Muito legal a sua idéia de revisitar os episódios mais antigos—uma boa chance para os fãs novos conhecerem mais sobre os primórdios da série e uma chance de relembrar os velhos tempos para os fãs de longa data. Eu gosto de todos os episódios que você escolheu, cada um deles importante por uma razão, começando pelo ‘Piloto’, que marcou o encontro de dois agentes que mudaria o universo da ficção, sem exagero algum... :) ‘Fire’ traz uma nova personagem, que infelizmente não ganhou destaque—seria uma rival bem interessante pra Scully, ao contrário da insossa Diana Fowley. Phoebe Green merece entrar na categoria daqueles que adoramos odiar, na qual estão o nosso querido Rato e, para muitos, o Canceroso. Eu escolhi falar de ‘Terror no Gelo’ [Ice], e resolvi fazer um review, sem grandes pretensões, mas que expressa um pouco da minha paixão por esta série. ‘Terror no Gelo’ é o episódio pelo qual tenho um carinho especial por se tratar da história que me apresentou a este universo fantástico chamado AX. Tudo começou em meados de 1994, numa noite tediosa de sexta-feira [acho que passava nesse dia, na Record, não me lembro bem, mas sei que era um dia de semana], quando pulava de um canal para o outro, em busca de algo mais interessante que as novelas ou as reprises de filmes B que infernizavam a vida de quem não tinha outra opção além da TV aberta. Eis que surge na tela uma imagem disforme—nessa época o sinal da Record era de fato ‘o’ AX, de tão ruim -- que começa a ficar mais clara e revela dois homens se encarando, ensangüentados e ofegantes, armas em punho. A princípio pensei que fosse mais um filme B, mas algo me fez parar por alguns segundos e aguardar o desfecho daquela cena. Os tiros ecoaram naquela base encravada nos confins do Ártico e aquela música esquisita apareceu anunciando os créditos, onde surgiu um nome familiar... Quem? “O cara daquele filme... Kalifornia!”, exclamou o meu irmão, que também estava assistindo. “Ah, o ‘mauricinho’ que contracenava com o psicopata...”, me lembrei. Como tinha gostado do o filme, resolvi não mudar de canal durante o intervalo comercial. Além disso, aquela cena me deixara curiosa a ponto de querer acompanhar o resto. Mais tarde saberia que este trecho antes da abertura recebia o sugestivo nome de ‘teaser’... Voltando ao episódio, acompanhamos os momentos que antecederam o final trágico dos dois homens, registrados em vídeo. E somos apresentados aos dois agentes do FBI, Mulder e Scully. À primeira vista, uma dupla interessante, para não dizer improvável. Seguimos os dois até uma base aérea no Alasca, onde se juntam a uma equipe de cientistas. O clima de paranóia é latente e se tornaria uma constante ao longo do episódio, que assumiria ares claustrofóbicos quando a ação passaria a tomar lugar dentro da base isolada no meio do gelo. Um toque de ‘O Enigma do Outro Mundo’ e ‘Alien - O Oitavo Passageiro’, com um inimigo desconhecido que pode sair de seu esconderijo a qualquer momento. A frase ‘Não Confie Em Ninguém’ ganharia um novo sentido. E, num dos pontos altos, os dois agentes apontam as armas um para o outro, nos dando uma desconfortável e macabra sensação de ‘déjà vu’... A cena do teaser se repetia, carregada de tensão. Foi ali que pude notar que havia algo entre eles, uma coisa que ainda não dava para definir, mas que estava lá. Uma parceria qualquer não resistiria a um golpe desses, afinal, não se espera que o seu parceiro lhe aponte uma arma, quando ele deveria lhe dar cobertura numa situação de perigo. Mas o que fazer quando o seu parceiro se torna o perigo? Perturbador, não? Okay, eu não levantei essas questões naquele momento—na verdade estava acompanhando a história e gostando do que estava vendo ali—mas acredito que foi ali que comecei a me interessar novamente pelo universo da ficção-científica. Alguns torcem o nariz para este rótulo, ainda mais por se tratar de AX. Talvez porque AX vá muito além disso. A primeira temporada foi como um laboratório, no qual os roteiristas e Chris Carter tentavam encontrar o ponto certo. Cada episódio era algo totalmente diferente do anterior, dificultando a vida dos que tentavam encaixar AX em uma categoria. De ficção-científica, a série pulou para o terror, passando pelo drama— até hoje concorre a prêmios na categoria de série dramática. A temática é tão extensa que não dá pra se prender a um só gênero. E eu acho que é por isso que a série agradou e ainda agrada tanto, evoluindo com o passar do tempo. Divagações à parte, ‘Terror no Gelo’ nos introduz em um universo sombrio, no qual se desconfia de tudo e de todos e ainda estabelece os alicerces do que se tornaria a tão intrincada e mal aproveitada mitologia da série. Resumindo, um clássico a ser visto e revisto. Algo de que me lembro claramente é que, ao fim do episódio, tentando entender o que houve—ainda não estava acostumada com estes finais ‘em aberto’, que seriam a marca registrada da série—tinha uma única certeza: que estaria novamente em frente à TV na semana seguinte. E aqui estou, anos depois, à espera de mais uma temporada.