Titulo: Armadilhas do coração Autor: José Luis Duarte E-Mail: skinner_da@yahoo.com.br Disclaimer: Esta estória é baseada no seriado Arquivo - X , de propriedade da Twenty Century Fox, assim como os personagens Fox Mulder e Dana Scully são de autoria de Chris Carter. Spoillers: Never Again Categoria: Shipper Resumo: Scully segue um impulso do coração e as conseqüências são ameaçadoras... Centro de recuperação para distúrbios mentais - Philadelphia - 09-00 AM - Estou muito feliz por sua recuperação em tão pouco tempo - disse o Dr Carl - Obrigado Dr! Posso recomeçar minha vida agora. - disse o paciente. - Por onde quer recomeçar? - pergunta Dr Carl - Acho que de onde parei. - disse o paciente olhando para um recorte de jornal com a foto de Dana Scully. - Espero que a partir de agora sua vida melhore. Só depende você, já que está curado. - disse o Dr abraçando o paciente. - Virei visita-lo assim que possível Dr. Tchau! - Tchau! O paciente sai da sala e o Dr Carl fecha uma pasta de arquivo onde se lê o nome Ed Jerse. Sede do FBI - Washington DC - 08:43 AM - Dois dias depois. Scully chega na sala dos Arquivos - X e não encontra Mulder. Senta-se na mesa do parceiro e começa a olhar o caso em que Mulder está trabalhando. Arredores de Washington DC - 08:45 AM Mulder está em seu carro rumo ao FBI, mais uma vez atrasado, pensando: "Que sono! Ainda bem que o dia está bonito! Não teria coragem de sair do sofá se estivesse mais um daqueles dias frios e horríveis." Seguia com seu carro de maneira tranqüila e sentia-se feliz, apesar do sono. Chegaria ao trabalho e encontraria Scully o esperando, como sempre, já que ela nunca perdia a hora. Gostava de ouvi-la dizer que mais uma vez estava atrasado e que precisava trocar seu despertador. Mulder seguia calmamente apreciando o lindo dia... Sede do FBI - Washington DC - 08:50 AM Mulder ainda não havia chegado quando bateram na porta de sua sala. Era um jovem rapaz trazendo a correspondência. Haviam dois envelopes para Mulder e uma carta para Scully. Ela calmamente abriu a correspondência que lhe era endereçada e começou a ler. Em poucos instantes de leitura ruborizou. Suas feições mudaram num misto de espanto e contentamento. No envelope não havia remetente porém a carta estava assinada. Scully estava perdida naquele instante. Não sabia o que fazer. Deveria contar o ocorrido à Mulder? Conduziria a situação à sua própria maneira? Poderia confiar no que estava escrito na carta? Racionalmente não sabia o que fazer, porém resolveu seguir os impulsos do coração. Pegou o sobretudo escreveu um bilhete para Mulder e saiu da sala. Sede do FBI - Washington DC - 09:05 AM Mulder chegou em sua sala e não encontrou Scully para seu espanto. Sentou em sua mesa e notou o bilhete deixado por sua parceira o qual tinha a seguinte mensagem: "Mulder. Fui resolver um problema e pretendo não demorar. Scully ." Mulder não se preocupou. Pegou seus papéis sobre a mesa e começou a analisar. Em dado momento notou os envelopes de correspondência junto com o protocolo de recebimento assinado por Scully. Abriu uma de suas correspondências e pôs-se a ler. Tratava-se de informações sobre luzes misteriosas e aparições no estado de Arkansas. Trazia também relatos de abduções. Leu com muita atenção todos os relatos e abriu a segunda correspondência. Mulder leu algumas linhas e parou bruscamente pegando o protocolo de recebimento de correspondências. Notou que Scully havia recebido uma carta. Sentiu um frio na espinha e uma preocupação repentina tomou conta de seu ser. Tentou ligar para o celular da parceira porém estava desligado ou fora de área, tentou a casa dela mas atendeu a secretária eletrônica. Deixou um recado pedindo a ela que ligasse para ele imediatamente caso ouvisse o recado. Quase desesperado Mulder pegou a correspondência que tanto o preocupara e saiu da sala. Sala do diretor assistente Skinner - 09:35 AM Mulder entra pela sala de Skinner como sempre, sem ser anunciado. Entrou fechou a porta e encontrou Skinner falando ao telefone com alguém. Ao fim do telefonema Skinner ajeitou os óculos na cara e disse: - Bom dia agente Mulder, não me lembro de você ter sido anunciado. Mulder mais do que depressa entregou a correspondência para Skinner. No papel estava escrito " Centro de recuperação para distúrbios mentais da Philadelphia ". Skinner sentou-se e começou a ler: " Ao agente Fox Mulder : Informamos por meio deste documento que o paciente Ed Jerse, que estava em tratamento neste centro, recebeu alta Sábado dia 12 no período da manhã por estar recuperado totalmente dos traumas que o afetavam. Conforme havia nos pedido, reportamos o ocorrido. Sem mais Joseph Wilson MacArthur - diretor administrativo. " - Desculpe Mulder, mas o que significa isto? - perguntou Skinner - Ed Jerse é o psicótico que quase matou Scully queimada na Philadelphia a três anos. - disse Mulder - Diz aqui que ele esta totalmente recuperado Mulder, o que quer? - Temo pela segurança de Scully, senhor. Acredito ser improvável que ele se recuperasse, principalmente em tão pouco tempo. A agente Scully recebeu uma correspondência esta manhã, e quando cheguei ela já não estava mais na sala. Pessoas psicóticas mal curadas tendem a continuar de onde pararam, ou voltar para o ponto onde se sentiam seguras, para se proteger. - Agente Mulder não entendo sua preocupação, pois ao que me lembro, ele próprio decidiu não mata-la na época e até auto flagelou- se. - Exatamente senhor! Ele se sentia seguro com ela...- dizia Mulder quando Skinner o interrompeu. - Sentia-se seguro com ela??? - Creio que eles tiveram um caso senhor. A agente Scully nunca me confirmou esta informação mas tenho quase certeza. Neste instante Skinner notou algo diferente no semblante de Mulder. Notou que Mulder além de preocupado com a vida da parceira estava também triste. Não precisou perguntar para saber o motivo de Mulder nunca ter contado isto a ele. Skinner levantou-se e foi sentar-se ao lado de Mulder, em frente a sua mesa. Tirou os óculos e pôs uma das mãos no ombro de Mulder dizendo: - Agente Mulder, o que vou dizer agora é algo que venho notando no decorrer dos anos. Vou dizer-lhe como amigo e não como superior hierárquico. Noto a algum tempo que a relação que tem com a agente Scully vem se transformando. É uma transformação lenta, talvez tão lenta que os impeça de ver como vocês se consideram. O magnetismo natural entre vocês, na minha opinião, não vem apenas da confiança mútua que adquiriram ao longo dos anos. Noto que a cada dia que passa estão mais intrinsecamente ligados, por isso acredito que a carta recebida por ela possa ser do tal Ed. Apesar deste elo fortíssimo entre vocês, não estão percebendo um sentimento mais sublime que se formou junto a tudo isto.. Mulder queria contestar, mas estava pasmo com a análise que Skinner estava fazendo de tudo aquilo. Sabia que não via Scully como uma amiga apenas, sentia algo mais...Tinha ciúmes, admirava-a e se sentia atraído por ela desde o primeiro dia. O mais interessante é que a medida que Skinner ia dizendo o que pensava, as coisas iam se encaixando e os sentimentos escondidos que possuía por ela foram subindo a tona. Skinner então continuava... - ... penso também agente Mulder que o mesmo acontece com ela em relação a você e que os dois tem que enxergar isto juntos! Saiba também que tem todo o meu apoio para investigar o tal Ed e proteger a agente Scully. Skinner deu dois tapinhas no ombro de Mulder e se levantou, já estava indo em direção à sua cadeira quando Mulder disse: - Senhor ! Muito obrigado. Talvez não tenha idéia do quanto me ajudou. Mulder então caminhou em direção a Skinner e o abraçou como um adolescente perdido que reencontra o caminho após os conselhos do pai. Mulder agradeceu novamente a Skinner, abriu a porta e saiu. Skinner sentou-se à sua mesa, olhou fixamente para porta por alguns segundos e sorriu. Sorriu satisfeito. Colocou os óculos e continuou seu trabalho. Mulder seguiu para sua sala e começou a meditar sobre a conversa que teve com Skinner. Apesar de muito inteligente e de possuir um brilhantismo nato, sentia-se confuso com as "coisas do coração". Rememorou sua carreira e suas prioridades antes e depois de conhecer Dana Scully. Quando entrou para o Bureau e trabalhou na seção de crimes violentos conseguiu bastante êxito, porém poucas pessoas o apoiavam em seus métodos. Com a transferência de Scully para os Arquivos - X pensou ter mais um obstáculo a superar, que seriam suas contestações científicas. Neste instante sorriu sozinho ao lembrar o momento em que se conheceram. Quando ela adentrou sua sala e se apresentou, já imaginou que seria vigiado de muito perto. Mas dos males o menor, pois era uma linda garota que ali estava e não um marmanjo.. . Retornando ao seu auto exame, lembrou que não demorou muito para que Scully ficasse do seu lado. Percebia ela muito próxima e gostava da sensação. Passou a confiar nela muito rápido. Descobriu que ela confiava nele quando estava fazendo uma vigília noturna em frente a casa do mutante Eugene Tooms. Começou analisar os sentimentos da época e notou que já havia algo os unindo. Skinner o fez enxergar o que nunca tinha se concentrado em ver. Para testar seus sentimentos começou a imaginar situações sem Scully e não gostou do que sentiu. Passou então para auto tortura lembrando-se da época em que ela estava combatendo o câncer. Naquele período horrível sofreu muito imaginando a falta que ela faria, porém agora depois de aflorados alguns sentimentos, não suportava imaginar a ausência dela. Suas meditações foram interrompidas com a entrada de Scully na sala. Mulder sentiu-se feliz em vê-la inteira. - Bom dia Scully! - disse Mulder cordialmente. - Bom dia Mulder! - Resolveu os problemas pendentes? - disse Mulder sem querer entrar direto ao assunto que o preocupava. - Quase ! Tem algumas coisas que ainda tenho que resolver. - Quer que te ajude? - perguntou Mulder para ver se conseguia arrancar de Scully o motivo de sua saída. - Não Mulder, obrigada. Tenho que resolver isto sozinha. Mulder sentiu que Scully estava escondendo algo e isto o preocupou. Teria que ser direto quanto ao fato de Ed Jerse estar solto. Imaginava que ela já soubesse da novidade. - Tenho algo pra te dizer Scully. É muito importante que saiba que estou muito preocupado com sua segurança. Acho que se lembra de Ed Jerse, aquele maníaco que te espancou e quase te matou na Philadelphia, pois então.... - neste instante Mulder foi interrompido por Scully. - Ele não é um maníaco Mulder! Estava apenas perturbado com o divórcio recente e...- agora foi a vez de Mulder interromper Scully - Não precisa dizer mais nada Scully! - disse Mulder contrafeito e continuou - A carta que recebeu foi daquele animal! Não ficaria espantado se soubesse que esteve ausente por ter ido se encontrar com ele. - neste instante Mulder estava transtornado. Levantou-se e pôs-se a andar de um lado para o outro com as mãos na cintura e com uma grave expressão em seu rosto. Olhava para baixo e para frente como se estivesse querendo que Scully retrucasse dizendo que era mentira. Mas ela não retrucou e ele então prosseguiu: - Ele pode te matar Scully! Não acredito que esteja totalmente recuperado. Teve a curiosidade de saber o motivo do divórcio dele? - como Scully respondeu negativamente com a cabeça ele seguiu em frente: - Existiam diferenças entre eles, coisa normal entre pessoas recém casadas, porém a palavra aceitar não fazia parte do vocabulário dele e então reagia de forma bruta a tudo que o contrariasse. No começo a esposa achou que seria apenas adaptação, porém o que no início eram gritos e gesticulações tornou-se violência física e ela não mais suportou-o. - Mulder sentou-se e esperou qualquer reação de Scully que estava olhando para suas próprias mãos pensativa. Mulder já estava se irritando com aquele silêncio da parceira e então ela levantou a cabeça e disse: - Entendo sua preocupação Mulder, mas me responda uma coisa... Como ficou sabendo que Ed havia tido alta? - Ele foi solto Scully, estava preso em um manicômio judiciário, não é apenas um doente e sim um assassino. - disse Mulder altamente irritado por Scully te-lo chamado de Ed. - Responda minha pergunta Mulder. - disse Scully rispidamente e se controlando para não discutir com o parceiro. - Quando o prenderam pedi ao diretor do manicômio da Philadelphia que me avisasse sobre qualquer ocorrência envolvendo-o. Temia por sua segurança. - Fez isso para me proteger? - perguntou Scully ironicamente - Claro Scully! O que acha? - disse Mulder pasmo com a ironia de Scully. Até o profundo nervosismo que sentia esvaiu-se naquele momento, tamanha era sua indignação. - Acho que você fez isso por que gosta de controlar a situação e só se preocupa com seus próprios interesses. - disse Scully irritando-se com Mulder. Mulder pegou seu paletó e o sobretudo e saiu da sala sem olhar para trás. Sentiu-se ofendido no mais íntimo do seu ser. Poderia esperar aquela reação de qualquer pessoa, menos de Scully. Não acreditava como ela poderia pensar isto dele. Dizer que não se preocupou com a segurança dela, mas sim com si mesmo! Estava bastante magoado. Queria ter uma reação mais explosiva para desabafar, porém a tristeza que o envolvia era maior que a raiva de minutos atrás. Passava pelos corredores do FBI quando encontrou Skinner. Skinner percebeu que Mulder estava meio desnorteado e perguntou: - Onde vai agente Mulder? - Não me sinto bem. Vou para casa descansar...- falou isto quase sem voz. Mulder realmente achava que um pouco de descanso resolveria, pois estava confuso com tudo aquilo que Skinner havia dito. Já não entendia mais nada. Saiu da sala de Skinner acreditando na reciprocidade dos sentimentos de Scully, e no final ela o ofendeu por causa de um perturbado mental. Pensava que talvez não devesse levar tão a sério os conselhos de Skinner, mas uma coisa o intrigava profundamente....Skinner não fez apenas ele ver a situação como estava, mas o fez sentir que dizia a verdade... Desceu as escadas e foi pegar seu carro. Chegando em casa Mulder não conseguia parar de pensar no ocorrido, e pior, não conseguia parar de pensar em Scully. Agora que enxergava o quanto gostava dela, e como gostava, surge um ex-homicida e provavelmente ex- namorado que o faz afastar-se dela. Apesar de toda situação não iria permitir que Scully sofresse qualquer coisa por causa daquele sujeito. Iria vigia-lo de perto, e assim que deslizasse, seria pego. Talvez Scully não gostasse, mas era para o bem dela... Com o cérebro em tormentas Mulder conseguiu pegar no sono. Scully estava confusa. Talvez tivesse sido impulsiva ao encontrar-se com Ed, porém não se arrependeu pois encontrou-o muito sereno e equilibrado. Suas feições estavam bem tranqüilas e ela o achava muito atraente. Mas o que mais a incomodava era o fato de ter discutido com Mulder. Não queria magoa-lo de forma alguma, porém não podia deixa-lo interferir na sua vida pessoal como estava fazendo. Ele simplesmente desconsiderou totalmente que ela era capaz de analisar a situação corretamente. Continuaria a se encontrar com Ed e Mulder teria que entender. Scully foi interrompida pelo telefone, que informava-a de uma reunião com Skinner às 05:20 PM. Sala do diretor assistente Skinner - 05:15 PM - Boa tarde agente Scully - disse a secretária de Skinner. - Boa tarde. Posso falar com o diretor assistente Skinner? - perguntou Scully. - Ele a está esperando, entre por favor. - respondeu a secretária. - Boa tarde agente Scully. - disse Skinner, sentado em sua mesa. - Boa tarde senhor. - Agente Scully, poderia me dizer o que aconteceu ao agente Mulder? - Não sei, senhor. Não o vejo a horas. - Ele passou por mim no corredor e disse que não se sentia bem. Pensei que pudesse saber algo a respeito. - disse Skinner já desconfiando de alguma coisa. - Ele não me disse nada senhor, simplesmente não o vejo desde antes do almoço. - disse Scully tentando fingir não saber de nada. - Obrigado agente Scully. - disse Skinner com ar preocupado. Scully saiu da sala de Skinner deixando-o pensativo: " Talvez não devesse ter dito tudo aquilo a Mulder... Espero não ter atrapalhado o relacionamento deles." Skinner levanta-se, pega seu paletó, sua pasta e sai. Ao passar por sua secretária avisa-lhe que só voltaria no dia seguinte. Apartamento de Fox Mulder - 06:30 PM Mulder acorda com alguém batendo em sua porta. Era Skinner. Mulder pede para ele entrar e sentar-se. - Está melhor agente Mulder? - pergunta Skinner sentado de frente a ele. - Acho que sim, estas horas de sono me fizeram bem. - Poderia me dizer o que aconteceu entre você e Scully? - Claro ! Ela foi se encontrar com o maníaco e tivemos uma discussão. - Agente Mulder, espero que nossa conversa não tenha atrapalhado o relacionamento de vocês. - Como disse senhor, só tenho a agradecer-lhe pelos conselhos. O senhor me fez perceber o quanto gosto dela. Infelizmente acho que se enganou quanto a reciprocidade dos sentimentos. Mas isto não importa, não deixarei que aquele maníaco faça nada a ela. - Mulder disse isto com enorme convicção, o que agradou Skinner. - Mulder! Continuo achando que é recíproco, porém, como te disse, talvez ela ainda não tenha percebido. Espero que tenha a calma e o auto controle suficientes para suportar esta situação . Vim aqui porque quero que conte comigo para o que precisar. Confio na sua capacidade de análise e resolução de problemas. - Obrigado senhor, é bom saber que alguém ainda confia em mim. - Até amanhã agente Mulder. - Até amanhã senhor. - disse Mulder acompanhando Skinner até a porta. Após fechar a porta Mulder mergulhou-se em pensamentos. Pensava em Scully e sentia uma estranha sensação no estômago e uma tristeza enorme. Nunca soubera administrar um relacionamento. Com Scully era diferente. Não precisava muito esforço para entender o que ela estava pensando. Eram parceiros na concepção da palavra. Agiam sicronizadamente e apoiavam-se mutuamente, qualquer que fosse a situação. Incomodava-o a ironia do destino. Descobrira o que realmente sentia por ela em um momento delicado e inoportuno. O que fazer? Como fazer? Estas duas perguntas o torturavam quando lembrou-se de Skinner dizendo que teria de controlar- se. Acatou mentalmente o conselho e concentrou-se em imaginar como vigiaria o maníaco. Não demorou muito para que Mulder caísse no sono novamente. Sala dos Arquivos - X - 07:30 AM Mulder chegou ao FBI e começou a trabalhar. Tinha algumas coisas para descobrir e um plano a traçar. Não precisou muito tempo para localizar onde Ed estava hospedado e pediu a Skinner que designasse alguns agentes para vigia-lo. Estava realmente empenhado em pegar o sujeito. Quando Scully chegou por volta de 08:15 AM, Mulder já havia tomado todas as providências, e ela não percebeu nada. O clima entre eles não estava muito bom, ambos mantinham uma certa distância em função da recente discussão. Após algum tempo de assuntos superficiais Fox Mulder tentou uma aproximação amistosa com a parceira. - Scully queria que me desculpasse por ontem, mas me preocupo com você. - Mulder disse isto humildemente, segurando um lápis com as duas mãos e girando-o. A atitude de Mulder causou remorso em Scully. Olhou-o nos olhos e sentiu uma imensa vontade de abraça-lo e de pedir que não se preocupasse com ela. Sentiu-se mais atraída do que o normal. Era como se percebesse algo diferente no parceiro. Não entendia bem o que era, mas não podia controlar este confuso sentimento. Respirou fundo e respondeu a ele: - Fui rude com você...Gostaria que me perdoasse também. - disse Scully melancólica. - Não me agrada o risco de você se machucar.... Também não vou permitir que isto aconteça, quer você queira ou não. - disse Mulder num tom mais alegre e com sua característica expressão jovial. - Obrigado Mulder. - disse Scully com os olhos cheios d'água... Mulder desviou o assunto a partir daí e conseguiu um ambiente mais alegre e descontraído. O dia se passou rotineiro, sem nenhum caso que merecesse maiores atenções. Scully foi embora e Mulder continuou no escritório, afinal tinha que pegar os relatórios dos agentes designados a vigiar Ed Jerse. Os relatórios não indicavam nenhuma anormalidade. Mulder iria continuar insistindo, não permitiria que nada acontecesse a Scully. Passaram-se dias... semanas... meses e Mulder foi obrigado a concordar que o rapaz poderia estar realmente curado. Sabia que Scully mantinha contato esporádico com Ed e isto não o agradava, mas não interferia pois abominava a idéia de outra discussão com Scully. Notou que ela estava meio distante apesar de bastante dócil com ele. Mulder procurava fazer de tudo para que Scully não percebesse quanto estes encontros o incomodavam. Scully estava se encontrando com Ed com mais freqüência do que Mulder podia imaginar. Ela procurava esconder do parceiro pois também não queria mais nenhuma discussão com ele. A admiração de Scully por Mulder era notória e crescente. Desde que começara sair com Ed percebeu um outro Mulder. Era como se o relacionamento com Ed, que não era tão íntimo assim, a fizesse ver muitas outras qualidades em Mulder. Acreditava que isto estava acontecendo porque comparava os dois todo tempo. Estava começando notar que quanto mais os comparava, mais admirava Fox Mulder... Sala dos Arquivos - X - 12:00 PM Mulder e Scully encontravam-se investigando algumas denuncias sobre abdução de mulheres, as quais apareciam dias depois com amnésia temporária e com um implante no pescoço. Ligavam para elas e pediam que não extraíssem o implante, alertando do mal que poderia causar-lhes. Quando terminaram a tarefa Mulder disse: - Vamos almoçar Scully? - Hoje não posso. Tenho um encontro com Ed. Mulder ficou profundamente chateado mas não deixou que Scully percebesse. Na volta do almoço Mulder resolveu caminhar pelas redondezas e viu Scully com Ed em um restaurante. Estava em uma posição privilegiada, pois podia vê-los sem que eles o vissem. Notou que conversavam animadamente, com Ed segurando a mão de Scully. O ciúme o torturou mas procurou controlar-se. Momentos depois os dois saíram do restaurante e começaram a caminhar na direção onde Mulder estava. Rapidamente ele entrou em uma loja sem que os dois notassem sua presença. Deixou que eles passassem e começou a segui-los a uma distância razoável. Em determinado momento eles pararam em frente a uma pequena floricultura e Ed deu flores a Scully, que retribuiu com um lindo sorriso. Ed então aproximou-se dela e a beijou ardentemente. O beijo foi prontamente retribuído por Scully. Mulder neste instante sentiu que lhe faltava o chão. Ficou completamente desnorteado. Não sabia como reagir e ainda por cima experimentou uma amarga sensação. Atravessou a rua e seguiu em direção ao prédio do FBI. Chegando em sua sala percebeu que não conseguiria esconder sua tristeza e então ligou para Skinner e pediu que o recebesse. Sala do diretor assistente Skinner - 12:50 PM Mulder adentrou a sala de Skinner totalmente confuso e não conseguiu evitar que o chefe percebesse. - O que está havendo agente Mulder? - perguntou Skinner um tanto abismado. - Senhor gostaria de me ausentar por uns dois dias e precisaria que inventasse uma desculpa para agente Scully. - Algum problema sério agente Mulder? - perguntou Skinner sem entender nada. - Nada muito grave, mas preciso organizar minhas idéias. Estou muito confuso. - Posso te ajudar em mais alguma coisa? - disse Skinner. - Obrigado senhor, mas preciso resolver isto sozinho. - Se precisar sabe onde me encontrar. - disse Skinner querendo ajudar. Mulder assentiu com a cabeça em sinal de agradecimento e saiu. Sala dos Arquivos - X - 01:00 PM Scully estranha o fato de Mulder não estar na sala e senta-se na cadeira dele. Ficou rememorando o encontro que tivera com Ed e sentia-se muito confusa. Havia sido um encontro agradável, como de costume, e culminara em um beijo que ela deixou que acontecesse. Sentia- se bem em companhia de Ed, mas não deixava de pensar em Mulder por um minuto que fosse. Achava que talvez quisesse compartilhar com o parceiro e amigo sua vida quase amorosa com Ed, mas depois daquele beijo percebeu que o que realmente queria era ter Mulder no lugar de Ed. Ficou imaginando estar com Mulder nas situações que vivera com Ed nos últimos meses e percebeu que o que sentia por Mulder era muito mais forte. Estava quase com raiva de si mesma mas entendeu que talvez não percebesse, não fosse o relacionamento com Ed, que seu coração pertencia integralmente a Fox Mulder. Ansiava a presença de Mulder quando o telefone tocou. Era Skinner dizendo que Mulder ficaria ausente por dois dias para auxiliar na captura de um assassino serial que agia em Memphis. Ficou chateada com a notícia, porém achou providencial. Precisava mesmo de um tempo para decidir como dizer a Mulder que ela queria algo mais com ele. O simples fato de pensar em Mulder causava-lhe um friozinho na barriga como não sentia desde sua última paixão colegial. Estava ansiosa para vê-lo. Quase não se continha diante do sentimento que explodiu dentro de si desde o momento em que se imaginou beijando Mulder. Apartamento de Fox Mulder - 06:00 PM Mulder chega em casa após vagar a tarde toda pela cidade pensando que rumo tomar diante da maior decepção da sua vida. Doía-lhe muito aquela situação. Queria dizer-lhe o que sentia mas só pensava no bem dela. Jamais imaginou que pudesse afastar-se da mulher que amava, porém sabia agora que nunca amou, pelo menos não como amava Scully. Viu como eles se beijaram e julgou que ela estivesse feliz ao lado de Ed Jerse. Conversaria com Skinner pela manhã e pediria transferência. Sabia de alguns lugares onde poderia investigar casos que estavam esquecidos por não ter explicação. Sentiria falta do auxilio de Scully mas havia começado nos Arquivos - X sozinho e voltaria a trabalhar desta forma. Pensou no assunto quase a noite inteira e não pode deixar de imaginar Scully. Sua memória privilegiada que tanto o ajudara, agora provocava-lhe sofrimentos atrozes. Conseguia ver o rosto de Scully com uma riqueza incrível de detalhes. Via-a sorrindo, pensando, chorando, enfim, todas as expressões de seu lindo rosto se desenhavam em sua memória. Amargou seus sofrimentos até pegar no sono. Levantou-se muito cedo e foi para o FBI. Não queria correr o risco de encontrar Scully no prédio. Por sorte Skinner havia chegado mais cedo para dar andamento em alguns casos e Mulder pôde conversar com ele sem ser visto nem mesmo pela secretária. Skinner tentou dissuadi-lo da idéia de se transferir mas havia lhe prometido apoio e ficou decidido que Mulder iria investigar alguns casos estranhos ocorridos no Hawai. Sairia na manhã seguinte, sem data para voltar. Porém Skinner pediu a Mulder que entrasse em contato com ele periodicamente. Mulder aceitou. Depois de tudo certo Mulder foi até a sala dos Arquivos - X para se despedir e também para deixar um bilhete a Scully. Isto feito, voltou para casa e começou os preparativos de sua partida. Sala dos Arquivos - X - 08:15 AM Scully chegou para trabalhar meio triste por saber que Mulder só voltaria no outro dia. Sabia que teria que conversar com Ed sobre seus sentimentos por Mulder, e isto também a incomodava porque não queria magoar o amigo. Ao sentar-se na cadeira de Mulder encontrou um envelope com a seguinte inscrição: " PARA DANA SCULLY " Achou estranho pois a letra parecia de Mulder e ele estava em outro estado. Abriu o envelope e começou a ler a carta que estava contida nele. " Querida Dana, Não sou bom em despedidas, mas infelizmente elas existem. Passei anos felizes trabalhando ao seu lado e gostaria que soubesse que jamais esquecerei. Parto sem data para retornar. O trabalho as vezes nos obriga a estas situações. Infelizmente não manteremos contato por todo período em que estiver fora. Espero que seja feliz em todos os sentidos... Vou parando por aqui para que não se torne uma despedida melancólica... Abraços de seu amigo Fox Willian Mulder " Scully tentou controlar as lágrimas mas não foi possível. O homem por quem sentia o mais sublime dos sentimentos partira sem data para voltar, e ela não pôde nem ao menos dizer o que sentia por ele. Após conseguir controlar sua emotividade Scully tentou ligar para o apartamento de Mulder, mas ninguém atendeu. Tentou seu celular mas estava fora de área. Foi ao banheiro lavou o rosto, se recompôs e seguiu para sala de Skinner. Sala do diretor assistente Skinner - 08:30 AM - Bom dia, o diretor assistente Skinner já chegou? - disse Scully à secretária sem esconder a tristeza que sentia. - Ainda não agente Scully. Só virá no final da tarde. Você está bem? Posso ajuda-la? - disse a secretária de Skinner na melhor das intenções. - Está tudo bem obrigada. A que horas ele retorna? - perguntou Scully tentando disfarçar sua insatisfação. - Acho que por volta de cinco horas. - Obrigada.- agradeceu Scully saindo em direção ao corredor. Sala dos Arquivos - X - 08:45 AM Scully sentou-se novamente na cadeira de Mulder sem saber o que fazer. Não sabia o que pensar. Ficou tão atormentada com a notícia que não conseguia sequer achar um ponto de partida para agir. Ainda divagava em pensamentos quando o telefone tocou. Scully atendeu de pronto sonhando que pudesse ser Mulder. Decepcionou-se ao ouvir a voz de Ed. Ele estava convidando-a para almoçar logo mais, porém ela não aceitou dizendo que estaria muito ocupada e que almoçaria no FBI mesmo. Após desligar o telefone Scully pôs-se a chorar para desabafar a dor que sentia... Apartamento de Fox Mulder - 09:30 AM Mulder estava quase terminando de arrumar seus pertences, que não eram muitos, quando alguém bateu à sua porta. Olhou pelo olho mágico e ficou surpreso ao ver Dana Scully. Decidiu não abrir. Scully bateu mais algumas vezes chegando até a chamar por Mulder, mas como não houve resposta, foi embora. Mulder sentiu-se profundamente mal com aquela situação. Sentiu vontade de ir atrás dela mas controlou-se. Devia ter imaginado que ela o procuraria, afinal eram grandes amigos. Achava que se aproximar dela na circunstância em que se encontrava só traria sofrimento a ambos. A ele porque a amava e a ela que sofreria em ver o amigo triste. No final de longos minutos concluiu que agira corretamente. Tirou o resto do dia para descansar pois teria uma longa viagem pela frente. Honolulu - 08:30 AM - Dois dias depois. Mulder mal havia se recuperado da exaustiva viagem mas foi procurar o escritório local do FBI. Lá chegando comunicou-se com Skinner como havia prometido. Skinner contou-lhe que Scully o havia procurado na tarde anterior à partida de Mulder fazendo muitas perguntas. Mulder pediu a ele que dissesse a ela para não se preocupar pois era imperativo da missão que ele ficasse totalmente incógnito. Sede do FBI - Washington DC Seis meses haviam passado desde a partida de Mulder. Scully começara a namorar Ed Jerse havia três meses. Decidira ceder depois de uma conversa que teve com Skinner, onde ele, não agüentando ver Scully sofrer, disse a ela que não tinha certeza se Mulder voltaria algum dia. Contou-lhe que Mulder deixara de fazer contato a algum tempo mas sabia que estava bem pois ligava constantemente para o escritório no qual estava lotado e recebia notícias favoráveis. Diziam que ele estava bem e que davam recado, mas Mulder não retornava as ligações. Depois disto Scully decidiu tentar viver uma vida normal. Não tinha do que reclamar. Ed a tratava muito bem e era um bom companheiro. Mas uma coisa a incomodava. Era o fato de pensar cada vez mais em Mulder mesmo tendo companhia tão agradável quanto a de Ed. Decidiu terminar o relacionamento com Ed pois não achava justo estar com ele e só pensar em Fox Willian Mulder. Honolulu - Hawai Mulder já estava se habituando com ritmo de vida havaiano. Desvendara alguns mistérios e até possuía alguns amigos leais na região. Era cobiçado por muitas nativas bonitas mas não queria envolver-se emocionalmente pois não havia esquecido Scully. Decidira não entrar em contato com Skinner por um bom tempo, para não correr o risco de ter notícias de Scully. Sede do FBI - Dois anos depois Scully tentava dar andamento ao trabalho nos Arquivos - X, mas era impossível sem Mulder para auxilia-la. Pensava em pedir transferência pois tudo naquela sala e nos Arquivos - X a faziam lembrar de Mulder. Não tinha notícias dele a dois anos e meio e acreditava que não mais o veria. Tinha que viver sua vida mas as lembranças que o local e a situação traziam não permitiam. Falaria mais tarde com Skinner a este respeito. Scully encontra-se com Skinner no final da tarde e expõe-lhe suas idéias de abandonar os Arquivos - X. Obviamente não relatou o real motivo de tudo, mas disse estar saturada daquele serviço. Skinner pediu a ela que o procurasse as 08:00 AM do dia seguinte para que pudesse dar andamento à transferência. Talvez voltasse a Quantico. Seria avaliada a possibilidade. Apartamento de Dana Scully - 08:00 PM Scully estava deitada em seu sofá avaliando sua transferência quando alguém bateu à sua porta. Era Ed Jerse. Educadamente ela pediu que entrasse e perguntou se queria algo para beber, pois continuavam bons amigos. Jerse respondeu que só queria um copo com água, no que foi atendido de pronto por Scully. Quando Scully ia em direção à sala com o copo d'água notou que Ed estava com um semblante estranho olhando para o chão. Ela sentou-se ao seu lado e entregou-lhe a água. - Tome Ed. Está sentindo alguma coisa? - perguntou Scully ressabiada. - Obrigado! - ele tomou a água toda quase de um gole. - O que o traz aqui? Precisa de minha ajuda? - mais uma vez pergunta Scully. Foi então que Ed Jerse começou falar: - Sabe Dana, aqueles meses que namoramos, se é que se pode chamar de namoro, nestes anos que temos convivido serviram para me mostrar somente uma coisa..... - O que Ed ? - perguntou Scully estranhando o tom de voz dele. - Que a única coisa em que posso confiar é em uma tatuagem. - disse Ed Jerse tirando um lenço do bolso embebido em alguma solução entorpecente. Em seguida agrediu Scully no rosto com grande brutalidade fazendo-a desfalecer. Amarrou o lenço em sua boca para que respirasse a solução e continuasse desmaiada. Retirou-a de seu apartamento e colocou-a na mala de seu carro tomando destino desconhecido. Sede do FBI - Washington - DC - Dois dias depois Skinner estava preocupado com a ausência de Scully no Bureau pelo segundo dia seguido e mandou efetuar uma busca em seu apartamento, pois ela não atendia aos telefones. Horas depois o pessoal designado para busca retornou com algumas revelações assustadoras. Haviam encontrado sangue no sofá e marcas de pegadas feitas por sapatos masculinos. Skinner a partir daí mandou que efetuassem uma investigação minuciosa para tentar encontrar Scully. As investigações seguiram por três dias sem sucesso. Sabia que só havia uma pessoa capaz de evoluir um caso com tão poucas pistas. Este alguém era Fox Mulder. Tentou novamente contato com Mulder, deixando recado pedindo para que entrasse em contato urgente com a Sede. Aguardou duas horas e não houve retorno. Estava preocupado pois não sabia quanto tempo tinha, se é que tinha algum tempo. Ligou novamente e perguntou se haviam dado o recado a Mulder e a pessoa que o atendeu enrolava e não respondia à pergunta. Skinner percebeu que ela provavelmente estava agindo desta forma a pedido de Mulder e resolveu então explicar o caso. Era o agente Mark Brown. Skinner então contou a Mark sobre o seqüestro de Scully e esperava que Mulder tivesse falado dela para Mark, já que ele parecia ser realmente muito amigo de Mulder. Ao fim do relato de Skinner, Mark consultou os terminais do FBI para ver se constava o alerta geral de desaparecimento da agente Scully. Tendo confirmação, pediu a Skinner que o desculpasse e relatou que Mulder havia embarcado para os Estados Unidos a dois dias e que iria visitar sua mãe. Skinner sentiu-se aliviado por ter encontrado Mulder e por ele estar na América, o que encurtaria seu tempo de chegada ao FBI. Começou então a procurar o telefone da mãe de Mulder. Casa de Teena Mulder - 10 minutos depois O telefone toca e a mãe de Mulder atende: - Alô? - disse ela. - Senhora Mulder? - disse Skinner ansioso. - Sim ! - Aqui é o diretor Walter Skinner do FBI. Gostaria de falar com Fox se ele estiver. - Fox ? - respondeu de sobressalto. - Sim . Tenho informações de que estaria visitando a senhora e preciso falar com ele urgentemente. É muito importante. - Qual é o assunto? - perguntou desconfiada. - Diga a ele que precisamos da ajuda dele para encontrarmos a agente Dana Scully que foi seqüestrada... - Como ! A agente Scully foi seqüestrada ! exclamou Teena. Neste momento Mulder que estava ao lado de sua mãe tomou-lhe o telefone e perguntou: - O que foi que disse Skinner? - perguntou Mulder, branco de susto. - Graças a Deus Mulder. Scully desapareceu e temos poucas pistas. Acho que você é a única pessoa capaz de dar um rumo a este caso... - Estou indo para aí. - disse Mulder desligando telefone na cara de Skinner. Sede do FBI - Duas horas depois. Mulder chega ao prédio e vai direto a sala de Skinner. Passa pela secretária como se não houvesse ninguém. Skinner relata-lhe o caso minuciosamente. Mulder pergunta a Skinner sobre o relacionamento de Scully com Ed Jerse: - Ela ainda está saindo com Ed Jerse - pergunta Mulder visivelmente incomodado com a situação. - Ao que parece não namoram a mais de dois anos, mas continuam amigos. - Alguém sabe onde encontrar Ed Jerse? - perguntou Mulder - Quando Scully começou a namora-lo tomei a liberdade de fazer um dossiê dele. - disse Skinner puxando uma pasta de sua gaveta. Enquanto Mulder lia o dossiê Skinner perguntou: - Acha que pode ter sido ele Mulder? Me parece que está levando uma vida normal.... - antes de continuar Mulder disse: - Lembra quando te disse que ele tinha que se sentir seguro? Pois então ... ela o fazia estar seguro. Como se afastou ele deve ter manifestado suas psicoses novamente. - Mas faz mais de dois anos que interromperam o namoro ! - exclamou Skinner - O processo é lento. A psicose retorna aos poucos.- disse Mulder - Espero que ela esteja bem ! - disse Skinner. - Não temos tempo a perder ! - disse Mulder saindo acompanhado de perto por Skinner. Cativeiro de Dana Scully - Minutos depois Scully tentava de todo jeito soltar-se das amarras que a prendiam fortemente. Estava em um lugar que lhe parecia familiar. Não tinha certeza se já estivera ali porque estava sendo mantida no escuro. Não compreendia como Ed podia estar fazendo aquilo com ela. Também não conseguia esquecer a fisionomia de Mulder lhe dizendo a dois anos e meio atrás, que Ed não havia se curado. Contudo não adiantava se arrepender.... Ed continuava doido, Mulder havia desaparecido de sua vida e ela estava sendo mantida em cativeiro. Neste instante ouviu passos e então uma porta de abriu a uns três metros dela. Ed acionou o interruptor e uma fraca luz avermelhada acendeu. Foi até Scully e retirou-lhe a mordaça. Scully tentou conversar: - Me solte Ed! O que está havendo? Por que me prendeu aqui? - Conselhos da minha amiguinha ! - Ed falou isto olhando para o braço onde se encontrava os fragmentos da tatuagem. - Você não pode ouvi-la Ed. E sabe por que? Porque ela não existe! - disse Scully chorando. Ed Jerse olhou mais uma vez para o braço, abaixou-se perto de Scully que estava no chão, dizendo: - Se ela não existe, como estou ouvindo-a agora? Você não é confiável Dana. Ela havia me avisado mas eu não quis acreditar. Sabe o que vai acontecer a você? Se não sabe vou lhe dizer. Não vou te matar, ela não quer que eu te mate, ela só quer que você fique desfigurada como ela ficou quando a queimei.... Já teria feito, mas o incinerador do prédio estava com defeito. Fique tranqüila, amanhã no final da tarde estará funcionando e você encontrará seu destino. O maníaco saiu do cômodo deixando Scully novamente amordaçada. Philadelphia - Dia seguinte - 08:00 AM Mulder e Skinner chegam ao departamento de polícia local para tentar descobrir onde ocorreram os crimes de Ed Jerse, já que não constava no dossiê. Conseguiram o endereço e seguiram para o ex apartamento de Ed Jerse. Não quiseram auxílio da polícia local para evitar que o maníaco percebesse qualquer movimentação. No caminho Skinner pergunta a Mulder: - Por que deduziu que ele possa estar no seu antigo apartamento? - É uma característica comum em psicóticos desta natureza. Sentia algo por ela que o impediu de mata-la. Tão logo que pôde aproximou-se e foi correspondido. Em seguida ela decide por separar-se dele. Sente-se traído pela atitude dela e conclui que deve refazer aquilo que não terminou. É simples! Skinner não achou tão simples assim mas não podia contestar pois necessitava mais conhecimento em psicologia para isto. Lembrou-se, porém, que ela poderia não estar viva em função do tempo que se encontrava desaparecida. Decidiu então alertar Mulder sobre isto: - Agente Mulder deve lembrar-se que ela está desaparecida a muitos dias e podemos encontrar o pior... - Ela está viva! - disse Mulder - Como pode ter certeza, agente Mulder? - Lembra-se do elo forte que tenho com a agente Scully? Pois então! Ele está me dizendo que ela está viva! Skinner não pôde contestar, mais uma vez, pois sabia que o elo existia entre os dois. Antigo prédio de Ed Jerse - 09:00 AM Mulder e Skinner entram no prédio e vão em direção ao apartamento de Ed. Em frente a porta os dois sacam suas armas e arrombam. Mulder entra na frente seguido por Skinner que dava cobertura. Verificavam cada cômodo, quando depararam com uma porta trancada. Mulder chamou por Scully sem obter resposta. Mesmo assim pôs a porta abaixo. Encontrou Scully amarrada no chão, quase desfalecida pois só havia recebido água nestes dias de cativeiro. Mulder correu em sua direção guardando a arma para poder socorre-la, enquanto Skinner ficou na porta cobrindo Mulder. - Scully, você está bem? - perguntou Mulder Scully não sabia o que pensar. Ouviu a voz de Mulder mas não sabia se estava delirando, tamanha a fraqueza que sentia. Quando ele retirou a mordaça ela teve certeza que não era delírio. Olhou para Mulder um tanto envergonhada por não te-lo ouvido. Mulder então pôde perceber os hematomas deixados por Ed no rosto de Scully. Sentiu mais do que ódio. Ficou furioso, mas tinha que socorrer Scully antes de encontrar aquele animal Neste instante ouvem uma pancada e vêem Skinner caindo. Era Ed que havia surgido não se sabe de onde. O maníaco partiu para cima de Mulder que se levantou e acertou um forte golpe no rosto de Ed, atordoando-o. Scully desesperava-se por saber que Ed estava muito desequilibrado e violento. Não conseguia esboçar reação alguma em função da fraqueza que sentia. Demorou um pouco para perceber que Mulder estava aplicando uma violenta surra em Ed. Mulder ajoelhou-se sobre Ed e esmurrava-lhe o rosto repetidas vezes. Mulder estava totalmente transtornado e ao lembrar-se dos hematomas em Scully batia cada vez mais e com mais violência. Foi quando Skinner recuperando-se da pancada que levou foi até Mulder e conseguiu tira-lo de cima de Ed, que havia desmaiado a muito tempo. Skinner segurou Mulder firmemente gritando para que parasse. Mulder soltou-se de Skinner e foi ao encontro de Scully. Skinner algemou Ed e chamou as autoridades locais. Levaram Scully para um hospital local. Hospital geral da Philadelphia - 11:00 AM O médico que atendeu Scully vai até a sala de espera falar com Mulder e Skinner: - Vocês estão acompanhando a srta Dana Katharine Scully? - perguntou. - Sim. - respondeu Mulder prontamente. - Ela está bem apesar de um pouco debilitada. Precisará de mais algumas horas no soro. Pretendo dar-lhe alta amanhã pela manhã. - As despesas serão pagas pelo FBI - disse Skinner. - Vocês são do FBI? Espero que peguem quem fez isto a ela ! - disse o doutor. - Já está preso. - respondeu Skinner - Podemos vê-la ? - perguntou Mulder - Podem se quiser, mas ela está sedada. Entrou aqui em estado de choque e resolvemos aplicar-lhe calmantes. - Mesmo assim gostaria de vê-la doutor.- insistiu Mulder - Sigam-me então. - disse o médico. - Mulder vou cuidar da transferência de Ed Jerse para Washington, onde Scully foi seqüestrada. Cuide bem dela. - disse Skinner com um leve sorriso no rosto. - Cuidarei. - disse Mulder piscando para Skinner. No quarto de Scully, Mulder sentou-se à cabeceira do leito observando-a. Olhava para os hematomas e sentia que havia batido pouco em Ed. Mas aquilo não importava mais. Scully estava bem e era o que ele queria. Ficou a observa-la por longas horas e não percebeu que estava anoitecendo. Skinner entrou no quarto e disse: - Como ela está? - Ainda não acordou. - respondeu Mulder. - Volto ainda hoje para Washington, Mulder. Quer que eu dê algum recado a sua chefia no Hawai? - perguntou Skinner. - Sim. Diga a eles que não vou mais voltar. Isto é, se o senhor me quiser de novo nos Arquivos - X. - Cuido de sua transferência pela manhã. - disse Skinner satisfeito com a notícia. - Obrigado senhor! - agradeceu Mulder acompanhando Skinner até a porta do quarto. - Mais uma coisa agente Mulder. Pode acompanhar a agente Scully em sua recuperação pelo tempo que for necessário. - Obrigado mais uma vez, senhor. Mulder voltou a cadeira em que estava antes de Skinner chegar e adormeceu velando o sono de sua parceira. Ao amanhecer, Mulder acordou e encontrou Scully sentada na cama olhando para ele enquanto tomava um xícara de chá. - Como se sente ? - disse Mulder ajeitando-se na cadeira. - Envergonhada. Devia ter confiado em você....- dizia Scully quando foi interrompida por Mulder. - Pssiii... Isto não importa. O importante é que está bem. - disse Mulder pondo sua mão nos lábios da parceira. - Mas foi culpa minha Mulder. Se tivesse te dado ouvidos não teria causado esta preocupação a você e... - disse Scully, sendo interrompida mais uma vez por Mulder. - Culpa sua ?! Como pode dizer isto quando eu mesmo não acreditei em mim. Eu não devia ter deixado você com aqui, sozinha com ele e... - dessa vez foi Scully quem interrompeu. - Por que foi embora Mulder? Vai ter que voltar para onde estava? - perguntou Scully quando o médico entrou no quarto. - Como se sente senhorita Scully? - perguntou o médico interrompendo Scully - Bem melhor doutor. - respondeu ela O médico examinou-a e decidiu dar-lhe alta. Chamou a enfermeira que trouxe as roupas de Scully. Mulder saiu do quarto junto com o médico. Em alguns minutos Scully saiu do quarto pronta para ir embora. Sentou-se na recepção enquanto Mulder cuidava da papelada. Esperava e observava-o. Admirava-o em cada gesto. Sentia vontade de se atirar em seus braços, mas não podia pois não sabia por que ele foi embora. Talvez não gostasse dela do mesmo jeito que gostava dele. Não sabia se ele tinha voltado para ficar. Estas dúvidas a incomodavam muito. Em dado momento Mulder foi em sua direção e disse: - Vamos embora? - perguntou - Claro. - respondeu um tanto triste. - O que foi Scully? Está sentindo alguma coisa? - perguntou Mulder preocupado olhando-a enquanto caminhavam. - Não, não sinto nada... pelo menos fisicamente não. - respondeu Mulder achou que ainda estava chocada com toda a situação. Não tinha motivos para crer que ela sentisse o mesmo que ele sentia por ela. Mas sabia que não a abandonaria de novo. Mal haviam passado pela porta principal do hospital quando Scully começou a chorar. Chorava sentida, doía-lhe muito a situação e não conseguia conter-se. Mulder ficou desesperado, tentando consola-la: - O que foi Dana ? O que está sentindo? Não fique assim! Quer que chame um médico? - disse-lhe segurando suas mãos. Scully balançou a cabeça negativamente apertando as mãos de Mulder. - O que está acontecendo? - insistiu Mulder Scully abraçou-o com força e Mulder retribuiu o abraço acariciando- lhe os cabelos. Ficaram abraçados por alguns minutos até que Scully começasse a se acalmar e fosse parando de chorar. De repente ela desencostou a cabeça do peito de Mulder e olhou-o nos olhos dizendo: - Não quero que vá embora. - disse soluçando. - Quem disse que eu vou ? - perguntou Mulder sorridente. Ela então abraçou-o, novamente encostando a cabeça em seu peito e sentindo-se aliviada. Mulder percebeu que ela havia se tranqüilizado e segurou seu rosto com as duas mãos, fixando seus olhos nos lindos olhos de Scully: - Não se preocupe ! Vou ficar por aqui agora. Ficarei de olho nos outros namorados que arrumar Scully! - disse Mulder, sorrindo. - Não quero outros namorados Mulder! - disse Scully sentindo-se segura por estar nos braços de Mulder - Não quer ?! - perguntou Mulder. - Não. Quero só você Mulder. Eu te amo! - disse Scully com um leve sorriso e lágrimas a rolar pela face. Mulder sentiu que suas pernas tremeram, mas se controlou. Abaixou sua cabeça e deixou que seus lábios se encontrassem, trêmulos e apaixonados. Após o beijo abraçaram-se com força e caminharam em direção ao estacionamento, abraçados como qualquer casal de namorados. Um homem que os observava relativamente de perto, tirou seus óculos do rosto e sorriu feliz com a cena que presenciara, quando escutou alguém lhe chamar: - Senhor Skinner ! Aqui está o prontuário da srta Dana Scully.- disse o médico que cuidara de Scully. - Obrigado doutor. Desculpe o incomodo. Voltei pois preciso justificar os gastos. - disse Skinner colocando os óculos no rosto. - Não é problema. - disse o médico educadamente. Skinner olhou na direção de Mulder e Scully que estavam bem mais a frente, sorriu satisfeito e seguiu seu caminho enquanto o casal se distanciava em direção ao estacionamento.... FIM