ALIUD EST CELARE, ALIUD TACERE (ANTE ACTA) AUTORA: Kessia Nina E-MAIL: shipperx@gmx.net DISCLAIMER: Os nossos queridos personagens não pertencem a mim. Pertencem a Chris Carter e a Fox e principalmente a Gillian Anderson e David Duchovny que dão uma vida muito especial aos agentes mais interessantes de toda a história. SPOILERS: Eugene Tooms volta a atacar, O vidente (Beyond the sea), Homens Mariposa (Detour), Nunca Mais, Fight The Future, Alpha, O Anti-natural (The Unnatural) CATEGORIA: MSR (shipper!), Scully/Outro (é só um pouquinho, mas faz parte da história) NOTA DA AUTORA: O título desta história está em latim e significa Uma coisa é ocultar, outra é calar (Antes do Ato). Estou escrevendo uma outra história com título em latim e gosto bastante deles. Talvez escreva mais com esses títulos diferentes. Outra coisa é que resolvi escrever do ponto de vista do Mulder. Geralmente leio histórias em que quem é o personagem principal é a Scully. Quis mudar um pouquinho. Espero que vocês gostem. RESUMO: Mulder decide mandar flores para Scully. ----------xxx-------------- O parque estava bastante verde. As chuvas daquela época do ano realmente fizeram efeito. O cheiro de natureza encheu o pulmão de Mulder. Até parecia que a vida era perfeita. Como a natureza podia fazer com que se sentisse tão bem de repente? Estava correndo há uma hora. Precisava correr mais regularmente. Já estava começando a sentir sua barriga despontando para a frente, apesar de não exatamente vê-la assim. O suor escorria pela sua testa e sua camiseta já estava toda molhada. Estava correndo sem rumo agora. Ao sair de casa era para correr no parque, mas agora percebeu que até correndo ia atrás de Scully. Percebeu que já estava bem próximo de sua casa. Mas não ia parar. Era domingo e Scully provavelmente estava ocupada fazendo alguma coisa sozinha. Não queria companhia. Não precisava de companhia. Ainda mais a dele. Sorriu ao pensar em Scully. Ela era única. Principalmente porque foi a única pessoa que até hoje permaneceu mais tempo com ele e que nem reclama muito. Tudo bem que eles têm suas briguinhas, mas nada muito preocupante. Na verdade não são brigas, mas discussões. E sempre a respeito do trabalho. Exceto uma vez que ele se lembrava agora, onde Scully percebeu algumas coisas no trabalho. Tal como: ela não tinha uma mesa para ela. "É incrível como as mulheres brigam por besteiras." Pensou ele. "Mas até que ela tinha razão. Ela vive sempre atrás de mim. Mas eu gosto. Gosto de tê-la sempre por perto." Scully era sem dúvida a pessoa mais inteligente que havia conhecido. "Se ela é tão inteligente como estou falando, porque diabos ela continua sendo minha parceira?" Quando percebeu já estava entrando na portaria do prédio de sua parceira. Correu um pouco mais até o elevador, checou como estavam as coisas em baixo do seu braço [aceitável, até que seu desodorante fazia o efeito prometido] e subiu. Ainda correndo, dirigiu-se até a porta e tocou a campainha. Um homem alto, mais alto do que ele próprio, vestido com short de jogador de tênis e olhar pretencioso atendeu à porta. Mulder olhou para o número do apartamento e confirmou que era mesmo o de Scully. Mas quem era aquele homem? "Scully está?" "Sim." Disse o homem dando passagem para que ele entrasse. "Está no banho." Mulder sentou na poltrona e o homem no sofá. "Sou o parceiro dela." "Mulder, eu presumo." Mulder somente concordou com a cabeça. Quem era aquele homem? Por que ele estava na casa de Scully em pleno domingo? E como é que sabia seu nome? Scully já tinha contado isso a ele? Percebendo o olhar de Mulder, o homem falou. "Henry Geller." "Prazer." O que aquele homem estava fazendo ali? Esperando Scully tomar banho? Será que dormiram juntos? O clima não estava muito bom na sala e Mulder, parecendo um adolescente, dirigiu-se à cozinha. Queria mostrar que era *muito* amigo de Scully e que tinha total liberdade na casa dela. Henry somente olhou para ele. "Quer alguma coisa daqui, Henry?" Gritou da cozinha, enfatizando o nome de Henry. "Não, obrigado. Já estamos de saída." Aquilo matou Mulder por dentro. Por que Scully não falara sobre esse homem antes? Precisava fazer alguma coisa a mais para que homem percebesse que não tinha espaço na vida de Scully. "Não acredito que estou fazendo isso!" Pensou Mulder. Foi até seu quarto. Tropeçando propositalmente no meio do caminho para chamar atenção do tal sujeito. Ao chegar, viu a roupa em cima da cama. Também short e blusinha de tênis. Nunca tinha visto Scully de shorts. Já tinha visto nua, mas não de short. Sorriu ao lembrar-se de sua parceira nua. Fora num momento de desespero, mas ainda tinha a imagem bem guardada em seu cérebro. Num lugar intocável. "O que está fazendo aqui, Mulder?" Ele assustou-se com sua voz. Apesar da pergunta, ela não parecia incomodada pela presença dele ali. Estava de roupão e cabelos já secos. Sempre secava os cabelos, no entanto Mulder imaginava que ela os secasse na cama. "Nada. Estava correndo e resolvi fazer uma visita." "Veio correndo do seu apartamento até aqui?" Ela perguntou com os olhos bastante arregalados. Era uma boa distância de Alexandria até Georgtown. Ele concordou. Percebendo seu olhar, o qual já conhecia há muito, falou. "Henry vai me ensinar a jogar tênis. Já que esse é um domingo livre, coisa rara hoje em dia, resolvi aprender." "Sei." Mulder murmurou. Não queria admitir, mas estava com ciúmes. Como ela poderia traí-lo daquela forma? Como ele não sabia desse Henry? "Quem é Henry, Scully?" Ela já estava no banheiro se vestindo. Apesar da intimidade reservada a Mulder, não vestia-se na frente dele. "Lembra quando você falou que conversava na Internet? Até que conheceu aquela mulher fascinada por cachorros?" Gritou ela do banheiro, mas não muito alto. Somente o suficiente para Mulder ouvir. "Lembro." "Pois é. Eu estava navegando um dia e resolvi imitar você." Mulder só não se xingou mais porque não existiam mais palavrões. Como poderia ter dado o exemplo a Scully? Agora ela estava indo se encontrar com um homem que conhecera na Internet. Foi até a porta do banheiro e ainda viu Scully vestindo a blusa. Estava linda naquele uniforme. "Scully, não pode simplesmente sair com alguém assim. O que sabe sobre esse homem?" Tentou disfarçar. "Nós já nos encontramos antes, Mulder." Já tinham se encontrado? Mas como poderia ser tão estúpido? "O que ele faz da vida? Não é nenhum psicopata, é? Eu sei reconhecer essas pessoas." "Não creio, Mulder. Ele é médico pediatra. Já foi casado uma vez, mas sua esposa morreu." "Vai ver que ele a matou." Disse ele cruzando os braços e encostando na porta. Scully olhou com raiva pra ele. Só agora percebera o que Mulder estava fazendo. "Ela morreu num acidente de carro." Ela saiu do banheiro e seguiu até a sala. Até que gostava de fazer Mulder sentir-se abandonado de vez em quando. Ele já fizera incontáveis vezes com ela. "Henry. Desculpe a demora. Já conheceu meu parceiro Mulder?" Ele balançou a cabeça. Mulder não queria admitir, mas apesar da presunção, o tal do Henry parecia ser uma boa pessoa. E aquilo fazia com que se sentisse pior, e se Scully se apaixonasse por ele? Ela virou-se para ele. "Já estou saindo. Quer ficar?" "Não. Tenham um bom dia." Disse ele antes de passar pelos dois e ir para as escadas correndo. "O que há com ele?" Perguntou Henry percebendo a reação de Mulder. "Acho que não está acostumado que eu veja outras pessoas a não ser ele mesmo." --------xxx----------- Mulder estava novamente sentado no Casey's. Aquele já era seu ponto quando estava deprimido. Sempre ia ali para beber, mesmo pela manhã, quando sentia que as coisas não estavam muito boa para o seu lado. O ciúme o corroía por dentro. Demorou tanto pra dizer a Scully como se sentia que ela já estava arranjando homens pela Internet. Se arrependimento matasse, ele com certeza estaria morto. Ou seja, teria literalmente inventado algum caso para que eles solucionassem. A idéia veio. Iria inventar um caso. Ainda era manhã e pelo menos não deixaria que Scully passasse o resto do dia com aquele tal de Henry. Sacou dinheiro do seu bolso, pagou as bebidas e seguiu para casa. Tomou banho, colocou um terno bonito e uma de suas gravatas engraçadas. Pelo menos Scully iria reparar nele e fazer alguma piadinha. Ligou para ela antes mesmo de inventar o suposto novo caso a ser solucionado. Um olhar maroto saía de seus olhos e ele estava feliz por poder fazer isso. Não ia permitir que Scully continuasse vendo Henry. O pior podia acontecer: ela podia se apaixonar por ele. Esse pensamento não saía da sua cabeça. "Scully." "Scully, sou eu." "Mulder!" Ela não parecia muito feliz em ouvir sua voz, mas preocupada. "Acabei de receber um e-mail de Skinner e ele quer que investiguemos um assassinato." Após alguns segundos de silêncio. "Scully? Ainda está aí?" "Estou, Mulder. E não vou cair no seu papo." Ela desligou. Na sua cara. Sem mais nem menos. Ele ficou olhando por alguns minutos para o telefone sem saber o que falar. Estava todo arrumado pra nada. E Scully desligara o telefone na sua cara por causa de um tal de pediatra chamado Henry. A única coisa que podia fazer agora era ver televisão. Tirou o blazer e jogou no chão com raiva. Raiva de si mesmo por ser tão lerdo e difícil. Scully estava seguindo sua vida e ele devia fazer o mesmo. Ligou a televisão e a primeira propaganda que viu dizia: "Quer conquistar aquela pessoa muito especial? Então a presenteie com flores! Ligue para 555-0496 agora mesmo e faça o seu pedido." A idéia efetivamente passou pela cabeça de Mulder. Nunca havia mandado flores para uma mulher. Nunca. E pensou em mandar para Scully! Como poderia? Ia simplesmente dizer tudo o que sentia por ela. E se ela já estivesse apaixonada por Henry? Ia parecer um idiota. "Mas sempre tenho a possibilidade de dizer que foi uma brincadeira. Ela sabe que sou 'Spooky'!!!" Pensou ele antes de pegar o telefone. "Flores Apaixonantes! Em que posso ajudá-lo?" "Gostaria que fosse entregue um buquê de rosas vermelhas ainda hoje pela manhã. É possível?" "Perfeitamente, senhor." Eles continuaram falando, arranjando os detalhes da entrega e pagamento. Ao desligar, Mulder se arrependeu e ligou novamente para a floricultura. "É... Eu..." "Não foi o senhor que acabou de ligar, senhor Mulder?" "Sim." "O que foi? Quer mudar seu pedido?" Por um momento ele pensou seriamente em cancelar tudo, mas desistiu. Ela provavelmente já tinha percebido o que ele sentia por ela. Ele já ocultara seus sentimentos por muito tempo. Não ia calar-se agora. "Não. Ele continua. Mande mais um buquê." ----------xxx-------------- Incontáveis horas se passaram e Mulder sem conseguir fazer nada a não ser assitir a seus filmes pornôs. Olhava para o relógio a cada minuto e a angústia tomava conta do seu ser. Os filmes já nem faziam mais o efeito desejado. Ele não via Scully neles. Seu pensamento estava somente no que Scully estava fazendo àquela hora com um homem que não ele próprio. Após o que pareceram ser mil anos, mas somente quatro horas, decidiu sair e jogar basquete no parque. Quem sabe não encontrava alguns desses garotões jogando por lá? Vestiu uma bermuda e uma camiseta verde escura velha e foi ao parque. Já não sentia mais nada ao ver o verde das árvores. Todo aquele sentimento se dissipara. Finalmente encontrou alguns meninos de seus 17 anos jogando na quadra do parque. Ao verem que Mulder estava chegando, o chamaram. "Estamos precisando de mais um, quer jogar?" Gritou um deles. Mulder pulou a cerca e correu em direção aos garotos. O jogo estava interessante, mas os meninos tinham que ir embora. "Para um cara da sua idade, você joga muito bem e corre bastante!" Disse um deles antes de saírem. "Para um cara da minha idade." Pensou Mulder. Será que estava tão velho assim? Já estava aparecendo no seu rosto. Seguiu para o Casey's novamente. A lembrança do buquet de flores chegou à sua mente e ele estava com vergonha do que Scully ia falar. "Não devia ter mandado nada." Ficou no bar até anoitecer. Já não estava no seu estado são de consciência quando resolveu sair. Foi andando calmamente pelas ruas sentindo a chuva que caía cortando-lhe o corpo. Ao chegar em seu apartamento, estava todo molhado. Completamente. Deveria trocar de roupa imediatamente antes que pegasse uma pneumonia. Já podia até sentir seus pulmões reclamando [estava mesmo bêbado]. Demorou um pouco até conseguir encaixar a chave na fechadura. Tropeçou em seu próprio pé e quase caiu ao apertar o botão do interruptor. Ao virar, viu Scully sentada com as mãos nas pernas no sofá olhando seriamente para ele. "Vejo que não está em condições de conversar." Ela levantou- se, pegou seu casaco e dirigiu-se até a porta para ir embora. "Não vá, Scully. Só preciso de 20 minutos e de um banho." Ela o fitou, aceitou e voltou ao sofá. Mulder demorou exatos 20 minutos no banho. Tempo necessário para que ficasse sóbrio. Ao voltar à sala, estava vestindo calças de flanela já para dormir e uma blusa de um antigo time de futebol. Agora que podia ver Scully claramente percebera seu rosto. Estava feliz. Podia ver e sentir. Depois de tantos anos juntos podiam dizer exatamente o que queriam somente pelo olhar. Podia ser boa ou ruim essa característica deles. Ela estava vestida com uma calça preta e blusa com decote em V branca. Seu casaco fora novamente colocado a seu lado. Estava encostada no sofá pensando com os olhos fechados quando percebeu a presença de Mulder na sala. "Exatos vinte minutos, hein?" "É só o que preciso para tirar todo o álcool do corpo." Ele sentou-se na cadeira do seu computador. Bem próximo a Scully. Próximo o suficiente para sentir seu perfume. Pelo que Mulder lembrava, ela queria conversar. Mas como sempre, Scully era muito reservada quando se tratava de sua vida pessoal. Aproveitara que estava bêbado para sair e não tocar no assunto que a levara à casa de Mulder, mas ao seu pedido, teve que ficar. "E então? Sobre o que quer conversar, Scully?" "Ah! Não é nada muito importante. Acho melhor você dormir um pouco. Deve estar cansado." Tentou disfarçar inutilmente. "Não estou cansado. Já disse que estou bem." Ele percebeu que ela estava nervosa e que se deixasse que a conversa iniciasse a partir dela, não iriam muito longe. Apesar do medo de sua resposta, arriscou perguntar. "Como foi o dia com Henry?" "Bom. Interessante. Diferente." Três adjetivos. Três adjetivos para descrever um dia com um outro homem. Não era coisa boa. Se tivesse sido bom mesmo, ela provavelmente contaria algo com mais detalhes. "Só isso? O que vocês fizeram?" Ela estava obviamente desconfortável ao falar daquele assunto com Mulder. Ele podia ver pelo modo com que mexia as mãos e mudava de posição a cada segundo no sofá de couro preto. "Jogamos tênis. Mas descobri que sou péssima jogadora." "Sério?" Ela concordou somente com a cabeça. Mulder percebeu que a conversa não estava indo a lugar nenhum. Resolveu arriscar mais alto. Apesar de saber que não era um bom jogador, sua vida agora estava em jogo. "Recebeu meu presente?" Ela subitamente virou seu olhar para encontrar com o dele. Ficaram a se olhar por alguns instantes até que ela falou séria. "Recebi." Assim que respondeu, virou seu rosto para suas pernas rapidamente e voltou à posição inicial. "Qual a ocasião? Não vai me dizer que é presente de aniversário atrasado ou muito adiantado, não é?" Mulder percebeu uma pontinha de cinismo e também de curiosidade. Ele podia sentir que ela queria saber a qualquer custo o porquê das flores. "Não. Só fiquei me sentindo meio por fora quando você desligou o telefone na minha cara." Seu olhar pedia desculpas por aquele gesto impensado. "Tudo bem. Realmente não era nenhum caso." "Por quê, então?" "Estava vendo televisão e vi o anúncio. Nunca tinha mandado flores a ninguém e resolvi mandar pra você. Tem algum problema? Você não gostou?" "Adorei, Mulder. Muito. Nunca tinha recebido flores de ninguém antes." "Achei que fosse gostar." Alguns segundos se passaram sem que nenhum dos dois falasse alguma coisa. Ambos sabiam da verdade, mas nenhum tinha palavras suficientes para falar tudo o que sentiam. Seus olhos eram seus lábios. Eles falavam para os dois toda a verdade. Seus olhares se encontraram e eles leram toda a mensagem ali escrita. Mulder levantou-se da cadeira e sentou-se ao lado de Scully. A mão dele repentinamente em seu cabelo a fez estremecer. E isso foi mais do que suficiente para que ele falasse tudo o que estava na sua cabeça há mais de cinco anos. "Por que você está aqui, Scully?" "Por que queria conversar com você." "Não. Não é disso que estou falando. Acho que já sabe porque estou *do seu lado*. Já disse muitas vezes. Agora quero saber por que *você está do meu lado." Ele sabia que era difícil para Scully demonstrar qualquer sentimento. Ele já havia flertado inúmeras vezes com ela. Mas só recordava de duas altas e claras que ela flertou com ele. A primeira foi logo quando se conheceram quando ela disse que não se colocaria na linha de fogo por ninguém a não ser ele. E depois, cinco anos após a primeira vez, quando ele mencionou sobre ficar com outra pessoa nua num saco de dormir e ela falou que se chovessem sacos de dormir, ele teria sorte. Ambas as vezes fizeram-no se sentir incrível. Não era fácil fazer aquela ruivinha demonstrar seus sentimentos. Lembrou-se também de quando seu pai morrera e ela recusava-se a chorar na frente dele. Ainda esperava pela resposta. Sabia que ela estava pensando na melhor resposta para dar. Sempre racional. Até em se tratando de sentimentos ela era cética. Esperou pacientemente. "Porque eu não posso ficar ao lado de mais ninguém, Mulder." Ele pegou na linha do seu rosto e ela sorriu. Não precisava mais nada. Nenhuma palavra, só gestos e olhares. Ele inclinou-se e beijou-lhe carinhosamente nos lábios. Ela extremeceu ao toque que tanto esperara por todos os anos juntos. "Por que mandou as flores, Mulder?" "Sinceramente não sei. Acho que estava com..." "Ciúmes." "Acho que pode dizer isso, Scully." Ele não queria dar tanto o braço a torcer assim. "Acha?" Ele concordou. "Não sei se você quer saber, mas não estava acontecendo nada entre mim e Henry. E ele sabia sobre você." Ela afastou seu rosto um pouco do dele para ver sua expressão. "Sabia sobre mim? O quê?" "Dos meus sentimentos em relação a você." Ele arregalou os olhos e mordeu seu lábio inferior. "Ele me contou o que você fez na cozinha e no quarto." Ela sorriu ao imaginar Mulder tentando fazer ciúmes em Henry. Ele também sorriu. "Mas tenho que admitir que gostei de ter feito você se sentir assim." "Por que?" Ele chegou mais perto dela e a abraçou. "Porque eu já me senti assim inúmeras vezes." Palavras não eram mais necessárias. Eles continuaram abraçados. Precisavam sentir um ao outro por completo. Mas isso levava tempo. Tempo que eles estavam mais que dispostos a fazer durar mais tempo ainda. ----------- the end ------------ Acho que alguns vão achar que essa história ficou meio no ar. Tanto o início quanto o fim, mas sei lá. Senti vontade de escrever uma bem melosinha assim. Acho, no entanto, que alguns vão gostar justamente por ser meio melosa. De qualquer forma, quero desesperadamente feedback, tanto da facção que não gostou quanto da que gostou!!! Toda vez que recebo feedback passo o resto do dia feliz. E lembrem-se, eu sempre aviso no início do que você vai encontrar aqui. Então não me culpe se você leu o que não quis (shippermente falando.)