Título: Bright Christmas Autora: T.S. Starbuck E-mail: sal4c@hot-shot.com Disclaimer: Infelizmente eu não sou a dona deles, mas já pedi isso de presente de Natal!!! Quem sabe dessa vez eu tenha sorte??!! A música apresentada nessa história não me pertence. Celine Dion, me desculpe, mas já que é Natal, seja boazinha que eu vou devolver sua canção assim que isso aqui acabar. Nota: Não pude resistir à tentação de uma fanfic de Natal... Como não podia deixar de ser, a shipper em mim falou mais alto. Não é uma das melhores que eu já tenha escrito, mas como é Natal eu resolvi pegar leve... Qualquer crítica ou comentários, mandem para sal4c@hot- shot.com Categoria: Vinheta, romance Censura: Por volta de dezesseis anos. Alusões a situações sexuais. Nada extremamente gráfico, não se preocupe. Spoilers: Na realidade, nenhum. Palavras-chave: Mulder, Scully, romance...É Natal, afinal!!! Resumo: Uma pequena comemoração na véspera de Natal... ************************************* Apartamento de Dana Scully 24 de Dezembro 10:45 P.M. Um suspiro ecoou pelo ambiente vazio. Não havia nenhum barulho, nada que identificasse a presença de alguém no interior do apartamento. Mas ela estava lá. Como em todas as noites. Mas dessa vez era diferente. Não era simplesmente mais uma noite. Dana Scully suspirou, o olhar preso a pequena árvore de Natal que decorava a sala de seu bem organizado apartamento. Estava tudo na mais perfeita ordem. Ela suspirou novamente. Há algumas horas atrás havia recebido uma ligação de sua mãe. Queria saber como estava e dizer que estariam todos esperando por ela logo mais. Mas Scully não se encontrava com espírito para reunir-se à sua família. Não naquela noite. Ela sabia que era véspera de Natal. Bill e Charlie estariam em casa, juntamente com as esposas e as crianças. Era uma das raras oportunidades em que podiam se encontrar, estarem todos juntos. Mas de alguma forma, Scully não podia juntar-se à eles. Não naquela noite. Seu coração se apertou um pouco. Ela amava sua família, estimava seus irmãos e sobrinhos. Mas algo dentro de si não se sentia pronto para juntar-se a eles, às conversas animadas à mesa dos Scully, rir das brincadeiras de Bill, sorrir para a mãe e observar as cunhadas contarem animadamente a mais nova proeza dos filhos. Já há algum tempo Dana passara a se sentir extremamente deslocada naquelas reuniões. Era como se ela não fizesse parte dali. Como se vivesse em um mundo diferente de sua própria família. Ela sabia que nunca se sentaria à mesa com alguém a seu lado. Que nunca faria parte daquele mundo. Nunca teria uma novidade para contar a respeito da nova descoberta do filho. E que no final, nunca teria alguém para voltar para casa com ela. Então ela pareceu notar o pequeno anjo que havia pendurado quase no topo da árvore. Seu braço se inclinou até ele, segurando-o entre os dedos. O material era transparente, similar a vidro. Ela lembrou-se de tê-lo comprado em uma pequena loja em um shopping certa vez. Seus dedos correram sobre a superfície do enfeite. Algo tão simples e ao mesmo tempo tão bonito. Era incrível como as coisas mais preciosas da vida pareciam encontrar-se exatamente sob as formas mais modestas. Ela sorriu para o pequeno anjo. Queria poder encontrar seu mundo. Descobrir aonde realmente pertencia. Sentir-se em casa. Então, no mesmo instante, ela foi assaltada por uma leve batida na porta. Seu corpo saltou um pouco com o susto, deixando o enfeite quase cair de suas mãos. Com um suspiro ela colocou o pequeno anjo novamente na árvore e dirigiu-se para a porta. Sinceramente esperava que sua mãe não houvesse resolvido mandar um de seus irmãos para buscá-la... Seu coração tremeu ao ver quem era. Um sorriso involuntário formou-se em seus lábios quando abriu a porta para ser saudada pela bela figura de Fox Mulder usando uma velha calça jeans e uma camisa de mangas longas azul marinho. Ele nunca parecera melhor. "Cheguei em hora errada?" o sorriso dele foi capaz de derreter o coração de Scully. "Não. Não estava fazendo nada de importante." ela fechou a porta atrás de si logo após deixar que Mulder entrasse por seu apartamento. Os olhos dele correram pela sala, indo parar diretamente na árvore de Natal. Ele sorriu e virou-se para ela. "Não queria atrapalhar você. Deve estar de saída para encontrar sua família." "Na verdade não." ela disse as palavras num tom manso e resignado. Só então Mulder percebeu seus trajes casuais: suéter e jeans. Ela realmente não parecia estar a caminho de uma reunião de Natal. "Scully, se eu a estiver interrompendo eu --" "Está tudo bem, Mulder." ela interrompeu-o, erguendo o olhar até ele. "Eu realmente não estou de saída." Mulder pareceu surpreso diante daquela afirmação. Todos os anos Scully costumava reunir-se com a família no Natal. Ele conhecia seus hábitos. E na verdade só fora até o apartamento dela aquela noite por que estava, como em todas as outras noites de sua vida, sozinho. Esperara realmente não encontrá-la em casa. Mas o seu lado masoquista não o permitiria ficar sentado em seu sofá, somente pensando nela. Não. Ele precisava vê-la. Falar com ela. Mesmo que soubesse que ela tinha muito mais a fazer numa véspera de Natal do que aturar sua necessidade de companhia. Mas ele ficara surpreso ao vê-la atender a porta. Realmente surpreso. Estivera a ponto de ir embora ao convencer-se de quão estúpida fora sua decisão de ir até lá, até que ela abrira a porta e o recebera com aquele incrivelmente arrasador sorriso. Mulder observou-a dirgir-se ao sofá, num pronto convite para que ele fizesse o mesmo. Ele então sentou-se numa das poltronas, fitando-a. "Há algo errado, Scully?" Ela sorriu diante da preocupada indagação do parceiro. "Está tudo bem, Mulder. Eu apenas não quis me juntar a eles esta noite." Ela notou o olhar de dúvida nos olhos dele e suspirou, entrelaçando as mãos sobre o colo. "Às vezes eu me sinto assim. Não é nada, é só que --" Scully suspirou, sentindo a voz lhe faltar. "Minha vida tem andado um pouco estranha ultimamente..." "Eu sei, Scully." Mulder a impediu de prosseguir, a voz baixa e num tom abafado. "Talvez se você não tivesse sido designada para trabalhar comigo sua vida seria bem diferente." "Sim, seria. Eu nunca teria alcançado as realizações que os inúmeros desafios do nosso trabalho me proporcionam, nunca teria tido a oportunidade de me sentir tão competente no que faço. E nunca teria conhecido o melhor amigo que já tive em toda a minha vida." Nesse instante os olhos de Mulder encontraram os dela, cheios de sinceridade. Ele foi incapaz de impedir que uma onda de calor invadisse seu coração, tornando-o ainda mais consciente do quanto adorava a bela mulher a sua frente. "Eu também nunca teria aprendido tanto se você não tivesse sido escalada para trabalhar ao meu lado. Nunca teria me sentido um ser humano completo se não a tivesse conhecido, Scully." As palavras dele encontraram abrigo direto no coração de Dana. Ela sabia que ele estava sendo sincero com ela, assim como ela havia sido com ele. E isso a deixava extremamente surpresa, envolvida pela certeza de que nada poderia ter mais importância do que ouvi-lo dizer aquelas palavras a ela. "Se eu não fui me encontrar com eles esta noite, Mulder, é por que de alguma forma não me senti pronta para estar com eles. Não como me sinto para estar com você, agora." De repente aquela afirmação pareceu assaltá-lo de tal forma que ele podia sentir a pulsação acelerar-se. Céus, o que ela queria dizer com aquilo? Que também se sentia da mesma forma que ele? Que não queria estar com ninguém mais além dele nesse momento? Fox Mulder baniu o tolo pensamento para o fundo de sua mente. Era óbvio que Scully não pensava assim. Ela apenas se sentia, de certa forma, confortável ao lado dele. Após tantos anos de parceria era mais que normal. Ele próprio se sentia mais à vontade ao lado de Scully do que da própria mãe. E esse pensamento, de que ela talvez se sentisse bem ao lado dele, já era mais do que suficiente para torná-lo imensamente grato. "Gostaria de tomar alguma coisa, Mulder?" a voz dela rompeu seus pensamentos, levando-o a erguer o olhar para ela, em pé diante dele. Por um momento Mulder sentiu-se incapaz de pensar. A imagem de Scully à sua frente, vestida de forma tão casual e simples, o belo rosto sem maquiagem, revelando-lhe as poucas sardas sobre a delicada face, eram o bastante para deixá-lo completamente atordoado. "Algo para beber?" ela repetiu gentilmente, querendo certificar-se de que ele a havia escutado. "Oh, sim...Tudo bem. Não seria nada mal." ele balbuciou. Scully então se afastou, entrando pela cozinha, aumentando um pouco a voz para que ele a ouvisse. "E como está sua mãe?" Mulder ergueu-se do sofá, andando um pouco pela sala. "Está bem. Liguei para ela esta tarde. Irei vê-la amanhã." Mulder voltou sua atenção novamente para a árvore de Natal. E tornou a sorrir. Tipicamente Scully. A árvore não era tão grande, nem tão pequena. Mas em sua simplicidade possuía algo quase magnetizante. Seu olhar não conseguia se desviar dos delicados enfeites e luzes. Exatamente como com Scully. "Por que todo ano monta uma árvore?" a pergunta escapou-lhe dos lábios sem que pudesse sequer perceber. "Eu quero dizer, morando sozinha, por que se preocupa em enfeitá-la todos os anos?" "Eu não sei. Talvez para não perder o costume." a voz dela o pegou de surpresa, bem às suas costas. Ele virou-se e foi agraciado pelo delicado sorriso de Scully estendendo-lhe uma taça com uma das mãos. "Ou talvez a esperança." Ele observou-a encher-lhe a taça de vinho, em seguida a própria. "De que?" ele indagou, observando a coloração da bebida sob a iluminação de Natal antes de levá-la aos lábios. Scully tomou um pequeno gole do vinho, erguendo o olhar para a árvore e suspirando em seguida. "De que algum dia terei alguém para dividi-la comigo." Mulder sentiu o coração se apertar e um estranho calor tomar conta de seu corpo. Ele a observou um pouco, em silêncio. As feições delicadas pareciam tristes e ele queria afastar aquela expressão. Lentamente ele dirigiu-se para o aparelho de som de Scully. Seus dedos vagaram pelos botões, até que o ambiente foi preenchido pelo som de uma leve música que parecia começar. Mulder retornou para o lado de Scully, que agora o observava silenciosamente. Ele tomou-lhe delicadamente a taça das mãos, colocando-a juntamente com a sua sobre a mesinha de centro. Scully sentia-se completamente perdida no olhar de Mulder. Seu rosto tinha uma expressão tão suave e ela não tinha certeza de tudo o que conseguia vislumbrar. Ternura? Carinho? Amor...? Ela então sentiu uma das mãos dele deslizarem sobre a sua, enquanto a outra a envolvia delicadamente pela cintura. O coração de Dana disparou naquele instante. Seus olhos percorreram o rosto de Mulder, ainda confusa. E ela sorriu. Um belo e raro sorriso. E ela fez a única coisa de que foi capaz naquele instante. Fechou seus olhos e encostou o rosto contra o calor do peito de Mulder. E deixou que seus corpos acompanhassem o suave ritmo da música. " No mountains too high for you to climb All you have to do is have some climbing faith No rivers too wide for you to make it across All you have to do is believe it when you pray " Scully sentiu a mão de Mulder apertar-se à sua. Ela sabia que ele também estava pensando o mesmo. Durante todo esse tempo juntos, ambos haviam enfrentado inúmeros desafios. Mas nada fora capaz de tirar a fé que possuíam, de impedi-los de continuar. E Dana sabia que ele era seu ponto de apoio, assim como ela era o dele. " And then you will see The morning will come And every day will be bright as the sun All of your fears Cast them on me I just want you to see" Dessa vez foi Scully quem o segurou com mais força. Não importava o quanto fosse difícil a busca de ambos pela verdade. Eles haviam perdido muito no caminho, mas também haviam encontrado forças um no outro. Haviam aprendido a confiarem um no outro. E ela sabia que de uma forma ou de outra, valera a pena. " I'll be your cloud up in the sky I'll be your shoulder when you cry I'll hear your voices when you call me I am your angel " Mulder deslizou a mão delicadamente pelas costas de Scully. Nada mais em sua vida fazia sentido sem ela a seu lado. Ele havia aprendido a confiar nela, a admirá-la, a amá-la. Ela havia se tornado seu anjo pessoal. Sua confidente, sua amiga, mais do que uma simples parceira. " And when all hope is gone, I'm here No matter how far you are, I'm near It makes no difference who you are I am your angel " Ele queria dar tudo a ela. Tudo de si. Tudo o que era, e que ela o havia tornado. E ele sabia que estava diante da mais inegável verdade de sua vida. Amava Dana Scully. Seus dedos envolveram suavemente os cabelos acobreados dela, afastando-lhe um pouco o rosto de seu peito, fazendo-a encará-lo. Os olhos de Dana naquele momento eram de um azul profundo, fascinante. E Fox Mulder queria mergulhar neles, se perder nela, em seu coração. Scully sentiu a pulsação acelerar-se. Não havia dúvidas de que o amava. Mais do que qualquer coisa no mundo. E ela sabia, agora sem nenhuma sombra de incerteza, que ele também a amava. E a queria, assim como ela o queria. Seus olhos se prenderam aos dele, e ela sentiu-se incapaz de escapar. Sem nenhuma intenção de escapar. Suas mãos pressionaram-se levemente contra o peito dele, enquanto as dele seguravam-lhe levemente o rosto, os polegares acariciando suavemente as bochechas. Scully então fechou os olhos, tentando manter a respiração sob controle. Antes que pudesse abri-los novamente ela sentiu os lábios de Mulder tocando delicadamente os seus e um tremor percorreu-lhe o corpo. O beijo era suave. Gentil. Quase casto. Mas a leve pressão dos lábios dele logo abriu os dela, e o calor da respiração de Mulder invadiu-lhe, a gentil língua traçando levemente seu lábio inferior. Fox Mulder podia dizer sem dúvida alguma que à altura dos seus trinta e sete anos jamais imaginara que o mais simples beijo pudesse torná-lo repentinamente tão fraco e completamente fora de si. Mas essa era Dana Scully. E de certa forma ele sempre soubera que nenhuma experiência seria banal ou comum com essa mulher. Seu coração se aqueceu ainda mais ao sentir os macios e delicados lábios dela corresponderem aos seus. Então, ele se afastou, buscando ar e controle. Quando a fitou, percebeu o quanto esperara por aquele momento. Ofegante, ele tentou fazer com que a voz não soasse tão trêmula quanto seu corpo. Mas seu sucesso foi quase nulo. "Scully, eu --" os dedos dela pousaram gentilmente sobre os dele, impedindo-o de continuar. E o sorriso que ela lhe ofereceu foi o suficiente para enfraquecê-lo ainda mais. "Eu sei, Mulder." ela sussurrou em tom doce. "Eu também." Antes que pudesse pensar mais, os lábios dela encontraram os dele novamente, cobrindo-os, aquecendo-os. Devorando-os profundamente e generosamente ao mesmo tempo. Scully tocou-lhe a face gentilmente, seus dedos quentes e delicados. E ele moveu o rosto lentamente, deslizando-o contra o macio toque. Uma das mãos de Mulder moveram-se carinhosamente pelas costas dela, encontrando-lhe a sinuosa curva do quadril. Antes que qualquer um pudesse se dar conta de seus movimentos, ambos estavam deitados sobre o macio tapete, logo abaixo da iluminada árvore. Logo uma pequena pilha de roupas se formava junto ao pé da mesinha de centro. Pele encontrando pele pela primeira vez, em silenciosa harmonia. Ela produziu um suave e trêmulo murmúrio, os dedos enterrando-se gentilmente nos ombros dele ao sentir-se banhar pelas ondas de satisfação, saboreando cada momento, cada toque. Um arrepio percorreu a espinha de Mulder quando as coxas dela se partiram para embalá-lo melhor, aconchegando-o ao delicado corpo. A pele dela era suave e quente sob seus dedos, aquecendo-o, queimando-o com seu fogo. Por um momento ela se sentiu dominada pela urgência de segurá-lo junto a ela, afim de que nada pudesse afastá-lo de si. Ele enterrou o rosto no macio cabelo dela, sentindo seu delicado perfume, abrigando-se em sua suavidade. Pequenas luzes brilhantes brincavam sobre o corpo dela, moldando-o de uma forma mágica. Ela era doce e delicada sob a língua de Mulder. Seu corpo envolvendo-o em uma doce armadilha. Suas pernas envolvendo-lhe gentilmente os quadris, segurando-o e guiando-o para ela, para um caminho de confiança e amor. Ela se derreteu sob ele, deslizando por seu corpo e coração como calor líquido. E ambos se preencheram. Física e emocionalmente. E foram banhados em calor, amor e murmúrios, suspiros e sussurros. Quando ela se arqueou abaixo dele, arfando seu nome, oferecendo ternamente seu controle a ele como uma dádiva, ele sentiu-se aproximar- se do paraíso. E eles viajaram juntos, encontrando a eternidade e fazendo-a durar. Sentindo o calor. Aproximando-se da luz. Quando seus olhos se abriram, ele encontrou o belo rosto de Scully sorrindo para ele, acariciando-o com sua suavidade. Ele então envolveu-a ternamente em seus braços, aconchegando- a a seu corpo. Dana fechou os olhos, embalada pelo momento, sentindo-o afagar-lhe os cabelos, sussurrando-lhe ao ouvido. "Feliz Natal, Scully." Ela sorriu. Amplamente. E aninhou-se mais no quente abraço. Então os olhos dela voltaram-se para a árvore acima deles, aonde o pequeno anjo parecia sorrir para eles. E Scully sentiu uma lágrima escorrer-lhe pelo rosto. Uma lágrima de intensa gratidão e felicidade. Por que havia finalmente encontrado o lugar aonde pertencia. Seu mundo. Seu lar. E ela virou-se para ele, aproximando-se de seu belo rosto, sussurrando-lhe suavemente contra os lábios. "Feliz Natal, Mulder." ******************************* "Have yourself a Merry Little Christmas!"