ARQUIVO X Aktensammlung Liebe Fanfic de Lucas ("Faile") Zago 8/3/00 Sinopse: A Sra. Scully, já casada e com filhos, resolve ir para a Índia e um encontro inusitado acontece com seu grande amor. Seria ela capaz de reconstruir sua vida por uma pessoa que parecia ter esquecido? E-mail para feedback: luxfiles@zipmail.com.br Classificação: Shipper, Drama Disclaimer: Todos sabem que a série Arquivo X pertence à Fox e a Chris Carter, bem como tudo o que está contido nessa fanfic tem como propósito entreter os fãs da mesma. Antes de cada parte da fanfic apresento citações de músicas românticas, que servem de trilha sonora a esse episódio, afinal esta história é romântica (muito shipper)! "Live for the one I love Love as no one has loved I'll love until love wears me away I'll die And I know my love will stay" Celine Dion – "Live For The One You Love" Londres Março de 2025 O dia era claro como as asas de uma águia. As nuvens no céu embelezavam ainda mais a vista daquela senhora que passeava pelo jardim. Com seus mais de sessenta anos, ela caminhava sobre o verde que tomara conta daquela parte de sua casa. Adorava a natureza. Seus olhos descansavam ao ver tamanha beleza colorida. Margaridas, orquídeas, rosas, damas-da-noite... seu marido adorava plantas. Amava flores e a levou ao vício. Andando pelo jardim, ela viu sua mais nova filha (ou afilhada)... Crystal. Não, não era uma pessoa. Era uma cadela... uma Husky Siberiana. Ela adorava cadelas, adorava bichos, adorava a natureza, adorava tudo... adorava a vida. Não fosse por um pequeno problema, ela estaria feliz por completo. Mas não, tinha alguma coisa lá no fundo que ainda a incomodava. Estranho. Sim, era estranho. Era ele mesmo... o Estranho. Seu nome: Mulder. Mais conhecido como Estranho. O Dono do Porão do FBI. - FBI... Ela lembrava dos anos que havia passado ao lado daquele sujeito com quem desvendara tantos segredos. Tanto tempo juntos em busca da verdade. A verdade que nunca surgiu, apenas partes dela, como um quebra-cabeça. Esta senhora sofreu muito. Sofreu com aquilo que levava dentro de si. Não era o chip em sua nuca, mas algo muito mais pesado e doloroso. Somente ela conhecia tal dor. A senhora de cabelos já brancos continuou andando pelo jardim, observando a cadela nos braços de sua filha mais velha, Gabrielle. Em seguida veio a caçula, Gillian. Era a cara da mãe. E havia ainda um filho entre as duas: George. O mais magrinho, o mais miúdo, o mais tímido de todos. O único menino. O nome desta senhora é Katherine. Aliás, este é o seu nome do meio. Ela era mais conhecida por seu sobrenome... Scully. A agente mais charmosa do FBI. A mulher mais quente de toda a capital dos Estados Unidos. A mais inteligente. Perspicaz, conquistadora... ela era única. Mas não mais trabalhava com seu parceiro estranho. Estava agora ao lado de um latino- americano que trabalhava como garçom numa lanchonete qualquer... seu nome... Fernando. Fernando e Scully. Uma dupla... quase perfeita. Quase. Ao andar pelo jardim, Scully lembrava do dia em que conhecera Fernando. Foi justamente no dia em que resolveu largar o Birô. Pediu a demissão ao Diretor-Assistente e partiu em busca de seus sonhos. E, como queria fazer algo que nunca fizera, resolveu beber até ficar bêbada. Foi até uma lanchonete (um boteco, na verdade) e pediu várias doses de uísque. Bebeu-as sem dó nem piedade. Jogou à boca do estômago mais uísque e queria que a embriaguez chegasse o quanto antes. E chegou. Scully, sentada numa cadeira, babando sobre o guardanapo, foi indagada por um homem belo e rijo: - A senhora está bem? E ela, sem saber o que dizer, em meio aos soluços: - Eu pareço estar bem? O garçom, vendo que a moça estava muito mal, ofereceu- lhe ajuda. Scully mal podia levantar... pudera... nunca havia bebido tanto como naquele dia. Fernando, servil, levou-a até o seu carro. Vendo que não havia muita gente no local, ele pediu para que seu companheiro "desse cobertura" e levou a "senhorita" à sua casa. Viu a insígnia de agente do FBI e se espantou. Ao chegar à casa de Scully, ela entrou sem dizer uma palavra sequer, nem ao menos um "obrigado" e ia fechando a porta, quando o rapaz lhe avisou que tinha derrubado sua corrente de ouro. Scully voltou, olhou para os olhos cor- de-mel daquele mulato lindo e alto e lhe tascou um beijo na boca. O garçom- motorista ficou sem jeito. O resultado é notável... daí surgiu um romance. Do romance surgiu o casamento. E deste surgiram os filhos. Gabrielle, Gillian e George. Seus três lindos filhos. Mas Scully ainda sentia aquela dor pungir lá no fundo do seu coração. O que poderia ser? Era uma médica formada, trabalhava ainda como médica legal, casara-se com um homem lindo e inteligente e deu à luz três filhos. Seus maiores presentes que Deus poderia dar. Mas a ex-agente ainda não estava feliz por completo. Precisava completar aquele vazio que faltava em seu coração, aquele espaço em branco e, naquele dia já formatava tal idéia. Ela precisava retirar-se da vida por algum tempo. Nem que fosse por alguns dias. Precisava descansar daquela vida comum... estava com saudade da vida tumultuada e descoordenada que levava quando era ainda agente do Birô. Lembrava-se de Mulder a todo momento que a palavra Birô surgia em sua mente. Ela sabia que Mulder era uma marca muito forte em sua vida. Era a excentricidade que faltava para o seu ceticismo ser completado. Se bem que Mulder já a tinha convertido a crédula. Ela resolveu acreditar de vez que os homenzinhos verdes (ou seriam cinzas... ou seriam pretos? Quem sabe!?) existiam de fato. Ela própria já tinha sido alvo deles. E o chip (um segredo que nunca revelara a ninguém, nem ao menos a Fernando) era prova disso. Ela havia sido salva por Mulder. Mulder era o herói de sua vida. Não um herói romântico, mas um herói... estranho. Existe palavra melhor para defini-lo? Depois de muito pensar sobre sua vida e sobre o que deveria fazer com ela, Scully pôs suas idéias em prática. Na manhã seguinte, quando Fernando e seus filhos foram acampar, ela arrumou suas malas e resolveu ir embora dali por uns dias. Seu sotaque inglês iria junto dela, mas nenhum deles a acompanharia. Ela deixou um bilhete sobre a mesa e se foi. Mas voltaria daqui a algum tempo. Não deixou o número do telefone, o local aonde ficaria, nada... apenas esclareceu de uma vez que precisava de um tempo para refletir. Depois de vinte anos, ela tinha que tomar uma atitude. Tinha que fazer o que era melhor para si mesmo. E nada melhor do que ir para a Índia... -x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x- "Love wandered inside Stronger than you Stronger than I And now that it has begun We cannot turn back We can only turn into one ... I won't ever be too Far away to feel you And I won't hesitate at all Whenever you call ... And you have opened my heart And lifted me inside By showing me yourself undisguised" Mariah Carey – "Whenever You Call" Aeroporto de Londres 8:16 AM. Scully estava mesmo disposta a viajar para algum lugar bem longe dali. Queria ir embora de Londres, a cidade que Fernando admirava tanto e resolveu morar com sua esposa. Sra. Scully (afinal, estava casada e já tinha filhos) queria ir para a Índia. A índia! Quem diria! Uma médica respeitada e já uma senhora de longa carreira resolveu ir à Índia! E mais... sozinha! Sim. Scully resolveu ir a Calcutá, na Índia. Muito, muito longe de Londres, na Inglaterra. Mas, afinal, por que ela escolheu a Índia? Simples: sua idéia de se retirar de sua vida habitual já vinha sendo formulada há vários meses (se não anos) e ela havia pesquisado lugares aonde poderia permanecer tranqüila e em paz consigo mesma. Que tal a Índia? Muito melhor do que viver no caos da cidade inglesa. Scully tinha se mudado para a Inglaterra por causa de Fernando, seu marido, e já que estava disposta a mudar sua vida radicalmente após a saída do FBI, resolveu deixar os Estados Unidos. Não possuía parentes na Inglaterra muito menos conhecidos. Estava aí um lugar perfeito. Ou quase... Scully, sentada no banco do aeroporto, enquanto aguardava o embarque de seu vôo, foi apanhar uma caneta em sua bolsa, para anotar uma frase que surgiu em sua mente e que há muito tempo precisava ser dita. Ao abaixar-se, deixou cair um chaveiro (na verdade, uma espécie de amuleto) que havia sido-lhe dada há muitos anos. Era um chaveiro com uma citação da missão da nave Apollo 11. E veio à sua mente, neste exato momento, a lembrança daquele ser inanimado, fechado e meio estranho... Mulder. Fox William Mulder. Vulgo O Estranho. A lembrança de que mais de vinte anos se passaram e Scully nem sequer tinha notícia de Mulder. E Mulder? Ela nem sabia se ele estava vivo. Lembrava das tantas vezes que esperava ao lado do telefone por uma ligação de última hora... mas nada. Sua esperança afundava como um navio em alto mar. Ela se quebrava em mil pedaços e demorava muito a recolhê-los por completo. - Passageiros do vôo 984, queiram se dirigir ao portão 16. Era o vôo de Scully, prestes a partir. Sua retirada (espiritual?) estava prestes a acontecer. Não tinha mais tempo para pensar no passado, ou iria perder o rumo do destino. Ela sabia que a partir dali sua vida iria mudar. A lembrança da Raposa iria desaparecer e seu coração teria que se decidir se Fernando era realmente o amor de sua vida. Ela tinha que decidir. Não podia mais sofrer. Tinha que tomar uma atitude... por si mesma... e por seu próprio coração. Afinal, a angústia já estava corroendo sua própria vida. Ela estava mesmo sofrendo. "Have you ever loved somebody so much it makes you cry? Have you ever needed something so bad you can't sleep at night? Have you ever tried to find the words but they don't come out right? Have you ever? Have you ever?" Brandy – "Have You Ever?" Scully carregou as malas e seguiu para o local aonde deveria se dirigir. Entregou o passaporte à balconista e seguiu. Seguiu para o futuro. Resistia ao futuro a qualquer preço, mas o Arquivo X do amor era mais forte do que qualquer força. Ela andou até lá e chegou. Entrou no avião e procurou por sua poltrona. Encontrou-a: número 10. Sentou-se e aguardou a partida. Apanhou um livro que não tinha terminado... "O Alquimista", de Paulo Coelho. Estava já na metade e achara aquele escritor brasileiro muito inteligente. Suas histórias a cativaram desde o princípio. Para acompanhar a leitura, ela ligou seu walkman. Tocava "Frozen", da Madonna. Era uma boa trilha sonora. Depois de alguns minutos, o avião decolou. A aeromoça passou oferecendo algo para comerem, mas Scully apenas pediu a ela um copo de água. Estava mais do que bom para ela. E continuou lendo seu livro. Ouvia as músicas que tinha gravado e, depois de minutos... caíra no sono. A viagem prosseguia e ela dormia feito uma criança. Em sua mente passavam como em flashes de um filme cenas de seu passado. Cenas de seus mais de sessenta anos vividos. As tantas vezes em que foi socorrida por seu companheiro. As teorias absurdas que ele apresentava e que, na maioria das vezes, eram verdadeiras. As aproximações que os dois tiveram algumas vezes (nesse sentido da palavra)... aquela abelha na gola de sua roupa!! Enfim, tudo o que se passou durante anos de convivência com Mulder. Até mesmo um beijo que acontecera na véspera do ano 2000. 2000! Quem diria! Vinte e cinco anos se passaram e lá estava ela... num avião com destino à Índia. Como a vida dá mesmo voltas, não? Mas Scully acordou. Já haviam se passado três horas da longa viagem. Os fones de seu radinho caíram sobre a poltrona. O livro, entreaberto, permanecia debaixo das mãos (uma aliança presente) daquela linda senhora. E ela acordou. A aeromoça passava do seu lado, quando ela pediu algumas sementes de girassol. - O quê? – a moça não entendeu completamente nada. Mesmo assim, foi buscar as tais sementes. Enquanto isso, Scully pegava um pequeno espelho e retocava seu batom vermelho. Ao olhar para o reflexo, viu, além de seus cabelos já brancos, uma imagem estranha logo atrás de si. Uma face familiar, difícil de ser esquecida. Fechou o espelho e continuou virada para a frente, esperando o momento certo de fazer a pergunta que estava na ponta de sua língua: "Quem é você?". Depois de algum tempo, a aeromoça voltou com as tais sementes (um pedido um tanto estranho) e entregou a Scully. Ela ia apanhar as sementes, quando a aeromoça tropeçou e derrubou-as todas no chão. - Me desculpe, Senhora... eu não... - Não se preocupe – respondeu Sra. Scully – pode deixar que eu recolho. E abaixou-se para recolhê-las, quando, ao se levantar, deu de encontro com um homem. Na verdade, assustou-se ao se deparar com seus pés. O sujeito abaixou-se e ofereceu-lhe ajuda: - Pode deixar que eu te ajudo. E abaixou-se para catá-las. Ao olhar para os olhos de Scully, o sujeito deixou as sementes caírem, novamente. Olhou fixamente para aquelas maravilhas azul-acinzentadas e percebeu que já a conhecia. Há muito, muito tempo, ele a conhecia. Seus olhos e a pinta acima dos lábios a delatavam. Era realmente Scully; aquela Scully de vinte e cinco anos atrás, que o ajudava a desvendar mistérios até então inexplicáveis... e o acompanhava em sua longa jornada, porém um dia resolveu desistir da busca pela verdade. A verdade para ela era a própria vida. Viver a cada dia sem pensar no amanhã. Viver todos os dias como se fossem um presente de Deus. Ela voltou a acreditar em Deus. Era médica, muito bem conceituada, e possuía seu próprio consultório em Londres. Às vezes, ainda realizava autópsias, relembrando dos velhos tempos de parceria com Mulder. Mas os tempos se foram. Chegou o presente... e ela estava ali, abaixada, perante àquele estranho sujeito. E, ao invés de perguntar "Quem é você?" disse a frase que estava escrevendo a algumas horas atrás: - Eu não sou sua irmã. E levantou-se. O sujeito olhou para ela, ambos suando frio e a respiração ofegante, e revelou à senhora: - Minha irmã morreu. Scully abriu um tímido sorriso. Uma ponta de lágrima sorriu em seu olho e ela percebeu que sua grande paixão estava logo ali à sua frente. O motivo do seu coração querer parar de bater o fez bater cada vez mais rápido. Ela não suportou tamanha emoção e, num gesto fugaz, levou seu rosto ao do sujeito e o beijou louca e desenfreadamente. Ela beijou seu amor. Beijou o Dono Do Porão Do FBI. Beijou Mulder... como sempre quisera antes beijar. Depois de mais de trinta anos (os anos em que estiveram juntos, bem como o tempo em que estiveram separados) ela o beijou. E Mulder... sim, o sujeito era Mulder... retribuiu sem hesitar. Nenhum "Por que você não me ligou?", "Estava com saudade", "Aonde você estava?"... apenas um... - Eu te amo. Ela não queria ouvir essas três palavras mais do que mágicas se não fossem de verdade... e eram. Mulder realmente a amava. Um foi feito para o outro. E ambos deveriam desvendar o Arquivo Amor juntos. Até o fim de suas vidas. Mulder não iria abandoná-la. Como poderia deixar passar duas vezes a pessoa que mais amava em toda sua vida? Eles se olharam e não precisaram dizer mais nada. Mulder tinha sua vida e Scully, a dela, entretanto ambos iriam reconstruí-las. Nem que fosse preciso recomeçar do zero... e voltar do fim ao princípio. "Don't say you love me unless forever Don't tell me you need me if you're not gonna stay Don't give me this feeling I'll only believe it Make it real or take it all away" The Corrs – "Don't Say You Love Me" FIM! Obs.: O título Aktensammlung Liebe provém do alemão, que significa Arquivo Amor.