AUTORAS: Camilla Ares & D@n@Scully E- MAILS: camilla_scully@zipmail.com.br; cris_scully@hotmail.com NOTA: essa fanfiction é seqüência de Descobertas SINÓPSE: Diana Fowley, agora, é a parceira de Mulder. Um arquivo x muito estranho acaba colocando em risco a vida dos agentes. Scully , mesmo grávida e afastada do FBI conseguirá proteger Mulder do perigo? (notem a ambigüidade do "perigo") CLASSIFICAÇÃO: drama/romance Big GEORGETOWN 8:18 p.m. —Mulder! – gritou Scully —O que? – ele respondeu da cozinha —Me traga também um pote de sorvete de baunilha que eu comprei hoje! —Scully! Salsicha com sorvete de baunilha!? – ele apareceu na porta da cozinha com cara de nojo —Eu vi um comercial de sorvete agora e me deu uma vontade de comê-lo com salsicha... por favor, Mulder. – ela fazia beicinho. —Tá bom... espera só um segundo. – ele voltou para a cozinha a fim de pegar o pote de sorvete. Depois de alguns minutos ele apareceu na sala equilibrando o pote de sorvete e um prato fundo com algumas salsichas cortadas. —Divirta-se! – ele entregou as guloseimas para ela e sorriu —Humm... isto está com uma cara ótima! – disse Scully mergulhando a salsicha no sorvete de baunilha. —Credo! Como você consegue comer isso? – ele nem olhava para ela —Eu já comi até um grilo, lembra? E depois isso é normal no meu estado, e se eu passar vontade seu filho pode nascer com cara de salsicha misturada com sorvete. —ECA! Vira pra lá que este cheiro está me enjoando. – ele afastou-a para o outro canto do sofá. —Nojento! —Esquisita! Após a magnífica "boquinha" que Scully fez, ela deitou-se no colo de Mulder, que ficou a acariciar a barriga da amada enquanto assistia a um documentário sobre as aparições de possíveis OVNI'S avistadas pelos pilotos na Segunda Guerra Mundial. Já faziam duas semanas que Mulder voltara do hospital para se recuperar do acidente que sofrera. A polícia não encontrou o atirador e o caso do Dr. Campbell foi arquivado. Scully pediu licença temporária para Skinner, que concedeu e concordou em manter a gravidez dela sobre sigilo, pelo menos enquanto não achava uma maneira de dizer aos superiores sem que eles afastassem os agentes. Diana Fowley tomara seu lugar e seguia trabalhando nos arquivos - x enquanto Mulder se recuperava. Tudo caminhava, parcialmente, bem. Scully havia adormecido durante o programa e Mulder a carregou para a cama. Ele se sentia feliz, pois, pela primeira vez depois que sua irmã partiu, tinha uma família. Ele aconchegou-se a Scully e dormiu abraçado a ela com um semblante tranqüilo. QUARTEL-GENERAL DO FBI EDIFÍCIO J. EDGAR HOOVER SEGUNDA-FEIRA 9:00 a.m. Mulder finalmente havia voltado ao trabalho. Ele chegou ao Bureau atrasado, como sempre, e dirigiu-se à sua sala no porão. Ao chegar deparou- se com a placa na porta que dizia: Fox Mulder Diana Fowley Ele olhou com raiva e entrou. Diana estava no computador e assim que percebeu a presença do agente sorriu amavelmente levantando- se de imediato. —Que bom que voltou! – ela disse caminhando em direção a ele —É ótimo voltar ao trabalho, pena que a Scully não possa estar aqui comigo neste momento. – ele disse desviando dela e sentando- se em sua cadeira. —Como está a agente Scully? – perguntou cinicamente —Está linda como sempre. – ele sorriu orgulhoso —Ah... - ela desviou o olhar – Vamos trabalhar, então? —É o que eu pretendo! —Aqui estão duas passagens para Cincinnati. Pegaremos o vôo do meio dia. – ela jogou as passagens em cima da mesa —Cincinnati? O que vamos fazer lá? – quis saber Mulder —Eu recebi uma informação sobre a aparição de uma criatura muito estranha que vem assustando a população local. Segundo relatos, esta "coisa" entra nas residências e fica a observar casais dormindo. O mais estranho é que somente as mulheres conseguem vê-lo, e assim que o fazem ele some. —E nada acontece? Ele não mata, rouba, ou algo do gênero? – Mulder perguntou —Não, a única coisa que some junto com a criatura são as fotos onde estes casais estão. —E as mulheres descreveram como é esta criatura? —Sim, elas disseram que ele deve ter uns dois metros de altura, seu corpo é coberto por uma pele grossa e acinzentada, como um elefante, seus olhos brilham no escuro e sua boca não possui lábios, somente um rasgo. —Você achou alguma ocorrência parecida nos arquivos - x ? —Não, nada! Este é um fato totalmente novo. —Então o jeito é investigarmos. Vou para casa preparar minha mala e nos encontramos no aeroporto. – disse Mulder saindo apressado. Mulder abriu a porta do apartamento de Scully e entrou devagar. Ele sabia que ela faria um escândalo ao saber que ele teria que viajar com a Diana. Ao passar pela cozinha ela o chamou. —Mulder? O que faz aqui? – Scully estava surpresa —Eu vim pegar umas roupas... —Roupas? Para que? —Eu vou ter que ir a Cincinnati, temos um arquivo-x por lá! —"Temos"... você e a Desgraçada, não é? – ela ergueu a sobrancelha —É... – ele fez cara de coitado —Mas que droga! Eu sabia que isso iria acontecer. Só não imaginei que fosse logo no primeiro dia que você voltasse a trabalhar! Essa mulherzinha não perde tempo, mesmo. Eu vou acabar com a raça dela e... —Scully! Querida, você não confia em mim? —Em você eu confio, é nela que eu não confio! – ela colocou a mão na cintura —Eu prometo que nem vou conversar direito com ela. Vou resolver o caso logo e voltar para os seus braços, certo? —Certo! Mas saiba que eu vou ligar a cada cinco minutos! E eu juro, Fox William Mulder, que se eu desconfiar de alguma coisa você é um homem morto! – ela sorriu para ele. —Eu adoro quando você fica agressiva, sabia? – ele abraçou-a – Agora me ajuda a arrumar a mala? —Humpft!!! – ela bufou REISERTOWN-CINCINNATI 04:32 p.m. Mulder e Diana chegaram a cidade a bordo de um luxuoso Lincon de cor acinzentada. Os moradores da cidade pareciam empolgados com a presença dos estranhos. Eles dirigiram-se a delegacia local e procuraram o xerife Dunn. —Boa tarde! Nós somos do FBI e estamos a procura do xerife ! - disse Mulder mostrando sua insígnia —Ah! Sim, ele os está aguardando. Me acompanhem por favor. - o homem baixo e calvo os guiou até a sala do xerife. Eles entraram e começaram a discutir o caso com o velho xerife, que estava sem entender as estranhas aparições. Foi quando o homem que trabalhava na delegacia entrou na sala, com um olhar assustado. —Senhor, acabei de receber um telefonema que diz que os casais visitados pela... criatura desapareceram. —Como, desapareceram? - o velho estava irritado —Você pode nos explicar melhor esta informação? - perguntou Diana ao assustado homenzinho —O senhor Harris é o vigia noturno da rua onde moram todos os casais visitados. Ele disse que hoje era dia de pagamento e quando ele foi tocar a campainha da casa dos Holmes, a porta estava com a fechadura arrebentada. Ele entrou e a casa estava toda bagunçada como se um terremoto tivesse passado por lá. Ele procurou o casal, mas nada, nem uma pista. Ele foi até as outras casas e notou que em todas onde os casais haviam sido visitados pelo monstro estava a mesma cena. Ele ligou e pediu que fossemos lá. —Então vamos! - Mulder já havia se levantado Eles seguiram para rua 13, um lugar calmo, bem arborizado. Foram para a primeira casa e encontraram Harris, o vigia, esperando com cara de assustado. Ele os guiou e mostrou como encontrou tudo. Vasculharam a casa em busca de evidências, e Mulder achou no quarto, mais precisamente no tapete, uma mancha que possuía um cheiro estranho. Ele pegou seu canivete e recortou um pedaço para servir de amostra. A mesma mancha pode ser encontrada nas outras residências mas em locais diferentes. Depois de investigarem, foram hospedar-se no único Motel que a cidade possuía. —Dois quartos, por favor! - pediu Mulder —Sim, senhor. Vai pagar em cartão de crédito? - a recepcionista perguntou —Vou. —Por favor, preencham estas fichas. Depois de resolvidas as formalidades, despediram-se e foram cada um para um lado. Mulder jogou suas coisas em um canto e correu para telefonar para casa e saber se estava tudo bem. —Scully! —Scully... sou eu! —Oi, Mulder, e aí como está a investigação? —Tudo bem. Eu preciso de um favor seu! —O que? —Vou mandar uma evidência que eu coletei e quero que você tente detectar que substância é a que está no pedaço de carpete! —Ok. Eu ainda posso fazer essas coisas... - seu tom era de desânimo —Ah, Scully, não fica assim, vai? Como vocês estão? - ele perguntou carinhosamente —Estamos bem, na medida do possível. Minha mãe vai vir para cá me fazer companhia. —Mas eu já vou voltar! Ela não precisava se preocupar. —Eu que pedi, Mulder! Não gosto mais de ficar sozinha. —Se você acha melhor! - ele parou de falar - Scully, espera um pouco que tem alguém batendo na porta! —Tá! Nisso Diana entrou no quarto com a desculpa de que estava pensando em algumas hipóteses para o caso. Ela estava perfumada demais para quem estava só pensando. Mulder tentou faze-la ir embora o mais rápido que pode e a megera o convidou para jantar. - Como parceiros! - ela sorria cinicamente. Ele queria que ela sumisse mas acabou concordando e falou que o esperasse no restaurante dentro de meia hora. Quando Mulder voltou ao telefone, Scully havia desligado. Ele fez cara de dúvida e discou novamente para casa. —Scully? —Eu! - ela respondeu —Por que desligou? —Você não vai jantar? - ela perguntou ironicamente —Vou... Ah! Você está preocupada com aquela lá! Nem precisa, Eu Te Amo, sua boba! —Eu não gosto de te ver junto com ela, e imaginar é pior ainda! —Scully, como você é ciumenta!!! Se você quiser eu não vou jantar com ela, então! —Não! Tudo bem, pode ir... Mas quando você voltar para o quarto me liga, não importa quão tarde seja, viu? —Eu te ligo, então! Beijos! —Beijos pra você também! Ele desligou o telefone ainda rindo da situação em que estava. Tomou um banho rápido, trocou-se e saiu em direção ao restaurante. Chegando lá tentou ser o mais rápido possível. Diana estava visivelmente feliz com toda a situação, e o desprezo de Mulder não estava afetando sua auto estima, ao contrário, ela se sentia desafiada. Mulder estava saboreando uma suculenta costela de porco quando arregalou os olhos e começou a engasgar. —O que foi, Fox? – Diana perguntou —Você está coçando a perna errada, esta é a minha! – ele falou enquanto tomava um gole do suco de laranja —Você gostava quando eu fazia isso, lembra? – ela continuou a se insinuar —Eu fingia que gostava. Pára com isso Diana, você não se enxerga, não? – Mulder elevou o tom de voz —Está bem. Parece que a agente Scully te colocou um cabresto mesmo! Ele fingiu não ouvir o que a mulher tinha falado e continuou seu jantar. O garçom ofereceu uma sobremesa e Mulder pediu uma taça de morangos flambados com sorvete de creme. Após alguns minutos a sobremesa foi servida. Mulder começou a devorá-la quando Diana o interrompeu. —Está bom? – ela perguntou —Ótimo, devia ter pedido uma! —Deixa eu experimentar para ver se eu gosto! —Toma! – ele empurrou a taça na direção dela —Hummm... está uma delícia! – ela disse —Pode ficar, eu já comi demais! – ele disse acenando para o garçom que trouxesse a conta. Diana terminou a sobremesa que Mulder havia pedido. Os dois subiram para seus respectivos quartos. Quando Mulder estava abrindo a porta sentiu uma mão em seu peito. Ele se virou, e como era de se esperar Diana estava lá. —O que você está fazendo? – ele tirou a mão dela do peito dele —Eu estou tentando reviver nossos bons momentos, Fox! – ela fez cara de coitada —Mas eu nem me lembro que tivemos algum momento juntos! Olha, Diana, eu não queria ser grosso, mas está ficando insuportável! Você sabe que eu amo a Scully, que nós estamos esperando um filho que é fruto desse amor. Eu não me imagino vivendo ao lado de outra pessoa que não seja a Scully. Tenha mais respeito por si mesma e vá tomar um banho frio, certo? – ele disse nervoso enquanto se desvencilhava de um beijo que iria receber a qualquer momento —Você vai se arrepender amargamente, agente Mulder. – ela saiu frustrada e entrou em seu quarto batendo a porta com raiva. Ele entrou no quarto e rapidamente pegou o telefone e discou o número de "sua" casa. Seus pensamentos tinham uma dona, e essa era Dana Scully. —Alô? —Scully? Sou eu! —Já? —Não falei que ia ser rápido? Só liguei pra te dizer que estou morrendo de saudades de você! E que te amo muito! —Eu também te amo! E tô morta de saudade! —Ah! Antes que eu esqueça: amanhã chegam as amostras... —Eu vou analisá-las e te mando em seguida! —Certo... boa noite então! —Boa Noite pra você também e... juízo! —Pode deixar, minha ruivinha céptica! Sonhe comigo! —Vou sonhar! Tchau! —Tchau! Mulder desligou o telefone e deitou na cama. Sentia falta de Scully ao seu lado, porém o cansaço do dia o fez adormecer logo. No dia seguinte ele esperou as amostras com a análise de Scully para prosseguir com a investigação. Às onze horas e trinta minutos, exatamente, recebeu a resposta. Óleo extraído do milho e um pouco de terra estavam presentes na amostra. Mulder começou a pensar o que estas duas substâncias poderiam indicar. Foi então que perguntou ao xerife: —Você possuem alguma plantação de milho por aqui? —Tem uma na fazenda do Jedd, mas ninguém se atreve a entrar lá! —Por quê? —Porque dizem que ele é feiticeiro. Algumas pessoas já ouviram uma música estranha sair de lá, várias vezes. O pessoal daqui diz que esta criatura é obra dele. —E porque você não me disse isto desde o início?- Mulder perguntou —Eu achei que não fosse importante. Sabe como são as pessoas de cidade pequena, vivem fofocando e inventado histórias. Se os senhores quiserem ir até lá eu posso lhes levar, mas já vou avisando que não entro por nada nesse mundo! —Tudo bem, nós entraremos! - disse Diana - Nos leve até lá, sim? - ela demonstrava um terrível mau humor Eles entraram no jipe do xerife e seguiram para a residência de Jedd Gibber , um homem solitário que vivia da produção agrícola para sobreviver. Aparentemente ele possuía alguns empregados que faziam todo o serviço, ou seja, plantavam, colhiam e vendiam. Jedd cresceu em Minessota e quando voltou poucos foram visitá-lo. Era um homem rude, e a não ser por uma foto antiga do colégio ninguém conheceria seu rosto. Chegaram ao destino e o xerife ficou do lado de fora da propriedade enquanto os agentes dirigiam-se a porta. Bateram umas cinco vezes e ninguém veio atender. Mulder deu a volta na casa e estava espiando pelo vão da porta, quando sentiu uma mão pousar em seu ombro. —Por Deus, Diana! Quase levou um tiro! - ele falou —Desculpe, não queria assustá-lo. Achou alguma coisa?- ela segurava o braço de Mulder —Olhe por este vão aqui! - ele se soltou das mãos dela —Não vejo nada! —Olhe para o chão! - ele indicou —O que será, ou melhor, quem será que fez isso?- ela estava boquiaberta —Não sei, mas o senhor Jedd vai ter que explicar direitinho de quem é esta pegada. Mulder pediu que Diana avisasse o xerife que eles iriam demorar mais uns minutos, pois entrariam na casa. Quando a mulher deu a volta na casa o sótão abriu-se e alguma coisa extremamente ágil a pegou. Ela só teve tempo de gritar. Mulder correu para ver o que estava acontecendo, mas não achou nada, estava tudo como antes. Ele arrombou a porta e entrou na casa. Colocou a mão sobre o nariz, porque aquele lugar fedia como um chiqueiro. Andou até a cozinha e viu que havia muito óleo estocado na dispensa. Voltou à sala e quando pisou sobre o tapete sentiu que havia algo no chão. Pisou mais forte e abaixou-se para retirar o tapete. Encontrou uma espécie de porta subterrânea. Abriu-a com cuidado e foi descendo. Ligou a lanterna e viu marcas de dedos nas paredes. De repente uma música foi escutada, a batida era contagiante. Ele se escondeu em um vão da parede e ficou a observar. Era incrível! Na sala ritualística, estavam presentes criaturas gigantescas, deformadas. Uma delas tocava um instrumento de sopro que fazia a cabeça do agente ficar meio confusa. Ele se concentrou e então a batida recomeçou. Um outro integrante apenas batia palmas, mas o som que saía era o de um tambor primitivo. De repente Diana entrou na sala e ficou posicionada no meio da roda que as criaturas faziam. Seu corpo estava coberto por um líquido denso. A música soava mais forte e o líder do grupo aproximou-se da agente e colocou suas enormes mãos na cabeça dela, que fechou os olhos como se estivesse recebendo uma benção. Mulder queria sair do esconderijo e partir pra cima das criaturas, mas não conseguiu se mover. Enquanto ele tentava movimentar suas pernas, Diana havia caído do chão e uma horrível transformação começou a acontecer. O corpo da mulher crescia assustadoramente. Seus braços, suas pernas, sua cabeça. Era impressionante. Uma pele grossa foi cobrindo o corpo dela que em poucos segundos se transformou em uma criatura como as outras. Mulder não conseguia esboçar reação nenhuma , ele estava paralisado, a música estava fazendo isso com ele. O chefe do grupo colocou Diana no altar e chamou seus súditos para junto dele. Começaram a balbuciar algo sem sentido e Diana acordou. Ela parecia entender o que estava ocorrendo e junto dos outros demonstrou grande conforto. Diana então olhou para onde Mulder estava escondido e apontou. O som parou e Mulder conseguiu se livrar do transe. Ele se preparava para sair quando seu celular tocou. As criaturas avançaram com fúria para cima dele, que só conseguiu pedir por socorro para a outra pessoa que havia ligado. Por sorte a outra pessoa era Scully, que entrou em contato com o xerife local e conseguiu impedir uma desgraça maior. O xerife entrou e desceu as escadas por onde Mulder havia estado e atirou em uma das criaturas, deixando as outras assustadas. Jedd havia sido o baleado e com o líder morto todos os outros começaram a desfalecer rapidamente. Mulder estava ensopado com o óleo e ficou parado olhando para todas aquelas coisas que estavam ao seu redor. Diana era uma delas e quando ela caiu Mulder pôde ver sua alma deixando seu corpo. Ele voltou aborrecido com tudo aquilo e preocupado com as explicações que teria que dar a Skinner sobre a morte dela. Os corpos foram retirados da propriedade e a cidade ficou em polvorosa com todo aquele acontecimento. Mulder estava a salvo e a caminho de casa. Triste por não ter salvado Diana e ao mesmo tempo aliviado por não ter acabado daquela maneira horrível. Mais uma vez, Scully o salvara. No caminho de casa veio refletindo sobre toda a sua vida. Sua busca pela verdade, por sua irmã. Pensou em como o destino tinha sido generoso com ele o presenteando com uma adorável parceira que acabou conquistando seu coração e que estava prestes a lhe dar um filho. Ele sabia que Scully era sua força, ou como costumava chamá-la, sua pedra-de- toque. Ele a amava incondicionalmente e mesmo preocupado com o futuro incerto que tinham pela frente sentiu que tinha a obrigação de consolidar perante os homens seu amor e sua gratidão àquela que lhe devolveu a vida. Chegando em Washington, parou em uma joalheria e ficou a observar alguns anéis que estavam na vitrine, Encheu-se de coragem e entrou. Pediu para ver uns três modelos diferentes e acabou optando por um deles que tinha um diamante, não muito grande, mas especialmente bem trabalhado. A vendedora que o atendeu estava entusiasmada com a venda, e por alguns instantes ele se lembrou de um comercial de refrigerantes onde um homem comprava um anel para sua futura esposa e todas as mulheres pareciam adivinhar o que ele faria, ele se sentia da mesma maneira com a mulher olhando para ele com um sorriso estampado no rosto. Ao sair da loja, olhou para o outro lado da rua e viu uma floricultura. – Mulder, para um cara que sempre foi conhecido como "Spooky", você está se saindo um romântico de marca maior. – ele pensou. Comprou duas dúzias de rosas vermelhas que ficaram ainda mais vistosas com o enfeite que foi feito. Pagou e saiu. Estacionou no prédio de Scully, e meio desajeitado, carregou a mala em uma mão e as flores em outra. Resolveu tocar a campainha para fazer surpresa. Scully foi atender a porta e quando abriu não se conteve. —Mulder!! Que saudades!!! – ela beijou-lhe os lábios —Oi, Scully! Posso entrar? – ele disse rindo da festa que a amada lhe fazia —Desculpe! – ela olhou para o buquê – Flores? —É, eu estava passando na frente de uma floricultura e resolvi trazer algumas para você! – ele entregou o buquê —São lindas! Vou colocá-las em um vaso. – ela já estava dirigindo-se a cozinha quando ele a puxou pelo braço. —Dana, eu queria... – sua voz não saía —Você queria... – ela riu —Você quer tornar-se oficialmente a Sra. "Spooky" Mulder? – ele retirou do bolso a caixinha com o anel e abriu —Mulder!!!! – ela arregalou os olhos —Isso é um sim? – ele sorriu —Sim! – ela disse timidamente Eles se abraçaram e trocaram um beijo intenso. Mulder estava feliz, e Scully, nem precisa dizer, ela estava radiante. Os dois decidiram que se casariam somente no civil. Quando a situação no Bureau estivesse mais estável eles fariam uma cerimonia religiosa, mesmo Mulder não querendo muito. Scully telefonou para sua mãe, que já havia chegado em casa, e contou a novidade. Maggie ficou encantada com a notícia e mais comovida por ter sido a escolhida para madrinha. Ela iria acompanhar Walter Skinner, que foi a escolha mais acertada que o casal poderia ter feito devido à grande ajuda que ele vinha prestando aos dois. Em uma pequena cerimônia realizada na casa de Margareth Scully, Fox William Mulder e Dana Katherine Scully tornaram-se oficialmente marido e mulher. Não havia convidados, era uma reunião íntima recheada de paz , carinho e amor. Mulder e Scully alugaram um apartamento, em Georgetown mesmo, que possuísse dois quartos. Era um ótimo imóvel que foi decorado a custa de muita briga. Principalmente o quarto do bebê, pois, como não sabiam o sexo da criança, resolveram pintá-lo de amarelo que era uma cor neutra . Mulder queria que umas figuras de ets fossem anexadas a parede, mas Scully depois de muito insistir tirou a idéia da cabeça do marido dizendo que de ets já bastavam os que viviam procurando. Finalmente a vida estava correndo normalmente para eles. E apesar da preocupação com a condição de agentes do FBI conseguiam manter a tranqüilidade nestes dias acolhedores. 3 meses depois Mulder e Scully estavam na sala de espera aguardando serem chamados para uma das consultas pré-natais que se tornaram rotina nos últimos meses. —Dana, tem certeza que quer saber o sexo do bebê? —Claro, Fox! Não vou agüentar esperar mais 4 meses para saber... além do mais, sabendo com antecedência podemos comprar o enxoval e montar o quarto de acordo! Sem contar que já podemos até mesmo ter um nome escolhido para o nenê! —É mesmo... Nesse momento uma moça os chamou para o consultório. O médico perguntou como Scully estava se sentindo, se estava se alimentando bem, coisas do gênero. Ela respondeu que estava tudo bem, se sentia ótima, e que estava comendo até demais, já tinha engordado 10 kg. O doutor então decidiu que começaria os exames ouvindo o coração do bebê. Scully vestiu a camisola azul e deitou-se na cama. —Ôpa! Estou ouvindo duas batidas! – disse o médico —Duas?? – Scully arregalou os olhos —Sim, a senhora provavelmente está esperando gêmeos! —Gêmeos?! – Mulder estava boquiaberto —Isso mesmo! Agora vamos fazer a ultra-sonografia para ver como estão os bebês. O médico ajeitou o aparelho e começou o exame. —Aqui estão, são dois... quer saber o sexo? —Claro, estou super ansiosa! – respondeu Scully —Deixa eu ver... – o médico analisava a tela – são duas meninas! A partir do momento que souberam que teriam gêmeos e que seriam duas garotas, já começaram a cogitar possíveis nomes. Resolveram fazer uma homenagem às suas irmãs, e sendo assim, os bebês se chamariam Melissa e Samantha. Desde então passaram a se referir às crianças pelo nome. As semanas passavam rápido, talvez por estarem entretidos comprando o enxoval e decorando o quarto dos bebês, coisa que faziam com o maior prazer. Encheram a casa de brinquedinhos, bichinhos de pelúcia, macacãozinhos rosa com lacinho, sapatinhos de lã... Dia de Ação de Graças 6:10 p.m. Mulder e Scully estavam na estrada a caminho da casa de Margaret Scully. Ela iria fazer um jantar em comemoração do dia de Ação de Graças e fazia questão da presença da filha e do genro. Mulder não estava muito entusiasmado, com certeza encontraria Bill, que claramente não gostava dele. Mas não reclamou, sabia o quão importante para Scully era comparecer a essa reunião familiar. Embora ainda fosse cedo, já estava escuro, pois estava um dia frio e com chuva. —Ah, Fox, nem acredito que só faltam dois meses para o nascimento da Missy e da Sam! – Scully estava muito feliz —Pois é, não vejo a hora de ver a carinha delas! – Mulder sorriu —Sente só, elas estão "chutando" de novo! – Scully pegou a mão de Mulder e levou até sua barriga – sentiu? Mulder respondeu que sim balançando a cabeça, sem desviar a atenção da estrada. A viagem seguia tranqüila, em 20 minutos chegariam. Foi quando Mulder começou a sentir uma certa instabilidade no carro. —Droga... – ele bufou, parando o carro no acostamento —O que aconteceu? —Acho que furou o pneu... —Precisa de alguma ajuda? —De jeito nenhum, você vai ficar aí quietinha! - ele sorriu e deu-lhe um beijinho – já volto! Em seguida desceu do carro. A chuva estava fininha, mas o suficiente para molhar. Deu uma volta pelo carro e constatou que havia realmente um pneu furado, o dianteiro direito. Ele foi até o porta malas, abriu, pegou o estepe, o macaco e começou a troca. A pista estava escorregadia por estar molhada, e a visibilidade era muito ruim. Um carro vinha em alta velocidade, o motorista estava meio bêbado. Ao tentar uma ultrapassagem pela direita, perdeu o controle e colidiu em cheio com a traseira do carro de Mulder. A batida arrastou o carro alguns metros, e fez com que Mulder, que estava abaixado terminando de apertar o pneu, caísse, sofrendo pequenas escoriações. Ele levantou-se rapidamente e foi ver como estava Scully. Ficou apavorado ao vê-la desacordada. Verificou que ela estava respirando, a pulsação parecia normal, o que o deixou de certa forma aliviado. Depois foi ver o motorista do outro carro, constatando que este estava morto. Em seguida pegou o celular e chamou uma ambulância e a polícia, que não tardaram em chegar. Scully foi removida para o pronto-socorro e Mulder permaneceu no local para elaboração do boletim de ocorrência, entre outros procedimentos legais. Mulder também ligou para a mãe de Scully para avisar- lhe o ocorrido. Encerrados todos os trâmites legais, Mulder mais do que depressa dirigiu-se ao hospital para onde tinham levado Scully, e permaneceu por lá. Hospital Geral de Baltimore 3:05 a.m. Mulder dormia em uma cadeira ao lado da cama onde Scully estava. Sua mão estava levemente pousada sobre a dela. Ao senti-la se mexer, acordou e afagou os cabelos dela. —O que aconteceu? – Scully perguntou com a voz um pouco fraca – Lembro que eu estava trocando a estação do rádio quando senti um tranco e tudo escureceu, não lembro de mais nada... —Um desgraçado bateu no nosso carro... você dever ter batido a cabeça e desmaiou. O filho da mãe do motorista provavelmente estava bêbado... morreu antes que pudesse ser socorrido... —E os bebês? – Scully estava aflita —Bom, você foi trazida aqui para o hospital com hemorragia, a força do impacto causou uma ruptura na placenta e tiveram de fazer uma cesariana de emergência. Os bebês estão em encubadeiras na UTI neo- natal. Scully apertou os lábios numa tentativa de conter o choro, mas não conseguiu, lágrimas começaram escorrer em sua face. —Vai ficar tudo bem, Dana – Mulder consolava-a passando suavemente a mão no rosto dela, secando suas lágrimas - elas estão bem, são perfeitas, normais, saudáveis, só que como nasceram prematuras são pequeninas e precisam se desenvolver um pouco mais, mas logo estarão aqui em nossos braços! – ele fez um pequena pausa e continuou – eu fui vê- las, elas são tão lindas! – ele sorriu Scully esboçou um sorriso em meio às lágrimas que teimavam em cair. Depois respirou fundo para se recompor. —E com você, Fox, tá tudo bem? —Só um arranhãozinho no braço, nada de mais... – mostrou o curativo no cotovelo —Minha mãe! – Scully lembrou de repente - você já avisou ela? Nós estávamos indo lá e... —Relaxa, Dana – acariciou o rosto dela – já avisei, ela já esteve aqui... só foi embora porque insisti para que ela fosse descansar um pouco, já era tarde, mas amanhã de manhã ela volta! —Que horas são? —Três e vinte da manhã... —Você também devia ir descansar, está tão abatido! – Scully passou delicadamente a mão no rosto dele —Que nada, vou ficar aqui e você vai ter de me agüentar! – ele brincou, fazendo Scully sorrir Scully recebeu alta 4 dias depois. Como os bebês ficariam internados ainda por mais duas ou três semanas, Scully resolveu passar uns dias na casa da mãe, pois suas filhas não podiam ser transferidas para Washington e ela não queria ficar longe delas. Antes de deixarem o hospital, foram até a ala da UTI infantil para ver Samantha e Melissa. Como não podiam entrar onde estavam as encubadeiras, ficaram observando pelo vidro. Uma enfermeira mostrou quais eram suas filhas. Scully ficou emocionada ao ver as garotinhas. Eram realmente lindas, uma tinha cabelinhos escuros – Samantha – a outra, que era um pouco menorzinha, tinha cabelinhos levemente avermelhados – Melissa. Não poder senti-las, carregá-las, deixava Scully com uma tristeza sufocante em seu peito. Mulder, que estava ao seu lado, alisou carinhosamente os cabelos dela, e depois pousou a mão em seu ombro. Scully deitou a cabeça no ombro dele e não pôde evitar que algumas lágrimas escorressem em sua face. Continua...