AUTORAS e E-MAILS: D@n@ Scully (cris_scully@arquivox.com), Anna X (annax@arquivox.com), Um@ Excer (uma_eXcer@yahoo.com.br), Excer Girl e Ana Vitorino (hannavitorino@hotmail.com). SINOPSE: O agente Craig Willmore, de Seattle, é convocado para ajudar Mulder e Scully numa investigação de assassinato em Washington. Ao almejar um envolvimento amoroso com Dana Scully, ele acaba sendo o responsável pela manifestação de sentimentos até então muito bem guardados pelo agente Fox Mulder. CLASSIFICAÇÃO: Shipper. Dana Sede do FBI Washington, DC ? Vocês dois têm surpreendido a diretoria com uma ótima margem de casos resolvidos desde a abertura dos Arquivos X. – disse o Diretor Assistente Walter Skinner finalizando a reunião. ? Obrigada, senhor. – agradeceu Scully, retirando-se da sala acompanhada por Mulder. ? Ai! Estou exausta! E ainda tenho de ir naquela festa com o Willmore... – Scully falou, enquanto seu parceiro fechava a porta do escritório de Skinner. ? Dê uma desculpa para ele e não vá. – sugeriu Mulder, torcendo para que ela mudasse de idéia e não saísse com o agente de Seattle. ? Não posso fazer isso, Mulder! O Willmore está me convidando para ir há uma semana e não posso deixá-lo na mão na última hora... Scully deu uma pausa enquanto ambos caminhavam pelos corredores do FBI. ? E depois... – continuou – Eu tenho que mudar um pouquinho e começar a me relacionar com o resto da humanidade. Mulder parou no meio do caminho, surpreso com a afirmação de Scully. ? O que você quer dizer com isso? ? Nada, Muld... ? Scully! – interrompeu – Você acha que eu a sufoco com o trabalho? ? Não... Você não entendeu... ? Entendi muito bem! E acho até que você deve mesmo sair com o Willmore para não ficar me culpando depois! Mulder deu as costas para Scully e a deixou sozinha para trás, completamente estática com sua reação. O agente Craig Willmore estava em Washington a pedido do Diretor Assistente Skinner, auxiliando Mulder e Scully numa investigação de assassinato. A vítima era um dos ex-parceiros com quem Willmore trabalhara por algum tempo em Seattle, Luc Mitchel, que ultimamente vinha prestando serviços na Divisão de Crimes Violentos, que Mulder conhecia muito bem. O caso só descera ao porão, sede oficial dos Arquivos X, pela sua natureza no mínimo "estranha". Mitchel fora encontrado morto sobre sua cama, num domingo de manhã, com o abdome aberto lateralmente e o fígado arrancado. Após realizar a autópsia, Scully concluiu que a morte se dera em conseqüência da falência das funções metabólicas relacionadas ao órgão subtraído, sem falar nas infecções e na hemorragia subseqüentes ao ato de selvageria. Mulder tinha ficado muito excitado com esse novo e intrigante caso, mas ultimamente o ânimo andava estagnado. Ver Scully sendo cortejada pelo simpático agente Willmore definitivamente não o agradava. Pelo contrário, o deprimia e o deixava nervoso. Ele andava se perguntando pelos corredores do prédio do FBI por quê diabos o agente de Seattle tinha sido convocado para auxiliar nos trabalhos investigativos. Mulder e Scully já haviam provado, em seus anos de ação conjunta, que eram capazes de conduzirem sozinhos suas investigações. Arlington 8:08 PM ? Então, Dana, está gostando da festa? – perguntou Willmore quando uma música lenta começou a tocar. ? Estou gostando sim... – respondeu Scully, que segurava uma taça nas mãos. ? O que houve com o Mulder? Por que ele não veio? ? Ele teve um compromisso agora à noite e não deu para ele vir... – Scully mentiu. Ela sabia que Mulder não comparecera à festa devido à sua fama de "estranho" perante os outros agentes do Bureau. ? Entendo... Quer dançar um pouco? ? Ah, não... Você não vai querer dançar comigo... Faz tanto tempo que não danço que é capaz de eu pisar no seu pé... ? Aposto que não pisa. – desafiou Willmore, pegando na mão de Scully e tirando-a para dançar. Enquanto dançava, Scully virava o rosto para observar as outras pessoas presentes no salão. Willmore, por sua vez, mergulhava intensamente nos olhos azuis dela, fazendo-a corar com esse gesto. Mesmo com a atitude de Willmore, os pensamentos de Scully eram um só: o que Mulder estaria fazendo numa hora dessas? Por que não poderia ser ele a tirá-la para dançar e fitá-la daquela maneira? De jeito nenhum... Isto não condizia com a maneira de Mulder ser, e quanto mais ele se isolava dos outros agentes, mais atenção chamava para si mesmo. Nesse instante, Willmore começou a se aproximar a fim de beijá-la antes do final da música. Scully pensou em desviar de sua afronta, porém surgiu um pensamento de que se prender a Mulder não a levaria a lugar algum, e que seria melhor provar para si mesma e para todos os presentes que não havia nenhum compromisso entre ela e o parceiro, a não ser no âmbito profissional. Tomou coragem e olhou profundamente para Willmore, aceitando a aproximação. Fechou os olhos, suas mãos começaram a gelar e finalmente seus lábios se encontraram aos dele em um tímido beijo. Scully deixou aquela gostosa sensação tomar conta de seu corpo. Fazia um certo tempo que ninguém a beijava. Ela quase havia se esquecido de como era bom. Como fazia bem. Podia sentir seu corpo flutuar. ? Mulder... – ela disse quando voltou a si. ? Mulder?? – espantou-se Willmore. ? Err... Willmore... – ela tentou remendar. ? Você me chamou de Mulder? Claramente eu não sou a pessoa com quem você gostaria de estar... – disse o agente aborrecido. ? Não... Não foi isso! Você entendeu errado... Scully tentava ao máximo consertar a desconfortável situação. Em vão. A troca de nomes realmente magoara o seu par daquela noite. Ele despediu-se no mesmo instante e largou-a sozinha na festa. Ela retornou à mesa em que estava e começou a refletir sobre o que acabara de acontecer. Por quê dissera o nome de Mulder depois daquele minuto de êxtase? Ela não entendia. Na verdade entendia, porém não admitia. Alexandria Apartamento de Mulder 11:40 PM Mulder estava em seu sofá, assistindo um programa na TV sobre relatos de pessoas abduzidas, quando a campainha de seu solitário apartamento tocou. ? Scully, o que você faz aqui? Pensei que estivesse se divertindo com o agente Willmore... ? Posso entrar? – a agente parecia aborrecida. ? Claro! Você está bem? – Mulder percebeu o tom melancólico da voz dela. ? É... Estou... – ela respondeu titubeando – Eu apenas preciso muito de um amigo esta noite. ? Conte-me o que aconteceu. – o agente estava ficando preocupado – Aquele Willmore fez alguma coisa para você? Faltou com o respeito? Te machucou? Eu juro que acabo com ele! ? Não... Calma, Mulder! Não é nada disso. Na verdade, está bem longe disso... – Scully respondeu ironicamente. Após uma breve pausa, ela recomeçou: ? Isso é muito embaraçoso... Ele me deu um fora. Foi isso... Não sei por quê estou me sentindo assim... Mal... Nem estou apaixonada por ele! Mas de alguma forma, isso me afetou... ? Você vai ficar bem, Scully. Vai se sentir melhor em breve. ? Acho que... Você sabe, não saio com ninguém há bastante tempo. Venho me dedicando exclusivamente ao trabalho. Quando resolvo resgatar um pouco da minha inativa vida social... Ele parecia uma pessoa legal. Foi insistente e eu acabei aceitando o seu convite. ? Scully, ele é um idiota por ter dispensado você. Não duvide disso. ? Ah, Mulder. Você é o meu melhor amigo! O único! – e Scully abraçou seu parceiro. Mulder retribuiu o gesto e envolveu Scully em seus braços. Então experimentou daquela gostosa sensação que lhe invadia quando a parceira deitou a cabeça em seu ombro. ? Eu me sinto segura com você, Fox. "Fox" – ele pensou – "Fica lindo quando ela diz.". ? Scully, por quê não passa a noite aqui? Eu me arranjo no sofá e você pode ficar na minha cama... ? No colchão d'água? Hmmm... Interessante, mas não, não quero incomodar. Acho que já vou indo... ? Não seja tola. Eu estou acostumado a dormir aqui, de qualquer forma. Assim você descansa e amanhã estará novinha em folha. Pronta para outra. ? Está bem. Mulder organizou a bagunça de seu quarto para que Scully pudesse se instalar. ? Não repare. Eu não estou muito acostumado a ter visitas... – ele brincou. ? Eu sei. – ela riu – Está ótimo, Mulder. ? Certo. Então, boa noite. – Mulder despediu-se beijando a testa de Scully. ? Boa noite. O agente dirigiu-se para a sala. ? Mulder! – Scully interrompeu-o. ? Sim? ? É... Nada não. Durma bem! ? Você também. 1:03 AM Mulder não conseguia dormir. Revirava-se no sofá, porém não pegava no sono. Uma coisa não saía de sua mente: "Eu não acredito que esse imbecil desperdiçou uma chance com Scully! Como ele pôde deixá-la desse jeito? Se eu estivesse em seu lugar... Ah, se eu tivesse um encontro com você, Scully... Eu nunca deixaria você ir... Mas o que é isso? Scully nunca permitiria que nossa relação excedesse o plano profissional... Aposto como ela dorme como um anjo." O agente ensaiou espiá-la, mas conteve-se no sofá. Enquanto isso, no quarto, Scully também se encontrava desperta. Igualmente estava envolvida em seus pensamentos: "Por quê fiquei tão abalada? Meu Deus, será que estou carente a esse ponto? Ainda bem que tenho o Mulder... Eu sei que ele não me abandonará. Mulder, hmmm... Essa cama é tão confortável...". Aquele colchão estava lhe sugerindo idéias... 7:10 AM Mulder ainda dormia no sofá e Scully já estava de pé, terminando de se vestir. Ela entrou na cozinha para tomar um copo d'água quando o agente despertou. ? Scully! ? Bom dia, Mulder. ? Você já está pronta? ? Já estou de saída. Passarei no meu apartamento para trocar de roupa e te encontro no escritório, ok? ? Ok. ? Ei, Mulder, gostaria de agradecer por ontem à noite. Você me ajudou muito... ? Deixe disso, Scully. Sede do FBI Washington, DC 8:27 AM Scully estava sozinha no escritório quando Willmore apareceu. ? Dana, acho que lhe devo desculpas por ontem... ? De forma alguma, a culpa não foi sua, Willmore... ? Me chama de Craig... ? Certo, Craig... Eu é que lhe devo desculpas... ? Olha, Dana, que tal esquecermos isso e irmos jantar hoje? O que acha? ? Tudo bem. ? A gente se vê à noite então, passo às 19 hs para te pegar, certo? ? Certo... Willmore saiu da sala e cruzou com Mulder no corredor. Cumprimentaram-se cordialmente, mas Mulder não gostou nem um pouco de vê-lo por ali. Entrou no escritório, fingindo que não estava interessado na vida de Scully e foi logo falando: — Andei pensando sobre o caso que temos nas mãos, e foi inevitável compará-lo aos episódios que tivemos com Eugene Tooms... ? Sabe que há mesmo alguma razão nisso? Você acha que o assassinato de Luc Mitchel foi cometido por alguém... Ou alguma coisa... Que se alimenta de fígados humanos? Um outro mutante, como Tooms? ? É isso mesmo, Scully. Você é realmente ótima! – ele empolgou-se com o raciocínio rápido da parceira – Bem, eu estava pensando que esse homem... Ou essa "coisa"... Pode ter algum problema em seu organismo que o leve a ingerir exatamente esse órgão... Mas o que poderia ser? ? Mulder, o fígado tem diversas funções no organismo, e uma das mais importantes e significativas é a de funcionar como a "usina metabólica" do corpo, armazenando e produzindo energia vital, sem a qual não poderíamos nem mesmo respirar... ? Pode ser que o criminoso não tenha energia suficiente para sobreviver, e então "suga" as forças de outras pessoas, comendo os fígados delas, adquirindo o aparato metabólico das células de terceiros... ? Mas Mulder, nós nem vimos o suspeito ainda! Nem sabemos como ou quem ele é... ? Olha só isso, Scully, eu separei alguns arquivos X que descrevem crimes semelhantes ao que estamos investigando, e há relatos de pessoas, em diversas partes do país, e em outros anos anteriores a esse, que foram mutiladas aparentemente por um "animal enfurecido"... Você não acha que pode haver alguma relação? ? Escute, Mulder, eu só consigo pensar em duas coisas neste momento: a primeira é que não devemos nos basear apenas em suposições para seguirmos com nossas investigações... E a segunda... Você não acha que o agente Willmore deveria estar participando dessa nossa... Reunião? Afinal, ele está conosco nisso. Mulder fechou os olhos por um momento, e em seguida virou-se para a parceira, irritado, dizendo: ? Scully, você quer saber mesmo o que eu acho? Ela confirmou com a cabeça. ? Pois bem, eu acho que a presença desse agente aqui é totalmente desnecessária... De que adianta ele ter trabalhado com uma das vítimas? Até agora não fez nada que pudesse realmente nos ajudar... ? Mulder, não diga isso, ele está tentando ser útil. ? Ah, não, Scully, não me venha com essa agora... Tudo que esse cara tem feito é andar atrás de você, fica te levando para dançar, para jantar, como se o FBI o pagasse para ser o seu... – ele se calou, subitamente. ? Ser o meu o que, Mulder? Vamos, complete o que ia dizer! – Scully estava nervosa. ? Deixa pra lá, Scully. Vamos mudar de assunto. Esse agente Willmore, além de não nos auxiliar em nada, ainda está se tornando o centro de nossas conversas. Só me faltava essa agora! – Mulder não conseguiu segurar o comentário sarcástico. ? Mulder, você está com ciúmes? É isso? ? Não tem nada a ver com ciúmes, Scully. Eu só acho que devemos nos concentrar mais em nosso trabalho. ? Será que você só pensa em trabalho, Mulder? Não pode olhar para os lados e enxergar que existe uma vida fora do FBI, que as pessoas querem ser felizes, querem se realizar em outros âmbitos além do profissional? ? Scully, vamos parar com isso, já estamos saindo novamente do eixo de nossa conversa. Tá vendo só como eu tenho razão? Scully suspirou e resolveu se calar. Mulder era tão teimoso que não adiantaria nada ela continuar com aquela discussão idiota. Mas foi inevitável para ela sentir um "algo mais" naquelas palavras do parceiro... Apartamento de Scully 12:13 AM Já de volta do restaurante, Willmore se oferecera para acompanhar Scully até a porta de seu apartamento. ? Craig, eu tive uma ótima noite hoje. Obrigada. – disse Scully ao chegar. ? Eu também, Dana. Willmore exibia um largo sorriso e seus olhos não saiam dos lábios de Scully. Ele arriscou e aplicou-lhe um beijo. ? Você... Você quer entrar? – ela propôs – Tomar alguma coisa? ? Eu adoraria! – ele não escondeu a euforia. A agente tirou a chave de dentro da bolsa e abriu a porta. ? Sente-se. Fique à vontade. Então ela foi à cozinha, pegou uma garrafa de vinho e duas taças e entregou-as ao colega. Enquanto ele desvencilhava-se da rolha, ela foi até o aparelho de som e colocou para tocar uma música bem suave, que incrementou o clima de romance entre os dois. Trocaram diversos beijos calorosos até que Willmore sugeriu que passassem para o quarto. Ele não tinha a intenção de apressar as coisas, porém desejava aquela mulher intensamente. Scully desta vez não analisou a situação e deixou-se entregar. Já no quarto, ela passou a sentir algo muito estranho. Era como se alguma coisa a impedisse de ir em frente. ? Craig, espere... – ela disse, afastando-o de si. ? O que foi? ? É... Estamos indo muito rápido. Desculpe, mas eu não posso... ? Ah... – ele murmurou e deu um suspiro – Entendo. ? Espero que você não fique chateado; esta é a segunda vez que te desaponto... Eu realmente queria estar com você, mas sinto que não estou pronta... ? Tudo bem, nos vemos no trabalho. – ele respondeu e levantou-se da cama. Então pegou a sua camisa que havia caído no chão, vestiu-a e Scully acompanhou-o até a porta. ? Ah, Meu Deus! – Scully exclamou ao fechar a porta, pensando no que acabara de fazer – Ele nunca mais falará comigo... Bar do Casey 12:34 AM Mulder estava lá, no Casey, como já fizera tantas vezes. Mas desta vez o problema não era o trabalho. Era algo mais... Pessoal. Tinha acabado de chegar, estava na sua segunda dose. — Olá. Faz tempo que não aparece por aqui, senhor "Spooky". — Pode me chamar de Mulder mesmo. — Vejo que ainda não chegou lá. — Não. AINDA! — Deixe-me adivinhar... ? Dia difícil sim, acertou. – apontou para o copo, pedindo mais uma dose. ? Por causa dos seus homenzinhos verdes? – a barwoman derramou a dose no copo. ? Não são verdes, são cinza. Mas não é por isso... – dito isso engoliu a bebida em um só gole. — Então é... Família. Mulder maneou a cabeça negativamente. — Já sei. Mulher! Mulder apoiou a cabeça com a mão, enquanto maneava-a de maneira positiva e pedia outra dose. — Ela está, agora, num encontro com um desgraçado, que já lhe deu um fora, mas voltou atrás. — Ela... Ela é sua o que? Ex? ? Ela é a minha colega de trabalho, melhor amiga... O Spooky Mulder não tem coragem de se declarar para a mulher que ama. Trabalha com ela há 7 anos, a vê todos os dias, fala com ela sobre tudo menos sobre seus sentimentos. Acha que ela só pode se relacionar com ele e quando outro cara que tem coragem o bastante chega e a convida para sair, ele vai para o bar encher a cara. Mas para sair correndo atrás de homenzinhos verdes, cinzas, ou seja lá qual outra cor, quase morrer por causa de algum vírus alienígena, perseguir serial killers, monstros saídos de algum livro de contos infantis, ou de filmes classe Z, bom... Para isso tem coragem de sobra! – ele deu um sorriso achando graça do que acabara de falar – Que ironia! — Pois é! Só espero que você não dê uma de Alanis Morissette e saia por aí cantando "Ironic"! — Isso só vai acontecer depois da 10a dose... — Você já está na 6a. Só faltam 4. Cuidado! — Então é melhor parar. Não quero ir para nenhum hospício, nem ser preso por cantar desafinadamente. — Já estão prendendo as pessoas por isso? — Não sei! Atualmente o mundo anda mais Spooky do que eu! E desta vez... Qual é o meu número da sorte? — Desta vez não tem número da sorte. Da última vez que esteve aqui, não tive tempo de te dar o troco. Sobrou o bastante para pagar a rodada de hoje. — Oh! Um bar honesto! Devo estar pior do que pensava... — Posso perguntar uma coisa? — Claro! O que? — Por que contou isso, se nem estava no País das Maravilhas? ? Ou eu falava, ou eu só saía daqui em coma alcoólico. Mulder levantou-se e saiu do bar. Chegando em casa, acabou não conseguindo dormir. Quando finalmente pegou no sono, sonhou que estava em um ringue de boxe, que seu desafiante era Wilmore e o prêmio era Scully. Ele teria continuado a dormir se não tivesse apanhado para valer e perdido a luta. Sede do FBI Washington, DC 8:11 AM ? E aí, Scully, divertiu-se muito ontem? – Mulder perguntou ironicamente. ? Sim, Mulder, bastante... ? É, deve ter sido uma noite e tanto, Willmore nem veio trabalhar ainda... – falou num tom insinuante. ? Algum problema, Mulder? ? Conselho de amigo, Scully: você não deveria se envolver com o Willmore... ? Por que não? Ele é gentil, bonito, inteligente... Scully inconscientemente falou de Willmore tudo o que na verdade ela achava de Mulder. Cada uma dessas palavras que Scully disse soaram como um golpe para o parceiro. ? Tá, mas ele tem uma ex-mulher e uma filha, isso pode dar rolo depois... ? Não vejo nenhum problema nisso... ? Você que sabe, a vida é sua... ? Tem razão, Mulder, a vida é minha, e eu estou tentando aproveitá-la! Antes que eu acorde e me dê conta de que não vivi... — E o trabalho não está incluído nela? – a voz de Mulder começava a se exaltar. — O que você quer dizer com isso? — Nos últimos dias você e o Willmore estiveram tão preocupados em ficar um olhando para a cara do outro, que até parece que o parceiro dele não morreu ou que ele NÃO quer resolver o caso. Eu fui o único que tratou de investigar algo! — Tem certeza, Mulder? — Enquanto vocês iam ao local do crime, almoçavam juntos, faziam autópsias e sei lá o que mais, eu verificava a ficha do Tooms, tentando saber se ele poderia ter sobrevivido ao nosso "último encontro" ou, se ele não está vivo, quem ou o que está fazendo isso. Afirmo que achei coisas bem interessantes! E Vocês? Acharam algo mais do que a ausência do fígado das vítimas? Aliás, vocês foram informados de que encontraram mais duas vítimas? – Mulder falava com um pouco de mágoa na voz. Algo que passaria desapercebido para quem não o conhecesse. Para quem NÃO o conhecesse... — Mulder, eu não sabia que você se sentia assim. Também, nós falamos sobre tudo, menos sobre nossos sentimentos... E tem outra, quando as suas ex- namoradas reaparecem, você age da mesma maneira e me deixa de lado, investigando tudo sozinha. ? Ah é, Scully, eu me esqueci que você é APENAS a minha parceira e que não precisa me dar satisfação dos seus atos! E eu sendo APENAS o seu parceiro, não tenho o direito de me meter na sua vida. Pode deixar que vou investigar o caso. Vá passear com o Willmore. Eu não comentarei nada com o Skinner! Mulder levantou-se e saiu da sala, dando passos largos. Ele se sentia um trapo humano desde que a única pessoa que ainda agüentava conviver com ele o estava deixando só. Foi caminhar um pouco, tentando esquecer aquela sensação incômoda que o estava dominando. Queria pesquisar um pouco mais, embora não conseguisse deixar de pensar em tudo que estava acontecendo. Scully saiu da sala logo em seguida, dirigindo-se para o setor de pesquisas do FBI. O telefone do agente tocou e ele atendeu, ainda meio triste. — Mulder. — Mulder, somos nós! Você tá bem? — Não, não estou! Vocês ouviram tudo pelas escutas, não é? — Sim, mas não foi por isso que ligamos. — E foi para que? ? Aquele nome, Eugene Tooms. Encontramos um site desses psicóticos que idolatram assassinos e coisas do tipo. Lá achamos um cara que se declarou fã do Tooms. Ele deixou o seguinte recado no livro de visitas: "É uma pena aqueles federais terem matado o Tooms. Como bom pupilo, vou seguir os passos de meu mestre e vingar seu fim. O site tá muito bom! Espero que vocês continuem acrescentando informações sobre esses mal compreendidos! Ass: E.T.- P2". — O que vocês acham que isso significa? — Não sabemos! Mas o e-mail que consta aqui não é o oficial. Você quer que nós descubramos quem é esse cara? — Sim. Qual quer coisa, já sabem! — Te avisamos! Tire essa preocupação com a Scully da cabeça, Mulder, descanse um pouco! — Isso é igual a pedir para eu tomar banho e não me molhar! — Tá, então não pensa no tal de Willmore! Mulder desligou o celular. Resolveu seguir a recomendação dos amigos. Mas não conseguiu se distrair nem um pouco com o passeio pelos corredores. "Droga! Quem esse cara está pensando que é? Acha que pode ir chegando e tomando o lugar dos outros... Vou mostrar a ele qual é o seu real lugar nessa história toda...". Ele retornou à sala do porão, sentando-se novamente em sua cadeira, tomado pelos ciúmes. Neste momento, Scully entrou, chamando a atenção do agente que só conseguia encará-la, dedicando total atenção aos seus belos olhos azuis. Ela sentiu-se um pouco incomodada, como se Mulder a estivesse "invadindo", mas no fundo gostou da atitude do homem à sua frente. ? Mulder, precisamos complementar nossas pesquisas, saber se Luc Mitchel tinha inimigos declarados, dívidas, problemas com drogas, bebidas, enfim... Qualquer coisa que possa justificar sua morte brutal. ? Já andei fazendo alguns levantamentos no banco de dados do FBI, Scully. Pelo que pude apurar, Mitchel era um homem solitário, dedicado ao trabalho, mas tinha certa dificuldade em se encaixar nos esquemas de trabalho do Bureau. ? Como assim? ? Bem, digamos que ele se utilizava de "métodos pouco ortodoxos" em suas investigações e prisões, desconsiderando as recomendações do protocolo e mesmo os treinamentos da Academia. ? Creio que estamos no caminho certo. ? Sem dúvidas, Scully. Naquele momento, Willmore chegou acompanhado de Skinner, eles traziam um perfil psicológico de Mitchel que fora enviado por FAX pelo escritório de Seattle. ? Agente Mulder, acho bom você dar uma olhada nesses papéis. – sugeriu Skinner. ? Do que se trata, senhor? ? Nessa pasta está a última avaliação psicológica a qual o agente Mitchel foi submetido. Ele havia passado por uma situação extrema de perigo, parecia estar tendo algumas alucinações devido ao trauma, então o pessoal de Seattle achou melhor encaminhá-lo a um tratamento psiquiátrico. ? E quanto tempo ele ficou sob cuidados médicos? ? Por duas semanas apenas, agente Mulder. – interviu Willmore – Ele mostrou uma rápida recuperação, estava muito disposto a voltar ao trabalho, então os psiquiatras acharam melhor liberá-lo, não havia motivos para mantê-lo em observação. ? Bem... Vamos dar uma olhada aqui... Alguma coisa não se encaixa nessa história toda. Mulder passou os olhos rapidamente pelos papéis e notou uma frase em especial, que grifou com tinta brilhante. "O agente Luc Mitchel afirmou categoricamente ter assistido ao assassinato do jovem Peter Folk, de 18 anos; o homicida teria arrancado o fígado do garoto, para dele se alimentar... Mas a informação não procede, pois o corpo de Peter nunca foi encontrado." Scully ouviu atenta a leitura que Mulder fez da expressão, e os olhos dos dois se encontraram, na rápida confirmação de entendimento. Skinner, ao reparar na conversa silenciosa de seus melhores agentes, sentiu-se confiante e se retirou da sala, afirmando ter outros trabalhos a cumprir. Willmore perguntou: ? E então, agente Mulder? O que acha? ? Acho que temos um caso bem interessante aqui. ? Como assim, "interessante"? Eu diria, um caso "horrível"! ? Ei, acalme-se! Nos Arquivos X, esse termo "horrível" assume outras conotações... – disse Mulder, tranqüilamente. ? É... Conotações inimagináveis... – completou Scully, com o olhar perdido no pôster com os dizeres "I Want To Believe". Willmore achou que seria melhor ficar quieto. Era inegável a cumplicidade existente entre seus inusitados parceiros, ele estava começando a se convencer verdadeiramente disso. ? Bom, Mulder, você estava dizendo que andou investigando... – Scully o fitou com olhos tristes. Ela se sentia culpada por tudo aquilo. Estava sendo egoísta com Mulder. Ele, bem ou mal, fazia parte de sua vida. Não podia ignorá-lo como vinha fazendo – O que mais descobriu? — Não muito. Mas no momento quero saber se o seu antigo parceiro, agente Willmore, deu uma descrição de como seria a pessoa ou a coisa que matou o tal garoto. — Não sei, mas posso conferir. Você tem alguém em mente? – indagou Willmore. — Um "velho amigo". O nome dele é Eugene Tooms. ? Não acha que ele voltou da morte, acha? – os olhos de Scully demonstravam incredulidade. — Não, Scully. Eu andei fuçando por aí e descobri que os empregados da limpeza do shopping acharam um corpo em avançado estado de decomposição debaixo da escada rolante. Eles desconfiaram do mal cheiro. Eu posso acreditar em muitas coisas, mas honestamente não acredito em esqueletos ambulantes. ? Se não é ele, quem é??? – Scully perguntou, perplexa. Mulder falava com uma calma que sugeria que ele tinha todas as respostas. Mas o olhar dele não brilhava como de costume. Era como se sua cabeça estivesse em outro lugar. O que estaria acontecendo na complicada mente do agente Fox William Mulder? Willmore só escutava. Estava impressionado com a presteza de Mulder, que pelo jeito estava bem à frente nas investigações. — É isso que os rapazes ficaram de descobrir! Eles, ao pesquisarem o nome Eugene Victor Tooms... — Desculpe atravessar o meu trem no meio, mas quem são esses tais "rapazes"? ? Fonte extra-oficial! Eles me auxiliam desde que fiquem anônimos. – Mulder respondeu rispidamente – Bem, como eu ia dizendo, eles encontraram um site sobre assassinos seriais, e perceberam que há um cara que parece ser fissurado pelo Tooms, que deixou um recado no livro de visitas lamentando sua morte, e dizendo que como bom pupilo iria seguir os passos do mestre e vingar o seu fim. Acho que isso pode estar ligado ao caso. Esse tiete do Tooms assinou como E.T.-P2. ? E como pretende achá-lo? – Willmore estava boquiaberto percebendo a incrível capacidade associativa de Mulder. ? Não pretendo. A minha fonte o fará! "Seu débil mental, fica quieto e observe um verdadeiro agente em ação! Você já tirou a Scully de mim, não ouse duvidar do meu trabalho! Você nunca me viu bravo!". O telefone tocou e Mulder ficou realmente feliz por isso. — Mulder. — Aqui é o Langly. — Novidades? — Sim! Só uma pergunta: É esse aí o tal Willmore? ? É! Por quê? – Mulder olhou para Wilmore de soslaio. —Ele é um babaca! Não, olha, sinceramente... Como a Scully consegue sair com esse acéfalo?? Meu Deus... ? Há, há, há, há... – Mulder não parava de rir dos comentários de Langly. Mas logo retomou à postura séria de trabalho – Pára com esse papo. Quais são as novidades? ? Estamos tendo problemas para achar o tal E. T.-P2... Sugiro que vocês tentem deduzir quem poderia ser a próxima vítima. — E como você espera que façamos isso? — Sei lá! Alguém que o Tooms não conseguiu matar... — Vamos considerar isso. Liguem se tiverem progresso. Willmore, curioso, pergunta: — Era a sua fonte? — Era. — E o que ele falou de tão engraçado? – quis saber Scully. ? Não interessa, Scully. O que realmente interessa é que o "novo" Tooms falou que ia se vingar. Recebi a sugestão de tentarmos pensar em alguém que pudesse estar nas primeiras posições da "lista negra" do nosso mutante favorito. – Mulder conseguia brincar mesmo em situações extremas – Alguém que tenha ajudado a capturá-lo ou a matá-lo. Isso coloca a mim e a você em perigo. – Mulder pegou o sobretudo e foi saindo. ? Onde você vai? – Willmore perguntou. O tempo havia passado rápido. ? Para casa! O expediente acabou. Mulder saiu. Não suportava mais a cara de Willmore. Não agüentava pensar que ele e Scully... Faria tudo para saber o que eles faziam em seus encontros... Ou melhor, não queria saber. Apartamento de Scully 8:27 PM Scully estava esticada no confortável sofá, tentando ler um livro novo que havia encomendado há alguns dias e que pegara na portaria de seu prédio ao chegar do trabalho. Embora o cansaço atribuísse um enorme peso às suas pálpebras, ela insistia na leitura. "Não é nada fácil estar atualizada cientificamente hoje em dia... A cada minuto novas descobertas surgem... A cada segundo velhas teorias são derrubadas...". Nesse instante, ela ouviu aquela batida inconfundível em sua porta. Era Mulder, ela sabia. ? Olá... Mulder. – ela disse em meio a um preguiçoso bocejo, ao abrir a porta. ? Oi, Scully... Puxa, eu te acordei? Desculpe-me, posso voltar outra hora... ? Que nada! Eu estava tentando concentrar meus pensamentos numa leitura dinâmica, mas não está dando certo hoje... Os dois trocaram um sorriso. — Você já é brilhante, Scully, não precisa nem ficar lendo esses livros científicos que tanto te atraem... – ele disse, observando o título da obra que Scully segurava: "As Sete Maiores Descobertas Científicas da História", de David e Arnold Brody. ? Ora, Mulder, nunca é tarde para ampliarmos nossos conhecimentos... – ela explicou, abrindo um sorriso maroto para ele – Mas me diga, o que o traz aqui? ? Vim ver se você estava bem... Você sabe que tem um maníaco que pode estar te perseguindo... – mentiu. Mulder na verdade queria era saber se Scully tinha saído novamente com Willmore. Ficou feliz e aliviado ao ver que ela estava em casa, e sozinha. — Entra, vou preparar algo para bebermos... Mulder entrou e Scully foi para a cozinha. Logo em seguida voltou com dois copos de suco. Sentaram-se no sofá e trocaram algumas palavras sobre o caso. Enquanto isso uma figura desconhecida entrava no apartamento de Scully pela janela do banheiro. Era a entrada mais fácil a usar, uma vez que ficava ao lado da escada de incêndio. O estranho viu que ela estava falando com alguém, então resolveu esperá-la adormecer. Depois de matar o jovem Peter Folk e o parceiro de Willmore, ele matara mais duas vítimas inocentes, e agora estava atrás de um troféu maior. Uma "velha amiga" de seu ídolo, que não tivera o destino que merecia. A discussão de Mulder e Scully foi interrompida pelo barulho da campainha. Era Willmore. Ele estranhou a presença de Mulder, mas logo foi informado de que eles estavam discutindo detalhes sobre o caso e que no outro dia iriam contar- lhe tudo. Willmore e Mulder começaram a conversar sobre o caso e a debater idéias. Scully estava tensa com a situação, de repente todo o seu corpo começou a doer. Um torpor tomou-a por inteiro. Ela sentou-se no sofá. Mulder notou que Scully não estava muito bem. — Scully, o que houve? Você está bem? — Estou cansada. Preciso de um banho. Se vocês não se importarem em esperar... ? Não, de forma alguma! – Willmore respondeu prontamente, todo cavalheiro. Mulder deu de ombros. Isso queria dizer que ele também não se importava. Scully por um instante vacilou, pensando se deveria deixar Mulder e Willmore sozinhos. Sabia que Mulder não gostava nem um pouco do outro agente. Scully até se sentia lisonjeada por estar de certa forma sendo "disputada" por dois belos homens, muito embora ela já tivesse o seu preferido, que não era o agente de Seattle. Ela então foi para o quarto, separou a roupa que colocaria e dirigiu-se ao banheiro. Na sala, Mulder e Willmore continuavam o debate. No banheiro, E.T.-P2 se escondeu atrás da porta. Quando Scully entrou e trancou a porta, E.T.-P2 atacou-a. Ele a jogou no chão e tirou um bisturi de algum lugar. Scully, que estava totalmente imobilizada, sentiu uma dor enorme quando o bisturi cortou- lhe parte da pele, e deu um grito. Mulder, ao ouvir o grito, correu em direção ao banheiro, sendo seguido por Willmore, e começou a tentar abrir a porta. Mas estava trancada. Ele começou a forçar a porta até que conseguiu arrombá-la. Scully estava lá, ao lado de uma poça de sangue, com alguns cortes no abdome, próximos ao fígado, que ainda não tinha sido extraído. E.T.-P2 saiu correndo. — Willmore, chame uma ambulância e cuide da Scully! Eu vou atrás desse desgraçado! Mulder saiu correndo atrás do fã psicopata. Não demorou muito, e o tal admirador de assassinos estava algemado. A ambulância já havia levado Scully para o Hospital Samaritano. Willmore estava confuso e Mulder voltava arrastando o E.T.-P2. O suspeito foi levado para o FBI, onde deu um pouco de ocupação para os agentes que faziam plantão naquela noite. Hospital Samaritano 4:00 AM Mulder estava lá desde que Scully entrara na cirurgia. Por causa da perda de sangue, ela havia ficado inconsciente. Foi quando Willmore chegou. — Como ela está? ? Perdeu muito sangue, teve uma parada cardíaca, mas se recuperou. Levou uma boa quantidade de pontos nos cortes. Aquilo poderá deixar uma cicatriz e tanto. Scully não vai gostar nada disso. – Mulder riu nervosamente – Ela está na UTI, mas não está em coma. Já é um sinal animador. ? Que bom. Você deve gostar muito dela. – Willmore falou enquanto sentava-se no banco, ao lado de Mulder. — Sete anos juntos...Várias situações compartilhadas... Uma vez estávamos investigando desaparecimentos estranhos em uma floresta. Eu arrebentei o meu pé. Ela era a única que podia me ajudar. E não me decepcionou. Quando ela foi abduzida... Entrei em parafuso. — Vocês são muito amigos pelo jeito. ? Pena que seja só isso. – se Mulder estivesse pensando direito, não teria dito aquilo, mas sua cabeça girava com a possibilidade de Scully entrar em coma ou algo pior. — Então você não apenas gosta dela, você a ama. — Eu não sei como deixei escapar, mas... Agora que você já ouviu... Sim, eu a amo. Nunca falei isso para ninguém. Em 7 anos de trabalho, nunca contei para ela. Era o meu maior segredo. Willmore riu. — O que está achando engraçado? — Sabe, na primeira vez que saímos, eu a beijei, e depois do beijo, ela chamou por você. — Por que me contou isso? — Porque eu não sou o homem certo para ela. É você que ela ama, e não eu... — Olha, eu não gosto que brinquem com isso. ? Não estou brincando. Você a merece bem mais do que eu! Faz o seguinte, quando ela acordar, diga tudo o que sente para ela. Eu vou voltar para Seattle. Acho que não foi dessa vez que achei meu amor verdadeiro, não tenho mais nada para fazer por aqui. Willmore se levantou e saiu andando. Mulder ficou lá, pensando no que ele tinha dito. Alguns minutos depois, uma enfermeira veio avisar que Mulder poderia ver Scully. Ele, mais do que depressa, foi até o quarto onde ela estava. Contou para a parceira que o assassino, Harry Carter, era mesmo um psicopata fanático por Eugene Tooms e que pretendia continuar o trabalho de seu "ídolo". Observou que Carter fora levado para um sanatório para tratamento. Falou também que Willmore resolvera voltar para Seattle, e não escondeu que estava contente com isso. Scully não ficou chateada, sabia que nunca poderia ser feliz com Willmore, e era melhor mesmo que ele se afastasse dela, para não se machucar. Mulder visitou Scully todos os dias durante a semana em que ela permaneceu internada. Era sempre muito atencioso, prestativo, e quando ela recebeu alta, fez questão de levá-la em casa. Todo esse tempo ele ainda pensava nas palavras de Willmore. Será que Scully realmente o amava? Estava meio confuso. Achou que seria melhor se afastar um pouco da mulher que conquistara seu coração, talvez isso o ajudasse a refletir melhor sobre seus próprios sentimentos. Já fazia pouco mais de um mês que Scully saíra do hospital, e desde então Mulder evitava contatos com ela, que havia recebido férias de Skinner para que se recuperasse completamente, estando ausente no Bureau. Até que um dia ela resolveu ir ter com o parceiro para tentar entender o porquê desse comportamento estranho dele. Apartamento de Mulder 9:31 PM —Oi, Scully... – Mulder falou surpreso. —Oi, Mulder... Posso entrar? —Claro... – ele deu licença para que ela passasse. Scully entrou e discretamente deu uma olhada pelo apartamento. Talvez Mulder estivesse com alguém, o que explicaria seu afastamento repentino. — Está sozinho, Mulder? – ela não resistiu e perguntou. — Estou sim... Por quê, Scully? — Nada não... Mulder, o que está acontecendo? Você anda tão estranho ultimamente! — Eu sempre fui estranho, Scully, você é que ainda não tinha notado... – respondeu com certa ironia. — Mulder, esse seu sarcasmo às vezes me irrita! Estou preocupada com você! — Eu estou bem, Scully... E creio que você deveria estar em casa descansando, não? — É, acho melhor eu voltar para casa mesmo.Tchau, Mulder. Scully não estava lá muito animada, Mulder claramente a estava evitando. Ela só gostaria de saber o motivo. Foi se afastando... Mulder percebeu que Scully estava chateada com ele, e isso era a última coisa que queria, deixá-la triste. Ele desejava falar tudo que estava sentindo, mas suas pernas não obedeciam ao comando do coração. Scully estava atravessando a porta, quando Mulder finalmente tomou coragem e a segurou pelo braço. — Espera, Scully... Por favor... Scully apenas olhou, sutilmente, para ele. — Eu preciso te falar uma coisa que está presa aqui na minha garganta há muito tempo, antes que seja tarde demais... — Fala então, Mulder, sou toda ouvidos. Mulder estava visivelmente nervoso. Então respirou fundo e falou: — Eu... Eu te amo. É isso, estou apaixonado por você e não suportaria te ver com outro! – Mulder sentiu-se aliviado ao dizer essas palavras, como se estivesse se livrando de um grande peso. Scully ficou parada, totalmente surpresa, tentando assimilar o que acabara de ouvir. — Mulder, eu... — Não diga nada, Dana. Mulder colocou o dedo nos lábios dela e fitou profundamente os olhos azuis de Scully. Seu coração batia acelerado, assim como o de Scully também. Então ele segurou o rosto de sua parceira e foi se aproximando, até que seus lábios encontraram os dela em um beijo terno e apaixonado. Ambos experimentaram uma sensação maravilhosa, não queriam que o beijo acabasse nunca. Aquele era um momento que, embora relutassem em admitir, estavam esperando há muito tempo. ? Mulder... – ela disse. — Sim? ? Só pra confirmar... – Scully respondeu em tom jocoso. Mulder não entendeu nada, mas não importava. Estava feliz. Os dois trocaram mais beijos apaixonados, intensos. Não podiam, não queriam mais sufocar o sentimento que nutriam um pelo outro. E viveram uma sublime e inesquecível noite de amor. Fim