AUTORAS: Camilla Ares & D@n@Scully E-MAILS: camilla_scully@zipmail.com.br; cris_scully@arquivo- x.com SÍNTESE: : Mulder e Scully vão investigar uma série de assassinatos ocorridos em campos de baseball CATEGORIA: shipper Baseball e Amor Sede do FBI Washington, DC 08:43 a.m. Scully estava sentada na mesa de Mulder lendo alguns arquivos, ela já estava começando a se preocupar com o parceiro pois já era muito tarde para um simples atraso. Foi quando o telefone tocou. —Scully. —Scully... sou eu. —Mulder? Aconteceu alguma coisa? Aonde você está? – perguntou preocupada —Eu estou em Michigan, assistindo a um jogo de baseball. Você precisa vir para cá, mas antes eu quero que fale com o Skinner e veja se ele já arrumou o que eu pedi! —Do que você está falando, Mulder? —Scully, eu não posso lhe explicar agora por telefone. Vá até o Skinner que ele lhe dirá tudo. —Mulder, é alguma piada de mau gosto? Você quer me dizer o que está ocorrendo? – perguntou um tanto preocupada —Scully, eu tenho de desligar agora, vá até o Skinner e peça para ele lhe contar toda a história. Eu estou te esperando ainda hoje. Tchau! Ele desligou o telefone rapidamente sem que ela pudesse se despedir. Scully estava realmente intrigada, afinal, mesmo Mulder sendo um tanto esquisito com relação aos casos que resolviam, ele jamais saía para uma investigação sem deixá-la a par de toda a situação. Ela foi rapidamente ao escritório do Diretor Assistente Skinner, e ele logo lhe explicou qual seria seu papel. —Agente Scully, eu já estava a sua espera. Acho que o agente Mulder já lhe inteirou sobre o assunto. —Ele não me disse nada, apenas pediu que eu viesse lhe procurar e que o senhor teria as explicações. – ela ergueu a sobrancelha. —Ontem quando eu me preparava para ir embora o agente Mulder me procurou e me relatou mais uma de suas fantásticas histórias sobre assassinatos ligados ao sobrenatural. Eu comecei desacreditando nas idéias dele mas um fato me chamou a atenção. O agente Mulder me mostrou uma série de reportagens onde jogadores de baseball apareciam mortos misteriosamente. A polícia não conseguiu resolver nenhum dos casos e olha que os aparentes assassinatos ocorreram em cinco cidades do estado de Michigan. Em todos eles os jogadores apareciam mortos no campo, em cima da base do lançador, devidamente trajados e asfixiados. Foi então que eu resolvi designá-los para o caso. Vocês terão de passar por um casal, mais uma vez, e o agente Mulder vai fingir que é um jogador de baseball, digamos, experiente. Vocês terão que viajar junto com o time que representa a cidade de Wayster, e seguir todos os passos de Jack Little John. Este rapaz é um forte suspeito, pois ele esteve em todos os times onde os jogadores apareceram mortos. Aqui está sua passagem, você deve juntar-se ao agente Mulder ainda hoje. – Skinner falou em um tom muito sério. —Está certo, senhor – ela saiu pisando duro. VÔO 733 COM DESTINO A WAYSTER 4:47 p.m. Scully leu as informações contidas nos relatórios oficiais. Seu nome seria Jane McWilson, esposa de Finch McWilson (Mulder). Eles estavam casados há um ano e além de jogador de baseball Finch/Mulder trabalha como analista de sistemas. Já Jane/Scully é uma esposa dedicada que abdicou de uma carreira como bancária para seguir seu marido. Eles mudaram para Wayster depois que o time local contratou Finch/Mulder para que este pudesse jogar como rebatedor pelos Waysters. Ela chegou a cidade logo ao entardecer e Mulder a estava esperando no aeroporto. Ele comia algumas sementes de girassol, vestia jeans, camiseta e usava um boné do time local. —Seja bem-vinda, benzinho!! - cumprimentou ele ironicamente. —Vamos ao que interessa, Mulder – ela suspirou —Nossa! Isso é jeito de recepcionar seu maridinho que estava louco de saudades? – ele apertou-a pela cintura e a tirou do chão. —Pára com isso, Mulder! Você andou bebendo? – ela disse furiosa —Meu nome é Finch! – ele colocou-a no chão – e não bebi nada... - saiu em direção ao carro levando a mala de Scully mas mãos. Os dois atravessaram a cidade, tarefa que foi concluída em quinze minutos. Eles encaminharam-se até a casa onde ficariam. Ao chegarem Scully ficou embevecida. A casa era muito bonita, uma cerca branca fechava a frente da mesma. Havia também um lindo gramado onde vários jasmins estavam plantados de uma maneira que embelezava ainda mais o local. Uma grande árvore estava plantada bem no meio do jardim e por um instante Scully pensou em como gostaria de ter uma vida normal. Mulder parou o carro, pegou a mala e percebeu o olhar nostálgico que a parceira lançava sobre a paisagem. —É uma casa muito bonita. Um dia... quem sabe... – ele desviou o olhar e entrou na casa. Scully fez de conta que não ouviu o que Mulder acabara de balbuciar, e entrou logo em seguida. Os móveis eram antigos, e os quadros retratavam paisagens coloniais. Ela dirigiu-se ao quarto onde ficaria. A cama era enorme, e estava coberta com um véu para impedir que os mosquitos devorassem quem repousava nela. Tudo parecia perfeito. —Bem vinda ao sonho americano! – disse Mulder com seu costumeiro sarcasmo —Como você achou esta casa e todo o disfarce em tão pouco tempo? – ela ergueu a sobrancelha —O Skinner mexeu os pauzinhos lá no F.B.I. , e você sabe que quando ele faz algo ele realmente é muito bom. Bom, eu vou ter que sair, tenho treino marcado agora pro fim da tarde. Eu deixei umas anotações sobre o Jack, em cima da mesa e eu quero que você dê uma olhada e depois me diga o que acha... ah! e hoje à noite nós temos jantar na casa do treinador. Ele fez questão de oferecer um jantar de boas vindas... – ele nem esperou pra ver a cara que Scully iria fazer com a notícia do jantar, saiu correndo e foi rumo ao campo. —Droga! – esbravejou Scully CASA DO TREINADOR WILL 09:00 p.m. —Olá! Entrem, sejam bem-vindos! – disse Will Eles entraram e o homem fez questão de guardar o casaco dos dois no armário que havia ao lado da escada. —Então você é a Sra. McWilson!? Muito prazer, eu sou o treinador Will e esta é minha esposa Mary. – ele apontou para a mulher —Muito prazer, a casa de vocês é realmente muito bonita! – disse Scully gentilmente —Obrigada! Eu que decorei! – disse Mary toda orgulhosa Eles sentaram-se no sofá e ficaram a bebericar um vinho enquanto a jantar estava sendo preparado. Conversaram sobre baseball e em como um rebatedor experiente como Finch/Mulder iria ajudar o time nesta fase de preparação para o campeonato regional. O treinador ficava lançando olhares maliciosos para Scully o tempo todo e isto fez com que Mulder se sentisse incomodado. O jantar foi servido e eles puderam deliciar-se com os pratos preparados por Joan, a jovem empregada da casa. Após a janta eles continuaram a conversa e algumas horas depois Mulder e Scully despediram-se e foram para casa. —E então, Scully, gostou do velho Will? – perguntou Mulder querendo saber se ela tinha notado os olhares do homem. —Não reparei muito nele, mas eu descobri que foi ele que fez questão de que o presidente do time contratasse o Jack. A Mary me falou que eles adoram o rapaz, e que apesar de ser introspectivo ele fez muitos amigos na cidade. – falou Scully —Como pode uma cara introspectivo fazer muitos amigos? E eu conheci o Jack, ele é do tipo que faz seu trabalho e ignora as outras pessoas! Quando eu tentei conversar com ele , ele quase não respondia as minhas perguntas, só ficava jogando a bola na parede como um menino emburrado! —É realmente estranho o fato de ele estar em todos os times onde ocorreram os assassinatos e ninguém mencioná-lo como suspeito, não acha? – perguntou Scully —Bota estranho nisso! Bom... vamos dormir que eu tenho treino amanhã cedo! – falou Mulder jogando-se na enorme cama. —Ei! Engraçadinho... seu lugar é no outro quarto! – Scully puxou Mulder da cama —Ô mulher dura na queda! – ele ficou bravo - Nem um beijinho de boa- noite? - ele fez cara de coitado. Scully jogou um beijinho no ar. —Boa noite! – ela sorriu —Chata! - ele saiu e foi para o outro quarto O dia estava começando cedo para Mulder e Scully. Eram sete horas da manhã quando o despertador tocou. Ela levantou-se, foi ao banheiro tratar de sua higiene pessoal e assim que se aprontou foi preparar o café. Mulder ficou na cama por mais alguns minutos, começou a sentir um aroma muito agradável que vinha da cozinha e resolveu levantar-se. Ele se aprontou rapidamente, colocou o uniforme de baseball (calça colada ao corpo, camisa do time, boné e tênis) e foi para a cozinha. —Bom dia, Scully! Que cheiro bom é esse? – ele perguntou cheirando o ar. —Bom dia, Mulder. Eu preparei o café, afinal um esportista deve se alimentar bem! – ela sorriu discretamente. Mulder foi até o fogão para pegar um pouco de ovo com bacon. Ele passou por trás de Scully que ao perceber que a calça que ele usava realçava, e muito, o bumbum dele, acabou pensando alto. —UAU!!! – ela disse sem querer —O que foi? – ele olhou para Scully —Nada! Por quê? – Scully percebeu a mancada —Por que você falou "UAU!" enquanto olhava pro meu traseiro, Scully? – ele sorriu —Convencido! Você fica bem nessas roupas, as mulheres da cidade devem gostar! —Você também está atraente nestas roupas comuns, Scully, especialmente esta saia mais curta que as que você geralmente usa. Os homens da cidade vão gostar de ver suas pernas. – ele sentou- se na mesa e começou a comer. Ela ficou vermelha de vergonha e sentou-se para comer também. Após o café eles seguiram para o campo onde Mulder deveria treinar. Scully fez questão de acompanhá-lo para que assim pudesse começar as investigações. Ao chegarem Scully percebeu que todas as esposas estavam sentadas na arquibancada assistindo seus respectivos maridos treinarem. —Mulheres fúteis! – ela disse baixinho Scully foi juntar-se as mulheres, e logo que chegou, Mary foi ao seu encontro. A mulher do treinador apresentou "Jane" às outras e elas ficaram papeando sobre futilidades, como o próximo episódio de Days of Our Lives, ou então sobre receitas de bolo, entre outros. Scully estava deslocada, não acompanhava novela e não sabia cozinhar muito bem, mas conseguiu disfarçar. Ela fez algumas perguntas sobre Jack , mas nem as fofoqueiras de plantão sabiam muito da vida do rapaz, elas limitavam-se a dizer que ele era um bom menino e tinha uns olhos azuis encantadores. Mulder veio correndo para onde estavam as mulheres e chamou Scully. —Olá, senhoras! – disse ele parecendo muito simpático - Será que eu posso roubar meu docinho de coco por um segundo? – ele sorriu —Claro, Finch, ela é todinha sua. Nós vamos ficar aqui te esperando pra irmos tomar um sorvete, está bem Jane? – disse Mary sorrindo —Está bem. Eu já volto! - disse Scully Quando ela desceu as escadas Mulder agarrou-a e lhe deu um tapinha no bumbum. Ela deu uma risada forçada e foi andando na frente dele, que puxou- a e segurou sua mão. Os dois saíram do campo de mãos dadas enquanto eram observados pelas mulheres que não pouparam comentários. —Que casal mais simpático! – disse Linda, esposa de um jogador —Eles são simpáticos e muito bonitos, principalmente o Finch, vocês viram que traseiro ele tem? – disse Mary soltando uma gargalhada —Assanhada! - disse Linda Mulder e Scully foram até o vestiário. Eles fuçaram nas coisas de Jack, e não acharam nada que pudesse comprometer o garoto. Scully ainda falou que era incrível como Jack, mesmo tendo um comportamento totalmente introspectivo, conseguia chamar a atenção das pessoas. Ela relatou a Mulder o que as senhoras tinham dito à respeito do rapaz e esta era a opinião geral. Um bom menino, tímido, bonito e sem nada comprometedor. —Talvez estejamos na pista errada, Mulder! – disse Scully baixando a cabeça —Não, Scully, meu faro me diz que ele é o assassino. – ele olhou para as coisas de Jack O dia havia sido cansativo, para ambos. Nenhuma pista que envolvesse Jack tinha sido encontrada. Scully estava cansada, afinal, ficar conversando com aquelas cabeças ocas foi desestimulante demais para ela. Mulder estava um bagaço. Ele teve que correr durante horas a fio, depois teve que rebater um monte de bolas e ainda ajudou o treinador a dar algumas orientações para o time. Ao voltarem para casa, foram direto para o banho e se jogaram na cama. Scully estava estirada em sua cama quando Mulder apareceu na porta. —Ai, Scully, acho que estou fora de forma... meu ombro e meu braço estão me matando! – reclamou passando a mão no ombro direito, sentando-se na cama —Deixa eu ver isso... Scully sentou-se ao seu lado e gentilmente começou a massagear os ombros dele. —Uau, Scully, você é boa nisso! —Tá melhorando? —E como... Ela deslizou o polegar pelas costas de Mulder pressionado o dedo contra a pele e fazendo um longo movimento de subida e descida. Depois pediu que ele se deitasse de bruços e continuou a massagear toda a região dolorida. Mulder fechou o olhos, envolvido pela gostosa sensação do toque suave dos dedos de Scully. Ela, por sua vez, também experimentava uma sensação muito agradável tocando as costas musculosas de Mulder. Suas mãos começaram a suar, ela tentou manter o controle de sua mente desviando o pensamento para outro lugar, mas era impossível. Estar ali com o homem de sua vida era a oportunidade que ela sempre desejou mas evitou por sete anos. – Chega de me reprimir! - ela pensou. Scully pediu que Mulder se virasse e assim que ele completou o movimento ela lançou-lhe um olhar diferente. Era um olhar cheio de desejo, de amor. Mulder compreendeu usando da comunicação que só eles possuíam. Eles ficaram fitando um ao outro como se estivessem pensando se deveriam ou não fazer aquilo. Seus rostos foram se aproximando e o beijo foi inevitável. Um beijo carinhoso, que começou suave, e foi se tornando cada vez mais intenso e apaixonado. Não conseguiam se conter, e nem queriam. Finalmente a barreira que havia entre eles fora derrubada pela força do sentimento maior que os unia: o amor. Deixaram-se guiar pelos seus corações e entregaram-se integralmente àquele momento. 08:21 a.m. Scully acordou, espreguiçou-se. Fazia muito tempo que ela não se sentia tão bem. Mulder estava terminando de se trocar, e parecia muito feliz também, exibia um sorriso e cantarolava Endless Love: My Love Meu amor There's only you in my life Só há você em minha vida The only thing that's right A única coisa que é certa —Bom dia, lindinha! – ele disse ao ver que Scully havia acordado —Bom dia, Mulder! – ela respondeu com um sorriso – Puxa, Mulder, eu nunca te vi tão animado e sorrindo logo de manhã! —É que estou muuuuuuuito feliz! E sabe por que? Porque tive uma noite M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A com a pessoa que eu amo e sem a qual minha vida não teria a menor graça! – Mulder sorriu e piscou para Scully, que retribuiu o sorriso —É tão bom ouvir você falando isso! É exatamente como eu me sinto! Ele debruçou-se sobre ela e beijou-lhe os lábios levemente. —Eu te amo, Scully! —Eu também te amo, Mulder! Eles ficaram na cama por mais alguns instantes e depois foram cuidar de seus afazeres. Mulder não teria treino neste dia e resolveu ir até a cidade onde o último assassinato havia ocorrido para tentar descobrir mais alguma coisa. Scully foi junto pois não queria ficar sozinha com medo de que alguma daquelas chatas aparecesse para jogar conversa fora. Dantecitty 12:30 p.m. Mulder e Scully foram até a delegacia falar com o xerife local para que este pudesse fornecer os dados do falecido. —Bom, agentes, isto é tudo que eu tenho. – ele entregou uma pasta que continha o resultado da autópsia e uma ficha do jogador assassinado. —Muito obrigado, Xerife. – disse Mulder apertando-lhe a mão. Eles saíram e foram até a casa onde a viúva do jogador morava. Ao chegarem no local bateram palmas diversas vezes mas só depois de uns dez minutos é que uma mulher loira, muito pálida veio atender porta. —O que desejam? – ela perguntou —É a senhora Noyce? –indagou Scully —Sim, sou eu. —Nós somos os agentes Fox Mulder e Dana Scully, queremos falar a respeito da morte do seu marido. – disse Mulder mostrando a insígnia —Eu já disse tudo que sabia para a polícia, mas eles não acreditaram. Agora me deixem em paz com minha dor. – implorou a mulher —Sra. Noyce, por favor deixe-nos entrar para que possamos conversar. – disse Scully —Muito bem... entrem! – disse a mulher abrindo a porta Sentaram-se no sofá e começaram a escutar o que a Sra. Noyce tinha para contar. —Na noite anterior ao assassinato de meu marido, ele e os outros rapazes do time saíram para beber. No bar Noyce começou a fazer piadas com o Jack e ele aparentemente não ligou. Quando eles voltavam para casa perceberam que Jack não estava na van e voltaram para procurá-lo. Eles desistiram da busca meia hora depois concluindo que ele deveria ter saído com alguma garota. Noyce estava entrando em casa quando ouviu um barulho estranho vindo dos fundos. Ele foi até lá com o taco de baseball na mão e qual não foi sua surpresa ao encontrar Jack escalando a janela do nosso quarto. Noyce gritou com ele que saiu correndo, mas foi alcançado e levou uma surra daquelas. A única coisa que Jack disse é que mais cedo ou mais tarde eles se encontrariam de novo. No dia seguinte quando o time se reuniu no campo Noyce disse que Jack não tinha um arranhão, nada! Isso o deixou muito assustado, ele contou para o Jim e para o Joseph, mas ninguém acreditou nele, julgando que ele estava bêbado demais e deveria ter delirado. Quando o treino acabou todos foram embora, menos o Noyce... aí no dia seguinte eles o acharam morto no campo! – ela limpou as lágrimas que caíam dos olhos. —Mas você não contou isso para a polícia? - perguntou Mulder —Eu contei, e eles prenderam o Jack, mas de repente, assim do nada, eles soltaram ele e limitaram-se a dizer que era impossível o Jack ter cometido tal crime! —Isso é muito estranho, não acha, Scully? —Sim, realmente é muito esquisito! Eles deixaram a casa e seguiram para Wayste, no caminho não conseguiam pensar em uma solução para o caso. Parecia uma lobotomia coletiva, ninguém duvidava do rapaz mesmo com todos os indícios apontando para ele. Entraram em casa e jogaram-se no sofá. Mulder deitou no colo de Scully, que ficou alisando-lhe os cabelos. —Você tem alguma teoria, Mulder? Ele fez um movimento positivo com a cabeça —Lembra, há muito tempo, uma manhã de Sábado em que estávamos no Bureau e eu estava vendo recortes de jornal que tinham notícias sobre baseball? —Claro! Você acabou com meu gelado de arroz integral, derrubou todo ele... —Ah, Scully, aquilo era horrível, vai, admita... minha saliva é ou não é melhor? – perguntou, sentando-se Scully respondeu que sim e deu um sorrisinho maroto. —É bem melhor... tem gostinho de semente de girassol! Mulder retribui o sorriso e trocaram um beijinho suave, mas repleto de carinho. —Então... – Mulder continuou – depois eu fui visitar o Arthur e ele me contou uma história bem interessante... Mulder contou para Scully a trágica história do pobre alienígena que se apaixonara pelo baseball e pagou caro por isso. Scully ouviu com atenção, embora não tenha dado muito crédito. —Espera aí, Mulder... quer dizer que você acha que Jack é um alienígena disfarçado de humano pra poder jogar?? —É... com um "pequeno" detalhe: ele tem de matar pessoas de tempo em tempo pra adquirir força vital para continuar sendo humano... por isso os assassinatos... e além disso ainda possui uma força persuasiva que faz com que quem lhe interesse seja seu amigo... —Teoria interessante... – foi a única coisa que Scully conseguiu dizer —Mas agora já é tarde, Scully, vamos discutir isso amanhã... – Mulder falou enquanto delicadamente beijava o pescoço dela —Humm... eu já sei o que você está querendo, seu safadinho! Mas é melhor você controlar seus hormônios, ou esqueceu que tem jogo amanhã? – falou com cara séria —E daí? Eu não sou jogador, sou agente do FBI. Pouco me importa um jogo babaca de baseball. O que eu quero é... – ele abriu os primeiros botões da blusa que Scully estava usando enquanto beijava-lhe docemente os lábios —Já que você insiste... – ela levantou-se com um sorrisinho maroto e puxou Mulder em direção ao quarto. Eles passaram mais uma noite de amor daquelas de tirar o fôlego, afinal, sete anos é muito tempo para reprimir um desejo. Quando finalmente deixaram-se levar pelo sono, já tarde da madrugada, dormiram abraçadinhos. Lá fora, no jardim, Jack estava parado, olhando fixamente para a casa. Seus olhos brilhavam como um flash de uma máquina fotográfica. Na manhã seguinte, Mulder e Scully foram para o campo onde haveria uma partida contra os Rawlings, o quarto colocado no campeonato. A partida era vital para os Waysters e por essa razão o estádio estava lotado. Mulder e Scully se despediram com um beijo rápido, ela desejou-lhe sorte, e seguiram em direções opostas. —Ei! Jane! Venha sentar-se aqui!! – gritou Mary da arquibancada —Droga! – bufou Scully baixinho - Já vou! - acenou para a mulher Ela sentou-se junto as outras esposas que reclamavam da abstinência a que eram submetidas na época de campeonato. —Você não acha injusto, Jane? Eles que jogam e nós que sofremos! – gargalhava Mary —O Finch não tem problemas em guardar energia. Ele até prefere que façamos... vocês sabem, para que ele possa ter um melhor desempenho na partida. – disse Scully sorrindo —Mulher de sorte você é! Seu marido, além de maravilhoso, é um colosso, se é que me entende! – ela cutucou o braço de Scully —Pois é... eu tive sorte! Se é que me entende. – disse Scully cutucando a mulher de volta. A partida havia começado e os Waysters estavam na frente. Mulder estava se saindo muito bem para um amador, até que numa corrida entre uma base e outra escorregou e distendeu o nervo da coxa. Jack entrou em seu lugar. Scully desceu correndo para o vestiário e assim que se viu sozinha com Mulder pôs-se a examiná-lo. —Eu estou bem, Scully! – disse ele gemendo de dor —Estou vendo que você está "ótimo"! É uma distensão neste nervo aqui. – ela apertou o nervo. —AI!!! O que você pensa que está fazendo? – berrou o pobre Mulder —Estou colocando o nervo no lugar. Agora você vai ter que ficar sem fazer exercícios durante algum tempo. – disse ela fazendo cara de médica. —Então nada de... – fez cara de cãozinho sem dono —Infelizmente não, nada de noitadas, por enquanto! – respondeu acariciando o rosto dele. Mulder tomou um banho e foi embora sem nem esperar o resultado do jogo. Ele ligou para Skinner e relatou tudo o que havia descoberto. Contou também de seu machucado e da impossibilidade de juntar-se ao time pelo menos durante uns dois dias. Skinner disse para que eles continuassem a investigação e que não se preocupassem pois as coisas no Bureau estavam calmas. Assim que Mulder desligou o telefone a campainha tocou, era Will e Mary querendo saber como ele estava. A visitinha "rápida" do casal durou exatamente duas horas, e assim que Days of Our Lives ia começar eles saíram apressados pois Mary não queria perder este capítulo. —Bom, Finch, te vejo daqui a dois dias! O próximo jogo é em Wasboore e depois da vitória de hoje acho que temos uma grande chance de irmos para a segunda colocação no campeonato. —Vamos, Will, hoje o Dr. Drake Moroe vai beijar a Sheila Hill e eu não posso perder!!! – Mary puxava o marido —Até mais... – disse o treinador que era literalmente levado pela esposa. Mulder e Scully passaram o resto da noite namorando e foram dormir cedo, pois ele estava com muita dor na perna. No dia seguinte Mulder já se sentia melhor e até ajudou Scully com as tarefas domésticas. Ficaram "de molho" aquele dia para que ele pudesse se recuperar totalmente. Receberam algumas visitas de alguns jogadores do time e foram dormir para na manhã seguinte partirem para Wasboore. Entraram no ônibus e sentaram-se perto de Jack. Scully estava lendo um livro sobre nanotecnologia e o rapaz pareceu interessado no assunto. —Você se interessa por nanotecnologia? – perguntou Jack espantado —Mais ou menos... eu ganhei este livro de um primo meu que é cientista. Você conhece alguma coisa relacionada ao assunto? – indagou Scully espantada por Jack estar puxando assunto. —Já ouvi alguma coisa a respeito, mas acho que é algo que está muito distante do conhecimento humano. – disse o rapaz baixinho Mulder escutava a conversa e resolveu se intrometer. —O que estão conversando? – fingiu não saber do que falavam —Jack se interessa por ciência. – respondeu Scully —Você acredita em vida extra-terrestre, Finch? – perguntou Jack em mais nem menos. —Particularmente, acho isso uma bobagem. Onde já se viu discos voadores e homenzinhos verdes... isso pra mim é coisa da televisão. – disse Mulder —E você, Jane, acredita? – insistiu o rapaz —Eu acredito que não estamos sós, afinal seria um desperdício com tanto espaço vago por ai. – Scully mentia descaradamente —Eu também acho pouco provável estarmos sós. Mas o ser humano é muito burro e vai demorar muito pra conseguir desvendar todos os mistérios que estão por aí! —Você acha o ser humano burro? – perguntou Mulder —Sim, eu acho, afinal pra que um cérebro tão grande se apenas 10% dele é usado?- disse Jack num tom no mínimo estranho —Você tem razão, o ser humano é burro mesmo... – concordou Mulder, cortando o assunto. A viagem durou três horas e ao chegarem na cidade de Wasboore eles foram direto ao hotel onde ficariam hospedados. Mulder e Scully instalaram-se em seu quarto. Enquanto Scully foi tomar um banho, Mulder saiu para uma reunião com o time. Ao chegar, Mulder notou que Jack não estava e perguntou por ele. Will disse que ele não estava se sentindo bem e pediu para ficar no quarto descansando. Ao sair do banho, Scully, já trocada, sentou-se na cama e ligou a televisão. Começou a assistir a um documentário sobre a vida no fundo do mar e acabou adormecendo. A televisão estava fora do ar quando acordou. Ela olhou no relógio e viu que já era muito tarde. Começou a ficar preocupada por Mulder não estar no quarto, pegou sua arma e saiu pelo hotel a procura dele. Ela desceu até o saguão e perguntou para alguns dos funcionários se eles por acaso tinham visto Mulder ou alguém do time de baseball, mas todas as respostas eram negativas. Ela resolveu voltar para o quarto e esperar por mais alguns minutos. Ao entrar notou que a televisão havia sido desligada, ela sacou a arma. —Mulder? Você está aí? – ela perguntou quase gritando Scully estava apreensiva, não obteve resposta para sua pergunta, mas ela estava com o pressentimento de que algo estranho estava no ar. Ela foi andando devagar até o banheiro. Parou em frente a porta e chamou por Mulder novamente. Mais uma vez o silêncio foi a resposta. Scully abaixou a arma e quando caminhou em direção a cama ouviu um barulho vindo da janela. Ela debruçou-se sobre o parapeito e qual não foi sua surpresa ao ver Jack escalando sem muita dificuldade a parede do hotel. Ao presenciar tal cena, Scully correu para alcançar o elevador que já estava fechando as portas. Chegou ao saguão e saiu correndo até o gramado que dava na piscina. Os funcionários do hotel ficaram sem entender nada. Jack corria muito e sua velocidade era espantosa. Ele pulou a cerca e continuou no mesmo ritmo até chegar na rua, onde sumiu ao dobrar uma esquina. Scully bem que tentou mas foi impossível alcançar o rapaz. Ela então usou de sua inteligência e tratou de pensar para onde ele estaria indo. —O campo de baseball !! Como não pensei nisto antes? – ela disse para si mesma Scully parou um táxi e ordenou que o mesmo se dirigisse para o campo de baseball local. O táxi fez cara feia por uma mulher estar falando grosso com ele, mas logo afinou ao ver a insígnia do FBI na sua cara. O motorista tratou de correr o máximo que seu limitado veículo conseguia e assim que parou na frente do estádio Scully falou para que ele a esperasse naquele local. Mulder estava em uma espécie de transe. Seus olhos estavam parados e seu rosto não possuía nenhuma expressão. Ele se encontrava vestido a caráter para uma partida e estava sentado no banco como se estivesse pronto para entrar a qualquer momento. Jack correu para encontrá-lo. O rapaz pronunciou algumas palavras e Mulder se levantou e foi andando até o meio do campo, e ficou lá parado como se estivesse se preparando para uma jogada. Os olhos de Jack brilharam novamente só que agora todo seu corpo estava envolto por uma luz muito forte. Ele levantou as mãos para os céus como se invocasse alguma entidade e quando a luz ficou mais intensa ele apontou em direção a Mulder que saiu do transe e começou a sentir que o ar lhe faltava. Foi quando Scully apareceu. —Pare onde está ou eu atiro! – ela gritou apontando sua arma —Faça o que deve fazer, Dana Scully. – disse Jack com uma voz muito grossa Scully não pensou duas vezes, ao ver que Mulder havia desmaiado ela deu dois tiros no garoto que caiu no chão sorrindo. A luz que o envolvia foi ficando mais e mais fraca até se dissipar totalmente. O corpo de Jack ficou lá estendido, com um sorriso estampado em sua face. Scully correu na direção de Mulder. Ajoelhou e verificou o pulso dele. Constatou que ele não estava respirando. A possibilidade de ter chegado tarde demais a deixou desesperada. Começou a fazer massagem cardíaca e respiração boca a boca. —Vai, Mulder, reage!! Reage, Mulder!! – ela pedia quase chorando Quando ela conseguiu reanimá-lo, acariciou-lhe o rosto e beijou-lhe suavemente os lábios. Embora um pouco atordoado, ele foi capaz de andar apoiado em Scully até o táxi que os levou ao hospital. HOSPITAL NEUFIELD 9:00 a.m. Mulder estava dormindo. Ele tinha ficado em observação por exigência de Scully. Ela havia ficado todo o tempo junto dele. Skinner ao tomar conhecimento do acontecido tratou de ir ver Mulder no hospital. —Bom dia, agentes! – disse Skinner entrando no quarto —Bom dia, senhor! – disse Scully arrumando o cabelo que estava desalinhado devido a noite mal dormida. —Olá, Skinner!!! – Mulder cumprimentou muito bem humorado —Então... vocês podem me dizer o que aconteceu? – perguntou Skinner —É uma longa história, senhor. —Eu tenho tempo para ouvi-los, agente Scully, alguém se habilita? —Bom... – Mulder começou - como suspeitávamos, Jack Little John era mesmo o assassino. Ele tinha o poder de manipular a mente das pessoas para que pudesse continuar com seus assassinatos. Jack induzia um estado hipnótico em suas vítimas e através de um poder em forma de energia, ele as asfixiava roubando-lhe sua essência vital para assim poder continuar aqui na Terra . —Agente Scully, tem uma explicação menos fantástica para o ocorrido? – perguntou Skinner olhando sério para Mulder —Na minha opinião, Jack Little John desenvolveu a habilidade de controlar a mente humana através de um processo hipnótico telepático. Seu perfil era de um psicopata, pois ele raramente se comunicava e apesar de possuir alguns amigos nas cidades por onde andou, jamais se mostrou íntimo de nenhum deles e nem teve nenhum relacionamento amoroso. Somente dois fatos vão ficar sem respostas: a luz que eu vi saindo do corpo dele e a razão pela qual ele me levou até o campo para que eu o matasse... – relatou Scully levantando a sobrancelha. —Eu sei a resposta! – disse Mulder sorrindo —Ah, é? Então me responda essa, "doutor sabe tudo"! – desafiou Scully —É fácil! Jack no fundo não tinha uma má índole. Ele só queria jogar baseball como o outro alienígena daquela história que eu te contei, Scully. Só que Jack teve uma condição para permanecer por aqui: roubar a energia vital dos seres humanos. Talvez ele tenha se cansado deste planeta e esta foi a maneira que ele achou de voltar. – Mulder fez cara de inteligente —Você já pensou em escrever ficção científica, Mulder? – perguntou Skinner saindo do quarto com cara de desgosto Mulder e Scully deixaram o hospital ainda naquela manhã e partiram rumo a Washington. Duas semanas depois Scully recebeu uma carta de Mary convidando-os para visitá- los no próximo feriado, afinal ela nunca teve uma amiga que fosse do FBI. Scully jogou a carta no lixo junto com as outras cinco que Mary já havia mandado desde que soubera que ela e Mulder eram agentes do FBI. Ela foi para seu quarto e percebeu uma mala enorme jogada em cima da sua cama. Mulder saiu do banheiro com uma toalha enrolada na cintura. —Oi! Já chegou? – ele deu um beijinho nela —Já! De quem é esta mala? – Scully perguntou —É minha ! —Não me diga que vamos ter que viajar... —Não! Eu trouxe algumas coisas minhas para cá, afinal, eu passo mais tempo aqui do que no meu apartamento... – ele sorriu —Hummm.... acho que estamos caminhando bem rápido, não acha? – ela abraçou-se a Mulder —Rápido? Nós demoramos sete anos pra chegar até aqui! – ele beijou- lhe a testa —Bom... então o jeito é aproveitar! – ela jogou-o na cama —Sua safadinha!!! – ele beijava-lhe o pescoço enquanto ela retirava a toalha da cintura dele 5 meses depois O namoro de Fox Mulder e Dana Scully ia de vento em popa. Decidiram que no Bureau o relacionamento deles continuaria a ser unicamente profissional, embora isso fosse muito difícil. Às vezes não resistiam e trocavam alguns beijinhos furtivos quando estavam sozinhos no escritório ou no elevador. Mas eram discretos, sabiam que poderiam ser separados por isso, o que não queriam de forma alguma. O único no FBI que sabia do envolvimento deles era Skinner, que como fazia na maioria das vezes, os apoiava. Apenas pediu para que fossem cautelosos. Os agentes aproveitavam para namorar no fim de semana, quando normalmente não trabalhavam. Faziam como qualquer casal: iam ao cinema, jantar fora, dançar... Quando estavam muito cansados, alugavam alguns filmes e assistiam no apartamento da Scully, por ser mais ajeitadinho. Pela primeira vez depois de muito tempo trocaram presentes no dia 14 de Fevereiro, Dia dos Namorados. Mulder fazia de tudo para ser um namorado exemplar, tanto que presenteou Scully com uma linda cesta de café da manhã no dia do aniversário dela. Enfim, estavam mais felizes do que nunca. E continuavam firmes na incessante busca pela verdade, afinal não era porque estavam juntos de forma mais... íntima, digamos assim, que as conspirações alienígenas, atividades paranormais ou fenômenos inexplicáveis deixariam de existir. Fim