Beyond the Sea

Colagem: Késsia Nina

Comentários: Paty Emy

Eu poderia ficar horas e horas discutindo só sobre este episódio. Foi depois de assisti-lo que descobri que sou Scullyista... :)

Neste episódio, Scully é obrigada a rever a sua posição de cética de plantão.  Fragilizada pela perda do pai, a quem venerava e sempre teve medo de desapontar—é evidente o sentimento de culpa que ela nutre por ter largado a Medicina para entrar para o FBI [isso é abordado novamente em ‘Surpresa no Natal’ (Christmas Carol) ], Scully é colocada frente a frente com Luther Lee Boggs, um dos personagens mais interessantes e complexos que já apareceu em AX. O caso traz à tona memórias dolorosas e Scully se vê dividida, sem saber no que se apoiar—se nas suas crenças, já abaladas, ou na palavra de um assassino. Quem acusa a dupla Morgan/Wong de plágio—na época, alguns críticos apontaram semelhanças entre o episódio e o filme ‘O Silêncio dos Inocentes’—é porque não viu as várias nuanças deste episódio, que vai muito além da cena do filme que pode tê-lo inspirado e nos mostra um retrato de quem é Dana Scully.

Foi um episódio muito emocional, de fato. Vemos Mulder chamar sua parceira pelo primeiro nome, causando estranheza tanto nela como em nós... E Scully, abalada, mas disposta a não demonstrar sinal algum de fraqueza. As visões foram a seu modo assustadoras. O teaser é um dos melhores que já vi, e a cena do pai de Scully naquela poltrona ainda me dá arrepios toda vez que eu assisto ao episódios—a fita já está até meio gasta, hehehe. E quando Boggs começa a cantarolar ‘Beyond the Sea’... e ela vê o rosto do pai no lugar do rosto dele, confesso que me encolhi toda no sofá... Depois ela ainda tem a visão com o Mulder e começa a sentir que está perdendo o controle. Gillian Anderson é uma grande atriz e aqui nós tínhamos a primeira amostra do que ainda estava por vir.

Vemos aqui algo que se repetiria bastante ao longo da série—Mulder levando um tiro e sendo hospitalizado. Foi uma cena memorável aquela em que ela invade a cela de Boggs e o acusa de ter armado uma cilada para Mulder. O ódio em seus olhos parece transbordar para fora da tela. Mas, ao mesmo tempo, vemos toda uma gama de emoções ali, inclusive o medo de perder alguém que parecia ter se tornado importante para ela...  Já deu para prever como seria esta cena só pelo olhar dela na sala de emergência, quando os médicos lutavam para estabilizar o seu parceiro, ferido gravemente e sangrando muito. Gillian Anderson deu um show de interpretação—e deve ter calado a boca de muita gente lá na Fox, que tinha sérias reservas quanto à sua presença no elenco.

O David Duchovny também nos mostrou um outro lado do Mulder, preocupado com a sua parceira e, ao mesmo tempo, não querendo invadir o seu espaço. Tudo neste episódio é perfeito. E foi nessa história que nós fomos apresentados à Margaret Scully, outro personagem que ganharia grande importância na série e de quem eu gosto muito.  Sheila Larken consegue transformar as poucas falas que ela tem em cenas maravilhosas. Ela e Gillian atuam muito bem juntas e os roteiristas conseguiram aproveitar esta química muito bem nos episódios que se seguiram.

Vimos uma interessante inversão de papéis, com um Mulder cético e uma Scully querendo acreditar—ainda que mais ao final ela reassume a sua postura de questionar o que presenciou, apesar das evidências, mas aí já era pedir demais, não é mesmo?

A dupla Morgan/Wong nos deu grandes episódios e este é um deles. Acho que pelo fato de tratar com um assunto tão delicado—a morte—‘O Vidente’ mexe também com as emoções de cada um de nós. E envolve uma série de crenças as quais compartilho. Por estas e outras razões este episódio tem lugar cativo no meu coração de excer.

Beijos!!!

Paty