _ Então porque ainda não o pegaram? _ Porque o sujeito é intocável com a proteção dos americanos. Ele nunca aparece em público e quando o faz, nunca está sozinho. Além disso ele nos conhece bem e qualquer um de meus homens seria reconhecido por ele imediatamente. Um novato não teria competência para se aproximar de Duran. _ E porque acha que eu conseguiria pegá-lo depois de tudo que me contou. Ela depositou a arma com a qual brincava na cômoda e tirou a sua, colocando-a ao lado da dele. Então aproximou-se dele que permanecera em pé, parando tão próxima que ele podia sentir o calor do corpo dela. Ficando na ponta dos pés, seu rosto alcançou o dele e seus lábios quase se tocaram quando ela sussurrou com a voz rouca _ Por que você tem incentivo agente Mulder. Se não pegar Duran para nós, adeus agente Scully. Mulder a afastou de si irritado. Ela apenas sorriu cínica. _ Agente Mulder, seus sentimentos em relação à sua parceira podem estar bem disfarçados mas não enganam nem a mais ingênua das mulheres. Se ela ainda não percebeu o que sente por ela, então não merece que se sacrifique. _ Você não sabe nada sobre meu relacionamento com minha parceira! _ Pelo jeito, senhor FBI parece que nem você sabe. Ela moveu a cabeça e os cabelos balançaram com o movimento atraindo a atenção de Mulder para eles. Ele a ouviu rir e percebeu que aquela mercenária o estava envolvendo na sua rede de sedução apenas para se divertir. Isso o irritou ainda mais, principalmente porque ele estava realmente atraído por ela. _ Às vezes ter uma consciência é muito inconveniente não acha agente Mulder? Poderíamos estar passando momentos bem mais agradáveis aqui e no entanto você insiste em discutir comigo assuntos sem importância. _ Sem importância? E sua preocupação com seu queridinho Alex Krycek? Também é um assunto sem importância? Ela fez um gesto de descaso _ Alex não vai morrer esta noite. Nem sua amiguinha. Eles poderão fazer companhia um ao outro enquanto nos divertimos aqui. Mulder tentou não xingar a mulher mas ficou furioso com a insinuação. O que mais o irritava era que ele estava realmente tentado a esquecer de tudo por algumas horas. Talvez se a agredisse verbalmente ela decidisse ir embora. _ Eu não acho que estar com uma vagabunda como você seja diversão. Ela abriu a boca para responder mas pareceu mudar de idéia. Aproximou-se dele e o empurrou com força derrubando-o na cama. Antes que Mulder pudesse reagir a mulher estava sentada sobre o corpo dele, o rosto tão próximo que ele sentia a respiração morna em sua face. Ela sorria com malícia e um segundo antes de tomar-lhe a boca com paixão ela murmurou _ Você não sabia que os homens se casam com as certinhas mas preferem as vagabundas agente Mulder? Mulder hesitou apenas um segundo. Logo seus braços envolviam o corpo esguio que se encaixava com perfeição ao seu. Pela porta aberta da varanda, as luzes da Acrópole, que acabavam de ser acesas, proporcionavam um espetáculo de indescritível beleza. Mas no quarto, ninguém estava olhando. Scully se colocou em alerta assim que escutou a porta ser aberta. Durante o dia todo ela vira Krycek apenas mais duas vezes. Ele voltara com comida e mais tarde com informações que a deixaram desconcertada. Então a armadilha era para Krycek. Mulder estava sendo usado por um mercenário que tinha a proteção do governo americano. Ela sentiu uma raiva tão grande que quase propôs a Krycek eliminar ela mesma o sujeito. Mas Krycek queria envolver Mulder na eliminação do ex-amigo pois isso o colocaria em apuros e Scully sabia que o miserável adoraria colocar seu parceiro em encrencas. Depois desta conversa não muito amigável entre eles Krycek desaparecera. Ela percebia o dia indo embora e as sombras da noite envolvendo a pequena cela. Talvez estivesse começando a cochilar quando ouviu a porta e sentou-se, pronta para mais um confronto desagradável com o homem que odiava. Krycek entrou e trancou a porta. Diferente das outras vezes ele aproximou-se da cama e sentou-se obrigando-a a se espremer no ângulo da parede e deixando-a sem chance de fuga. _ A valente e corajosa agente Scully. Não me parece tão corajosa agora, sem sua arma. Na verdade parece uma garotinha assustada. Ele estendeu a mão para tocar seu rosto mas ela deu-lhe um tapa na mão. Os olhos verdes tornaram-se perigosamente escuros e ele a segurou com força pelos braços puxando-a para si. _ Não quer minha solidariedade agente Scully? Talvez prefira homens violentos...ou indiferentes, como Mulder. Ele sequer se preocupa com a segurança da parceira dele. Os rostos estavam muito próximos e ela enfrentou a raiva dele com coragem, sua própria raiva sendo alimentada pelas palavras cruéis de Krycek. _ Mulder não sabe onde estou. Não sabe nem mesmo que estou na Grécia. Ele riu e a empurrou com força fazendo-a bater a cabeça na parede. Apesar da dor ela não perdeu a consciência mas manteve-se encostada na parede, tentando permanecer o mais longe possível daquele louco. _ Seu precioso parceiro sabe aonde você está mas se encontra muito ocupado para vir procurá-la. _ Mentira Krycek! Se Mulder soubesse onde estou viria me buscar. _ Acha mesmo? Mulder está neste momento com uma mulher. Não acho que esteja pensando em você senhorita Scully. Ah! Pela sua expressão vejo que duvida das minhas palavras. Não duvide. A mulher que está com ele é Atena, a jovem que a capturou. Duvida que ela seja capaz de seduzir seu parceiro? Scully hesitou ao se lembrar da mulher que encontrara mais cedo na cidade. _Deixe que lhe diga uma coisa agente Scully, até hoje, ela nunca foi rejeitada por um homem. E Mulder é apenas um homem. Não me pergunte como ela faz isso. Eu nunca fui capaz de descobrir. Enquanto Krycek falava, Scully sentia uma dor física invadir seu peito e se espalhar por todo o corpo. Ela abraçou os joelhos e escondeu o rosto neles. Krycek saboreava a cena sorrindo cruelmente. _ Não chore por ele agente Scully. Ele não merece. Chore por si mesma e por todas as escolhas erradas que fez em sua vida. Dando meia volta, Krycek saiu da cela deixando a porta aberta. Mas Scully não viu. Encolhida no catre, o corpo pequeno e delicado era sacudido por soluços incontroláveis. A alguns passos na sala anexa, Krycek esparramava-se no único móvel do ambiente, um sofá, ouvindo a mulher chorar dentro da cela como se ouvisse um concerto de música. Mulder odiou-se antes mesmo de abrir os olhos. A luz da manhã já invadia o quarto pois a janela permanecera aberta a noite toda. Os sol derramava seus raios na cama desarrumada sobre seu corpo nu coberto apenas com um leve lençol. Ele ouvia a mulher se movimentar pelo quarto e quando percebeu que ela se dirigia para a varanda, abriu os olhos. Ela estava de costas para ele, observando as ruínas ao longe. Mulder não acreditava que havia passado a noite com ela enquanto Scully estava nas mãos de Alex Krycek. Que espécie de bruxa era aquela mulher? Ele nem mesmo sabia o nome dela. _ Não acha que é um pouco tarde para se preocupar com sua parceira? Mulder sentou-se na cama assustado. Será que ela era mesmo uma bruxa? Ela riu e virou-se de frente para ele. _ Não leio pensamentos agente Mulder. Apenas sei o que vocês homens pensam. São tão previsíveis. Era óbvio que se arrependeria. Deve estar pensando também como pôde fazer sexo com uma mulher que sequer sabe o nome. Os olhos verdes brilharam sutilmente e ela riu. _ Viu? Obvio. É típico dos homens arrependerem-se do que fizeram só depois de fazerem. E se lhe interessa saber, meu nome é Atena, o nome de nossa querida cidade. Atenas para vocês ocidentais. É também o nome de uma deusa mas acho que não está interessado em cultura geral não é mesmo? Mulder passou as mãos pelos cabelos desconsolado. Ele se sentia o pior dos homens. Não podia ter feito isso com Scully. Deveria ter forçado aquela bruxa a levá-lo até Krycek e sua parceira. _ Vai me levar até Scully agora? Ela aproximou-se e sentou-se na cama. _ Você só vai ver sua parceira novamente quando me entregar Duran. Vivo. Quero ter o prazer de matar o traidor desgraçado. _ Preciso ter certeza de que Scully está bem. _ Não se preocupe com sua parceria agente Mulder. Alex está cuidando dela com o mesmo cuidado que você cuidaria dele se ele estivesse em suas mãos. Ele a olhou assustado com a doçura das palavras. O rosto bonito era uma máscara de inocência mas os olhos muito escuros tinham um brilho de maldade que o fez estremecer. Num impulso de raiva segurou-a pelos braços com força. _ Se aquele rato machucar Scully, eu o mato com minhas próprias mãos e mato você também. Disse isso e soltou-a bruscamente levantando-se em seguida e trancando-se no banheiro. Ela ficou sentada na cama passando as mãos nos braços delicados marcados pelas mãos dele. Um sorriso de satisfação indicava que ela alcançara seu objetivo. Mulder pegaria Duran para ela e com sorte ele e Alex acabariam um com o outro. Aquele seria um dia muito interessante. IGREJA DE SÃO JORGE ATENAS - GRÉCIA 1:00PM Mulder misturava-se ao imenso número de turistas que visitavam a pequenina igreja situada em um dos altos montes que circundavam a cidade. De onde estava ele podia avistar a cidade toda. Um formigueiro em constante movimento. A vista seria maravilhosa se ele não estivesse tão angustiado. Dois homens de Atena estavam misturados aos turistas. Ela garantira que Duran não os conhecia. Poderiam dar cobertura a Mulder mas não tinham muita experiência. Depois de deixarem o hotel ela o levara até próximo ao local em que tomara o teleférico para a igreja. Pela centésima vez ele olhou a foto de Duran. Ao lado do homem loiro de olhos azuis estavam dois homens de ternos pretos e óculos escuros. Mulder teria rido da situação se conseguisse. Ele não parava de imaginar Scully sozinha à mercê de Krycek enquanto ele...Deus! Se não parasse de pensar nisso ficaria louco. Precisava se concentrar no serviço que tinha que realizar. Odiava estar sendo usado dessa maneira mas devia admitir que fora idiota deixando-se enganar tão facilmente. Ele merecia se ferrar sim mas Scully não. Vezes sem conta ela se envolvera nos problemas dele a acabara muito prejudicada. Mas desta vez ele não se perdoaria nunca por tê- la abandonado. Mulder já estava ficando cansado de esperar. Ele e os dois jovens gregos tinham feito um lanche, visitado a pequena igreja ortodoxa e apreciado a vista de todos os pontos do mirante. Os dois falavam um inglês precário mas até que estavam conseguindo se entender. De repente ele viu um dos rapazes lhe fazer um sinal. Mulder seguiu o olhar do homem e encontrou seu alvo devidamente acompanhado pelos dois "homens de preto". Ele imaginou que tipo de treinamento aqueles caras teriam tido para estarem se portanto de maneira tão óbvia. Mas não era um problema dele se os palhaços queriam parecer importantes. Mulder e os dois capangas se aproximaram do mercenário que parara na próximo à entrada da igreja e começara a conversar com um homem gordo. Mulder parou ao lado do grupo de sacou o distintivo. _ Duran Markov? O homem loiro olhou distraído para a insígnia seguro da proteção dos agentes ao seu lado. _ Sim? Posso ajudá-lo agente... quando ele tentou ler o nome Mulder já havia guardado o distintivo no bolso _ Poderia me acompanhar? Tenho algumas perguntas a fazer a respeito do desaparecimento de uma agente do FBI. O rapaz o olhou interrogativamente. Como Mulder imaginara, os homens do serviço secreto eram apenas para intimidação. Nenhum dos dois tomou qualquer atitude contra ele. E Duran não se sentia ameaçado por um agente americano. Atena estava certa. O governo americano estava totalmente envolvido com aquele mercenário. _ Poderia me dizer qual o motivo de querer me interrogar? Mulder tentou parecer descontraído apesar do nervosismo. Sua vontade era agarrar o sujeito pelo colarinho e jogá-lo aos pés de Atena para que ela o levasse até Scully e o rato do Krycek. Mas apenas sorriu levemente e disse _ Apenas rotina, Sr. Markov. Sei que colabora com nosso governo e suspeito que os seqüestradores da agente sejam antigos conhecidos seus. Gostaria que visse algumas fotos que estão com meus parceiros no restaurante. Importa-se? Duran já havia feito reconhecimento de mercenários e terroristas muitas vezes por isso não suspeitou de nada. Despedindo-se do homem gordo que afastou-se em direção ao teleférico junto com a leva de turistas que estavam no local, Duran e seus guarda-costas seguiram Mulder até o restaurante que estava vazio exceto pelos dois mercenários que imobilizaram os agentes com uma rapidez espantosa. Duran era esperto e rápido mas a raiva de Mulder o fazia mais esperto e mais ágil. Em segundos os agentes estavam inconscientes e Duran algemado. Quando uma nova leva de turistas chegou pelo teleférico, Mulder desceu sozinho com seu prisioneiro. Os mercenários garantiram que cuidariam dos agentes americanos e Mulder suspeitava que nunca mais ouviria falar dos dois infelizes. Sem se incomodar em responder as perguntas iradas de Duran, ele o levou até a pequena loja de souvenirs em frente à entrada do teleférico e aguardou o furgão azul que os pegaria conforme combinado. Duran e Mulder foram puxados para o furgão com violência enquanto o carro arrancava a toda velocidade. Os dois homens ajudaram Mulder a se levantar e sentar-se em um banco baixo. Duran ficou largado no chão com duas armas apontadas para ele o tempo todo. O mercenário não se moveu nem voltou a falar pois havia reconhecido os homens que o capturaram. Um suor frio começou a brotar de sua testa quando percebeu que teria sérias contas acertar com a líder daqueles homens. Scully estava deitada no catre, olhava para o teto e desde de manhã percebia uma movimentação do lado de fora de sua cela. Não que realmente se importasse. Já não se importava mais com o que aconteceria com ela. Não depois do que havia feito na noite anterior. Ela havia chorado por um bom tempo até que se acalmara e voltara a pensar racionalmente. Levantando a cabeça ela percebera a porta aberta. Da sala anexa vinha uma luz fraca e ela levantando-se devagar, caminhou com cuidado até a porta. Krycek estava sentado no sofá e sorria cinicamente para ela. Ele estendeu a mão direita em um convite. _ Finalmente decidiu parar de chorar por aquele idiota do seu parceiro. Agente Scully, eu não entendo como uma mulher tão inteligente e bonita pôde perder sua vida atrás das conversas malucas daquele cara. Venha, sente-se. Aqui é mais confortável que aquele catre duro, eu garanto. Ela aproximou-se devagar enquanto ele mantinha pacientemente a mão estendida. Ela pretendia ignorar a mão dele e sentar-se na outra ponta do sofá mas Krycek deu um salto e puxou-a para si com força prendendo-a em seus braços mantendo-a sentada entre suas pernas abertas. Ela estava de costas para ele, os dois estendidos no sofá e enquanto se debatia tentando se soltar, podia ouvir a risada debochada dele bem próxima de seu ouvido. _ Você é realmente forte para uma mulher tão pequena agente Scully mas eu sou bem mais, garanto. É melhor parar de se debater desse jeito, você pode se machucar e eu odiaria ter que devolvê-la machucada para o Mulder. Ela parou de se mover imediatamente e exausta encostou a cabeça no peito dele. Esperou que ele afrouxasse o abraço mas Krycek era muito esperto para fazer isso. Com um suspiro vencido ela decidiu esperar o desenlace daquela confusão toda. _ O que vai fazer comigo Krycek? Me matar? Jogando a cabeça para trás ele riu _ Deus, claro que não mulher. Acha que quero o Mulder atrás de mim feito um anjo vingador? _ E por que ele se importaria? Pelo que me disse, ele está muito ocupado para se preocupar comigo. Ela não pôde evitar a ironia e Krycek rejubilou-se com isso. _ Está zangada? Por que Scully? Ele aproximou a boca da orelha dela e sussurrou _Vocês são amantes? Ela virou o rosto tentando se afastar mas não havia para onde fugir. _ Claro que não! Apenas achei que Mulder teria mais consideração comigo por eu ser a parceira dele. _ Você não nos conhece agente Scully. Nós homens não damos tanta importância para um relacionamento como vocês. Além disso, vocês não têm um relacionamento portanto não tem o direito de julgá-lo. Assim como ele não tem o direito de julgar você. Você deveria arranjar alguém. Alguém que a valorize como mulher. Alguém que a enxergue como a mulher bonita e desejável que é. Scully fechou os olhos aflita. O hálito morno do homem às suas costas a deixava perturbada. A voz baixa e acariciante em seu ouvido quase a fazia esquecer de quem eram os braços que a envolviam. Ela percebeu que ele não mais a segurava com força. Era como uma carícia e ela envergonhou- se de estar permitindo isso junto àquele homem. O homem que matara o pai de Mulder. Provavelmente o homem que matara sua irmã. Ela se sentia uma traidora apenas por estar lá, imóvel nos braços dele. Mesmo assim ela não tentou se afastar. Permitiu que a boca úmida dele explorasse sua orelha e seu pescoço provocando deliciosos arrepios pelo seu corpo. Ele a soltou e virou-a para si olhando-a nos olhos. Ela viu desejo nos olhos verdes mas não recuou. E quando ele puxou sua cabeça em direção à dele e uniu suas bocas ela se viu correspondendo com paixão ao beijo. Perderam-se por vários minutos em um beijo cheio de desejos contidos mas ambos sabiam que não era um ao outro que desejavam. Então, ao mesmo tempo os dois voltaram a si. Se separaram tão bruscamente que Scully quase caiu do sofá. Ela se arremessou para trás parando do outro lado, ficando de frente para o homem ofegante que olhava para ela como se visse um fantasma. Ela sabia que devia ter a mesma expressão em seu rosto e também que devia estar muito vermelha. A vergonha tomava conta dela por completo e tudo que ela queria naquele momento era desaparecer da face da terra. Krycek olhava para a mulher à sua frente a não acreditava que estava pronto para fazer amor com ela. Ele nunca havia sentido absolutamente nada além de desprezo por aquela agente enxerida que atormentava sua vida ao lado do parceiro. Ele realmente pretendera provocá-la contando sobre Mulder e Atena. Mas ele nunca imaginara que perderia o controle daquela maneira. A verdade é que ele ficara furiosos quando Atena se recusara a ele e fora procurar Mulder. Ela havia se interessado pelo agente americano desde o princípio quando descobriram que Duran estava preparando uma armadilha para ele e que usaria Mulder como fantoche. Seu orgulho masculino ficara ferido, ele sabia disso mas mesmo assim ele deveria estar insano por sequer cogitar ter alguma coisa com Scully. Ela não se movia e parecia estar tão assustada quanto ele com o rumo tomado pela situação. Num impulso ele levantou-se e a segurou pelos braços. Ela gritou de dor e susto mas ele não se importou. Arrastou-a para a cela atirando-a lá dentro e, sem se preocupar se a machucara ou não, batera a porta com violência trancando-a em seguida. Scully havia caído no chã perto do catre e ficara lá, no escuro, por muito tempo chocada demais para chorar ou se levantar. Eles andaram de carro por quase meia hora. Mulder já estava impaciente mas ninguém havia falado nada desde a captura de Duran. Mesmo que falassem ele duvidava que falassem inglês. Estava muito preocupado com Scully. Sentia-se culpado por não tê-la procurado assim que soube de seu seqüestro. O angustiava pensar que Krycek pudesse tê-la machucado por culpa de sua negligência. Quando chegaram ao destino, a primeira pessoa que viram quando a porta do furgão se abriu foi Atena. A beleza exuberante daquela mulher deixou todos os homens no furgão, inclusive Duran imóveis. Os raios de sol batiam em seus cabelos formando um halo à volta deles dando a impressão de ser uma aparição. Mas ela era bem real e o perigo que representava também. E todos naquele furgão sabiam disso. Duran foi jogado para fora bem aos pés da mulher. A cena se parecia algo como um quadro representando a mitologia grega. Uma deusa enfurecida tendo a seus pés um mortal apavorado. Mulder percebeu impressionado que o mercenário estava em pânico. Ele quase agradeceu por ter sido objeto do desejo dela e não da raiva. E só então deu-se conta do risco que correra. Se ele a tivesse rejeitado...mas algo dentro de si lhe dizia que ele não a teria rejeitado em hipótese alguma, ela sabia disso. Os dois capangas que estavam com ele no furgão e o motorista o puxaram para dentro de um galpão escuro e fracamente iluminado mas teria sido impossível para ele não reconhecer a silhueta de Alex Krycek. Ele sacou sua arma e Krycek fez o mesmo. Os capangas de Atena provavelmente tinham ordens para não interferir pois se afastaram para um canto e ficaram observando os dois homens se enfrentando. _ Seu rato sujo! Onde está a Scully? _ De repente ficou preocupado com ela Mulder? O que aconteceu? Atena não ficou satisfeita com seu desempenho e o dispensou? Mulder rilhou os dentes de raiva. _ Onde ela está? _ Segura e inteira, ao menos fisicamente. Mulder deu um passo em direção a Krycek e então o barulho de um tiro foi ouvido. Ele voltou-se rapidamente para a entrada e escutou a risada de Krycek. _ Apenas um, entre os olhos. É a marca registrada dela. Sabe que ela faz questão de olhar nos olhos daqueles que morrem por suas mãos? Mulder começou a dizer algo mas a porta do galpão se abriu e Atena entrou. Fez um sinal a seus homens e um deles saiu imediatamente. Em seguida caminhou até os dois homens que apontavam a arma um para o outro parando bem no meio deles. _ Duran não é mais problema. E me contou onde posso encontrar informações interessantes sobre o governo americano agente Mulder. E também sobre seus atuais patrões Alex. Ela olhava de uma para outro sem se importar com as armas que agora estavam apontadas para ela. Krycek riu debochado _ Querida, estamos resolvendo um assunto particular. Poderia nos dar licença? Ela sorriu sedutora para os dois e deu dois passos para trás deixando os homens novamente frente a frente. Dois pares de olhos verdes brilhavam de raiva e ressentimentos antigos. Os braços estendidos empunhando as armas tremiam de impaciência. Mas os dois homens sabiam que nenhum dos dois erraria o tiro. Atena observava os antagonistas que lutavam contra suas próprias vontades naquele momento. Dois verdadeiros deuses, furiosos, implacáveis. Seria muito interessante assistir qual dos dois puxaria o gatilho primeiro apesar de que ela tinha quase certeza que seria Mulder. Ela dificilmente errava seus palpites. Mas aqueles dois homens poderosos ainda podiam ser úteis no futuro e ela sabia que podia dominá-los. E de uma maneira que ninguém, nem mesmo a agente ruiva podia. Por isso tornou a aproximar-se dos homens. _ Já chega! Alex, Mulder, soltem as armas. Eu até pretendia deixar que acertassem suas contas hoje mas mudei de idéia. Vocês dois ainda podem ser úteis para mim. E ante o olhar chocado de Krycek ela fez sinal para seus homens que se aproximaram com as armas em punho. _ Niko, leve o agente Mulder até sua parceira. Quando quiser partir agente Mulder, Niko os levará até seu hotel e depois ao hotel da agente Scully. Poderão deixar a Grécia com tranqüilidade. _ E quanto a ele? Mulder havia baixado sua arma mas não tirava os olhos de Krycek. _ Já lhe disse agente Mulder, estou pagando uma dívida. Quando voltarem para os Estados Unidos poderá caçá-lo e matá-lo se quiser. Mas em meu território, ninguém toca nele. Mesmo contrariado com as palavras dela, Mulder percebeu que não seria seguro hostilizar aquela mulher e seguiu o capanga até uma sala vazia exceto por um sofá encostado em uma das paredes e uma porta de aço na parede oposta. O homem destrancou a porta e Mulder entrou em uma pequena cela. Scully estava deitada no catre estreito imóvel e ele temeu que estivesse ferida. Ele aproximou-se preocupado mas levantou-se rapidamente, evitando que ele se aproximasse mais. _ Scully, você está bem? Ela não conseguia encarar o parceiro mas conseguiu manter a voz firme. _ Estou Mulder. _ O que ele fez com você? Ele a machucou? _ N-Não, estou bem mesmo, só muito cansada. Eles o pegaram também? _ Não, vim para tirá-la daqui. Vamos embora. Ele estendeu a mão para ela mas Scully recusou e passou por ele de cabeça baixa. Estranhando muito a atitude dela ele a seguiu. Ao saírem da cela, Krycek e Atena estavam na soleira da outra porta que dava para o grande galpão. Scully havia parado e Mulder parou logo atrás dela colocando as mão nos ombros da parceira. Desta vez Scully não se esquivou. Precisava da força de Mulder para enfrentar Krycek e aquela mulher. Ela estava parada ao lado de Krycek mas parecia irreal aos olhos de Scully. Era como se fosse feita de sonhos. Mas Alex Krycek era bem real e ela ainda podia sentir o gosto daquela boca que sorria com sarcasmo para ela. Ela enfrentou o homem à sua frente apoiando-se no homem atrás de si. Foi Atena, que dominava a sala com sua presença quem quebrou o silêncio entre eles. _Como pode ver agente Mulder, Alex cuidou muito bem de sua preciosa parceira. Eu lhe disse que não havia com o que se preocupar. Scully ouviu Mulder respirar fundo atrás de si e suas mãos apertaram seus ombros como que querendo certificar-se de que ela estava mesmo com ele. _ Cumpri minha parte Atena. Se você é, como diz, uma mulher de palavra vai nos deixar partir agora. Ela riu _ É, eu sou uma mulher de palavra. Olhou-o nos olhos e Mulder sentiu um fogo percorrer suas veias. _Infelizmente sou. Vocês estão livres. Ele procurou concentrar-se em salvar sua vida e de Scully mas lembrou-se do miserável que causara toda aquela confusão. _ E ele? Mulder fez um gesto com a cabeça apontando Krycek que agora se apoiava no batente da porta. _ Ele ficará bem. Já disse. Seu acerto de contas terá que esperar. Mulder assentiu e empurrou gentilmente a parceira em direção à saída. Ela parou por um instante na porta e seus olhos encontraram os olhos verdes que pareciam rir dela e de seu desconforto. Ela desviou o olhar rapidamente e saiu para o galpão. Lá, além do furgão que o trouxera, havia um carro onde o motorista os aguardava. Scully entrou no carro e recostou-se no banco fechando os olhos aliviada. Mulder parou um instante à porta e olhou para o casal que os observava. Os olhos verdes de Krycek lançavam faíscas de ódio em sua direção e ele o ignorou. Os olhos negros de Atena pareciam pedir que ficasse e algo dentro dele queria muito aceitar. Ele balançou a cabeça convencido de que aquela mulher não era humana e ela riu jogando a cabeça para trás como se tivesse lido seus pensamentos. Algo lhe dizia que ela realmente podia fazer isso. Antes que ele entrasse no carro ela soprou-lhe um beijo e continuou sorrindo até que eles desapareceram na pequena estrada. Então ela voltou-se para o homem a seu lado e sorriu para ele _ Alex, se eu fosse você tomaria muito cuidado com o agente Mulder. Ele é capaz de fazer qualquer coisa por aquela mulher. Krycek sorriu com desdém. _ Ele não deixou você por ela. _ Claro que não. Mas ele tentou. Só que ninguém consegue resistir Alex, você sabe disso. Mas se eu fosse uma mulher comum... Ela suspirou e olhou para a estrada deserta que vislumbrava através do portão aberto. _ Aquela ruivinha é muito tola. Eu não deixaria um homem daqueles escapar de mim. Krycek resmungou um palavrão em russo e ela riu. _ Alex, inveja e despeito são coisas muito feias. Ela o puxou para si e o beijou até perderem o fôlego. Mas ele ainda estava zangado. _ Agora que ele foi embora eu sirvo para você? _ Alex, se você não servisse para mim já estaria morto ao lado de Duran. Os olhos negros brilharam perigosamente e Krycek tentou se afastar mas ela o segurou. _ Considere minha dívida com você quitada. De hoje em diante, se precisar de ajuda vai ter que pagar meu preço. Ele assentiu entendendo a mensagem. Caminharam os dois até o furgão onde os outros capangas aguardavam silenciosos e partiram deixando para trás o galpão vazio. APARTAMENTO DE FOX MULDER ALEXANDRIA QUATRO DIAS DEPOIS Ele abriu a porta enxugando os cabelos molhados e sorriu genuinamente feliz ao ver Scully segurando uma pizza. Convidou a parceira para entrar o que ela fez sem olhá-lo nos olhos. _ Espero que esteja com fome, ela falou um pouco constrangida. _ Claro que estou! Espere que vou pegar algo para bebermos. Ela acomodou-se no sofá e abriu a embalagem. Alguns minutos depois eles saboreavam a pizza em silêncio escutando a música suave que Mulder havia colocado para tocar. Ela decidiu começar a falar. _ Fiz algumas investigações sobre Atena e Duran. _ Mesmo? E o que descobriu? _ Duran tem um dossiê que não caberia nos arquivos do Bureau. Ele já fez tudo de errado e ilegal que você possa imaginar e acho que nem mesmo as pessoas que o protegiam sentirão falta dele. Já Atena... ele parou de comer e virou-se para a parceira que desviou o olhar. _Ela não existe Mulder. Não tem ficha na polícia. Mas também não tem carteira de motorista, certidão de nascimento, nada. Não existem fotos nem nenhum documento que ligue a mulher que vimos a atividades ilegais ou mesmo legais. _ Scully, ela é bem real, acredite. _ Acredito que seja mesmo Mulder. Ela não pôde evitar a ironia em sua voz e arrependeu-se por ter falado isso. Ele suspirou e decidiu que precisavam conversar sobre este assunto por mais delicado e constrangedor que fosse. _ Scully ele começou mas ela o interrompeu _ Mulder não quero falar sobre isso. _ Mas eu quero Scully. Eu preciso falar. Eu falhei com você. Deixei você à mercê daquele miserável do Krycek enquanto... Eu deveria ter obrigado aquela desgraçada a me levar até você na mesma hora. Eu não mereço sua amizade ou sua confiança. Depois de tudo o que você passou por mim merecia mais consideração e respeito da minha parte. Se não quiser me perdoar eu vou entender. Ela não conseguia encará-lo, a vergonha era demais. _ Mulder eu...aconteceu uma coisa naquela noite. Algo que me envergonha muito. Eu não sei como tive coragem. Mulder a olhou curioso mas ela não conseguia encará-lo. _ Krycek me contou que você estava com Atena. Eu fiquei desorientada, perdida. Ele me ofereceu consolo. Eu...eu quase cedi Mulder. Alguma coisa dentro de mim me parou a tempo mas...eu não me perdôo por ter desejado que acontecesse. Ele ouvia incrédulo as palavras entrecortadas de Scully. Ele sentia um impulso quase incontrolável de ir atrás daquele rato sujo naquele mesmo instante e matá-lo aos poucos com requintes de crueldade. Mulder a abraçou com força e ela começou a chorar. _ Mulder estou...estou tão envergonhada...não consigo encarar você ou a mim mesma em um espelho. Não acredito que eu quase... quase... uma nova onda de choro tomou conta dela enquanto ele a embalava em seus braços. _ Shhh...está tudo bem Scully. Acho que nós dois estávamos fora do normal aquela noite. Fizemos coisas que não faríamos nunca um contra o outro. Se tivesse me contado isso lá na Grécia eu teria matado Krycek naquele momento. Ela parou de chorar mas ainda não conseguia encarar o parceiro. _ Mulder, sua vida pessoal não me diz respeito. Eu fiquei magoada e com raiva por você não ter ido me procurar imediatamente mas já o perdoei por isso e não posso criticar ou opinar sobre seus...encontros...não tenho este direito. _ Então você também não tem que se justificar a mim sobre o que aconteceu naquele galpão. _ Mesmo tendo sido com um de nossos piores inimigos? Com o assassino de seu pai? Ela finalmente levantou os olhos brilhantes de lágrimas e olhou para ele que sorriu tristemente e respondeu enquanto colocava uma mecha de seus cabelos vermelhos atrás de sua orelha. _ Mesmo assim. Não se envergonhe de uma fraqueza que ocorreu em um momento tão crítico. Você tem um coração tão grande que foi capaz de me perdoar por tê-la abandonado lá à mercê daquele monstro. Porque não pode perdoar a si mesma? Ela baixou o rosto mas ele segurou seu queixo e trouxe a cabeça dela para bem perto de seu rosto. _ Nunca mais abaixe sua cabeça Scully. Você é a mulher mais forte e corajosa que conheço e não suporto ver você sofrer. Esqueça o que aconteceu naquele lugar. Concentre-se no futuro e nos desafios que ainda temos pela frente. Eu vou estar ao seu lado, prometo. Nunca mais vou abandoná-la. Ela o abraçou aliviada. Parecia ter tirado um grande peso de seus ombros. Decidiu que esqueceria aquele pesadelo. Tinha ainda muito a viver ao lado de Mulder. Seu amigo, seu parceiro...o homem que possuía seu coração. Mulder correspondeu o abraço sentindo-se livre da culpa que carregava por ter se rendido àquela mulher na Grécia. Decidiu consigo mesmo que compensaria Scully pelo que ela passara. Teria tempo para isso. Pretendia estar ainda ao lado dela por muito tempo. Sua amiga, sua parceira...a mulher que era dona de seu coração. Eles se separaram e olharam–se nos olhos sentindo-se mais unidos do que nunca. Nada poderia separá-los. Ninguém nunca mais ficaria entre eles. Suas bocas se uniram num beijo delicado mas cheio de promessas. A música continuava tocando suavemente mas eles não prestavam mais atenção.