Título: About Us Autoras: Lyze Starbuck ; CamiScully e-mail : macielj@zaz.com.br / Camilla_Scully@zipmail.com.br sinopse: continuação de Missing Child Bill passou as costas do braço sobre o vidro dianteiro do carro. Já fazia uma hora que ele estava dirigindo. O carro ele tinha alugado no aeroporto de Nova York. Ele desejou que sua mulher e filho estivessem acompanhando ele naquela viagem, mas era impossível, já que os motivos que o levavam ali não tinham nada de prazerosos. A melhor parte da viagem, no entanto, seria a de que Bill veria Maggie depois de um longo tempo. Quando ele ligou para ela comunicando da viagem, a mãe ficou muito feliz, embora não tenha entendido porque ele não levava a família. Finalmente o carro estacionou em frente a casa de Mag. Ao sair do carro trancou a porta do lado do motorista e caminhou em direção a porta. Bill estava a menos de dez passos da porta da frente de casa quando escutou um carro se aproximando com as luzes apagadas. O homem carregando a pasta teve tempo suficiente para pressioná-la contra o peito. Mas isso não evitou que uma rajada de balas do interior do veículo a sua frente perfurasse a estrutura de couro e que ele caísse no chão se debatendo de dor. As luzes no interior da casa foram acesas, não só na casa de Mag, como nas casas vizinhas e as pessoas começaram a sair de dentro de suas casas fazendo um círculo ao redor do corpo estendido na calçada fria. O carro que atingiu Bill já tinha sumido na escuridão. Primeira Parte O silêncio dera a tônica do momento vivido por Mulder e Scully. Nenhuma palavra foi dita durante toda a noite e nem podia ser diferente, em uma relação caracterizada muito mais pelo que não é dito do que pelo que é. A respiração pesada e a dança dos corpos sobre a cama produziam os únicos barulhos dentro quarto escuro, iluminados somente por um fino veio de luz que passava indiscreto pelas cortinas. O desejo era maior do que a lógica ou do que o sonho. Alheios ao mundo lá fora, pela primeira vez os dois agentes entregavam-se as sensações físicas e se comportavam como exploradores um do outro. Como jovens aprendendo a amar. Scully fechou os olhos e sentiu os lábios de Mulder contra sua pele alva. A escuridão ajudava a ela afastar seus medos mais íntimos e seus pudores. Ela não resistiu em ver a face do homem que a possuía e tocou gentilmente os lábios de Mulder com a ponta dos dedos e pela primeira vez desde que cedera aos encantos do parceiro viu seus olhos brilharem como estrelas, ela não contentou-se somente em vê-los e precisava suga- los, precisava sentir seu hálito, sua respiração. Ela assim o fez, deixou que emergisse todo o desejo reprimido e guardado em seu interior e entregou-se ao momento. Mulder admirou a mulher que estava a sua frente, seus braços nús até os ombros. O resto estava sobre a coberta e não foi difícil para ele imaginar o que estava escondido. A respiração, que no principio era pesada foi aos poucos diminuindo até que o ambiente sucumbiu ao silêncio mais profundo. Ambos dormiram, quase que ao mesmo tempo. A relação que se estabelecia ali já era tão visceral que seus organismos funcionavam como um só. Mulder, no entanto, foi o primeiro a acordar. Virou rapidamente para o lado para ver Scully e não conseguiu evitar um sorriso ao perceber que ela dormia profundamente. A visão da foto de Emily na cabeceira da cama fez com que ele apagasse o sorriso. Os dois tinham tantas coisas para conversar, tantas coisas para descobrirem. Mulder virou novamente para o outro lado e ficou pensando sobre o que acabaram de fazer. Ele sabia que tudo iria mudar entre eles. Mas o que dizer? Scully apesar de ter se entregado de corpo e alma, ainda tinha muita mágoa a respeito de todo o ocorrido, e Mulder tinha consciência disto. Em parte era sua culpa por ter achado que fazia o mais correto. Ele finalmente deixou com que o esgotamento físico vencesse sua mente e adormeceu novamente. Quando havia entrado no estágio mais profundo de seu sono foi acordado pelo barulho irritante do telefone que gritava desesperadamente. Scully, que estava ao lado do telefone, procurou o aparelho com raiva, por tê-la acordado. Ela ,finalmente, em seu estado de torpor atendeu ao chamado. Ela escutava em silêncio o que a outra pessoa estava lhe dizendo. Seus olhos não tinham expressão, quando desligou, ainda atormentada pela notícia sentou-se na cama e apoiou o rosto sobre as mãos. - Quem era, Scully? – Mulder quis saber - Minha mãe - Ela está bem? – ele notou que Scully estava diferente – Aconteceu algo com ela? – insistiu Mulder - Não - Scully olhou rapidamente para Mulder. – Foi com Bill... ele foi baleado. Está internado no hospital em estado grave. Eu tenho que ir encontrá-los. - Vai para Califórnia? - Não. ele está em Maryland, com minha mãe. - Eu vou com você – Mulder se preparou para vestir a roupa que estava mais próxima da cama. - Não – Limitou-se a dizer Scully - que a esta altura já estava abotoando o último botão da camisa. Mulder eu preciso de um tempo. Sinto muito – falando isso Scully entrou no banheiro, deixando Mulder olhando incrédulo. Mulder permaneceu estático na cama. Ele sabia que as coisas seriam diferentes com Scully daqui para frente. Só não imaginava o quão diferente iriam ser. No entanto, ele não podia analisar isto pelo diálogo que acabaram de ter. Afinal, ela estava fragilizada com a notícia sobre o irmão. Mas se ela somente deixasse que ele cuidasse dela. Quando Scully saiu do banheiro Mulder já não estava mais lá. Ela tentou se enganar que tinha sido melhor assim, mas não conseguiu esconder uma certa frustração por ele não ter insistido em ficar com ela. Scully estava confusa demais para pensar com a habitual lógica que lhe era peculiar. Sede dos Pistoleiros Solitários. Mulder chegou até a sede dos Pistoleiros e encontrou o lugar praticamente deserto. Apenas Langly estava sentado diante do que parecia ser um sistema de comunicação a longa distância. Mulder conseguiu ouvir que através do aparelho o pistoleiro passava instruções para os companheiros. Langly pareceu surpreso com a visita de Mulder. Ele contou que os outros dois parceiros estavam monitorando as ligações do prédio onde funcionava a revista médica. Eles tencionavam com isso descobrir qualquer informação sobre Scanlon, já que ele aparentemente estava vivo e ainda mandando os artigos sobre reprodução para revista. De repente do outro lado da linha Byers, contrastando com sua habitual discrição soltou um grito de surpresa. - Conseguimos! Mulder tomou o lugar de Langly ansioso para saber o que eles tinha descoberto. - Há cerca de quarenta minutos, Scanlon ligou para a revista perguntando sobre o pagamento pela publicação. Aparentemente o doutor está com pouco dinheiro. O número que rastreamos é de um hotel em Baltimore. Hospital Municipal de Baltimore. Scully chegou ao hospital e encontrou Maggie esperando em uma sala especial. Ela estava muito emocionada e não entendia direito o que tinha acontecido. Os médicos disseram que o filho tinha resistido bem a operação para retirada dos projeteis, mas ainda não tinham como prever se ele se recuperaria. - Mãe o que Bill estava fazendo aqui? - Eu não sei. Ele me falou que viria, mas nem mesmo disse quando chegaria em casa. Quando tudo aconteceu, eu nem estava acordada. - Mãe tem que lembrar de algum detalhe, qualquer coisa que possa ajudar- nos a pegar quem fez isso. - Não fale assim comigo Scully. Passei meia hora conversando com a polícia, eu sei muito bem disto. Não estou escondendo nada – Maggie se levantou nervosa. - Desculpe, só estou querendo ajudar. Sente-se vou buscar um café. - Scully espere – ela segurou na mão de Scully – Tem uma coisa que não contei. Antes de seu irmão desfalecer. Ele balbuciou o nome de Charles. - Charles?? - Sim, o pior é que já faz quase dois meses que não tenho nenhum contato com ele. Charles e Melissa sempre tiveram um distanciamento da família, que nunca fora explicado ao certo. Os contatos com Charles, por exemplo eram feitos somente através dos telefonemas a Margareth Scully, que aconteciam de tempos em tempos. O irmão não dava satisfação sobre sua vida profissional ou pessoal. Scully sabia que um dia, até mesmo estes telefonemas cessariam, no entanto, ela achava estranho que Bill mencionasse o nome do irmão. Scully permaneceu mais alguns minutos ao lado da mãe. A mulher de Bill já estava a caminho vindo da Califórnia. Scully decidiu que precisava ir até o local do tiroteio. Hotel no subúrbio de Baltimore Um homem grisalho entrou apressado no hotel e pediu ao gerente, que estava na portaria para que encerasse sua conta. Ele pagaria o que devia ainda aquela tarde. O homem de fato estava hospedado no hotel, mas permanecia a maior parte do tempo fora. Ele subiu até o quarto e começou a arrumar a pequena valise que carregava, somente contendo as roupas necessárias. Ele escutou dois toques na porta e seguiu para atender. - Não precisava vir até aqui. Eu iria descer para pagar – disse o homem grisalho ao abrir a porta. - Eu não perderia a chance de conhecer o seu aposento – disse o homem alto e moreno do outro lado da porta. - Não, por favor, poupe-me. - Poupar você. Bom, vamos ver quanto isto vai custar. - Eu não tenho nenhum dinheiro. - Nem mesmo vendendo seus segredinhos para essas publicações médicas Scanlon. - Krycek, você não é nenhum tolo. Sabe que o que recebemos é meramente simbólico. Eu preciso sim deste dinheiro, mas só é suficiente para que eu fuja para algum lugar e me mantenha por tempo suficiente até encontrar um emprego. - Do que está fugindo e onde está a menina? Sabemos que tem um dos clones com você. - Como do que estou fugindo? Sei que tem gente demais atrás de mim. Se soubesse que minha vida se tornaria um inferno, eu certamente não teria me metido nisto. Mas é tarde demais. - Por isso que você acabou com seu parceiro de jogo Scanlon? - Do que está falando? Não acha que eu sou responsável pelo sumiço de Charles não é? Eu não tenho nada com isso Krycek. Ele sabia onde estava entrando desde o início. Sabia que a menina que estava cuidando era filha da irmã dele, mas mesmo assim continuou. Tudo pelo vício do jogo. O cara era um louco chegou até a fazer uma plástica para mudar a face e não ser reconhecido. – Scalon estava nervoso e começou a disparar dezenas de informações que ajudaram Krycek a entender o que estava acontecendo. - Quer dizer que ele estava com a menina? Krycek jogou Scanlon no chão. Ele tirou uma arma de dentro do casaco e apontou para a cabeça do médico. Neste momento, eles escutaram barulho vindo do corredor. Krycek decidiu não atirar e saiu correndo pelo corredor. Mulder, Byers, Langly e Frhoike chegaram ao hotel poucos segundos depois que os dois outros homens tinham fugido. O gerente estava ainda com muita raiva porque Scanlon aparentemente tinha fugido e não havia pago a conta. Mulder revirou a mala de Scanlon e achou algumas notas promissórias, todas estavam em nome de Eliot Robins, o mesmo nome que ele já tinha visto antes no caso em que Scully estava investigando. O agente continuou a sua busca pelas coisas de Scanlon. Todos já estavam prontos para desistir quando Mulder ouviu um barulho de baixo da cama. Ele se agachou e viu Scanlon escondido. Casa de Margareth Scully Scully não encontrou nenhuma nova pista no local em que seu irmão fora baleado. A polícia já tinha inclusive tirado todas as sinalização de preservação de local, comuns neste tipo de acontecimento A mulher de Bill e seu filho, chegaram a casa de Maggie no final da tarde. Ela seguiu sozinha para o hospital deixando o filho com Scully e a babá, que dormiriam na casa. Scully pretendia, tão logo soubesse que o irmão se recuperaria, voltar para Washington e continuar a investigar o desaparecimento dos Robins. Ela estava muito próxima do caso, mas decidira que iria encarar de frente, mesmo sabendo que poderia não gostar do que fosse encontrar. Ela foi até o quarto onde a babá preparava o sobrinho para dormir e sentou-se ao lado da cama. Fazia muito tempo que ela não o via e ele estava ainda mais bonito. Scully estava seduzida pelos enormes olhos azuis que o menino possuía, que lembravam muito os da própria Scully. E teria ficado ali por horas não fosse o barulho na porta no andar inferior. A babá vendo Scully entretida com a criança, fez menção de ir atender a porta, mas Scully levantou a mão esquerda na direção da jovem moça, indicando que ela permanecesse onde estava, com o menino. Tão logo saiu do quarto Scully puxou a arma de dentro do casaco e desceu as escadas lentamente, tentando não produzir nenhum barulho. Já no andar de baixo ela se aproximou de uma pequena janela que havia ao lado da porta de entrada. Scully abriu levemente a cortina e espiou a pessoa que estava do lado de fora. A agente após reconhecer o visitante, soltou um longo suspiro e abriu a porta. Era Mulder. Mulder estava sentado na sala da mãe de Scully, observando as imagens sem som que vinham do aparelho de televisão a sua frente. Na teve um jogo primário de perguntas e respostas desafiava os participantes a descobrirem o significado das palavras que eram mostradas na tela. Scully estava na cozinha, preparando um pouco de café. Tão logo ela entrou na sala, correu os olhos pelo ambiente procurando pelo controle remoto para desligar a televisão. O apresentador perguntava qual das palavras expostas no quadro definiam o que era "Renúncia espontânea a um bem ou a um direito em favor de outra pessoa ou coisa." A mulher pensou um pouco e marcou a opção que trazia como resposta a palavra Sacrifício. Após uma luz verde acender, ela sorriu largamente diante da premiação que atingira. O rosto de contentamento da mulher, foi a última coisa que Mulder conseguiu ver, antes que Scully pressionasse o botão e desligasse a televisão. Scully entregou uma das xícaras de café a Mulder e sentou-se ao lado dele, evitando assim encarar os olhos do parceiro. - Como está seu irmão? - Os médicos não falam no futuro. Cada segundo, cada minuto que o seu quadro permanece estável é um ponto para sua recuperação. Estão confiantes. - Fico feliz. Sei que ele não gosta de mim, mas.. - Mulder – interrompeu Scully, ainda sem desviar o rosto da xícara de café a sua frente. - Sim. - Por que veio aqui. Quero dizer eu te falei que precisava de um tempo para pensar. - Eu sei Scully. Sei que está confusa. Acredite eu também. Mas precisamos falar. - Não há nada a ser falado. Pode ser que no futuro eu mude de opinião sobre isto, mas agora eu só tenho uma coisa a dizer sobre o que aconteceu. Foi um erro, um grande erro. Mulder não esperava o contrário de Scully. Era evidente que ela ainda não o tinha perdoado, mas as palavras dela não deixaram de surpreende-lo. Ele levantou- se num misto de irritação e desespero. - Não foi isso que pareceu, ontem a noite. - Agora entende, porque não queria que viesse aqui. Você anda por aí em busca da verdade, mas quando escuta, nem ao menos é capaz de ouvir e acreditar. - Scully está fazendo isso para me punir pelo que fiz a você e eu não a culpo. Agi como um perfeito idiota nessa história. Se eu pudesse voltar atrás faria tudo diferente, pode ter ceteza. Scully se calou. - Tem mais uma coisa. - O que é? – Pela primeira vez ela olhava diretamente nos olhos de Mulder. - Decidi que não vou mentir mais para você, mesmo sabendo que isto vai ser extremamente doloroso. - O que está falando? - É sobre o caso que estava investigando, antes de receber a foto de Emily, enviada por Krycek. Sobre os Robins. Eu fiz uma pesquisa sobre a vida de Eliot Robins e descobri quem na verdade ele é. – Mulder fez uma pausa. - Continue. - Eliot Robins é na verdade seu irmão Charles. - Está brincando. Não pode ser Mulder eu vi a foto dele. - E achou que ele lembrava alguém, não é? - Sim, mas – Scully continuava negando a possibilidade, mas cada vez mais a imagem de Eliot Robins se transformava em Charles, dentro de sua cabeça. – Como? Por que? Eu quero dizer se ele era Charles, porque estava com a minha filha? Mulder contou a Scully que nas fichas do governo sobre Eliot Robins não havia nenhum dado do passado dele. Não havia referências as escolas que ele freqüentava, dados familiares absolutamente nada. No entanto, os pistoleiros descobriram o nome dele ligado a uma clínica de cirurgia plástica. Nos últimos dois anos ele tinha se submetido a cerca de 10 cirurgias faciais que o tinha transformado na pessoa que era, até o dia de sua morte no metrô de Nova York. Aparentemente as cirurgias tinham sido feitas porque Charles, já casado com Teresa, tinha se metido com inúmeros problemas relacionados a dívidas de jogo. Numa dessas mesas de jogo ele conheceu Scanlon que provavelmente emprestou muito dinheiro para ele. Mesmo com o dinheiro de Scanlon, Charles estava cada vez mais encrencado e sua mulher até então não sabia nada a respeito dos problemas do marido e ele temia que ela o abandonasse. Na mesma época Scanlon começou a ser ameaçado de morte por pessoas ligadas aos projetos que ele estava envolvido. A casa do médico bem como uma de suas clínicas tinha sido incendiada, Scanlon descobriu que estas pessoas estavam, na verdade, atrás de um dos clones que ele possuía. - Liv? – Perguntou Scully, temendo a resposta de Mulder. Mulder apenas balançou a cabeça e continuou. Scanlon sabia que Charles era irmão de Scully e viu nele a possibilidade de livrar-se da menina. Deixando-a com ele e contando-lhe toda a história, exceto a parte de que existiam pessoas perigosas atrás dela. Charles aceitou manter o segredo, com medo de perder definitivamente o casamento e assim ficou com Liv. - Então ele matou Charles em Nova York? - Não ele disse não ter nem mesmo ido a Nova York. Scanlon falou que as dívidas de Charles só aumentavam e ele começou a ameaçar revelar todo o segredo. E assim o fez. Bill já sabia de tudo. - Está me dizendo que Bill foi baleado porque sabia demais ? - Scanlon confessou que tentou matar Bill. Ele só não sabe quem matou Charles ou por que? Foi a vez de Scully se levantar, ela ,como sempre, escondia bem seus sentimentos, mas Mulder sabia que tudo aquilo mexera muito com ela. - Mulder, percebe o que está dizendo? Não está falando de um bando de criminosos. Esta falando da minha família. - Não acha que vim aqui para mentir para você, ou acha? - Eu não sei em que acreditar. - Scanlon está na delegacia. Os pistoleiros estão acompanhando os depoimentos oficiais deles. Ele me contou isto a menos de uma hora. Scully eu sei que é difícil, mas tem que acreditar. Scully olhou mais uma vez para Mulder e sem dizer nenhuma palavra subiu as escadas em silêncio, deixando Mulder sozinho na sala. Mulder percorria as ruas escuras de Baltimore procurando por um hotel para passar a noite. Ele sabia que tinha sido um dia terrível tanto para ele como para Scully. No entanto, haviam algumas coisas que não faziam sentido. A primeira delas era a coincidência de Skinner ter colocado justamente ele e Scully investigando o caso do desaparecimento de "Eliot" e a Segunda e mais inexplicável era onde estava a criança que Charles tomara conta durante este tempo. Ela tinha simplesmente desaparecido sem deixar rastro. Mulder sabia que Skinner devia ter a resposta. QUARTEL-GENERAL DO FBI WASHINGTON, DC Mulder estava nervoso, ao entrar no Bureau dirigiu-se para a sala do Diretor Assistente Skinner. Não esperou a ante-sala e ignorando os avisos da secretária para que ele aguardasse , abriu a porta abruptamente e então foi quando tudo começou a fazer um pouco de sentido. Skinner havia se levantado e começaria a proferir palavras em desagravo a atitude de Mulder quando foi interrompido pelo Canceroso. - Cale a boca, Skinner. Vamos ver o que o agente Mulder quer. – ele sentou- se e tirou o maço de cigarros do bolso. - Então é esse seu joguinho, Skinner? Uma vela pra Deus e outra pro Diabo? - Você não entende a minha situaçã, agente Mulder. – disse Skinner abaixando o rosto. - Agente Mulder, em vez de ficar indignado com seu superior, trate logo do que veio fazer aqui! – disse o CGB tragando um cigarro - Eu quero respostas! – Mulder gritou.- Onde está a Emily? - Ela está fora do meu alcance, infelizmente. - Não minta, seu desgraçado. Eu sei que vocês a levaram para algum lugar. - Dessa vez, não fomos nós. Nós tentamos, afinal, ela é nossa experiência final. Tudo depende dela. - Ela não é mercadoria para você e sua corja.- Mulder olhou para Skinner.- Vocês deram o caso a mim e a agente Scully por um propósito, não é? - Muito bem, agente Mulder, agora vejo que está começando a raciocinar. – ele tragou mais uma vez o cigarro. – Eu quero que você traga a garota até mim. - Onde ela está? – quis saber Mulder - Calma... eu vou lhe explicar tudo. – ele apagou o cigarro.- Como você sabe Emily tem em seus genes tudo o que sempre buscamos. Ela é perfeita para a organização tanto quanto para os rebeldes sem face. De alguma maneira eles souberam da existência da garota e começaram a procurá-la. Nossos aliados conseguiram preservar o esconderijo da menina por um bom tempo, mas graças àquele idiota do Charles a informação vazou e eles tiveram acesso ao local. Os rebeldes invadiram a casa e mataram a mulher que estava lá, mas devido a importância da menina eles não conseguiram levá-la. - Então quem levou? - Os Walk Ins, você sabe quem são , agente Mulder? - Sim. – ele baixou a cabeça.- São espíritos de luz, uma espécie de força cósmica protetora. - Estes espíritos estão guardando Emily em um lugar inacessível para mim, ou para qualquer outra pessoa envolvida no projeto. Somente duas pessoas poderão tirá-la de lá! – ele acendeu outro cigarro - Eu ou a Scully, certo? – Mulder suspirou - Eu posso garantir que ela sobreviva , graças ao tratamento que foi desenvolvido pelo nosso pessoal. Mas preciso que você a tire de lá. - Você está mentindo! Se eu tirá-la de lá , ela vai morrer nas suas mãos. Como pode mentir com tanta cara de pau! - Se você não o fizer, tenho certeza que a agente Scully o fará de bom grado. – ele olhou friamente para Mulder Mulder ficou em silêncio por alguns instantes, sua cabeça estava repleta de incertezas. Ele não podia mais confiar em Skinner e tão pouco naquele velho assassino, mas e se esta fosse realmente a verdade? E qual seria o preço pelo favor? - Se eu concordar com seu plano o que terei que fazer em troca? - Você já vai estar fazendo a troca, agente Mulder. Somente um dos dois irão sair do campo energético dos Walk Ins. Mulder sentiu um aperto no peito neste instante. Sua vida estava em jogo e uma decisão deveria ser tomada. Se ele não concordasse sabia que Scully o faria e a idéia de perdê-la fez com que a sensação ruim que sentia piorasse ainda mais. Talvez o que tivesse acontecido entre eles fora uma despedida, a mais sublime de todas elas. Ele baixou o rosto em uma expressão de desalento. - Muito bem, vamos fazer a troca. – ele pode ver o sorriso no olhar do Canceroso. PALM BEACH – FLÓRIDA Mulder e o Canceroso foram para o local onde a troca deveria ser realizada. A noite estava gelada, um vento suave parecia vim dar as boas vindas aos homens. Eles desceram do helicóptero em uma montanha. Do alto desta Mulder pode ver o mar, em toda a sua plenitude. Ele ficou a aspirar o cheiro da maresia como se quisesse levar consigo aquele odor. Olhou para o céu estrelado e gravou em sua mente aqueles pontos brilhantes tão longe e ao mesmo tempo tão perto dele. O Canceroso o chamou de volta a realidade. - Mulder, está na hora ! - Eu já estou indo. – ele respondeu Os dois caminharam alguns metros até que uma luz muito forte surgiu. O coração de Mulder disparou. O Canceroso falou que somente Mulder poderia entrar pois sua virtude o concedia este direito. Ele ainda instruiu o homem a conduzir a garota até a saída do portal para que esta pudesse ser resgatada. Mulder assentiu com a cabeça e partiu. Ao entrar no portal pode sentir a vibração daquela energia em seu corpo. Algumas entidades vieram ao seu encontro e o indicaram para onde seguir. Emily surgiu ao seu lado, ela segurou sua mão e o puxou para que ele a conduzisse de volta. Ele assim o fez. Quando chegaram no fim de sua jornada , a garota virou-se para ele e o abraçou fortemente. Ela sorriu e foi saindo da luz. Mulder não soltava sua mão, ela virou- se novamente e ele viu o rosto de Scully nela. Estava feito. A luz sumiu e Emily agora estava no helicóptero junto ao Canceroso que parecia não estar bem. A menina olhou mais uma vez para a montanha e como se estivesse prevendo algo, fechou os olhos e suspirou profundamente. "Somos todos criados por adultos bem-intencionados quando somos crianças. Recebemos a verdade deles, pois é isso que eles sabem, e é isso que nos ensinam. Aprendemos de outros quando crescemos e adquirimos conhecimentos próprios. Invariavelmente, parte desse conhecimento está em conflito com parte do resto do conhecimento. Não é sempre que pensamos em nós mesmos, nossas personalidades, quem somos, como um corpo exclusivamente físico. Mas acho que estamos aqui em corpos físicos, feitos do corpo da Mãe-Terra, porque ela tem uma coisa para nos ensinar que só ela pode ensinar. O Amor. Em minha jornada pela verdade acabei me deparando com algo maior que ela , mas que somente agora, protegido por este campo de energia, eu pude compreender melhor. Pelos sinais a mim revelados sei que eu sou o mensageiro. Existe apenas um mensageiro para cada época. Sou o último mensageiro para este tempo. Este é o tempo do término do velho e de ingresso do novo. O velho pode terminar unicamente em autodestruição. Só se pode ingressar no novo por um único portão no tempo. E uma vez aberto conduz a um único caminho. Este caminho pode ser trilhado por todos. Eu agora devo esperar o sinal. Mas neste tempo de recolhimento meus pensamentos vão estar com Scully. Eu sei que ela pode me ouvir, bem no fundo de sua alma, e é por isso que eu lhe peço para esperar. Lembre-se de respirar fundo, de entrar na água, de amar a si mesma. A mudança simplesmente continua. Lembre-se que você nunca vai estar só. Meu amor é maior do que aquilo que você conhece como amor humano. Pare de ficar pensando se o que faz é certo ou errado e simplesmente seja. Você é amada a despeito do que faça, do que é e do que pense de si mesma. "